Ambientalistas no Brasil, uma visão crítica

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Ambientalistas, uma análise crítica depois de alguns anos da ação do Mar Sem Fim neste meio

Ambientalista: esta matéria é dedicada à você que se interessa pelas questões do meio ambiente mas que não participa, ou não conhece, as entranhas do  “movimento ambientalista brasileiro”.

Fique certo que ela não pretende ser um cronograma histórico rígido. É uma breve reconstituição usando   extratos, reminiscências sem outra pretensão que não dividir a visão pessoal do Mar Sem Fim com aqueles que confiam na gente. Mais uma vez damos a cara para bater. Se  é correta, meio correta, ou incorreta a nossa avaliação, não sabemos. Que seja julgada pelo público. O que prometemos  é cem por cento de honestidade intelectual.

(Este post foi escrito em janeiro de 2017 e, posteriormente, atualizado em 2020)

Ambientalistas, uma análise crítica, e o compromisso ético de nossa geração

Nossa geração tem um compromisso ético com a questão por que, com exceção de Donald Trump, e mais meia dúzia de ignorantes entre os quais incluo o presidente Jair Bolsonaro,  e seu ministro Ricardo Salles, está claro  que nossos hábitos de consumo são insustentáveis.  É por este motivo que você ouve tanto falar em “sustentabilidade”, “consumo responsável”, e outras expressões parecidas numa discussão que permeia toda a sociedade.

Anos 70, início do ‘movimento ambientalista’ moderno

Vamos recordar que o concerto das nações concorda que nossos hábitos são insustentáveis.  Não foi por outro motivo que em 1972, ao final da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, em Estocolmo (Suécia),  um marco do ambientalismo moderno, sua declaração final (Parágrafo sexto) ressalta que

…chegamos a um ponto na História em que devemos moldar nossas ações em todo o mundo, com maior atenção para as consequências ambientais. Através da ignorância ou da indiferença podemos causar danos maciços e irreversíveis ao meio ambiente, do qual nossa vida e bem-estar dependem…

No mesmo ano a Organização das Nações Unidas criou o seu Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, PNUMA com um objetivo bem definido

promover a conservação do meio ambiente e o uso eficiente de recursos no contexto do desenvolvimento sustentável

A reposta brasileira ao desafio da ONU

É certo que antes da Conferência de Estocolmo já existia a preocupação de governos e ONGs  com relação às questões do meio ambiente. No Brasil o Estatuto da Terra (1964), o Código Florestal (1965), a Lei da Pesca (1967), o Estatuto de Proteção à Fauna (1967), são ações do governo que precederam a Conferência de Estocolmo. Paulo Nogueira Neto conseguiu convencer o presidente Médici a criar, em 1973, a Secretaria Especial do Meio Ambiente (Sema) no Ministério do Interior, à frente da qual permaneceu até 1985. E onde conseguiu introduzir  a legislação e os órgãos administrativos da área ambiental no País. Foi o germe do ministério do Meio Ambiente criado em 1992.

A ação da sociedade civil

Pelo lado civil não foi diferente. Entre muitos outros, a União Protetora do Ambiente Natural (UPAN) foi fundada em 1955, por Henrique Roessler, no Rio Grande do Sul; e a Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN), no Rio de Janeiro, é de 1958.

Mas o marco, ninguém duvida, foi este encontro  considerado   a primeira atitude mundial a tentar preservar o meio ambiente. E a resposta foi célere. Além de várias ONGs internacionais abrirem filiais no Brasil, como Greenpeace, WWF, Conservation Internacional, CI; outras, brasileiras, foram criadas. Entre elas a SOS Mata Atlântica (1986), Amigos da Terra – Amazônia Brasileira (1989), Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (1992), Instituto Socioambiental, ISA (1994), Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (1999), Instituto Akatu (2001), etc.

Anos 80, meio ambiente bombando

Foi um delícia. Quem viveu  sente saudades. Havia  mobilização geral. O público reagia, a grande imprensa dava destaque, a conscientização crescia. Os ambientalistas inspiravam-se uns nos outros, ajudavam-se mutuamente. Mas houve um erro pelo qual pagamos  até hoje. O mundo esqueceu-se do mar e do litoral. Cem por cento da ONGs, e do público, lembraram-se de proteger só a área continental.

Ambientalistas, imagem de vários peixes coloridos num recife
Biodieversidade em questão. (Imagem: webnode)

Ambientalistas, uma visão crítica, e algumas consequências do “movimento” de então

Pelo menos nossos biomas mais importantes ganharam visibilidade. A Mata Atlântica, sua incrível biodiversidade e o que fizemos com ela ao longo do tempo, subiu ao topo das preocupações. Até então quase só se falava na Amazônia. O Cerrado também ganhou destaque, e mais conhecimento sobre seus problemas. O mesmo aconteceu com o Pampa, o Pantanal e a Caatinga.

