Publicitários brasileiros: onde estão vocês?

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Publicitários brasileiros: não esqueçam as futuras gerações. Lembrem-se de que, entre os membros delas, estarão seus descendentes

Em geral, eles são as pessoas mais ‘antenadas’ que existem. Criativas, sensíveis e inteligentes. Antecipam tendências, projetam marcas, criam ‘cases mundiais’ mas, sobretudo, influenciam o público. É por isso que o Mar Sem Fim dedica este post aos publicitários brasileiros. Precisamos deles. Queremos chamar a atenção para um fato que ameaça nossa existência no planeta e nem por isso mereceu qualquer atenção.

Atualizado

 cartaz do festival de publicidade de Cannes para Publicitários brasileiros
Só prêmios não bastam…

Os publicitários brasileiros e o meio ambiente

É curioso. Os publicitários brasileiros sabem que o maior ativo do País é sua biodiversidade, muitos deles já trabalharam em prol do meio ambiente. Um dos mais icônicos resultados desta parceria é bastante conhecido: o logotipo da mais bem sucedida ONG tupiniquim: a S.O.S Mata Atlântica.

imagem do logotipo da ong sos mata atlântica feita por Publicitários brasileiros
Sensacional criação da DPZ.

Quer símbolo mais eloquente? Esta bandeira simboliza um país cujo verde ameaçava desaparecer. É um direto no queixo. Um belíssimo trabalho da DPZ. E há diversos outros, por parte de outras agências, desde o advento da Eco 92. Mas sempre em relação ao meio ambiente continental. Os publicitários brasileiros parecem não saber que…

Sem o Azul não haveria o Verde

É isso que nos intriga. Como é possível essa gente ‘antenada’ ignorar o ululante? Há mais de dez anos não se discute outro tema nas cúpulas mundiais, na academia, e na imprensa (estrangeira). A publicidade mundial acompanha, criando campanhas arrebatadoras que, a partir de agora,  mostramos ao longo do texto (junto com algumas imagens emblemáticas de nossa ação).

imagem de propaganda mostrando plástico no mar e na cadeia alimentar
Vejam que bela síntese: uma só imagem mostra o disparate do plástico nos oceanos e o fato de que ele já entrou em nossa cadeia alimentar.

Mas, neste caso, a publicidade nacional parece que habita outro planeta. Nem uma peça, um cartaz, uma frase que seja sobre o problema que ameaça a existência das futuras gerações: o iminente esgotamento da resiliência dos oceanos, o mais importante ecossistema da Terra sem o qual não haveria vida. Agora, depois do dramático alerta do IPCC, fica ainda mais chocante perceber a alienação.

imagem de sapato de salto alto eww forma de pé de pato
Bela sacada, hein, gente?

Enquanto ele é massacrado pela poluição, sobrepesca, desaparecimento de habitats, e o plástico, entre muitos outros, os criativos daqui continuam fingindo que o problema não existe, não é com eles. É sim, gente! Entre as futuras gerações estarão seus filhos e netos. Que espécie de planeta vocês pretendem deixar?

cartaz sobre o planeta e as futuras gerações
E, aí, Nizan, Olivetto, Fábio Fernandez, Márcio Santoro, Ivan Marques, vamos pôr mãos à obra? (Ilustração:www.businessinsider.com)

Publicitários brasileiros, o Mar Sem Fim, a despeito de ter avançado, não pode continuar sozinho

Pois é, estamos na quixotesca batalha desde 2005. Avançamos, conseguimos que o governo Temer olhasse para o mar e, corajosamente, criasse a maior área marinha protegida. Com relação ao público, também. Apesar da escassez de recursos, a primeira série de documentários Mar Sem Fim  veiculada pela TV Cultura (2005 -2007), foi líder de audiência com 3 pontos de média, e picos de até 4.6 (Na época cada ponto do Ibope equivalia a 43 mil domicílios na Grande São Paulo).

imagem de cartaz para campanha sobre poluição dos oceanos
Um belo poster da campanha #NoMoreButts chama a atenção para a poluição por bitucas, e o que acontece ao habitat marinho cujo habitante mais emblemático está ameaçado.

Em 2008 fomos além. E transformamos a série em formato de livro. Em dois grossos volumes, O Brasil Visto do Mar Sem Fim   foi indicado ao Prêmio Jabuti, categoria Reportagem. Palestras, artigos para jornais e revistas, e comentários na BandNews TV completam o arsenal.

imagens de recifes de plástico
“Recifes de plástico”, é o que verão as futuras gerações?

Hoje, por motivos de saúde, ainda não podemos voltar aos documentários.  Dedicamo-nos ao site que também cresceu, e às redes sociais. Segundo a InkID, a audiência média do site é de 150.000 visitantes diferentes por mês. No Facebook, a página do Mar Sem Fim tem 80 mil curtidas e, no Instagram, 9.200 pessoas nos seguem. Para um trabalho dedicado exclusivamente ao meio ambiente marinho não é nada mau.

imagem de poluição marinha
É esse mar que queremos legar?

