Parque Nacional Marinho dos Abrolhos

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Parque Nacional Marinho dos Abrolhos

Parque Nacional Marinho dos Abrolhos: ENTENDA

Os parques nacionais são a mais popular e antiga categoria de Unidades de Conservação. Seu objetivo, segundo a legislação brasileira, é preservar ecossistemas de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas, realização de atividades educacionais e de interpretação ambiental, recreação e turismo ecológico, por meio do contato com a natureza. 

CARACTERÍSTICAS:

BIOMA: Marinho Costeiro.
LOCALIZAÇÃO: Litoral Sul da Bahia.
ÁREA: 87.942,03 hectares.
DIPLOMA LEGAL DE CRIAÇÃO:  Dec nº 88.218 de 06 de abril de 1983
TIPO: Proteção Integral.
PLANO DE MANEJO: O Parna dos Abrolhos tem Plano de Manejo desde 1991.

Parque Nacional Marinho dos Abrolhos

mapa de abrolhos
Parna dos Abrolhos

Navegação difícil

Logo depois de gravarmos as duas UCs do Espírito Santo, navegamos de Vitória para o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Deixamos o Sudeste para trás. E entramos agora no Nordeste! Graças ao apoio da Fundação Grupo O Boticário de Proteção À Natureza, patrocinador da série, e exemplo de empresa com seu envolvimento com o meio ambiente (além de manter duas RPPNs o grupo patrocina dezenas de estudos e pesquisas) para o qual destina 1% de seu faturamento- ATENÇÃO: eu disse que 1% do faturamento, não do lucro)  estamos conseguindo realizar o sonho de mostrar para os brasileiros todas as Unidades de Conservação federais marinhas.

UCs federais marinhas: escancarando  sua pobreza

Escancarando a cada viagem sua pobreza, falta de equipamentos  e de pessoal; a maioria, incapaz de cumprir suas funções. Até agora, visitadas mais de 30 UCs, são raríssimas as exceções. A situação, que já era ruim, tornou-se caótica depois do desgoverno Dilma.

Entrada no Nordeste foi uma das piores navegadas

Esta viagem de entrada no Nordeste foi uma das piores de minha vida de marinheiro. O vento contra, de 20 a 22 nós, levantou ondas de mais de dois metros. Ondas curtas. O Mar Sem Fim enfiava a cara no mar de tal forma que os vidros frontais do comando, às vezes, pareciam um aquário tal o volume de água. Viagem bem desagradável, mas boa para saber o comportamento deste barco que ainda é novo para mim. Estou em plena fase de conhecimento, faz apenas seis meses que navego com ele. Gostei. O Mar Sem Fim III ignorou a pancadaria. Passou por cima como se estivesse num ‘mar de almirante’. E nem um pingo de água entrou para o interior.

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A porta de entrada para o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos

Um dos ‘top ten’ da costa brasileira

Depois de um dia e meio chegamos a um dos ‘top ten’ da costa brasileira. O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos foi o terceiro Parque Nacional criado no bioma marinho.  O primeiro foi o Parna do Cabo Orange, no Amapá, em 1980; o segundo, em 1981, foi Parna dos Lençóis Maranhenses, no Maranhão.

Arquipélago dos Abrolhos

O arquipélago é formado por cinco ilhas: Santa Bárbara, Siriba, Redonda, Sueste e Guarita. A maior, Santa Bárbara, não faz parte do parque. Ela está sob a jurisdição da Marinha do Brasil que ali mantém o rádio- farol de Abrolhos e uma guarnição.

O farol é um dos mais bonitos da costa brasileira. Toda a sua estrutura, em ferro fundido, além do mecanismo interno, veio da França por ordem de D. Pedro II, em 1861. Seu alcance é de 30 milhas.

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Farol de Abrolhos cujo alcance é de 30 milhas.