A grande imprensa se engajou na luta. Entre os jornais vale lembrar o saudoso Jornal da Tarde que deu imensa contribuição especialmente, mas não apenas, para a questão da Mata Atlântica. Governos foram pressionados e reagiram. A serra do Mar, e sua capa de Mata Atlântica, foi tombada em São Paulo por Franco Montoro. O gesto foi repetido pelo colega José Richa, do Paraná. A pressão pelo fim do desmatamento da Amazônia ganhou força extraordinária. O Pantanal virou coqueluche. Pessoas passaram a visitar nossos biomas. Aprenderam a conhecê-los e protegê-los. Havia  idealismo no ar.

Anos 90 até o fim do século passado

Empresas passam a se preocupar com seus processos e, em função do engajamento da opinião pública, algumas  fazem doações que deram ainda mais fôlego às ONGs. O Brasil, país com a maior biodiversidade do planeta, vira manchete pela Rio – 92. E os brasileiros passam a saber mais sobre as questões do meio ambiente. A conferência da ONU, realizada, no Rio, ganha a mídia nacional e internacional.

São Paulo deu novo exemplo ao adotar o Tietê, até então totalmente ignorado. Sem querer, tive um papel destacado nesta ação. Na época ainda não havia o egoísmo e o comodismo como se vê hoje. O engajamento da sociedade foi total: população, veículos de comunicação, ONGs e governos. Foi tão forte que dura até hoje, mais de 25 anos depois. E ainda outros tantos serão precisos se quisermos mesmo um Tietê limpo e saudável. O mar a zona costeira começam a ganhar reconhecimento.

A virada do século – ambientalistas, uma visão crítica

Entramos no século XXI. A tecnologia domina nossas vidas. O mundo fica pequeno, a população mundial cresce enquanto os recursos naturais diminuem. O mar e a zona costeira entram, ainda que timidamente, na mídia. Novas ONGs são criadas  no exterior (muitas ainda antes da virada), desta vez para cuidarem exclusivamente do ‘maior e mais importante ecossistema do planeta’. Outras, ONGs que até então só cuidavam do meio ambiente continental, passam a ter ações e campanhas para o mar.

A participação do Mar Sem Fim

No Brasil, mais uma vez este site teve participação sobre isso. Sua criação, os documentários na TV, as denúncias sobre o esquecimento, artigos e palestras, despertaram a opinião pública. Duas ONGs nos chamaram, pediram nosso material que foi cedido, e criaram ações para o mar e zona costeira: SOS Mata Atlântica e Greenpeace Brasil. É certo que havia outras, poucas, já atuando em favor do mar. Mas fomos os primeiros  a chamar a atenção para o descaso em relação ao espaço marítimo.

Em 2010 começa uma guerra estúpida entre dois segmentos importantes da sociedade: ‘ambientalistas’ e ‘ruralistas’ (ou o segmento do agronegócio).  O estopim foi a reforma do Código Florestal, em 2010/2012. Houve radicalismo dos dois lados. Perdeu o Brasil. Ambos são fundamentais e complementares. Só não vê quem não quer.

Ambientalistas, uma visão crítica, o século 21

As ONGs, que até então tiveram papel fundamental, e os ambientalistas, mostram as caras. O Brasil vive sua pior crise financeira e moral. O PT é desmascarado. Falta dinheiro até para serviços mais comezinhos. Ambientalistas passam a se preocupar com seus salários. Algumas ONGs deixam de lado o meio ambiente e trabalham para não perderem seus patrocínios.

A ‘Ladra Louca’ é impichada. É consenso  que o governo de Dilma foi o pior, também para a questão ambiental. Pura perda de tempo e sucateamento do que restava do Ministério do Meio Ambiente, o ICMBio, o Ibama…

Temer na presidência

Temer assume em meio à pior crise política da história. Os partidos, todos, estão na berlinda por suas práticas patrimonialistas  desmascaradas pela Lava Jato. O clima é tenso. Ninguém sabe se o governo Temer termina na boa, ou se o Brasil impichará seu terceiro presidente. Ninguém sabe se o País quebra, ou se consegue se levantar. O desemprego bate recorde: mais de 12 milhões de desempregados!

A sociedade reage, apoia a Lava Jato, coloca o Brasil em primeiro lugar. O momento, e a democracia, exigem participação. Não é questão de querer, ou não, exercer cidadania. Numa democracia isso é obrigação.