Os detestáveis canudinhos de plástico: mais recente vitória do Mar Sem Fim

Quem trouxe a notícia ao publico brasileiro não foram os jornais, muito menos as revistas semanais. Quem os informou que, só nos USA são produzidos assombrosos 500 milhões de canudinhos por dia, foi este site no início do ano. Que nos conste, a única outra mídia em língua portuguesa, fora as redes sociais, a abordar a questão do plástico nos oceanos foi a National Geographic Brasil em seu número de junho de 2018.

imagem de cavalo marinho agarrado a cotonete
Nossa patética contribuição aos oceanos…

Pois bem. Passado menos de um ano podemos nos encher de orgulho. As redes sociais estão abarrotadas de ‘memes’, algumas cadeias de lanchonetes já não oferecem canudos de plástico. Restaurantes mudam fornecedores, e também começam a NÃO oferecer canudinhos.  E, nas festas de ‘bacanas’ (aqueles da faixa dos 40 pra cima, onde temos informações), em vez de canudos de plástico o ‘must’ agora é oferecer um tipo de macarrão com furo no meio. Parece incrível, mas a sociedade paulista reagiu. Até a gigante Drogasil NÃO oferece apenas sacos plásticos para seus clientes levarem remédios. Estive numa das lojas esta semana e, ao recusar o plástico, um dos caixas ofereceu-me sacos de papel!!

imagem de gafas plásticas no mar
E, aí, criativos, bateu inspiração?

Cidades brasileiras banem os canudinhos

Mas tem mais. A primeira cidade a banir os canudinhos foi o Rio de Janeiro. O  vereador Jorge Felippe (MDB) apresentou projeto que foi sancionado pelo prefeito do Rio em julho de 2018. Parabéns, Rio de Janeiro, pela volta ao protagonismo neste assunto tão importante. Segundo o texto da lei, os estabelecimentos devem oferecer aos consumidores versões de papel biodegradável ou reciclável. Os estabelecimentos que descumprirem a lei estão sujeitos a multa de 3.000 reais – valor que pode chegar a 6.000 reais em caso de reincidência. Cidades do litoral de São Paulo aderiram imediatamente à guerra contra este disparate. Projetos de Lei multam, e até propõe a cassação de licença de funcionamento de quem burlar a norma. A Folha de S. Paulo (21/10/18) informa que das 13 cidades do litoral apenas Cubatão e Mongaguá ainda não discutiram o tema. De todo modo os canudos já estão banidos de Bertioga, Guarujá, Itanhaém, Peruíbe, Praia Grande, Santos, São Vicente, Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba. Não é sensacional?

Quem cuida da conta da Drogasil?

Seja lá qual for a agência, veja que bom motivo para uma nova campanha…E por falar em campanhas, chegou a hora de mostrar algumas sugestões que este site separou para os publicitários.

imagem de anúncio de tartaruga morta por plástico

Antes…

Quais agências cuidam de McDonald’s e Coca- cola?

Vejam só as oportunidades perdidas. A cadeia de lanchonetes americana utiliza 500 milhões de canudinhos por dia! Já a Coca- cola, produziu em 2016 um bilhão e cem milhões de garrafas plásticas! Onde foram parar? Vejam a ilustração abaixo e descubram…

ilustração sobre lixo plástico encontrado no mar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E vocês, publicitários, ainda têm contas de várias empresas que trabalham com plástico, refrigerantes e suas garrafas, produtos de todos os tipos embalados em excesso de plástico que só serve para encarecer o dito cujo, e inundar o planeta, etc.

imagem de foca cortada por rede de pesca
O lixo quase degola a foca. Como não se horrorizar?

Sem falar em escritórios, colégios, faculdades, consultórios médicos (veja-se o absurdo) que servem cafezinho em xícaras de plástico, água em copos de plástico, etc. By the way, em suas agências existem estes plásticos de uso único? Sim? Shame on you…

As Campanhas Mais Fascinantes

Primeiro, a mais emocionante. Que se inspirem nelas. Seus filhos e netos terão orgulho de vocês. Ela entrou para a história da publicidade australiana. Nos referimos a…

Campanha da Optus

Apesar de não ser australiano tenho orgulho da companhia Optus. Tudo é possível neste mundo globalizado. Ela é a empresa líder em comunicações daquele país, onde 85% da população vive no litoral. Como tantas outras, a Optus estava envolvida numa guerra de preços no varejo. Em vez de acirrar a disputa, os publicitários australianos inverteram a estratégia, fortalecendo a marca para que os consumidores a vissem como mais que “preço bom”. E buscaram inspiração no mar…

Vejamos outra, que de emocionante não tem nada. Ao contrário, é angustiante. Deixa-nos sem fôlego. Mas foi premiada e reconhecida. Chama a atenção para o…

Excesso de plástico no mar

Campanha ‘Nature Is Speaking’ – Harrison Ford is The Ocean, para a Conservation International (CI)

Para encerrar, amigos publicitários, vejam o recado do oceano. E com sua criatividade, nos ajudem a espalhar a informação para todo o Brasil. As futuras gerações vão agradecer.

Tente não esquecer a imagem abaixo…

imagem de baleia emaranhada em rede de pesca

Fontes: https://veja.abril.com.br/economia/rio-de-janeiro-e-a-primeira-cidade-brasileira-a-banir-canudos-plasticos/; https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/10/cidades-do-litoral-paulista-travam-guerra-contra-os-canudos-plasticos.shtml.

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