Ambientalistas no Brasil, uma visão crítica

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Ambientalistas, uma análise crítica depois de alguns anos da ação do Mar Sem Fim neste meio

Esta matéria é dedicada a você que se interessa pelas questões do meio ambiente mas que não participa, ou não conhece as entranhas do  “movimento ambientalista brasileiro”.

Fique certo que ela não pretende ser um cronograma histórico rígido. É uma breve reconstituição buscando as reminiscências, sem outra pretensão que não dividir a visão pessoal do Mar Sem Fim com aqueles que confiam na gente. Se  é correta, meio correta, ou incorreta, não sabemos. Que seja julgada pelo público. O que garantimos  é cem por cento de honestidade intelectual.

Sobre este post

Este post foi escrito em janeiro de 2017 e atualizado em 2020. Não foi escrito nesta época de grande polarização, em que ambientalistas são acusados de forma genérica de serem ‘pragas’ vivendo  ‘as custas’ do dinheiro público.

Ele foi escrito depois de mais de dez anos de investigação no mar e zona costeira. Neste período,  aprendi mais sobre a questão ambiental, as unidades de conservação, os conflitos, as leis de ocupação e uso do solo, etc.

A ideia foi propor uma crítica construtiva, provocar reflexão, sobre  algumas posturas que observei durante estes anos. Acredito que são atuais até hoje. Os ‘ambientalistas’ não são piores, nem melhores que os outros grupos humanos. São iguais. Como tal, têm virtudes e defeitos. Este texto procura mostrar algumas das fragilidades dos que se envolvem com a causa (é longo e de opinião).

Ambientalistas, uma análise crítica, e o compromisso ético de nossa geração

Nossa geração tem um compromisso ético com a questão porque nossos hábitos de consumo são insustentáveis. Não há quem duvide. É por este motivo que você ouve tanto falar em “sustentabilidade”, “consumo responsável”, e outras expressões parecidas numa discussão que permeia toda a sociedade.

Anos 70, início do ‘movimento ambientalista’ moderno

Vamos recordar que o concerto das nações concorda que nossos hábitos são insustentáveis.  Não foi por outro motivo que em 1972, ao final da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, em Estocolmo (Suécia),  um marco do ambientalismo moderno, sua declaração final (Parágrafo sexto) ressalta que

…chegamos a um ponto na História em que devemos moldar nossas ações em todo o mundo, com maior atenção para as consequências ambientais. Através da ignorância ou da indiferença podemos causar danos maciços e irreversíveis ao meio ambiente, do qual nossa vida e bem-estar dependem…

No mesmo ano a Organização das Nações Unidas criou o seu Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, PNUMA com um objetivo bem definido

promover a conservação do meio ambiente e o uso eficiente de recursos no contexto do desenvolvimento sustentável

A reposta brasileira ao desafio da ONU

É certo que antes da Conferência de Estocolmo já existia a preocupação de governos e ONGs  com relação às questões do meio ambiente. No Brasil foi criado o Estatuto da Terra  em 1964; o Código Florestal, 1965; a Lei da Pesca, 1967; o Estatuto de Proteção à Fauna (1967).

Todas foram ações do governo que precederam a Conferência de Estocolmo.  Outro marco definitivo foi a ação de Paulo Nogueira Neto ao convencer o presidente Médici a criar a Secretaria Especial do Meio Ambiente (Sema) ligada ao Ministério do Interior em 1973 à frente da qual permaneceu até 1985, e onde conseguiu introduzir  a legislação e os órgãos administrativos da área ambiental no País.

Foi o germe do ministério do Meio Ambiente criado em 1992.

A ação da sociedade civil

Pelo lado civil não foi diferente. Entre muitos outras a União Protetora do Ambiente Natural (UPAN) foi fundada em 1955, por Henrique Roessler, no Rio Grande do Sul; e a Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN), do Rio de Janeiro, é de 1958.

