Petróleo na foz do Amazonas, dilema para Lula

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Extração de petróleo na foz do Amazonas, dilema para Lula

O novo governo mal começou enquanto os desafios se acumulam. Um deles está agitando a mídia internacional. Matéria da Bloomberg está sendo repercutida por vários sites especializados. E é de fato um dilema que o presidente terá que enfrentar em breve.  ‘O conflito entre as ambições do Brasil de se tornar um administrador ambiental mais responsável e, ao mesmo tempo, aumentar as lucrativas exportações de petróleo se transformou em um teste inicial para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva’. Extração de petróleo na foz do Amazonas, dilema para Lula.

plataforma de petróleo na foz do Amazonas
Imagem, gcaptain.com.

Costa Norte do Brasil

Do ponto de vista ambiental a COSTA NORTE não poderia ser mais importante e, ao mesmo tempo, sensível para a biodiversidade. Ela é majoritariamente  formada por manguezais.

E, segundo estudo publicado na  www.researchgate.net. , os manguezais são um dos ecossistemas mais produtivos e biologicamente complexos do mundo. O Brasil é o terceiro país no ranking dos maiores manguezais do planeta, atrás da Austrália, e Indonésia em primeiro.

Para além de ser um berçário de vida marinha, florestas de mangues são potências quando se trata de armazenamento de carbono. Estudos indicam que, quilo por quilo, os manguezais sequestram quatro vezes mais carbono do que as florestas tropicais.

Por outro lado, contra todas as expectativas, em 2016  foi descoberto um imenso conjunto de corais na foz do Amazonas.  Nada menos que uma faixa  com 1.000 km  de extensão  por 40 km  de largura.  E  os  corais  se  estendem por  uma área de 50 mil km2, equivalente ao   Estado do  Rio  Grande  do Norte.

corais na foz do Amazonas

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Se os manguezais são o segundo berçário de vida marinha, o primeiro são os corais. Acontece que os corais de águas rasas estão ameaçados em todo o planeta pelo aquecimento global. Não por outro motivo, desde 2018 a ONU alerta que a proteção a recifes de coral deve ser prioridade global.

Posto isto, vamos ao dilema de Lula.

Explorar, ou não, petróleo na foz do Amazonas

Desde que este imenso banco de corais foi descoberto, ele passou a ser ameaçado em razão do petróleo que, da mesma forma, existe na região. Anotem aí: o vilão rondando sua presa desde que veio à luz, como atesta The Guardian, ao mostrar que no mesmo ano da descoberta três petroleiras disputavam a área.

Vamos nos lembrar que petróleo ainda vale muito. É, portanto, uma riqueza enorme para um País em desenvolvimento. Segundo o site, www.osul.com.br, ‘na época, a ANP estimou que existia um potencial de 30 bilhões de barris de petróleo na Margem Equatorial – bacias Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar – com um volume recuperável (produção efetiva) de 7,5 bilhões de barris de petróleo, volume que poderá ser bem maior com as novas tecnologias desenvolvidas pela Petrobras.’

Este é o dilema que Lula terá que resolver, e muito rápido porque, segundo a Bloomberg, desde o início de dezembro, a Petrobras tem uma plataforma de petróleo no local que ainda não começou a perfurar. Não apenas uma plataforma, mas todo o apoio necessário à operação que inclui três helicópteros, barcos de apoio e trabalhadores.

Custo para a Petrobras: cerca de 1 milhão de dólares por dia

A Bloomberg diz que. ‘Toda a indústria está esperando para ver se o poço exploratório abre uma nova fronteira de petróleo em uma área conhecida como Margem Equatorial.’

‘O atraso está custando à Petrobras uma fortuna de cerca de US$ 1 milhão por dia, segundo cálculos da consultoria Wood Mackenzie Ltd.’ A publicação esclarece que o atraso vem ‘da instalação a ser usada em caso de derramamento de óleo, que só estará operacional em meados de abril.’

Se isto corresponder à realidade, e parece que sim, a Bloomberg não costuma dar bola fora, só em 2023 o custo seria de US$ 90 milhões de dólares para o início da operação.

