Novo Ministro do Meio Ambiente, e agora?

25
1054
views

Novo Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e agora?

A comunidade ambiental esperava ansiosa quem comandaria a pasta que quase ficou sem pasta. O chefe, numa perfeita demonstração de ignorância, queria extinguir o Ministério do Meio Ambiente do país com a maior biodiversidade do planeta. Como bravata, pretendia transformá-lo numa secretaria do Ministério da Agricultura. Só não o fez porque foi aconselhado pelos caciques do agronegócio. Às vezes, parece que o capitão não tem ideia das consequências de seus atos. Demonstra limitada visão de mundo. Não lhe ocorreu que o resto da comunidade mundial, exceção de Trump, acredita no aquecimento global. Esqueceu-se que os consumidores de sociedades mais adiantadas exercem seu poder de veto ao não consumirem produtos sem o certificado que mostre origem sustentável. Ricardo Salles é o novo Ministro do Meio ambiente.

imagem de ricardo salles, ministro do meio ambiente
O Ministro do Meio Ambiente.

Quem é o novo ministro do meio ambiente, Ricardo Salles?

Ele tem 43 anos. É advogado especializado em administração de empresas. Ex-secretário de Meio Ambiente do governo de São Paulo, gestão Alckmin. Ficou apenas um ano, sendo desligado depois de polêmicas. Concorreu ao cargo de deputado federal pelo Partido Novo, mas não se elegeu. Durante a campanha, sugeriu o uso de munição de fuzil contra a esquerda e o MST. É fundador do MEB, Movimento Endireita Brasil. Recentemente disse ser “o único direitista do Brasil”. O seu MEB fez barulho na eleição ao oferecer dinheiro a quem gravasse vídeo atacando Ciro Gomes. Oferta retirada da web depois da óbvia reação negativa.

imagem de ricardo Salles novo ministro do meio ambiente
Publicação do Ministro do Meio Ambiente fez barulho nas redes sociais.

Polêmicas de Ricardo Salles, Ministro do Meio Ambiente, quando era secretário em São Paulo

O futuro ministro é alvo de ação de improbidade administrativa, acusado de manipular mapas de manejo ambiental da APA da Várzea do Rio Tietê. Foi investigado por realizar chamamento público, sem autorização legislativa, para a concessão ou venda de 34 áreas do Instituto Florestal. Ficou no cargo apenas 13 meses, sendo desligado por Alckmin devido às polêmicas.

E isso é tudo que se sabe…

Isso é praticamente tudo que se sabe a respeito de Ricardo Salles. O Mar Sem Fim, na batalha pela causa ambiental desde 2005, ouviu falar sobre este nome quando ele assumiu a secretaria no Governo de Alckmin. Em seguida, quando ‘foi saído’ pelo governador 13 meses depois. Havia polêmicas que envolviam até mesmo a primeira campanha ambiental de que fizemos parte, já lá se vão quase 30 anos, a campanha pela Despoluição do Tietê. Como todos os envolvidos com a causa ambiental, estávamos ansiosos pela divulgação do nome, e apreensivos em razão do desprezo e falta de compreensão de Bolsonaro sobre a importância do Ministério do Meio Ambiente. Todos os dias sapeávamos a mídia e a net atrás de possíveis nomes. Enquanto tentávamos entender as escolhas do novo presidente, topamos com vários bons artigos, um deles, ao nosso ver, explicava melhor as idas e vindas do novo presidente na questão ambiental especialmente.

“Os enjeitados”, por Eliane Cantanhêde

Este é o título da coluna de Eliane Cantanhêde, no Estadão de 7 de dezembro de 2018. O subtítulo era: “Para que servem Direitos Humanos, Meio Ambiente, mulheres e Funai?” No primeira parágrafo a jornalista explicou: “Não foi por acaso que a Funai virou batata quente e os ministérios de Meio Ambiente e de Direitos Humanos ficaram no fim da fila da composição do futuro governo. Simplesmente, esses são temas desconhecidos pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, e por todo seu grupo de poder. Eles rejeitam tudo o que foi feito nas três áreas, mas não sabem exatamente o que por no lugar.”

Só pode ser isso: profunda ignorância, ou o que seria pior, ranço ideológico.