Mas o marco foi este encontro  considerado  a primeira atitude mundial para preservar o meio ambiente. A resposta foi célere. Além de várias ONGs internacionais abrirem filiais no Brasil, como Greenpeace, WWF, Conservation Internacional; outras, brasileiras, foram criadas.

Entre elas a SOS Mata Atlântica (1986), Amigos da Terra – Amazônia Brasileira (1989), Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (1992), Instituto Socioambiental, ISA (1994), Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (1999), Instituto Akatu (2001), etc.

Anos 80, meio ambiente bombando

Quem viveu  sente saudades. Havia  mobilização geral. O público reagia, a grande imprensa dava destaque, a conscientização crescia. Os ambientalistas inspiravam-se uns nos outros.

Mas houve um erro pelo qual pagamos  até hoje. O mundo esqueceu-se do mar e do litoral. Cem por cento da ONGs, e do público, lembraram-se de proteger só a área continental.

Ambientalistas, imagem de vários peixes coloridos num recife
Biodieversidade em questão. (Imagem: webnode)

Ambientalistas, uma visão crítica, e algumas consequências do “movimento” de então

Pelo menos nossos biomas mais importantes ganharam visibilidade. A Mata Atlântica e sua incrível biodiversidade  subiu ao topo das preocupações. Até então quase só se falava na Amazônia. O Cerrado também ganhou destaque. O mesmo aconteceu com o Pampa, o Pantanal e a Caatinga.

A grande imprensa se engajou na luta. Entre os jornais vale lembrar o saudoso Jornal da Tarde que deu imensa contribuição especialmente, mas não apenas, para a questão da Mata Atlântica.

Governos foram pressionados e reagiram. A serra do Mar, e sua capa de Mata Atlântica, foi tombada em São Paulo por Franco Montoro. O gesto foi repetido pelo colega José Richa, do Paraná.

A pressão pelo fim do desmatamento da Amazônia ganhou força extraordinária. O Pantanal virou coqueluche. Aos poucos, pessoas passaram a visitar nossos biomas. Havia  idealismo no ar.

Anos 90 até o fim do século passado

Empresas passam a se preocupar com seus processos e, em função do engajamento da opinião pública, algumas  fazem doações que deram ainda mais fôlego às ONGs. O Brasil, país com a maior biodiversidade do planeta, vira manchete pela Rio – 92. E os brasileiros passam a saber mais sobre as questões do meio ambiente. A conferência da ONU realizada no Rio ganha a mídia nacional e internacional.

São Paulo deu novo exemplo ao adotar o Tietê, até então totalmente ignorado. Sem querer, tive um papel destacado nesta ação. Na época ainda não havia o egoísmo e o comodismo como se vê hoje. O engajamento da sociedade foi total: população, veículos de comunicação, ONGs e governos.

Foi tão forte que dura até hoje, mais de 25 anos depois. E ainda outros tantos serão precisos se quisermos mesmo um Tietê limpo e saudável. O mar a zona costeira começam a ganhar reconhecimento.

A virada do século – ambientalistas, uma visão crítica

Entramos no século XXI. A tecnologia domina nossas vidas. O mundo fica pequeno e a população mundial cresce enquanto os recursos naturais diminuem. O mar e a zona costeira entram, timidamente, na mídia.

Novas ONGs são criadas  no exterior (muitas ainda antes da virada), desta vez para cuidarem exclusivamente do ‘maior e mais importante ecossistema do planeta’. Outras ONGs que até então só cuidavam do meio ambiente continental, passam a ter ações e campanhas para o mar.

A participação do Mar Sem Fim

No Brasil, mais uma vez este site teve participação importante. Sua criação, os documentários na TV e as denúncias sobre o esquecimento, artigos e palestras despertaram a opinião pública.

Duas ONGs nos chamaram, pediram nosso material que foi cedido e criaram ações para o mar e zona costeira: SOS Mata Atlântica e Greenpeace Brasil. É certo que havia outras, poucas, já atuando em favor do mar. Mas fomos os primeiros  na mídia a chamar a atenção para o descaso em relação ao espaço marítimo.