Zequinha Sarney e o carma do sobrenome

Zequinha Sarney assume o Ministério do Meio Ambiente. Apesar do sobrenome ele tem um passado limpo na área. Foi ministro de FHC. É considerado por ‘ambientalistas’ de  renome, notadamente os de São Paulo, Rio de Janeiro, e os da região Sul, ‘o melhor Ministro do Meio Ambiente que o país já teve’.

Zequinha Sarney começa a trabalhar. Cria Alcatrazes como Unidade de Conservação depois de mais de 20 anos de luta, mostrando ao que veio. E toma  outras medidas há anos esperadas pelos ambientalistas. Com elas cria inimizades no meio político. Ele desagrada o baixo clero e os ruralistas radicais…

Os radicais do chamado grupo  ‘ruralista’ pedem a cabeça do Ministro. Mais adiante, ainda no governo Temer, este site inicia um movimento para mais proteção ao mar territorial brasileiro. Houve engajamento de várias ONGs, ambientalistas, e pessoal da academia. Não demorou e saltamos de 1,5% de mar protegido para cerca de 25%. Temer foi o primeiro presidente a olhar para o mar.

O panelaço a favor de Zequinha Sarney

Ambientalistas que ainda militam pela causa organizam a reação contra as ameaças ao então ministro Zequinha Sarney. Eles são cada vez mais raros, mas ainda sobrevivem. É combinado um ‘panelaço’ nas redes sociais. Dia e a hora são marcados e diversos grupos, ONGs, e pessoas que atuam no meio, convocados. É preciso mostrar que Sarney Filho tem apoio da sociedade, caso contrário um dos radicais que contribuíram para a guerra estúpida pode acabar no ministério.

Ambientalistas, uma visão crítica, e o ‘panelaço’ que não aconteceu por omissão

O que acontece no dia? Nada! Ou quase nada, já que a omissão serviu para separar o joio do trigo mostrando quem é quem. Mesmo aqueles ambientalistas que apoiaram a escolha de Sarney Filho publicamente, pessoas de extremo prestígio, deram pra trás. Outros, renomados, que não apoiaram publicamente a escolha de Sarney Filho por serem do grupo de  outro ícone do meio, Marina Silva, também. Quanto às ONGs, ali a coisa foi feia. E este foi apenas mais um exemplo da omissão e desunião dos ambientalistas.

O ‘mea-culpa’ que falta aos ambientalistas

Depois de um 2019 terrível para o meio ambiente, com uma administração francamente ignorante sobre o assunto, e cheia de má vontade, é chegada a hora de um ‘mea-culpa’ que deveria, mas não virá por parte dos ambientalistas. E por quê? Porque o governo federal não faz outra coisa a não ser demonizar ONGs e ambientalistas, acusando-os de serem ‘aproveitadores de dinheiro público em benefício próprio’, desmontando e aparelhando os órgãos ambientais, acusando gestões anteriores, ameaçando o status de UCs em geral, e parques nacionais em particular, e denunciando excessos da legislação. Sobre estas ações, ONGs e ambientalistas botam a boca no trombone. Para mostrar os erros do passado, nem tanto.

Hora de pôr os pingos nos is.

Problemas jamais apontados pela vasta maioria dos ambientalistas: UCs às moscas

Depois de muito trabalho e dedicação, cinco anos de viagens pela costa brasileira produzindo documentários para a TV, pude abrir as portas, melhor dizendo, as caixas pretas das UCs brasileiras, muitas das quais funcionam no papel. A imprensa jamais havia feito investigação de tamanha envergadura. E nunca mais parei de denunciar os mal feitos.

Grande parte delas está no papel. O principal motivo é que em muitas das UCs os antigos proprietários das terras requeridas pela União ainda não foram indenizados. Isso acontece até em unidades com mais de 20 anos. Por esta tremenda (e não contada) mancada, as áreas protegidas não podem impor suas regras de conservação. Este é o caso do sublime  Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no litoral médio do Rio Grande do Sul.

Poucas vezes vi ambientalistas alertando o público sobre isso. Foram, e continuam sendo, omissos. Com isso produzem munição a um ministro que tem por gosto a peleja, e as acusações, seja contra seu próprio corpo técnico, seja contra ONGs e ambientalistas.

UCs e Parques Nacionais desconhecidos da população

De que adianta criá-las se a população não sabe os motivos, ou a existência? É preciso conscientizar, e divulgar por parte do ministério do Meio Ambiente e outros, Educação e Turismo, por exemplo. Em todas as viagens que fiz, ao chegar numa UC aberta a turistas, perguntava aos visitantes sabiam tratar-se de área protegida. A resposta era não.

