Microplástico nos oceanos, pneus e roupas dão contribuição

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Microplástico: regata descobre partículas até no Ponto Nemo, Oceanos infestados de plástico!

Se você gosta dos oceanos e quer mantê-los íntegros para que seus filhos e netos desfrutem de sua beleza, e riqueza em biodiversidade, é preciso mudança de hábitos. As futuras gerações dependem de nossa decisão agora, hoje! A regata Volvo Ocean Race descobriu partículas de microplástico até no ponto mais ermo do planeta azul: o Ponto Nemo.

imagem de microplástico
O microplástico é ingerido por peixes e outros seres marinhos. Depois, nós, os seres humanos, comemos estes alimentos impróprios para a saúde. (Foto:http://blog.nationalgeographic.org/)

Inglaterra confirma pneus e roupas sintéticas como maiores contribuintes

Este post já mencionava tecidos sintéticos como ‘provável’ campeão na contribuição ao microplástico dos oceanos. Abordamos a questão, abaixo, no tópico ‘microfibras’. Agora, o jornal inglês The Guardian, que apesar da crise não deixa de abrir espaço para pautas importantes e interessantes como a causa dos oceanos, publica matéria mostrando que através de pesquisas ficou provado que no Reino Unido os dois maiores responsáveis são os tecidos sintéticos, e os pneus de automóveis.

Pneus e roupas sintéticas ‘grande causa de poluição por microplástico’

Pneus de veículos e roupas sintéticas são os dois principais contribuintes para a poluição de microplásticos de residências do Reino Unido, de acordo com um novo relatório da Amigos da Terra. O relatório estima que entre 9.000 e 32.000 toneladas de poluição por microplástico entram nos cursos de água britânicos a cada ano a partir de apenas quatro fontes. As duas principais são a abrasão de pneus, com entre 7.000 e 19.000 toneladas  a cada ano, e roupas.

A lavagem de roupa

Até 2.900 toneladas de microplásticos a partir da lavagem de roupas sintéticas, como lã de algodão, podem estar passando pelo tratamento de águas residuais em nossos rios e estuários.

A relevância da descoberta inglesa

Microplástico é um fenômeno só recentemente estudado. Ainda há muito o que se descobrir. Tanto é verdade que, apesar de haver concordância  com o fato dele já estar em nossa cadeia alimentar, ainda não se sabe quais riscos à saúde essa nova ‘dieta’ trará.

ilustração de poluição por microplástico e contaminação humana
Ilustração:You tube

Acharam a prova que faltava: microplástico em fezes humanas

A notícia chega à terrinha pela Deutsche Welle: “Pela primeira vez, estudo confirma suspeita de que partículas microscópicas de plástico estão no intestino humano. Mas cientistas ainda divergem sobre o que isso significa para a saúde das pessoas.”

Universidade Médica de Viena e da Agência Ambiental da Áustria

“Pesquisadores da Universidade e da Agência Ambiental da Áustria examinaram a dieta e amostras de fezes de oito voluntários em países diferentes. Encontraram quantidades variadas de microplásticos nas fezes de todos.   Os pesquisadores encontraram, em média, 20 partículas de microplástico em cada 10 gramas de fezes, de tamanhos que variam entre 50 e 500 micrômetros.”

Os tipos de plástico encontrados

“No total, nove tipos de plástico foram identificados. Os mais comuns foram os utilizados em embalagens, tecidos sintéticos  e garrafas de água (polipropileno e PET). “É altamente provável que durante as várias etapas do processamento de alimentos, ou durante a embalagem dos produtos, a comida esteja sendo contaminada por plástico”, disse Schwabl.