Em 2010 começa uma guerra desnecessária entre dois segmentos da sociedade: ‘ambientalistas’ e ‘ruralistas’ (ou o segmento do agronegócio).  O estopim foi a reforma do Código Florestal entre 2010/2012. Houve radicalismo dos dois lados. Perdeu o Brasil. Ambos são fundamentais e complementares.

Ambientalistas, uma visão crítica, o século 21

As ONGs que até então tiveram papel fundamental, e os ambientalistas, mostram as caras. O Brasil vive sua pior crise financeira e moral. O PT é desmascarado. Falta dinheiro até para serviços mais comezinhos. Ambientalistas passam a se preocupar com seus salários. Algumas ONGs deixam de lado o meio ambiente e trabalham para não perderem seus patrocínios.

A ‘Ladra Louca’ é retirada do poder. É consenso  que o governo de Dilma foi o pior também para a questão ambiental (até o advento Ricardo Salles). Pura perda de tempo e início do sucateamento do que restava do Ministério do Meio Ambiente, ICMBio, Ibama…

Temer na presidência

Temer assume em meio à pior crise política da história. Os partidos estão na berlinda por práticas patrimonialistas  desmascaradas pela Lava Jato. O clima é tenso. Ninguém sabe se o governo termina. Ninguém sabe se o País quebra ou  consegue se levantar. O desemprego bate recorde com mais de 12 milhões de desempregados!

A sociedade reage, apoia a Lava Jato, coloca o Brasil em primeiro lugar.

Zequinha Sarney e o carma do sobrenome

Zequinha Sarney assume o Ministério do Meio Ambiente. Apesar do sobrenome ele tem um passado limpo na área. Foi ministro de FHC. É considerado por ‘ambientalistas’ de  renome, notadamente os de São Paulo, Rio de Janeiro, e os da região Sul, ‘o melhor Ministro do Meio Ambiente que o país já teve’.

Zequinha torna Alcatrazes uma Unidade de Conservação depois de mais de 20 anos de luta. E toma  outras medidas há anos esperadas pelos ambientalistas. Com elas cria inimizades no meio político. Ele desagrada o baixo clero e os ruralistas radicais…

Os radicais do chamado grupo  ‘ruralista’ pedem a cabeça do Ministro. Mais adiante, ainda no governo Temer, este site inicia um movimento para mais proteção ao mar territorial brasileiro. Houve engajamento de várias ONGs, ambientalistas, e pessoal da academia.

Não demorou e saltamos de 1,5% de mar protegido para cerca de 25%. Temer foi o primeiro presidente a olhar para o mar.

O panelaço a favor de Zequinha Sarney

Ambientalistas que ainda militam pela causa organizam a reação contra as ameaças ao então ministro Zequinha Sarney.  É combinado um ‘panelaço’ nas redes sociais. Dia e a hora são marcados e diversos grupos, ONGs, e pessoas que atuam no meio, convocados.

Ambientalistas, uma visão crítica, e o ‘panelaço’ que não aconteceu por omissão

O que acontece no dia? Nada! Ou quase nada já que a omissão serviu para separar o joio do trigo mostrando quem é quem. Mesmo aqueles que apoiaram a escolha de Sarney Filho publicamente deram pra trás.

O ‘mea-culpa’ que falta aos ambientalistas

Depois de um 2019 terrível para o meio ambiente, com uma administração francamente ignorante sobre o assunto e cheia de má vontade, é chegada a hora de um ‘mea-culpa’ que deveria, mas não virá por parte dos ambientalistas. E por quê?

