Ambientalistas no Brasil, uma visão crítica

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Ambientalistas, uma análise crítica depois de alguns anos da ação do Mar Sem Fim neste meio

(Ilustração de abertura: google)

Esta matéria é dedicada à você que se interessa pelas questões do meio ambiente mas que não participa, ou não conhece, as entranhas do  “movimento ambientalista brasileiro”.

Fique certo que ela não pretende ser um cronograma histórico rígido. É uma breve reconstituição usando   extratos, reminiscências sem outra pretensão que não dividir a visão pessoal do Mar Sem Fim com aqueles que confiam na gente. Mais uma vez damos a cara para bater. Se  é correta, meio correta, ou incorreta a nossa avaliação, não sabemos. Que seja julgada pelo público. O que prometemos  é cem por cento de honestidade intelectual.

Não citaremos nomes. Não caberiam no post. Nem daqueles em que este site confia, muito menos nos outros. Quem quiser que vista a carapuça, ou não.

Ambientalistas, uma análise crítica, e o compromisso ético de nossa geração

Nossa geração tem um compromisso ético com a questão por que, com exceção de Donald Trump, do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e mais meia dúzia de ignorantes, está claro para as outras pessoas que nossos hábitos de consumo são insustentáveis.  É por este motivo que você ouve tanto falar em “sustentabilidade”, “consumo responsável”, e outras expressões parecidas numa discussão que permeia toda a sociedade.

Anos 70, início do ‘movimento ambientalista’ moderno

Vamos recordar que o concerto das nações concorda que nossos hábitos são insustentáveis.  Não foi por outro motivo que em 1972, ao final da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, em Estocolmo (Suécia),  um marco do ambientalismo moderno, sua declaração final (Parágrafo sexto) ressalta que

…chegamos a um ponto na História em que devemos moldar nossas ações em todo o mundo, com maior atenção para as consequências ambientais. Através da ignorância ou da indiferença podemos causar danos maciços e irreversíveis ao meio ambiente, do qual nossa vida e bem-estar dependem…

No mesmo ano a Organização das Nações Unidas criou o seu Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, PNUMA com um objetivo bem definido

promover a conservação do meio ambiente e o uso eficiente de recursos no contexto do desenvolvimento sustentável

A reposta brasileira ao desafio da ONU

É certo que antes da Conferência de Estocolmo já existia a preocupação de governos e ONGs  com relação às questões do meio ambiente. No Brasil o Estatuto da Terra (1964), o Código Florestal (1965), a Lei da Pesca (1967), o Estatuto de Proteção à Fauna (1967), são ações do governo que precederam a Conferência de Estocolmo.

Pelo lado civil não foi diferente. Entre muitos outros, a União Protetora do Ambiente Natural (UPAN) foi fundada em 1955, por Henrique Roessler, no Rio Grande do Sul; e a Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN), no Rio de Janeiro, é de 1958.

Mas o marco, ninguém divida, foi este encontro  considerado   a primeira atitude mundial a tentar preservar o meio ambiente. E a resposta foi célere. Além de várias ONGs internacionais abrirem filiais no Brasil, como Greenpeace, WWF, Conservation Internacional, CI; outras, brasileiras, foram criadas. Entre elas a SOS Mata Atlântica (1986), Amigos da Terra – Amazônia Brasileira (1989), Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (1992), Instituto Socio Ambiental, ISA (1994), Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (1999), Instituto Akatu (2001), etc.

Anos 80, meio ambiente bombando

Foi um delícia. Quem viveu  sente saudades. Havia  mobilização geral. O público reagia, a grande imprensa dava destaque, a conscientização crescia. Os ambientalistas inspiravam-se uns nos outros, ajudavam-se mutuamente. Mas houve um erro pelo qual pagamos  até hoje. O mundo esqueceu-se do mar e do litoral. Cem por cento da ONGs, e do público, lembraram-se de proteger só da área continental.

Ambientalistas, imagem de vários peixes coloridos num recife
Biodieversidade em questão. (Imagem: webnode)

Ambientalistas, uma visão crítica, e algumas consequências do “movimento” de então

Pelo menos nossos biomas mais importantes ganharam visibilidade. A Mata Atlântica, sua incrível biodiversidade e o que fizemos com ela ao longo do tempo, subiu ao topo das preocupações. Até então quase só se falava na Amazônia. O Cerrado também ganhou destaque, e mais conhecimento sobre seus problemas. O mesmo aconteceu com o Pampa, o Pantanal e a Caatinga.