Microplástico em amostra de água do Ponto Nemo

Na edição 2018 da regata Volvo Ocean Race um veleiro não disputou apenas a prova. Enquanto veleja contra o relógio, o  ‘Clean Seas – Turn The Tide On Plastic‘ (em tradução livre, ‘Limpeza dos Mares – Vire A Maré Contra O Plástico’) recolheu água do mar,  analisada para saber entre outras, a quantidade de partículas de microplástico ou microfibras por metro cúbico de água.

imagem do veleiro Clean Seas - Turn The Tide On Plastic
O ‘Clean Seas – Turn The Tide On Plastic’ que recolhe amostras de água do mar enquanto compete.

Agora os cientistas já sabem que até no Ponto Nemo há partículas de microplástico!

Microplástico: entenda o que é

A definição está no próprio nome: partículas ‘micro’, ou muito pequenas, de plástico. Para alguns pesquisadores o tamanho máximo seria de 1 milímetro. Mas a maioria adota a medida máxima de 5 milímetros, o mínimo seria um ‘tamanho microscópico’.

Microfibras

Alguns pesquisadores, como Judith S. Weis (“Cooperative Work is Needed Between Textile Scientists and Environmental Scientists to Tackle the Problems of Pollution by Microfibers” ), dizem que   “de longe, o tipo mais abundante tipo de microplástico nos oceanos são as microfibras (aproximadamente 85%), oriundas de tecidos sintéticos usados em roupas.” Segundo esta pesquisadora, “microfibras foram encontradas até em biópsias pulmonares humanas.”

O Ponto Nemo e o microplástico

De acordo com matéria do www.volvooceanrace.com,  “as descobertas mostram que, perto do Ponto Nemo, havia entre nove e 26 partículas de microplástico por metro cúbico de água.”

imagem de mapa com o Ponto Nemo onde foi encontrado microplástico
O Ponto Nemo, local mais ermo do Planeta. (Ilustração:www.redbull.com)

“Quando os barcos passaram perto do Cabo Horn (mais próximo de terra), na ponta da América do Sul, as medições aumentaram para 57 partículas por metro cúbico.”

A responsabilidade da indústria do plástico

A indústria do plástico precisa ser obrigada, através de nova legislação, a se responsabilizar por parte do problema. Afinal, é ela quem escolhe os variados tipos de plástico a serem usados em seus produtos. Por outra parte, todas as grandes cidades do país devem estar preparadas para a reciclagem e, mais uma vez, isso depende da ação de políticos. O mesmo deveria acontecer com a indústria da fabricação de tecidos sintéticos.

Dotar os estados de legislação

Estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, e outros, precisam se inspirar em legislações mais avançadas, como as recentes tentativas da Califórnia e São Francisco, nos Estados Unidos, ou a Comissão Europeia.

Nossa ação outra vez

A propósito, nós também podemos copiar o exemplo dos europeus em nosso local de trabalho, nas escolas de nossos filhos, em consultórios  médicos, etc, para que copos e xícaras para café (de plástico), sejam banidos imediatamente. O que custa pensar adiante de nossas vidas? Faça sua parte.

Fontes: https://www.theguardian.com/environment/2018/nov/22/tyres-and-synthetic-clothes-big-cause-of-microplastic-pollution?CMP=twt_a-environment_b-gdneco https://www.volvooceanrace.com/en/news/11703_New-data-reveals-microplastics-in-worlds-remotest-ocean.html; https://oceanservice.noaa.gov/facts/microplastics.html; https://blog.nationalgeographic.org/2016/04/04/pesky-plastic-the-true-harm-of-microplastics-in-the-oceans/.

Ilustração de abertura: Arpad nagy-baggly/Adobe Stock/Wastewiseproductsinc.

 Maré vermelha, saúde dos oceanos e nossa saúde

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12 COMENTÁRIOS

  1. Uma boa resposta seria os governos isentarem de impostos os catadores e recicladores de plastico, hoje se passar com um caminhão cheio de sucata de garrafa Pete é parado e tem que recolher impostos, assim não dá, é material muito barato, diferente de latinhas de alumínio que tem valor, assim é melhor deixar boiando e arrasando a natureza.