Santa Bárbara tem um sério problema: cabras e bodes soltos

Santa Bárbara tem um sério problema que, mesmo não fazendo parte do Parna, merece registro: cabras e bodes soltos  há muito tempo. Estes pantagruélicos animais, que nada têm a ver com ilhas, comem de tudo. De pedras a grama. Ou qualquer coisa que encontrem pelo caminho. Não sei quando foram trazidos para Santa Barbara. Mas, desde a primeira vez que a visitei, em 1986,  os ‘rapa-tachos’ já se fartavam engolindo a pouca vegetação.

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Farol do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos.

 

Erosão perigosa

Nesta viagem, pela primeira vez vi sinais de erosão em Santa Bárbara. Provavelmente causada pelo insaciável apetite dos quadrúpedes. Já disse várias vezes que ilhas são extremamente frágeis. A maioria não tem água, dependem da chuva. O solo é seco, árido, com pouca terra e vegetação. Basta o pisoteio para que trilhas sejam abertas e jamais fechadas. Com as chuvas elas  tornam-se “escorregadores” de lama que desce para o mar ameaçando matar os corais por asfixia. Este problema existe em Fernando de Noronha que, além dos bodes, também teve sua  cobertura vegetal cortada no tempo em que era presídio político (para evitar fugas em jangadas).

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Erosão em Santa Bárbara.
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Outro veio de erosão.
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Os glutões que a Marinha do Brasil mantém em Abrolhos.

Charles Darwin em Abrolhos

No passado muitos navegadores famosos, e cientistas, visitaram Abrolhos. Entre eles Charles Darwin, em 1832, na famosa viagem do Beagle. Saiba como era o arquipélago que ele viu:

as ilhas dos Abrolhos são de um verde brilhante. A vegetação consiste de plantas suculentas e gramina, entremeadas com alguns arbustos e cactos (grifo meu). Embora pequena, a coleção de plantas de Abrolhos contém quase todas as espécies que ali florescem. Pássaros da família dos totipalmados são extremamente abundantes:  atobás, rabos-de-palha e fragatas. Talvez o mais surpreendente seja o número de sáurios; quase todas as pedras têm o seu lagarto correspondente; aranhas em grande número; o mesmo com ratos. O fundo do mar em volta é densamente coberto por enormes corais cerebriformes (corais pedrentos, solitários, de aparência semelhante ao cérebro); muitos tinham mais de uma jarda (90 cm) de diâmetro

Charles Darwin, em 29 de março de 1832 (Fonte: “Aventuras e Descobertas de Darwin a bordo do Beagle” Jorge Zahar Editor).

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A foto foi feita a partir de Santa Bárbara. À esquerda, a ilha Siriba, à direita, a Redonda.

As “plantas suculentas” provavelmente foram para o estômago dos comilões. Mesmo assim nada se faz para mudar a situação. Uma pena.

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Guarita, parte do arquipélago dos Abrolhos, não passa de um amontoado de pedras.

Mais três ilhas completam o arquipélago

Siriba, a única em que turistas podem desembarcar…

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Ilha Siriba onde há uma trilha para que os turistas possam conhecer um pouco mais este tesouro.
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A trilha contorna a Siriba e seus paredões formados por lava de um extinto vulcão.

Sueste é mais uma das que compõem o arquipélago.

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Ao fundo a ilha Sueste. Mas o verdadeiro tesouro dos Abrolhos está debaixo da cristalina água: a maior formação de corais do Atlântico Sul.

Finalmente, a ilha Redonda.

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A ilha Redonda, arquipélago dos Abrolhos. “Os coqueiros provavelmente foram plantados pelos primeiros faroleiros.”

Ficamos uma semana no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos onde produzimos dois programas. Infelizmente não tenho maquina fotográfica submarina para mostrar neste post a grande beleza, e a variedade de vida debaixo d’água. Mas aguarde os programas. Filmamos diversos mergulhos.

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O Mar Sem Fim III e o por do sol em Abrolhos.