A grande imprensa se engajou na luta. Entre os jornais vale lembrar o saudoso Jornal da Tarde que deu imensa contribuição especialmente, mas não apenas, para a questão da Mata Atlântica. Governos foram pressionados e reagiram. A serra do Mar, e sua capa de Mata Atlântica, foi tombada em São Paulo por Franco Montoro. O gesto foi repetido pelo colega José Richa, do Paraná. A pressão pelo fim do desmatamento da Amazônia ganhou força extraordinária. O Pantanal virou coqueluche. Pessoas passaram a visitar nossos biomas. Aprenderam a conhece-los e protege-los. Havia  idealismo no ar.

Anos 90 até o fim do século passado

Empresas passam a se preocupar com seus processos e, em função do engajamento da opinião pública, algumas  fazem doações que deram ainda mais fôlego às ONGs.

O Brasil, país com a maior biodiversidade do planeta, vira machete pela Rio – 92. E os brasileiros passam a saber mais sobre as questões do meio ambiente. A conferência da ONU, realizada, no Rio, ganha a mídia nacional e internacional.

São Paulo deu novo exemplo ao adotar o Tietê, até então totalmente ignorado. Sem querer, tive um papel destacado nesta ação. Na época ainda não havia o egoísmo e o comodismo atuais. O engajamento da sociedade foi total: população, veículos de comunicação, ONGs e governos. Foi tão forte que dura até hoje, mais de 25 anos depois. E ainda outros tantos serão precisos se quisermos mesmo um Tietê limpo e saudável.

O mar a zona costeira começam a ganhar reconhecimento.

A virada do século – ambientalistas, uma visão crítica

Entramos no século XXI. A tecnologia domina nossas vidas. O mundo fica pequeno, a população mundial cresce enquanto os recursos naturais diminuem. O mar e a zona costeira entram, ainda que timidamente, na mídia. Novas ONGs são criadas  no exterior (muitas ainda antes da virada), desta vez para cuidarem exclusivamente do ‘maior e mais importante ecossistema do planeta’. Outras, ONGs que até então só cuidavam do meio ambiente continental, passam a ter ações e campanhas para o mar.

No Brasil, mais uma vez este site teve participação  sobre isso. Sua criação, os documentários na TV, as denuncias sobre o esquecimento, artigos e palestras, despertaram a opinião pública. Duas ONGs nos chamaram, pediram nosso material que foi cedido, e criaram ações para o mar e zona costeira: SOS Mata Atlântica e Greenpeace Brasil. É certo que havia outras, poucas, já atuando em favor do mar. Mas fomos os primeiros  a chamar a atenção para o descaso em relação ao espaço marinho.

Em 2010 começa uma guerra estúpida entre dois segmentos importantes da sociedade: ‘ambientalistas’ e ‘ruralistas’ (ou o segmento do agronegócio).  O estopim foi a reforma do Código Florestal, em 2010/2012. Houve radicalismo dos dois lados. Perdeu o Brasil. Ambos são fundamentais e complementares. Só não vê quem não quer.

Ambientalistas, uma visão crítica, e os dias atuais no Brasil

As ONGs, que no passado tiveram papel fundamental, e os ambientalistas, mostram as caras. O Brasil vive sua pior crise financeira e moral. O PT é desmascarado. Falta dinheiro até para serviços mais comezinhos. Ambientalistas passam a se preocupar com seus salários. ONGs deixam de lado o meio ambiente e trabalham para não perderem seus patrocínios.

A ‘Ladra Louca’ é empichada. É consenso  que o governo da Destrambelhada Dilma foi o pior, também para a questão ambiental. Pura perda de tempo e sucateamento do que restava do Ministério do Meio Ambiente, o ICMBio, o Ibama…

Temer assume em meio à pior crise política da história. Os partidos, todos, estão na berlinda por suas práticas patrimonialistas  desmascaradas pela Lava Jato. O clima é tenso. Ninguém sabe se o governo atual termina na boa, ou se o Brasil empichará seu terceiro presidente. Ninguém sabe se o país quebra, ou se consegue se levantar. O desemprego bate recorde: mais de 12 milhões de desempregados!

A sociedade reage, apoia a Lava Jato, coloca o Brasil em primeiro lugar. O momento, e a democracia, exigem participação. Não é questão de querer, ou não, exercer cidadania. Numa democracia isso é obrigação.