Porque o governo federal não faz outra coisa a não ser demonizar ONGs e ambientalistas acusando-os de serem ‘aproveitadores de dinheiro público em benefício próprio’, desmontando e aparelhando os órgãos ambientais, acusando gestões anteriores, ameaçando o status de UCs em geral,  e denunciando excessos da legislação. Sobre as ações do atual presidente, ONGs e ambientalistas botam a boca no trombone. Mas, quando Bolsonaro era candidato e ameaçava acabar com o MMA, muito pouco.

Hora de pôr os pingos nos is.

Eleição de Jair Bolsonaro e a posição de ONGs e ambientalistas

Em outubro de 2018, em plena campanha eleitoral, publicamos o post Ministério do Meio Ambiente ameaçado por asneiras de Bolsonaro; ONGs emudecidas, e ambientalistas calados. No parágrafo de abertura escrevemos: “Tudo tem limites. Desde o início das eleições temos sido ‘brindados’ com todo tipo de demagogia, propostas estapafúrdias, e desejos mal explicados de candidatos. Um dos líderes neste torneio de baixarias é o candidato maioral nas pesquisas de intenção de voto, Jair Bolsonaro. Uma de suas propostas mais disparatadas é transformar o Ministério do Meio Ambiente num apêndice do Ministério da Agricultura. A proposta não é apenas uma parvoíce, é vil!”

Mais uma vez reiteramos: pode até ser que alguma ONG e ou ambientalista tenha publicado algo a respeito das sandices do candidato. Mas, se o fizeram, não vimos. Deu no que deu…

Problemas jamais apontados pela vasta maioria dos ambientalistas: UCs às moscas

Depois de muito trabalho e dedicação, pude abrir as portas melhor dizendo, as caixas pretas das UCs brasileiras, muitas das quais funcionam no papel. A imprensa jamais havia feito investigação de tamanha envergadura. E nunca mais parei de denunciar os mal feitos.

Grande parte delas está no papel. O principal motivo é que em muitas das UCs os antigos proprietários das terras requeridas pela União ainda não foram indenizados. Isso acontece até em unidades com mais de 20 anos.

Por esta tremenda (e não contada) mancada, as áreas protegidas não podem impor suas regras de conservação. Este é o caso do sublime  Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no litoral médio do Rio Grande do Sul.

Poucas vezes vi ambientalistas alertando o público sobre isso. Foram, e continuam sendo, omissos. Com isso produzem munição a um ministro que tem por gosto a peleja.

UCs e Parques Nacionais desconhecidos da população

De que adianta criá-las se a população não conhece os motivos de sua criação, enquanto muitos sequer sabem de sua existência? É preciso conscientizar e divulgar por parte do ministério do Meio Ambiente, Educação e Turismo, etc. Em todas as viagens que fiz ao chegar numa UC perguntava aos visitantes se sabiam tratar-se de área protegida. A resposta era ‘não’.

Assim como o MMA nunca as divulgou, os ambientalistas e ONGs em sua maioria preferiram o silêncio, e denunciaram pouco esta omissão. Mais munição à toa.

A falta de fiscalização

Você sabia que o Ibama a quem cabe a fiscalização da costa brasileira, tem três barcos para a fiscalização? Eu disse, três barcos para mais de 7 mil km!  Alguma vez, alguém do MMA denunciou o  descalabro. E quanto às ONGs e ativistas?

Plano de Manejo – inexiste na maioria das UCs

Plano de manejo é um instrumento fundamental para nortear os usos  das unidades de conservação. Mas são raros. Este passivo a descoberto resulta em falta de pessoal e infraestrutura para receber turistas e gerar emprego e renda suficientes para mantê-las íntegras. Da mesma forma, vi poucos  ambientalistas expondo esta realidade ao público.

Mangues extirpados no Nordeste para dar lugar à famigerada carcinicultura

Uma das grande surpresas que tive foi descobrir a famigerada carcinicultura. As fazendas de criação de camarão no Brasil são um acinte às leis ambientais. A vasta maioria se localiza no Nordeste, pelo clima favorável.