Abrolhos e as baleias Jubarte

O arquipélago revela outras surpresas além da beleza cênica, e da biodiversidade. De julho a novembro o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos é o local escolhido pelas baleias Jubarte. Elas fogem do frio da Antártica para águas mais quentes e calmas, com objetivo de acasalar e ter seus filhotes. É uma festa para os olhos. Estive lá em julho de 2008 quando contei 22 baleias no trajeto entre o arquipélago e Porto Seguro. Fora as que ficam ao redor das ilhas se mostrando aos turistas. É espetacular!

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Cabeça de Jubarte fotografada em Julho de 2008.

Elas também costumam saltar. Dizem os especialistas que esta pode ser uma maneira de se comunicarem. Flagrei um dos muitos saltos do enorme cetáceo.

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Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Baleia Jubarte saltando ao largo dos Abrolhos.

Origem do nome e os muitos naufrágios

A primeira vez que estive em Abrolhos alguém disse que o nome viria dos perigos que os recifes oferecem à navegação. Diz a tradição que os marujos lusos falavam “Abra os Olhos” aos que navegavam naquelas bandas. No tempo das caravelas não foram poucos os naufrágios. Um dos mais famosos aconteceu com o “Apóstolo do Brasil”, o Padre Anchieta. No livro “Cartas Informações Fragmentos Históricos e Sermões (Editora da Universidade de São Paulo, pag 118) o próprio sacerdote conta sua saga. Ele viajava em companhia de outros padres, de Salvador para o São Vicente, em duas naus.

“…depois de fazermos 240 milhas por um mar tranquilo á feição do vento chegámos a uns bancos de areia que, estendendo-se para o mar na distância de 90 milhas. Eles se parecem  com uma muralha em linha réta tornam difícil a navegação…quando de repente o leme salta fora dos eixos e encalha o navio; sobrevem ao mesmo tempo uma repentina tempestade de vento e aguaceiros, que nos atira para apertados estreitos. O navio era arrastado sulcando areias e, por causa dos frequentes solavancos, temíamos que se fizesse todo em pedaços.”

“Está tudo acabado”! Gritaram todos…”

“…ninguém podia conservar-se a pé firme, mas andando de gatinhas e para dizer corriam uns pelo tombadilho. Outros cortavam os mastros, aqueloutros preparavam as cordas e amarras. Começamos todos a tremer e a sentir veemente terror: via-se a morte deante dos olhos; toda a esperança de salvação estava posta em uma corda e, quebrada esta, a nave ia inevitavelmente despedaçar-se nos baixios que a cercavam pela pôpa e pelos lados. Corre-se á confissão: já não vinha cada um por sua vez, mas dois a dois e o mais depressa que cada qual podia. Em uma palavra, fôra fastidioso contar tudo que se passou: rompe-se a amarra:”Está tudo acabado”! Gritaram todos…”

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José de Anchieta (fonte:cnbbleste1.org.br)

Sei muito bem o que nosso Apóstolo sofreu…

A carta foi escrita em São Vicente em 1560

Nas notas, ao final do capítulo, explica o editor: “Com a tempestade, que na noite de 20 para 21 de novembro surpreendeu a missão nos Abrolhos, a embarcação de Anchieta ficou bastante danificada e a de Leonardo Nunes (outro sacerdote) inteiramente perdida.”

Abrolhos também significa “escolho”

Acontece que abrolhos também significa “escolho”, “acidente submarino à flor da água” ( Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa), portanto é bom não fiar-se só em lendas.

Maior banco de corais do Atlântico Sul

Abrolhos contempla dois tipos de corais: os que crescem na horizontal, e os que o fazem na vertical, conhecidos como “chapeirões”, e que são únicos no mundo. Sua forma lembra um cogumelo que, às vezes, chega até a flor da água, daí os muitos naufrágios. Uma das atrações do Parque Nacional é justamente o mergulho autônomo em três naufrágios distintos. Em nossa viagem mergulhei no Rosalinda, cargueiro italiano que afundou em 1955 carregado com sacos de cimento e cerveja.

