Microplástico nos oceanos, descobertas alarmantes

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Microplástico: regata de volta ao mundo, Volvo Ocean Race, descobre partículas até no Ponto Nemo!

Se você gosta dos oceanos e quer mantê-los íntegros para que seus filhos e netos desfrutem de sua beleza e riqueza em biodiversidade, é preciso antes de mais nada, mudança de hábitos. As futuras gerações dependem de nossa decisão agora, hoje! A regata Volvo Ocean Race descobriu partículas de microplástico até no ponto mais ermo do planeta azul: o Ponto Nemo.

imagem de microplástico
O microplástico é ingerido por peixes e outros seres marinhos. Depois, nós, os seres humanos, comemos estes alimentos impróprios para a saúde. (Foto:http://blog.nationalgeographic.org/)

Microplástico em amostra de água do Ponto Nemo

Na atual edição da regata Volvo Ocean Race há um veleiro cuja missão não é apenas disputar a prova. Enquanto veleja contra o relógio, o  ‘Clean Seas – Turn The Tide On Plastic’ (em tradução livre, ‘Limpeza dos Mares – Vire A Maré Contra O Plástico’) recolhe água do mar que é analisada para saber entre outras, a quantidade de partículas de microplástico ou microfibras por metro cúbico de água.

imagem do veleiro Clean Seas - Turn The Tide On Plastic
O ‘Clean Seas – Turn The Tide On Plastic’ que recolhe amostras de água do mar enquanto compete.

Agora os cientistas já sabem que até no Ponto Nemo há partículas de microplástico!

Microplástico: entenda o que é

A definição está no próprio nome: partículas ‘micro’, ou muito pequenas, de plástico. Para alguns pesquisadores o tamanho máximo seria de 1 milímetro mas a maioria adota a medida máxima de 5 milímetros, o mínimo seria um ‘tamanho microscópico’. Esse é o caso da NOAA, a agência norte-americana que cuida de tudo em relação aos oceanos. Estas partículas vêm da deterioração de pedaços maiores do material (plástico) que não se decompõem. Elas são provenientes de lixo descartado em local errado que acaba indo pro grande ‘lixão’ que estão se tornando os oceanos.

Microfibras

Alguns pesquisadores, como Judith S. Weis (“Cooperative Work is Needed Between Textile Scientists and Environmental Scientists to Tackle the Problems of Pollution by Microfibers” ), dizem que   “de longe, o tipo mais abundante de microplástico nos oceanos são as microfibras (aproximadamente 85%), oriundas de tecidos sintéticos usados em roupas.” Segundo esta pesquisadora, “as microfibras foram encontradas até em biópsias pulmonares humanas.”

Por que o microplástico é danoso para os seres marinhos e o ser humano

Porque os animais marinhos confundem as partículas com seu alimento e as ingerem. Elas, por sua vez, entram em nossa dieta ao comermos peixes, camarões, ostras, e outros organismos marinhos. Pior que isso, o grande público ainda não sabe o que seriam estes microplásticos e seus malefícios simplesmente porque não os vêm. Mas, eles estão lá. Até no ponto mais ermo da Terra, agora ficou provado que sim, as partículas já contaminam todos os oceanos do planeta. Culpa de quem, senão nossa?

Veja o que disse a icônica National Geographic sobre o problema:

Existe um certo tipo de plástico cujos efeitos prejudiciais ainda não são amplamente reconhecidos pelo público, são os microplásticos, partículas que se deterioram a partir de peças (de plástico) maiores. A questão veio à tona devido ao uso de microesferas de plástico em produtos de cuidados pessoais, como esfoliantes de gel para banho, pasta de dente e maquiagem, que são drenados  pelo ralo. De acordo com uma pesquisa de 2012, foram utilizadas 4.360 toneladas de microesferas em todos os países da União Europeia.

Regata Volvo Ocean Race prova existência do microplástico em todos os oceanos

Os pesquisadores já sabiam do problema. Tanto é que a própria ONU entrou na guerra ao plástico ao lançar sua campanha. Mas até agora não havia amostras que provassem a tese. Até que veio a edição da regata de volta ao mundo. A ONU decidiu patrocinar um dos veleiros que aproveitaria rotas ainda não mensuradas, para coletas. E o Clean Seas – Turn The Tide On Plastic’ deu conta do recado.

O Ponto Nemo e o microplástico

De acordo com matéria do www.volvooceanrace.com,  “as descobertas mostram que, perto do Ponto Nemo, havia entre nove e 26 partículas de microplástico por metro cúbico de água.”

imagem de mapa com o Ponto Nemo onde foi encontrado microplástico
O Ponto Nemo, local mais ermo do Planeta. (Ilustração:www.redbull.com)

“Quando os barcos passaram perto do Cabo Horn (mais próximo de terra), na ponta da América do Sul, as medições aumentaram para 57 partículas por metro cúbico.”

Outros pontos avaliados durante a regata

“Níveis de 45 partículas por metro cúbico foram registrados a 452 km de Auckland, Nova Zelândia. Esta perna (etapa) começou lá. Apenas 12 partículas por metro cúbico foram encontradas a 1000 km da chegada em Itajaí. A diferença nas medições pode ser explicada pelas correntes oceânicas que transportam os microplásticos a grandes distâncias. Os mais altos níveis encontrados até agora, 357 partículas por metro cúbico, foram em uma amostra feita no Mar da China Meridional, leste de Taiwan, uma área que alimenta o Grande Giro do Pacífico.”