“O futuro ministro teria de ser do agronegócio, evangélico, da bancada da bala ou delegado”

“Quanto ao Meio Ambiente,” prossegue a articulista, “ficou realmente difícil arranjar alguém para desmontar tudo o que foi feito nessa área. Que ambientalista assumiria jogar para o alto a candidatura do Brasil para sediar a COP 25? Ou discutiria a retirada do Acordo de Paris, para o qual o País se empenhou tanto? Logo, o futuro ministro teria de ser do agronegócio, evangélico, da bancada da bala ou delegado.”

“Amazônia: integrar para não entregar”

De fato, o que mais se ouviu durante a campanha vitoriosa de Bolsonaro, foram ataques ao ativismo, aos ambientalistas, e às ONGs esquerdistas. Até o malfadado Corredor Andes-Amazônia-Atlântico, também conhecido como triplo A, esdrúxula ideia da  Fundação Gaia Amazonas, com sede em Bogotá, Colômbia, foi levantado por Bolsonaro para justificar suas críticas às ONGs.

mapa da américa do sul destacando Corredor Andes-Amazônia-Atlântico
Corredor Andes-Amazônia-Atlântico.

O Mar Sem Fim e o novo Ministro do Meio Ambiente

Por tudo isso, concordamos com a  jornalista quando diz que estes “são temas desconhecidos por Bolsonaro e sua equipe”. Mas acrescentamos, a ignorância, neste caso, parece ser aliada do ranço ideológico. Lembremos o slogan nacionalista, “Amazônia: integrar para não entregar”, quando os militares, nos anos 70, rasgaram o bioma construindo estradas que até hoje não estão prontas, algumas saindo de lugar nenhum para chegar a nenhum lugar. Foi o início da destruição da floresta. Os militares trouxeram milhares de colonos do sul e sudeste para ‘colonizarem’ o novo espaço. A floresta, até então impenetrável, desaparecia rapidamente dando lugar a campos de grãos (tendo a soja como principal cultura) e pastagens. De lá para cá, a Amazônia perdeu 20% de sua cobertura florestal, e ‘está prestes a atingir o limite irreversível’ de acordo com artigo de Carlos Nobre, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas, e Thomas Lovejoy, professor da George Mason University, Estados Unidos, publicado pela Science Advances

imagem aérea da amazônia

E, agora, o que esperar da nova gestão?

Como ‘nova gestão’ entenda-se não só o Ministério do Meio Ambiente, mas o Governo Federal. Ambos merecem um voto de confiança. No caso do ministro, apesar do currículo nada brilhante, esperamos que Ricardo conheça um pouco mais dos problemas nada fáceis que passa a enfrentar a partir de primeiro de janeiro, e que aja com bom senso. Até lá ficamos por aqui, na torcida. Do mesmo modo, tirante o fato de não ter sido nosso candidato, entendemos e respeitamos a eleição de Jair Bolsonaro, mesmo com todas as estapafúrdias promessas como as citadas acima, ou a de tirar o Brasil da ONU. Entendemos como sua maior contribuição, enterrar as expectativas do PT. Mas é muito pouco para quem prometeu tanto.  Devagar com o andor…Os contratempos apenas começaram e já surgem situações incômodas, que exigem explicação com um dos filhos… E como suspeitávamos, ao menos o começo da nova gestão foi repleto de péssimos sinais. Que haja tem-impara uma recuperação.

Conheça a onda monstruosa que quebrou o recorde de altura no Hemisfério Sul

Repórteres do Mar

O Mar Sem Fim quer a sua colaboração. Não é possível estar em todos os lugares ao mesmo tempo e, com a sua ajuda, podemos melhorar ainda mais o nosso conteúdo. Saiba como colaborar com o Mar Sem Fim.

Comentários Comentários do Facebook

25 COMENTÁRIOS

  1. Adoram meter o pau sem esperar pra ver o desfecho . Isso é contra positivo . Agora vem lamber dizendo que é o ministerio dos sonhos ! Um pouco menos de raivinha e uma visão mais abrangente do quadro geral ajudariam a vcs nao pagarem mico e publicarem reportagens tão antagônicas! É até. Ridículos ler ambas as materias seguidas … Parecem uma equipe de bipolares mimados !

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here