Corais:  considerados o mais importante ecossistema marinho

Os corais são considerados o mais importante ecossistema marinho. Comparados às florestas tropicais por sua insuperável biodiversidade. De acordo com o Plano de Manejo há 22 espécies de corais no arquipélago e no parcel de Abrolhos. E completa: “a fauna marinha da região do Parque é uma das mais ricas da costa brasileira, o que justificou a decretação da região como Unidade de Conservação.”

Ameaças ao Parque Nacional Marinho dos Abrolhos

São muitos os perigos que rondam Abrolhos. O arquipélago fica próximo do continente, apenas 30 milhas de Caravelas, e sofre poluição vinda de terra, e de navios que passam ao largo. Ao desembarcarmos na ilha Redonda (cortesia do ICMBio por sermos jornalistas) encontramos vários tipos de lixo.

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Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Pra variar o plástico foi o material mais encontrado. Mas também havia pedaços de borracha, e até partes de um caixote.

O tráfego de navios é bastante forte e já causou problemas. Em 1987 o “Golden Unity”, carregado de açúcar, encalhou nas proximidades “causando danos irreversíveis ao ecossistema”, como atestam os autos do Tribunal Marítimo.

Navios também podem matar de baleias por atropelamento

Além disto eu sei que estes “monstros de ferro” jogam lixo no mar. Flagrei diversas vezes em minhas viagens, inclusive em santuários marinhos. Seja navios de passageiros, seja cargueiros ou petroleiros (muitos  vistos limpando seus porões DENTRO DA BAÍA DE GUANABARA) ou, até mesmo, navios de guerra ( até 1990 os navios da Marinha de Guerra dos Estados Unidos tinham permissão de lançar seu lixo no mar. A fonte desta triste notícia é o clássico livro de Sylvia Earle,The World is Blue, cientista chefe da NOAA). Se os navios de guerra da nação mais poderosa do mundo tinham esta permissão até 1990, imagine o que fazem os das nações mais pobres até hoje…

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Barcos de pesca em Nova Viçosa.

Pesca ilegal dentro do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos

A pesca ilegal dentro do Parque é outra dificuldade enfrentada. Há cerca de dois mil barcos de pesca no Sul da Bahia, de acordo com informações de Edson Silva, fiscal  do ICMBio que entrevistei. Os principais portos pesqueiros são Caravelas, Alcobaça, Prado, Mucuri, Porto Seguro, e Nova Viçosa. Enquanto isto, o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos conta com apenas uma pequena lancha, uma traineira atualmente inoperante, e alguns botes de borracha com motores de popa.  Três estagiários permanecem em Santa Bárbara, se revezando a cada dez dias. Piada de mau gosto? Antes fosse. É nossa realidade.

a-lancha-do-icmbio no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos
Como fiscalizar uma área de 87 mil hectares com apenas este barco?

Pesca ilegal dentro do Parque, a e sobrepesa fora dele

De acordo com Fernando Repinaldo, sub- chefe do Parna, a pesca ilegal dentro do Parque, a e sobrepesa fora dele; a possível extração de petróleo; empreendimentos na costa, especialmente portos; e espécies exóticas como os ratos (há muito introduzidos na ilhas), são outros perigos à vista. Fernando contou que o coral sol, tipo exótico que infestou a baía de Ilha Grande, no Rio de Janeiro, já foi encontrado ao Norte e ao Sul do arquipélago. E ainda temos o temível Peixe- leão, que degradou os mares do Caribe, avistado no litoral do Rio de Janeiro.

A pior ameaça é o petróleo

Para mim, a pior ameaça é o petróleo. Até pouco tempo atrás ambientalistas, e professores das Universidades federais, conseguiram uma liminar que impedia a ANP ( Agência Nacional de Petróleo) colocar em leilão a área de Abrolhos. Recentemente esta proteção caiu. A qualquer momento nossa quebrada Petrobras pode iniciar a exploração, ou leiloar a área para alguma empresa do setor. Se isto acontecer, será o fim de Abrolhos, não tenho dúvidas.

A famigerada carcinicultura

A famigerada carcinicultura, que não me canso de denunciar, é outra preocupação. Ela também ocorre no Sul da Bahia e, além de devastar mangues -habitat de espécies que também frequentam Abrolhos, é extremamente poluente pelo uso excessivo de antibióticos, e outras substâncias tóxicas como metabissulfito de sódio.