As consequências da triste descoberta

De acordo com o site volvooceanrace.com,  “o Dr. Sören Gutekunst do Instituto GEOMAR de Pesquisa Oceânica Kiel, analisou os dados preliminares de microplásticos no laboratório em Kiel, na Alemanha. E declarou:

Este é o primeiro dado que a comunidade científica tem sido capaz de analisar de uma parte relativamente inacessível do nosso planeta azul.   Infelizmente, isso mostra até que ponto os microplásticos penetraram em nossos vastos oceanos e agora estão presentes naquilo que, até agora, muitos consideram águas intocadas.

Soluções para o problema

No Brasil, atrasado como sempre, a única solução é a conscientização da população. Evite material plástico tanto quanto puder. Mas, se utilizar, sua obrigação é a separação do material na hora de jogar no lixo. E separá-lo para reciclagem. Ela é bem mais complicada que outros materiais, como alumínio e papelão, e nem todas as cidades brasileiras conseguem reciclar plástico. Mas nos grande centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, sim, a reciclagem já é realidade. É nossa obrigação ética e moral separar o lixo e reciclar. Dá mais trabalho? Sim, dá. Assim como dá mais trabalho, e custa mais caro, proteger seu filho e dar-lhe a educação mais adequada possível. E sabemos que os leitores deste site podem, e fazem isso. Então, porque a preguiça em mudar hábitos, consumindo menos plástico e, quando o fizer, reciclar? Mude. E mude já.

Outras possíveis soluções: eleições vêm aí…

Como explicamos detalhadamente em outra matéria, são três os atores envolvidos: a população, a indústria do plástico, e políticas públicas, leia-se políticos. Vêm aí eleições. Verifique a plataforma dos presidenciáveis e simplesmente não dê seu voto a quem não demonstrar preocupação com os oceanos, a última fronteira do globo; e o plástico, o grande vilão dos mares.

A responsabilidade da indústria do plástico

A indústria do plástico precisa ser obrigada, através de nova legislação, a se responsabilizar por parte do problema. Afinal, é ela quem escolhe os variados tipos de plástico a serem usados em seus produtos. Por outra parte, todas as grandes cidades do país devem estar preparadas para a reciclagem e, mais uma vez, isso depende da ação de políticos. O mesmo deveria acontecer com a indústria da fabricação de tecidos sintéticos.

Dotar os estados de legislação

Estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, e outros, precisam se inspirar em legislações mais avançadas, como as recentes tentativas da Califórnia e São Francisco, nos Estados Unidos, ou a Comissão Europeia. Ainda nesta semana ela esteve nas manchetes dos jornais ao propor a proibição de produtos plásticos que são utilizados apenas uma vez, como cotonetes, pratos, copos e talheres, canudinhos para refrigerantes, etc.

Nossa ação outra vez

A propósito, nós também podemos copiar o exemplo dos europeus em nosso local de trabalho, nas escolas de nossos filhos, em consultórios  médicos, etc, para que copos e xícaras para café (de plástico), sejam banidos imediatamente. O que custa pensar adiante de nossas vidas? Faça sua parte.

Fontes: https://www.volvooceanrace.com/en/news/11703_New-data-reveals-microplastics-in-worlds-remotest-ocean.html; https://oceanservice.noaa.gov/facts/microplastics.html; https://blog.nationalgeographic.org/2016/04/04/pesky-plastic-the-true-harm-of-microplastics-in-the-oceans/.

 Maré vermelha, saúde dos oceanos e nossa saúde

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2 COMENTÁRIOS

  1. “Se você gosta dos oceanos e quer mante-los íntegros…” Por que será que veiculam matérias para vocês e nunca para nós; a matéria ficaria muito mais palatável “se nós gostamos dos oceanos e queremos mante-los íntegros…” Parece a mesma besteira da “campanha” Que Brasil você quer” de uma emissora sem vergonha que prega o faça o que falo e não faça o que faço.

  2. “Porque os animais marinhos confundem as partículas com seu alimento e as ingerem. Elas, por sua vez, entram em nossa dieta ao comermos peixes, camarões, ostras, e outros organismos marinhos.”

    João, seu artigo é muito válido e oportuno, mas este trecho caiu mal. Plásticos não podem ser digeridos, muito menos absorvidos, e saem intactos nas fezes se forem ingeridos. Isto vale tanto para animais marinhos, que não os incorporam em sua carne, quanto para nós. Uma coisa é, por exemplo, uma tartaruga marinha comer uma sacola plástica confundindo-a com uma água-viva e morrer de obstrução intestinal por isso, ou os efeitos ainda incertos das micropartículas sobre o plâncton, que são problemas reais causados pela poluição por plásticos. Outra coisa muito diferente é um atum comer uma micropartícula e nós comermos a carne dele, que nunca teve contato com o plástico.

    Não quero minimizar o problema da poluição por plásticos, que é gravíssimo, mas no que diz respeito especificamente ao aspecto de entrar na cadeia alimentar, são problemas muito mais graves os bifenilos policlorados (PCBs), usados como isolantes em transformadores elétricos e na fabricação de plásticos, e o mercúrio. Esses sim, são absorvidos, entram na cadeia alimentar e podem causar câncer, defeitos congênitos e problemas neurológicos e renais. Os EUA já recomendam que mulheres grávidas evitem comer peixes marinhos, especialmente de grande porte, por causa do mercúrio.

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