Turistas visitam os corais de Maceió, ou Pernambuco, mas nenhum deles sabe que está na APA Costa dos Corais, um dos 12 tipos de unidades de conservação brasileiras, e maior UC do bioma marinho. Pudera, não há qualquer informação no entorno, na mídia, ou nas redes sociais. O resultado é que nossas UCs, com raríssimas exceções, estão às moscas.

Assim como o MMA pouco as divulgou, os ambientalistas e ONGs, em sua maioria, preferiram o silêncio, e denunciaram pouco esta omissão do MMA. Mais munição para um ministro desavisado, agora, fortalecido (Quem cala consente…), que procura mudar o status quo de parques nacionais. Se nem a população os conhece, e portanto dá pouco valor, por que não pintar e bordar?

A falta de fiscalização

Você sabia que o Ibama, a quem cabe a fiscalização da costa brasileira, tem três barcos para a fiscalização? Eu disse, três barcos para mais de 7 mil km!  Alguma vez, alguém do MMA denunciou o  descalabro, e quanto as ONGs e os ativistas?

Plano de Manejo – inexiste na maioria das UCs

Plano de manejo é um instrumento fundamental para nortear os usos  das unidades de conservação. Mas são raros. Este passivo a descoberto, resulta em falta de pessoal e infraestrutura para receber turistas e gerar emprego e renda suficientes para mantê-las íntegras. E da mesma forma, vi poucos  ambientalistas expondo esta realidade ao público.

Mangues extirpados no Nordeste para dar lugar à famigerada carcinicultura

Uma das grande surpresas, desde a primeira viagem pela costa brasileira, foi descobrir a famigerada carcinicultura. As fazendas de criação de camarão no Brasil são um acinte às leis ambientais. A vasta maioria se localiza no Nordeste, pelo clima favorável. Só que os ‘fazendeiros’ decidiram extirpar os manguezais da região para ali construírem os tanques criatórios. E mangues são áreas públicas, protegidas pela legislação. São consideradas, por seus inúmeros serviços sistêmicos, Áreas de Preservação Permanente. Pois vieram abaixo em todos os Estados do Nordeste, sem que eu pudesse ver qualquer ambientalista denunciando o descalabro. Professores da academia o fizeram. Nativos, também. Mas, se algum ambientalista protestou, não vi. Não quer dizer que não haja quem o fez. Mas prova que são muito poucos que tiveram a coragem de botar a boca no trombone.

Até hoje as fazendas continuam lá. A maioria, de políticos: prefeitos, deputados e senadores. Até um ex-vice presidente foi dono de uma das maiores. Mas, tirando a Academia, o silêncio da maioria dos ambientalistas persiste. Nas redes sociais, e mídia em geral, só vejo este site denunciando solitário.

O Conselho do CONAMA

O Conselho Nacional do Meio Ambiente –  é o órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente-SISNAMA, foi instituído pela Lei 6.938/81, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente. Ele é presidido pelo Ministro do Meio Ambiente e sua Secretaria Executiva é exercida pelo Secretário-Executivo do MMA. Pois bem, três meses depois de assumir a pasta do Meio Ambiente o ministro convocou  uma reunião extraordinária do Conselho Nacional do Meio Ambiente, cuja pauta era a revisão do regimento interno.

Foi um barulhão nas redes sociais. “Vão acabar com o CONAMA”, ‘o ministro destruidor arrebenta de novo’, e por aí foi. Mas nenhuma destas críticas mencionava o tamanho do conselho do CONAMA.

Pesquisando, descobri que o ministro queria mudar  Conselho do Conama que era formado por nada menos que 96 pessoas! Convenhamos, isso não é conselho, é assembleia. Se fosse eu o ministro, mudava também. Acontece que, mais uma vez, raríssimas vezes vi ambientalistas criticando o fato do conselho ser na verdade uma assembleia. Se eu que sou do ramo, não sabia, que diria o leigo?

O que fez o ministro? Mudou o total de 96, para 23 conselheiros. E aproveitou o desconhecimento do público, e a omissão dos já citados, para dar um golpe e mudar também a representatividade do conselho. Perderam a sociedade, e a academia, ganhou o governo.

Críticas do atual ministro à criação de UCs

Quando o  atual ministro critica como foram criadas algumas unidades de conservação, não o contestamos. A crítica que ele faz neste caso é das poucas pertinentes. Todos os presidentes desde a redemocratização, em 1985, de Itamar, a Collor, passando por Sarney, FHC, Lula e Dilma e Temer, criaram unidades de conservação, mas nem todos as implantaram de fato, deixando um legado que se arrasta e acumula até hoje. Os exemplos das faltas estão acima descritos.