Industria da celulose, forte em todo o litoral baiano

A industria da celulose, forte em todo o litoral baiano, também ameaça, especialmente o banco de corais de Timbebas próximo à rota das barcaças carregadas com toras de eucalipto. A produção da celulose implica no corte da Mata Atlântica baiana, e as inevitáveis consequências à perda de biodiversidade. Traz erosão, turbidez e poluição (pelo uso de cloro para o branqueamento) da água nas adjacências.

Quanto às barcaças, elas saem de Caravelas e Belmonte carregadas de toras e celulose, e seguem até Aracruz, no Espírito Santo. No trajeto há o risco de atropelamento das Jubartes. A Fíbria (do grupo Votorantim, que comprou a parte da Veracel), líder mundial de celulose de eucalipto, teve que dragar o canal que leva ao porto de Caravelas. Em troca da prática perniciosa ao meio ambiente, a empresa fez um acordo com a Instituto  Baleia Jubarte que estabeleceu rotas com menor densidade destes mamíferos.

A equipe do Parque Nacional Marinhos dos Abrolhos

Fernando descreveu a equipe atual: três analistas ambientais, e um técnico que dá suporte aos analistas. O Parna conta com um grupo tercerizado do qual fazem parte os três monitores que se revezam no Parque. Além de dois monitores para o centro de visitantes, em Caravelas; dois marinheiros, oito vigilantes (para a sede) e uma secretária. Segundo o sub-chefe a equipe ideal deveria ter o dobro de funcionários. Infelizmente não há no horizonte um prazo para que isto aconteça.

Faltam recursos para as UCs

Outro obstáculo é a falta de recursos. A cota de combustível, por exemplo, é de apenas cinco mil reais/mês. A cada operação com o barco são consumidos ao menos 300 litros de diesel, ao custo de 945,00 reais. Apenas uma saída consome um quinto do total da verba. E como fazem quando acaba esta cota, perguntei? ” Às vezes conseguimos uma extra, outras vezes, não”…Enquanto isto os barcos de pesca têm o diesel subsidiado pelo governo federal…

Por tudo isso, a cada visita que faço mais me convenço que as UCs federais marinhas são um engodo. Elas são impedidas de cumprir suas funções por falta de equipe, recursos adequados, e equipamentos.

Aquecimento global

Os corais de Abrolhos já sofrem danos causados pelo aumento da temperatura do mar. Quem assistir os dois programas gravados poderá ver imagens dos corais cérebro despedaçados em razão do ‘branqueamento’. Gravei imagens de vários deles. Alguns sadios, outros morrendo em razão desta nova realidade.

E no futuro, como será?

Aves marinhas e outros

Elas são outro atrativo. Há centenas de Fragatas, Atobás, Grazinas, e Beneditos (andorinha-do-mar-preta) que nidificam nas ilhas. Em Abrolhos a vida explode acima, e debaixo da água.

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Fragata.
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A estratégia da mãe Atobá é procurar parecer maior para afugentar predadores de seus filhotes.
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Mais uma vez a preocupação com o filhote é evidente.
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As Fragatas nidificam na ilha Redonda.

A ilha Redonda também é local de desova de tartarugas- cabeçudas. Trata-se do único registro de desova deste tipo de tartaruga em ilhas oceânicas.

tartaruga no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos
Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Tartaruga nas águas de Abrolhos.

Santa Bárbara e a Marinha do Brasil

É nesta ilha que ficam os marinheiros encarregados de cuidar do Farol. Atualmente seis deles se revezam a cada dois meses.

a-capela no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos
Capelinha e foral em Santa Bárbara.
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As casas da guarnição da marinha contam com cisternas já que não há água nas ilhas.
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Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. O “Portinho”, como é conhecida esta enseada, é o principal ancoradouro em Abrolhos.

Pequeno cemitério em Santa Bárbara.