Ao mesmo tempo, a agência lembra que ‘um relatório da equipe de transição de Lula, entregue ao Ministério de Minas e Energia no final de dezembro, reconheceu que a exploração de petróleo em áreas sensíveis como a Margem Equatorial pode ser incompatível com suas metas ambientais.’

Pronto. Formou-se a tempestade perfeita, em outras palavras, o dilema que Lula e sua equipe terão que enfrentar em breve.

A importância da costa Norte para o petróleo

De acordo com nossa fonte, ‘A Petrobras e outros exploradores tiveram pouco sucesso na última década explorando as bacias do Brasil ao largo da costa sul, o que tornou a Margem Equatorial uma grande prioridade.’

O país precisa encontrar mais reservas, caso contrário a produção começará a cair na década de 2030. Ao mesmo tempo, Lula também prometeu fortalecer as agências ambientais e a fiscalização do país, o que vai além de apenas reverter o desmatamento na Amazônia.’

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A Petrobras não forneceu uma data para o início do poço quando contactada pela Bloomberg. Contudo, navios-sonda de águas profundas como o ODN II custam entre US$ 300.000 e US$ 500.000 por dia apenas em taxas de aluguel de plataformas, de acordo com a ABESPetro, uma associação de prestadores de serviços de petróleo.

Além disso, a plataforma ODN II deixou o Rio de Janeiro em 10 de novembro e está estacionada perto do local de perfuração da Petrobras desde 5 de dezembro, de acordo com dados de rastreamento de embarcações compilados pela Bloomberg.

Até o momento, o Ibama tem protegido os corais, pedindo mais informações aos exploradores. Além disso, em 2020 o órgão negou licença para a TotalEnergies SE e a BP Plc.

A agência confirma a posição do Ibama: ‘Os promotores federais pediram à empresa (Petrobras) que revisse os planos de contingência de derramamento de óleo e realizasse mais discussões com as comunidades locais.’

Enquanto isso, Schreiner Parker, chefe da Rystad Energy para a América Latina, disse à Bloomberg: “Eles estão queimando dinheiro como loucos. Você não vê uma plataforma ir para o local e ficar 40 a 50 dias sem perfurar.”

Enquanto aguardamos a decisão de Lula, a Bloomberg encerra sua matéria com uma declaração de Telmo Ghiorzi, diretor da ABESPetro: “Existe uma certa ansiedade no setor. A Petrobras será pioneira na região e abrirá caminho para diversas outras petrolíferas.”

Será? Saberemos nos próximos meses. O Mar Sem Fim voltará ao tema.

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Comentários

6 COMENTÁRIOS

  1. Trabalho com ROV e estive no local fazendo o leantamento ambiental e demarcação do local onde será perfurado o poço. Na locação especificamente não haviam corais e vale informar que não são águas rasas. O poço será perfurado em lâmina d´água de 2800 metros. Mas pelo que tenho visto nesses últimos 16 anos na indústria do petróleo, os danos causados são grandes. O ser humano parece um vírus consumindo o planeta. Em contrapartida, vejo uma necessidade gigantesca em se desenvolver a economia da região. Há uma população considerável que vai poder se beneficiar da exploração do petróleo naquela região.
    Enfim, acredito que um caminho do meio possa ser seguido, com exploração e preservação andando juntas. Temos muitos anos de experiência e tecnologia para isso. O maior problema que existe, de fato, é a nossa classe política.

    • João Marcel, esta é A charada: como aproveitar esta riqueza e, ao mesmo tempo, manter a imagem e a moral de um País que lidera a discussão ambiental mundo afora no momento em que a Guerra da Ucrânia atrasa a descarbonização da economia mundial ao mesmo tempo em que aumenta (obrigatoriamente) o consumo de combustíveis fósseis? Esta é A CHARADA. ABs

  2. Já me aposentei como engenheiro de petróleo há quase 15 anos. Não tenho mais autoridade para falar de nada disso. Mas, sempre achei que na foz do Amazonas não tem nada, ou, pode ter sim um pequeno reservatório de um poço apenas a ser esgotado em menos de 3 anos, isso aqui, ali, e só.

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