Só que os ‘fazendeiros’ decidiram extirpar os manguezais da região para ali construírem os tanques criatórios. E mangues são áreas públicas, protegidas pela legislação. São consideradas Áreas de Preservação Permanente. Pois vieram abaixo em todos os Estados do Nordeste, sem que eu pudesse ver qualquer ambientalista denunciando o descalabro.

Professores da academia o fizeram. Nativos, também. Mas se algum ambientalista protestou, não vi.

Até hoje as fazendas continuam lá. A maioria, de políticos, prefeitos, deputados e senadores. Até um ex-vice presidente foi dono de uma das maiores. Mas, tirando a academia, o silêncio da maioria dos ambientalistas persiste. Nas redes sociais, e mídia em geral, só vejo este site denunciando solitariamente.

O Conselho do CONAMA

O Conselho Nacional do Meio Ambiente –  órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente-SISNAMA  instituído pela Lei 6.938/81 que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente é presidido pelo Ministro do Meio Ambiente, e sua Secretaria Executiva é exercida pelo Secretário-Executivo do MMA.

Pois bem, três meses depois de assumir a pasta o ministro convocou  uma reunião extraordinária do Conselho Nacional do Meio Ambiente cuja pauta era a revisão do regimento interno.

Foi um barulhão nas redes sociais: “vão acabar com o CONAMA”, ‘o ministro destruidor arrebenta de novo’, e por aí afora. Mas nenhuma destas críticas mencionava o tamanho do conselho do CONAMA.

Pesquisando, descobri que o ministro queria mudar  Conselho do Conama que era formado por nada menos que 96 pessoas! Convenhamos, isso não é conselho é assembleia. Se fosse eu o ministro mudava também. Raríssimas vezes vi ambientalistas criticando o fato do conselho ser uma assembleia. Se eu que sou do ramo não sabia, que diria o leigo?

O que fez o ministro? Mudou o total de 96, para 23 conselheiros. E aproveitou o desconhecimento do público e a omissão dos já citados, para dar um golpe e mudar também a representatividade do conselho. Perderam a sociedade e a academia, ganhou o governo.

Críticas do atual ministro à criação de UCs

Quando o  atual ministro critica a criação de algumas unidades de conservação não o contestamos. É das poucas pertinentes. Todos os presidentes desde a redemocratização em 1985, de Itamar, a Collor, passando por Sarney, FHC, Lula e Dilma e Temer, criaram unidades de conservação. Mas nem todos as implantaram de fato deixando um legado que se arrasta e acumula até hoje.

A realidade relatada minuciosamente pelo Mar Sem Fim nas UCs do bioma marinho,  é a mesma que impera nas dos biomas terrestre tanto as federais, como as estaduais e municipais.

Este passado triste é herança que chegou à atual administração. E esta pobreza também não foi denunciada ao público pelos ativistas ambientais. Mais uma falha que faz parte do ‘mea-culpa’ que está faltando. Sem falar no excesso de burocracia também presente nas ações do MMA, raramente criticada por ativistas.

O “movimento ambientalista” mostra fraqueza e pusilanimidade

O idealismo  empalidece. A acomodação, interesses  menores e subalternos imperam. Parte dos  ambientalistas que antes agiam por idealismo agora cuidam de sua sobrevivência financeira e, alguns, de ambições  políticas.

Não vi um único ambientalista ou ONG do setor (não que não tenha havido, mas não vi) dar uma força ou uma palavra sobre a votação do novo marco regulatório do saneamento básico, se não a maior, depois da pobreza é uma das maiores chagas sociais e ambientais brasileiras. Como justificar esta omissão?

(Tirando o caso do saneamento, que o despreparado ministro ignorou) é mais ou menos este o discurso da gestão atual.

E neste caso, pelos motivos expostos, com certa dose de razão ainda isso que não justifique a ação predatória de Ricardo Salle ao desmontar mecanismos ambientais longevos, e tidos como conquistas da sociedade, sem discussão muito menos sugerir alternativa.