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Diz a lenda que há uma criança enterrada em Santa Bárbara.

Enfim uma boa notícia

Atualmente o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos cobra entrada dos visitantes. Os ingressos custam 70,00 reais (brasileiros têm desconto de 50%), e os barcos pagam taxas de acordo com o tamanho. Finalmente um início, apenas um pequenino passo, na direção de geração de renda que poderia minimizar as mazelas do ICMBio (caso a renda não se perca na corrupção, ou nos escaninhos da burocracia).

Média de visitantes foi de 4 mil visitantes por ano

Nos últimos três anos a média de visitantes foi de 4 mil pessoas. Isso  que gerou 118 mil reais no ano passado, 100 mil em 2013, e 89 mil reais em 2012. Como já sugeri em outras postagens, a melhor solução para algumas das UCs federais seriam as PPPS – Parcerias Público Privadas. O Governo Federal já deu provas mais que suficientes de sua incompetência e desinteresse. Esperar mais para quê?

Curiosidade Importante

Poucos dias depois do programa de Abrolhos ir ao ar recebi o seguinte correio da senhora Maria Luiza Souza Ferrone Pereira

Sr. Mesquita
assistimos sempre seu programa e ao ver neste domingo , 24 de maio de
2015, sobre Abrolhos, novamente, gostamos demais e meu esposo , filho
de oficial da marinha morou aí quando tinha por volta de 7 anos. Ao
ver sua critica aos bodes e cabras, ele explicou que na época havia
morrido umas 5 famílias por causa do mar revolto e as lanchas que
traziam os suprimentos não puderam atracar na ilha. Então foram
colocados os animais para que as famílias pudessem ter o que comer e
sobreviver. Meu esposo escutava essa historia pelo seus pais. Ele
hoje está com 85 anos. Parabéns pelos programas !

Esta leva de bodes deve ter chegado a Abrolhos cerca de cem anos atrás já que o senhor mencionado no correio tem 85 anos, e morou em Abrolhos quando tinha sete anos, portanto, há 78 anos . Como ele “ouvia a história de seus pais” calculo em no mínimo cem anos  chegada desta leva de animais. Está mais que na hora de elimina-los.

AGRADECIMENTOS

À Marinha do Brasil, na pessoa do Comandante Flávio Francisco Barbosa Almeida, Assessor de Comunicação Social do Segundo Distrito Naval, que permitiu nosso desembarque em Santa Bárbara deslocando o tenente Fernando Araújo para nos ajudar. E ao pessoal do ICMBio, em especial ao sub-chefe da UC, Fernando Repinaldo que nos recebeu, e à Marina Leite, monitora, que nos auxiliou durante a estadia.

SERVIÇOS

Há diversas operadoras de mergulho sediadas especialmente em Caravelas, mas não apenas lá. Basta uma busca no Google para você encontrar muitas opções. A temporada de avistagem de baleias vai de julho até novembro. E os mergulhos autônomos, ou de snorquel, podem ser feitos em qualquer época do ano. Abrolhos é uma jóia do litoral brasileiro. Merece ser mais conhecida, afinal, só preservamos, e valorizamos, aquilo que conhecemos. 

Para mais informações consulte:

COORDENAÇÃO REGIONAL / VINCULAÇÃO: CR7 – Porto Seguro

ENDEREÇO / CIDADE / UF / CEP: Praia do Kitongo S/N –
Caravelas/BA-  CEP: 45.900-000

TELEFONE:  (73) 3297-2258 / 3297-2260/VOIP (61) 3103-9877

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3 COMENTÁRIOS

  1. Eu sou uma pessoa apaixonada com lugares tipo Fendo de Noronha´farol da Barra em fim gosto de turismo e paisagem, amo a natureza e tudo que vem dela. O meu maior sonho é conhecer Abro lis.

    • Oi, Maria, obrigado pelo correio. Abrolhos merece ser conhecido por todos os brasileiros. Faço votos para que você, em breve, possa conhecer o arquipélago. Abraços e obrigado pela mensagem.

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