  2. Segundo reportagem do Estadão de 12/02/2015 (https://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,oceanos-receberam-8-milhoes-de-toneladas-de-plastico-so-em-2010,1633578), um estudo publicado na revista Science concluiu que “juntos, 20 países produzem 83% do plástico sem gestão de resíduos, que pode chegar aos oceanos. A lista, liderada pela China, inclui Indonésia, Vietnã, Tailândia, Sri Lanka, Filipinas e, em menor grau, Estados Unidos, Brasil, Índia, Paquistão, Bangladesh, Myanmar, Malásia, África do Sul, Egito, Nigéria, Marrocos, Argélia, Egito e Turquia”. Ainda segundo o estudo, “o lixo que não é coletado ou se perde nos sistemas de gestão de resíduos é a maior fonte de plástico dos oceanos”.
    Aqui neste blog, recentemente, foi discutido PNRS (Plano Nacional de Resíduos Sólidos) e o seu fracasso. Precisamos de mais ação e menos teoria.

  3. A culpa é 80% dos países desenvolvidos!! Tudo criação deles que agora estão contaminando o quintal deles. Bem feito!! Criaram mas não ajudaram a controlar, só queriam o dinheiro!!

  4. Percebe-se que a humanidade são como pragas e insetos, por onde andam devastam e poluem tudo, e ainda se comentam no futuro povoar outros planetas, não merece.

  5. “Se você gosta dos oceanos e quer mante-los íntegros…” Por que será que veiculam matérias para vocês e nunca para nós; a matéria ficaria muito mais palatável “se nós gostamos dos oceanos e queremos mante-los íntegros…” Parece a mesma besteira da “campanha” Que Brasil você quer” de uma emissora sem vergonha que prega o faça o que falo e não faça o que faço.

  6. “Porque os animais marinhos confundem as partículas com seu alimento e as ingerem. Elas, por sua vez, entram em nossa dieta ao comermos peixes, camarões, ostras, e outros organismos marinhos.”

    João, seu artigo é muito válido e oportuno, mas este trecho caiu mal. Plásticos não podem ser digeridos, muito menos absorvidos, e saem intactos nas fezes se forem ingeridos. Isto vale tanto para animais marinhos, que não os incorporam em sua carne, quanto para nós. Uma coisa é, por exemplo, uma tartaruga marinha comer uma sacola plástica confundindo-a com uma água-viva e morrer de obstrução intestinal por isso, ou os efeitos ainda incertos das micropartículas sobre o plâncton, que são problemas reais causados pela poluição por plásticos. Outra coisa muito diferente é um atum comer uma micropartícula e nós comermos a carne dele, que nunca teve contato com o plástico.

    Não quero minimizar o problema da poluição por plásticos, que é gravíssimo, mas no que diz respeito especificamente ao aspecto de entrar na cadeia alimentar, são problemas muito mais graves os bifenilos policlorados (PCBs), usados como isolantes em transformadores elétricos e na fabricação de plásticos, e o mercúrio. Esses sim, são absorvidos, entram na cadeia alimentar e podem causar câncer, defeitos congênitos e problemas neurológicos e renais. Os EUA já recomendam que mulheres grávidas evitem comer peixes marinhos, especialmente de grande porte, por causa do mercúrio.

    • Goytá entenda que micro partículas são porções tão diminutas que podem sim serem absorvidas pelos organismos e transmitidos nas cadeias alimentares sendo que a nós como topo da cadeia alimentar acumulamos tudo. Você já deve ter lido sobre os cações como os “depositários” de mercúrio metálico exatamente porque comem de tudo e o mar infelizmente está virando um grande depósito de inservíveis para os humanos. Ainda nesta semana você deve ter lido sobre uma baleia morta no sudeste asiático que tinha no estômago “apenas” seis quilos de plásticos em diversas formas, mas em grande parte garrafas d’água e sacolas.

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