Tráfico de animais silvestres, e as redes sociais

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9 COMENTÁRIOS

  1. Eu leio sempre que posso o que sai na página do Estadão. Em muitos pontos concordo com o site. A matéria sobre o tema do saneamento básico foi muito bom. Temos que preservar o meio ambiente e dar condições dignas de vida as pessoas. Muito lixão, pessoas sem água e esgoto. Zero de reciclagem de resíduos e de lixo industrial. Eu acredito que muitas dessas ONGs não passam na peneira. Radicalismo não leva a nada. Enfim sempre é bom surfar nas páginas desse marsemfim.

  2. Vejo de outra maneira, mas concordo com sua tese. ONGs são fundamentais para defesa de interesses difusos e um governo com tentações totalitárias (de submeter todos os pensamentos da sociedade à sua ideologia) é impermeável à ciência e à participação social. Muita dessa impermeabilidade parte da ideologização das questões ambientais por determinados partidos melancia e movimentos associados. Tive a oportunidade de conduzir uma grande parceria entre um banco, uma autarquia e uma ONG e fomos atacados justamente porque o novo governo não entendeu que as soluções numa sociedade vibrante e complexa são construídas por várias mãos e com abordagem de várias partes interessadas.
    Não deixemos de lutar! A luta é justa e somos a maioria.

  3. Caro João, talvez influenciado pela genética e fenótipo bastante favoráveis, vejo seus vídeos, leio seus artigos e fico feliz em saber que neste vasto mar chamado “Ambientalismo Brasileiro”, nem sempre povoado ou voltado aos interesses públicos, você é um farol a nos iluminar. Sim, pois conheço e bem alguns destes personagens que embora se apresentem como ativistas, defensores, ambientalistas etc. estão muito mais preocupados em “caçar convênios”, melhorar seus cachês em palestras, simpósios etc. do que defender de verdade nossos biomas. Por isso, vai aqui um ensinamento que não fui eu quem cunhou mas que há muito aprendi: diante de minhas inúmeras convicções tive dúvidas…
    Parabéns. E seguirei, se ainda assim me quiseres, embarcado como um simples marujo, mas manifestamente orgulhoso de fazer parte da tua intrépida, inteligente e destemida tripulação!

  4. Meus sinceros parabéns pela coragem de apresentar sua opinião, muito bem fundamentada na prática continua de observação e ação do nosso meio-ambiente.
    Apesar do lamentável cenário, atitudes como a sua me deixa com a sensação de que a auto-critica é o primeiro passo para o sucesso.
    siga em frente

  5. Olá João, sei que é um artigo já de mais de 1 ano, e que evidentemente você tem uma posição bastante contrária ao PT, da qual compartilho até certo ponto.
    Porém minha questão é simples: neste segundo turno não estamos correndo um risco muito maior dos retrocessos já anunciados que estão vindo do extremismo de direita? Que inclusive já rendeu uma quantidade razoável de posts alertando sobre diversos assuntos, mas que evidentemente não ecoaram de forma suficiente na mídia e com a população. Infelizmente ainda não vi nada do Mar Sem Fim falando a respeito.
    Abraços!

  6. De chorar saber deste ocorrido…
    Por acaso alguma das “grandes” ONGs deu algum tipo de esclarecimento sobre o quê, ou não, fez no dia da manifestação conjunta..??
    Caberia uma grande divulgação disso pela mídia para “escancarar” o assunto….
    Afinal, muita gente de boa vontade contribui com algumas destas “grandes” ONGs achando que realmente ajudam em causas e ações verdadeiras….

    • De chorar é pouco, Marcelo, muito pouco! Nenhuma ONG deu qualquer satisfação. Sobre divulgar, é o que estou tentando. Você pode ajudar compartilhando, comentando com seus amigos na redes sociais, entregando os caras. Quem sabe a vergonha faz não a hora? Abraços, obrigado pela mensagem.

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