A realidade observada, e relatada minuciosamente pelo Mar Sem Fim nas UCs do bioma marinho,  é a mesma que impera nas dos biomas terrestres, tanto estaduais, como municipais. Este passado triste é herança que chegou à atual administração. E isso também foi muito poucas vezes denunciado ao público pelos ativistas ambientais. Mais uma falha que faz parte do ‘mea-culpa’ que falta a certos ambientalistas e ONGs fazerem. Só assim o leigo poderia entender a questão, e participar mais do ativismo a favor da correção dos erros do passado. Bandeira que, mais uma vez, fica quase só na mão do atual ministro.

O “movimento ambientalista” mostra fraqueza e pusilanimidade

O idealismo  empalidece. A acomodação, e alguns interesses  menores e subalternos, imperam. Os  ‘ambientalistas’, que antes agiam pela causa, agora cuidam de sua sobrevivência financeira e, alguns, ambições  políticas. É mais ou menos este o discurso da gestão atual. E neste caso, pelos motivos acima expostos, com certa dose de razão.

Hora de reagir. Sempre é tempo!

Tráfico de animais silvestres, e as redes sociais

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7 COMENTÁRIOS

  1. Vejo de outra maneira, mas concordo com sua tese. ONGs são fundamentais para defesa de interesses difusos e um governo com tentações totalitárias (de submeter todos os pensamentos da sociedade à sua ideologia) é impermeável à ciência e à participação social. Muita dessa impermeabilidade parte da ideologização das questões ambientais por determinados partidos melancia e movimentos associados. Tive a oportunidade de conduzir uma grande parceria entre um banco, uma autarquia e uma ONG e fomos atacados justamente porque o novo governo não entendeu que as soluções numa sociedade vibrante e complexa são construídas por várias mãos e com abordagem de várias partes interessadas.
    Não deixemos de lutar! A luta é justa e somos a maioria.

  2. Caro João, talvez influenciado pela genética e fenótipo bastante favoráveis, vejo seus vídeos, leio seus artigos e fico feliz em saber que neste vasto mar chamado “Ambientalismo Brasileiro”, nem sempre povoado ou voltado aos interesses públicos, você é um farol a nos iluminar. Sim, pois conheço e bem alguns destes personagens que embora se apresentem como ativistas, defensores, ambientalistas etc. estão muito mais preocupados em “caçar convênios”, melhorar seus cachês em palestras, simpósios etc. do que defender de verdade nossos biomas. Por isso, vai aqui um ensinamento que não fui eu quem cunhou mas que há muito aprendi: diante de minhas inúmeras convicções tive dúvidas…
    Parabéns. E seguirei, se ainda assim me quiseres, embarcado como um simples marujo, mas manifestamente orgulhoso de fazer parte da tua intrépida, inteligente e destemida tripulação!

  3. Meus sinceros parabéns pela coragem de apresentar sua opinião, muito bem fundamentada na prática continua de observação e ação do nosso meio-ambiente.
    Apesar do lamentável cenário, atitudes como a sua me deixa com a sensação de que a auto-critica é o primeiro passo para o sucesso.
    siga em frente

  4. Olá João, sei que é um artigo já de mais de 1 ano, e que evidentemente você tem uma posição bastante contrária ao PT, da qual compartilho até certo ponto.
    Porém minha questão é simples: neste segundo turno não estamos correndo um risco muito maior dos retrocessos já anunciados que estão vindo do extremismo de direita? Que inclusive já rendeu uma quantidade razoável de posts alertando sobre diversos assuntos, mas que evidentemente não ecoaram de forma suficiente na mídia e com a população. Infelizmente ainda não vi nada do Mar Sem Fim falando a respeito.
    Abraços!

  5. De chorar saber deste ocorrido…
    Por acaso alguma das “grandes” ONGs deu algum tipo de esclarecimento sobre o quê, ou não, fez no dia da manifestação conjunta..??
    Caberia uma grande divulgação disso pela mídia para “escancarar” o assunto….
    Afinal, muita gente de boa vontade contribui com algumas destas “grandes” ONGs achando que realmente ajudam em causas e ações verdadeiras….

    • De chorar é pouco, Marcelo, muito pouco! Nenhuma ONG deu qualquer satisfação. Sobre divulgar, é o que estou tentando. Você pode ajudar compartilhando, comentando com seus amigos na redes sociais, entregando os caras. Quem sabe a vergonha faz não a hora? Abraços, obrigado pela mensagem.

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