Descobertos corais na foz do Amazonas: surpresa marinha ameaçada

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Corais na foz do Amazonas: nova surpresa do mar territorial brasileiro, e já ameaçados…

Eles distam cerca de cem quilômetros da foz do Amazonas, e estão a 220 metros de profundidade. Se alguém apostasse que haveria corais  na foz do Amazonas, provavelmente seria desencorajado. O local é considerado ‘inóspito’ e ‘improvável’ para abrigá-los. Mas eles estão lá: recifes com esponjas, corais e rodolitos (algas calcárias). E, ao redor deles,  peixes herbívoros comprovam a presença de algas mesmo onde chega pouca luz do sol. O mais surpreendente: a área dos corais tem tamanho superior à da Região Metropolitana de São Paulo, relatou atribuna.com.br.

 imagens dos corais da foz do amazonas
Corais na foz do Amazonas

Atualizado

O primeiro mergulho na região foi feito com ajuda do Greenpeace. Assista ao vídeo:

Um dos primeiros cientistas a ver os corais na Amazônia foi o biólogo santista Ronaldo Bastos Francini Filho, a bordo do submarino Deep Worker. O mergulho deixou o pesquisador encantado:

É uma emoção enorme estar em um ambiente novo. Eu voltei (à superfície) extremamente emocionado. A gente viu uma série de organismos potencialmente novos para a ciência

ilustração de mapa mostrando corais na foz do amazonas

O início da descoberta dos corais na foz do Amazonas

A pesquisa começou em 2011 com Ronaldo Bastos Francini Filho e 38 pesquisadores, técnicos e alunos de pós-graduação de 12 instituições diferentes do Brasil e do exterior. Por cinco anos o local foi estudado até que, em 2106, anunciaram a descoberta. Foi um susto na comunidade científica. Corais precisam de luz para florescerem, e a foz do maior rio do mundo tem muita turbidez em razão dos sedimentos trazidos. Além disso, a profundidade de 220 metros também dificulta a penetração da luz. Mais um mistério, e uma dádiva, do “Inferno Verde” como cunhou Euclydes da Cunha.

A descoberta já começa a repercutir fortemente no exterior. The Guardian publicou recente matéria onde diz que,

A descoberta do recife, que se estende da Guiana Francesa para o estado do Maranhão do Brasil, foi uma completa surpresa para os cientistas

Mas, alerta o jornal inglês:

Blocos de exploração de petróleo foram concedidos para a área e as companhias de petróleo Total, BP e Petrobras poderiam começar a perfuração 

Quem faz parte da pesquisa

Ronaldo Bastos, que trabalha na Universidade Federal da Paraíba, esteve acompanhado por  cientistas brasileiros de cinco instituições, e profissionais de 10 países que compartilham informações.

Thiago Almeida, da campanha de Energia do Greenpeace, explicou:

A nossa ideia é justamente mostrar para o mundo inteiro esse tesouro nacional até agora desconhecido e mostrar que ele já está ameaçado, uma vez que empresas petrolíferas querem explorar essa área

Corais na foz do Amazonas, imagem do submarino do greenpeace
O submarino em primeiro plano e, em segundo, o Esperanza.

Antes mesmo de serem estudados os corais na Amazônia já sofrem sérias ameaças

A empresa francesa Total tem planos para explorar petróleo na foz do Amazonas justamente onde estão os corais, o mais importante ecossistema marinho. O Ministério do Meio Ambiente é contrário. O órgão sugeriu intervenção do Itamaraty. Diplomatas pedem aos governos da Guiana Francesa, Suriname, Guiana e Venezuela, e arquipélagos do Caribe, que proíbam a empresa Total já que estudos de licenciamento ambiental foram rejeitados pelo Ibama. Apesar disso a Total insiste. Matéria do Valor Econômico diz que “foram listadas dez pendências não respondidas pela Total, na terceira tentativa da empresa de aprovar o licenciamento ambiental. A presidente do Ibama, Suely Araújo, deu um ultimato à petroleira:”

Caso o empreendedor não atenda aos pontos demandados pela equipe técnica mais uma vez, o processo de licenciamento será arquivado.

Já imaginou o que pode acontecer? Para Thiago Almeida, do Greenpeace…

…nossa ideia é justamente mostrar para o mundo inteiro esse tesouro nacional até agora desconhecido e mostrar que ele já está ameaçado, uma vez que empresas petrolíferas querem explorar essa área

Importante ressaltar que, em 2019, o governo brasileiro promete leiloar novos blocos de exploração na área.

A importância dos corais de águas profundas

Para Ronaldo Francini Filho, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB):

O que temos hoje como paradigma científico é que corais mesofíticos [profundos] em geral não sofrem com as mudanças climáticas. Portanto, em longo prazo, os corais de zonas rasas seriam repovoados através dos estoques profundos que não seriam afetados pelas mudanças climáticas.

Assine petição contra exploração de petróleo na área

Um milhão e oitocentas mil pessoas já assinaram a petição para pressionar as companhias BP e Total a cancelarem seus planos. O Mar Sem Fim foi um deles. Pedimos que você faça o mesmo. No mínimo teremos cumprido nossa obrigação. Clique qui para assinar.

Foto de abertura: Raul Aguiar.

Fontes: http://www.atribuna.com.br/noticias/detalhe/noticia/biologo-de-santos-e-o-primeiro-cientista-a-observar-os-ineditos-corais-da-amazonia/?cHash=748be9ffda1b6d5a76ca663a1f587d11; http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Blog/as-primeiras-imagens-de-um-novo-mundo/blog/58609/; http://www.anp.gov.br/wwwanp/exploracao-e-producao-de-oleo-e-gas/estudos-geologicos-e-geofisicos/plano-plurianual-de-estudos-de-geologia-e-geofisica/ppa-2007-2014/resultados-por-bacia; http://www.valor.com.br/brasil/5100240/ibama-ve-risco-diplomatico-em-exploracao-no-norte?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=Compartilhar.

Conheça a reação dos norte- americanos quanto à exploração de petróleo no mar

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