Zéquinha Sarney assume o Ministério do Meio Ambiente. Apesar do sobrenome ele tem um passado limpo na área. Foi ministro de FHC. É considerado por ‘ambientalistas’ de  renome, notadamente os de São Paulo, Rio de Janeiro, e os da região Sul, ‘o melhor Ministro do Meio Ambiente que o país já teve’. Um raro consenso registrado por este site.

Zéquinha Sarney começa a trabalhar. Cria Alcatrazes como Unidade de Conservação depois de mais de 20 anos de luta, mostrando ao que veio. E toma  outras medidas há anos esperadas pelos ambientalistas. Com elas cria inimizades no meio político. Ele desagrada o baixo clero e os ruralistas radicais…

Os radicais do chamado grupo  ‘ruralista’ pedem a cabeça do Ministro.

O panelaço

Ambientalistas que ainda militam pela causa organizam a reação. Eles são cada vez mais raros, mas ainda sobrevivem. É combinado um ‘panelaço’ nas redes sociais. Dia e a hora são marcados e diversos grupos, ONGs, e pessoas que atuam no meio, convocados. É preciso mostrar que Sarney Filho tem apoio da sociedade, caso contrário um dos radicais que contribuíram para a guerra estúpida pode acabar no ministério: o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP).

Ambientalistas, uma visão crítica, e o ‘panelaço’ que gerou este texto

O que acontece no dia? Nada! Ou quase nada já que serviu para separar o joio do trigo mostrando quem é quem. Mesmo aqueles ambientalistas que apoiaram a escolha de Sarney Filho publicamente, pessoas de extremo prestígio, mijaram pra trás. Outros, renomados, que não apoiaram publicamente a escolha de Sarney Filho por serem do grupo de  outro ícone do meio, Marina Silva, também mijaram para trás. Quanto às ONGs, ali a coisa foi feia. Todas mijaram pra trás.

Os ‘ambientalistas’ não perceberam, ou não quiseram ver, que a questão não é partidária, é maior e diz respeito ao que temos de melhor: a manutenção do que  resta de biodiversidade. O país está quebrado. Não haverá investimento no MMA ou suas autarquias por muitos anos; o cenário político, devastador, com o toma-lá-da-cá, é mais forte que nunca. Se até numa hora destas não conseguimos nos unir em prol de uma boa gestão, seja de que partido for o ministro ou o presidente, estamos agindo igual ao baixo clero, o que de pior há no Congresso. Foi o que aconteceu.

O “movimento ambientalista” mostra ser uma farsa, não existe

O que existe são  pessoas que se dizem ambientalistas, na opinião deste site, a maioria defendendo suas vantagens particulares. O idealismo  empalidece. Egoísmo, vaidade, interesses  menores e subalternos, imperam. Os  ‘ambientalistas’, que antes agiam pela causa, agora cuidam de sua sobrevivência financeira e ambições  políticas.

Ambientalistas, uma visão crítica, e por que ambientalistas e ONGs mijaram pra trás no ‘panelaço’

Na visão deste site porque têm objetivos menores, mesquinhos e egoístas. Assim como Lula e sua cambada PeTralha, preferem o quanto pior melhor.  Estão pouco se lixando para o país da maior biodiversidade. Cagam para o meio ambiente desde que seus salários de merda, seus patrocínios, alguns escusos, seus privilégios (alguns são funcionários públicos, ‘indemitíveis’ sejam bons ou ruins) e seus projetos pessoais não sejam atingidos.

Tão micho quanto isso.

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2 COMENTÁRIOS

  1. De chorar saber deste ocorrido…
    Por acaso alguma das “grandes” ONGs deu algum tipo de esclarecimento sobre o quê, ou não, fez no dia da manifestação conjunta..??
    Caberia uma grande divulgação disso pela mídia para “escancarar” o assunto….
    Afinal, muita gente de boa vontade contribui com algumas destas “grandes” ONGs achando que realmente ajudam em causas e ações verdadeiras….

    • De chorar é pouco, Marcelo, muito pouco! Nenhuma ONG deu qualquer satisfação. Sobre divulgar, é o que estou tentando. Você pode ajudar compartilhando, comentando com seus amigos na redes sociais, entregando os caras. Quem sabe a vergonha faz não a hora? Abraços, obrigado pela mensagem.

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