Amazônia e sua importância para o mundo: entenda

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Amazônia e sua importância para o mundo: entenda

A extinção da Renca, Reserva Nacional de Cobre e Associados, que pretendia estabelecer as áreas de mineração, em agosto passado, desencadeou uma histeria nacional e internacional sem precedentes. Mas, ao mesmo tempo, deu mais uma prova da Amazônia e sua importância para o mundo. Por quê?

imagem da amazônia
Amazônia e sua importância para o mundo

A Amazônia e suas influências

Por sua extensão e propriedades, a Amazônia influencia regime de chuvas em toda a América do Sul. Contribui para estabilizar o clima global. E, de quebra, é a floresta com maior biodiversidade do mundo.

A Amazônia e os rios voadores

A área da Floresta Amazônica produz imensas quantidades de água, e um fenômeno conhecido como “rios voadores”. Estes fluxos aéreos  de água, formados por massas de ar carregadas de vapor de água são ‘puxadas’ do oceano Atlântico. Depois, empurrados por ventos, levam a unidade para outras regiões do Brasil; e para outros países da América do Sul como Bolívia, Paraguai, Argentina, Uruguai e até mesmo o sul do Chile.

diagrama mostrando a formação de rios voadores na amazônia
Os rios voadores: Amazônia e sua importância para o mundo (Ilustração: http://riosvoadores.com.br)

Depois que a umidade é sugada do Atlântico, ela se desfaz sob a forma de chuva na floresta. A floresta, e a bacia amazônica, sofrem forte evaporação, e reenviam a água da chuva para a atmosfera na forma de vapor. O ciclo se repete. O vento entra novamente em ação, empurrando a massa em direção a cordilheira dos Andes onde encontra uma barreira natural. Parte do vapor volta cair em forma de chuva, alimentando as cabeceiras de vários rios formadores do Amazonas. Outra parte é desviada pela cordilheira em direção ao sul, atingindo as regiões de agricultura mais importantes do Brasil, o Centro- Oeste, e chega até países vizinhos.

No vídeo fica mais fácil entender o processo:

Um única árvore pode bombear 300 litros de água para a atmosfera

A evaporação pode ter vazão igual ou superior à do rio Amazonas, que é de 200.000 m3/s. Em um único dia uma árvore com uma copa de 10 metros pode bombear mais de 300 litros de água para a atmosfera. Calcula-se que haja cerca de 600 bilhões de arvores na Amazônia. Isso dá a dimensão da água bombeada a cada 24 horas. E, claro, previsões mostram alterações importantes no clima da América do Sul em razão da substituição de florestas por agricultura ou pastos. Mas isso é só uma parte da preocupação mundial.

Amazônia e as mudanças climáticas

As florestas tropicais armazenam algo em torno de 90 bilhões a 140 bilhões de toneladas métricas de carbono, para não falar que as florestas desmatadas são as maiores fontes de emissões de gases do efeito estufa depois da queima de combustíveis fósseis (Estima-se que o desmatamento seja responsável por quase 20% do total das emissões anuais globais dos gases causadores do efeito estufa). Assim como os oceanos, as florestas retém o carbono no solo e árvores. Quando desmatadas, o carbono retido é liberado na atmosfera na forma de dióxido de carbono, um dos gases causadores do efeito estufa o que altera o clima em todo o mundo.

O Acordo de Paris e a Amazônia e sua importância para o mundo

Ele foi o mais importante acordo sobre o clima já realizado. Seu principal objetivo é manter o aquecimento abaixo de 2ºC neste século. Para que  a meta seja atingida, é fundamental a manutenção das florestas, além de outras políticas públicas. A comunidade científica está preocupada. Há três anos as temperaturas globais têm batido recordes sucessivos. E a água é cada vez mais escassa no mundo. Esse é mais um dos motivos que gerou a histeria internacional sobre o ‘final’ da Renca, e demostra a importância da Amazônia para o mundo.

Escassez de água no mundo

A Organização das Nações Unidas (ONU) tem previsões sombrias: “se as políticas públicas não mudarem, dois terços da humanidade sofrerão alguma restrição do recurso em 2025 e 50 países enfrentarão crise no abastecimento até 2050.”

Mais uma vez, o foco se vira para o Brasil onde estão cerca de 12% da água doce superficial do planeta.

Quem é quem no consumo de água: 70% agricultura, 20% indústrias, só 10% para consumo

João Alberto Alves Amorim, professor do curso de Relações Internacionais da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios (EPPEN/ Unifesp) – Campus Osasco – e doutor em Direito Internacional pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) tem a resposta. Para ele “o setor agropecuário é responsável, globalmente, por cerca de 70% do consumo de água (no Brasil, 72%). Em segundo vêm as atividades industriais, que respondem por cerca de 20%. O consumo individual responde pelos 10% restantes.”

É preciso mudar os padrões: da cultura do excesso e desperdício, para o consumo responsável

João Alberto Alves Amorim explica: “com aproximadamente 5% da população mundial, os Estados Unidos consomem 20% de toda a energia produzida e geram 40% de todo o lixo. Se todos os habitantes da Terra consumissem como um estadunidense médio, seriam necessários outros dois planetas para suprir a demanda.” Para o pesquisador “a prioridade do consumo humano e da saúde pública devem ser a premissa maior.”

E se apenas estas informações não fossem suficientes para justificar a preocupação mundial com a  Amazônia, basta lembrar que 21% de todos os peixes de água doce estão nos rios da região. E 12% da água doce que vai para os oceanos é despejada pelo Amazonas. Sem falar nas milhares de espécies ainda não conhecidas ou descritas pela ciência.

A falta de investimento na fiscalização é igual a aumento do desmatamento

Enquanto esta riqueza permanece desconhecida, o Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) informa que “o rebanho bovino na Amazônia Legal saltou de 37 milhões de cabeças em 1995, o que era equivalente a 23% do total nacional, para 85 milhões em 2016 – cerca de 40%.” E finaliza: “A pecuária para a criação de gado é a atividade que mais contribui para o desmatamento na Amazônia, ocupando 65% da área desmatada.”

E mesmo com estas informações o governo investe menos que o necessário para a fiscalização do desmatamento. Resultado? Sobem as taxas.  Em 2016, foram cerca de 30%, a pior taxa desde 2008. Isso faz pensar que, às vezes, a histeria internacional mencionada no início tem lá suas funções…

Foto de abertura: Instituto Amazônia

Fontes: http://g1.globo.com; http://www.dw.com; http://riosvoadores.com.br; http://www.unifesp.br.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Somos de uma burrice e prepotência incurável. Nossa, como reverter isso e nos colocar na nossa própria consciência de que não somos tudo, pelo contrário somos absolutamente dependentes.

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