Nova barragem da Vale se rompe, tragédia em Brumadinho

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Nova barragem da Vale se rompe, tragédia em Brumadinho, Minas Gerais; 165 mortos, e 160 desaparecidos

Nova barragem da Vale se rompe. O Mar Sem Fim continua a acompanhar a tragédia de Brumadinho. A Polícia Civil divulgou que o número de mortos identificados subiu para 177. O acidente de Brumadinho é o maior  do mundo, entre mineradoras, em número de mortes. E a Vale S.A já é a empresa responsável pela maior tragédia ambiental do Brasil, três anos atrás, em Mariana, quando 19 pessoas morreram soterradas pela lama, e o distrito de Bento Rodrigues foi apagado do mapa, soterrado. Não satisfeita, a Vale repete a dose macabra, matando centenas desta vez.

imagem de Ponte destruída pelo mar de lama da Nova barragem da Vale se rompe
Pontilhão destruído pelo mar de lama da Vale. Nova barragem da Vale se rompe. Foto: www.bbc.com.

Nova barragem da Vale se rompe, Ibama informa sobre dimensão do acidente

O Ibama declarou que a tragédia de Mariana  despejou 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos, contra 13 milhões de Brumadinho. Foram detonados cerca de 270 hectares de terreno, que equivalem a 270 campos de futebol.

Advogado da Vale diz que empresa não tem culpa

Segundo o Estadão, “o advogado Sergio Bermudes, um dos principais defensores da mineradora, afirmou que “não vê responsabilidade” da companhia sobre o rompimento da barragem em Brumadinhoe que já havia enviado à Justiça mineira pedido de reconsideração sobre as decisões que bloquearam mais de R$ 11 bilhões do caixa da empresa.” 

imagem da destruição da Nova barragem da Vale se rompe
Retrato da impunidade no Brasil. Dos 21 gestores da Vale condenados no acidente de Mariana, nenhum ainda foi preso passados três anos. Foto: noticias.r7.com.

A licença da barragem

Segundo a Folha de S. Paulo, ” a Ata da reunião extraordinária do órgão ambiental de Minas Gerais que aprovou em dezembro, de forma acelerada, a ampliação das atividades do complexo Paraopeba, que inclui a Córrego do Feijão, mostra que o risco de rompimento, que acabou acontecendo  foi objeto de discussão.” Ou seja, a empresa sabia do risco e não agiu porque não quis.

imagem da Nova barragem da Vale se rompe
Nova barragem da Vale se rompe. Rastro de destruição. Foto: www.metropoles.com.

A Vale

A Vale tem alguns de seus projetos como ‘referência em tratamento ambiental’, Carajás, por exemplo, o maior  complexo minerário (de minério de ferro) do mundo. O Mar Sem Fim observa que no Pará o trabalho ambiental que a empresa fez, para mitigar os problemas causados pela gigantesca obra, e o brutal impacto ao meio ambiente, é exemplar. Ainda assim, nas de Minas Gerais, pelo menos, o comportamento da gigante da mineração mundial é irresponsável e indescupável. Não é possível que não tenha aprendido a lição do primeiro acidente, quando  Bento Rodrigues foi apagado do mapa.

A Vale, em Minas Gerais, tem sido uma empresa irresponsável

No primeiro acidente a empresa matou um curso água, o Rio Doce. No segundo, tirou a vida do Paraopeba. Mais um recorde sinistro da companhia.

imagem de Nova barragem da Vale se rompe
Nova barragem da Vale se rompe. Horror dos horrores. Quem estava lá dentro? Foto: UOL.

Alguns dados da ex- Vale do Rio Doce

A vale é a “31ª maior empresa do mundo, atingindo um valor de mercado de 298 bilhões de reais. Em novembro de 2007, a marca e o nome de fantasia da empresa passaram a ser apenas Vale S.A. Foi privatizada no maio de 1997- durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Em janeiro de 2012 foi eleita como a pior empresa do mundo, no que refere-se a direitos humanos e meio ambiente, pelo “Public Eye People´s”, premiação realizada desde o ano 2000 pelas ONG’s Greenpeace e Declaração de Berna. Dessa forma a Vale tornou-se a primeira empresa brasileira a “vencer” tal eleição, também conhecida como “Oscar da Vergonha“. A escolha foi realizada por meio de votação pública, tendo a Vale recebido 25 mil votos. Em segundo lugar na eleição ficou a japonesa Tepco, responsável pela operação das usinas nucleares de Fukushima, atingidas por um tsunami em março de 2011.

imagem da Nova barragem da Vale se rompe
Nova barragem da Vale se rompe.

Três anos depois, o caso da Barragem do Fundão, em Mariana, não foi pra frente

Passados três anos da tragédia de Mariana, os pescadores artesanais continuam sem ter onde pescar; as indenizações ainda não foram pagas; a construção do novo povoado ainda não saiu do papel. Esta é a Vale do Rio Doce. E foi por esta indesculpável omissão do poder público, que a Vale se encorajou para ‘arriscar’ uma segunda dose. O jornal Estado de Minas publicou matéria. O título diz tudo: “Três anos depois do rompimento da barragem do Fundão, o pesadelo continua. Na Justiça criminal ou nos tribunais cíveis, a tragédia do rompimento da Barragem do Fundão permanece, três anos depois, uma questão sem resposta para as quase 500 mil pessoas atingidas entre Minas Gerais e o Espírito Santo.” O Mar Sem Fim observa que, tanto na Barragem de Fundão, como na de Brumadinho, a empresa sequer tocou o alarme para avisar os cidadãos.

Rio Doce, inquérito não levou a nada

Em Outubro de 2016, quase um ano depois da tragédia, finalmente o inquérito chegou ao seu final.  O “MPF denunciou 21 gestores e conselheiros, por homicídio doloso”. Mas, mais uma vez passados três anos, nenhum diretor foi preso.

imagem de mapa da bacia do rio paraopeba local da nova barragem da Vale se rompe
Nova barragem da Vale se rompe. A região da tragédia.

Rio Doce, Ibama não aceitou plano de recuperação Ambiental

Veja a cara-de-pau, e a impunidade imperando apesar dos pesares. Uma das obrigações da Samarco, depois da tragédia, foi apresentar um plano de recuperação ambiental para todo o vale do Rio Doce. A empresa  mostrou plano tão ruim que não foi aceito. Segundo o Ibama, o que a Samarco apresentou era…

…de caráter genérico e superficial, sem considerar o imenso volume de informações produzidas e disponíveis até o momento, além de apresentar pouca fundamentação metodológica e científica…

Por estas e outras, aconteceu Brumadinho. Só que agora não são apenas 19 mortos, mas centenas. O Mar Sem Fim considera que, tudo a seu tempo, os gestores da Vale merecem cadeia.

Imagem de Nova barragem da Vale se rompe
Nova barragem da Vale se rompe. Foto: exame.abril.com.br.

Brilhante artigo de José Goldenberg

De tudo que se publicou até agora sobre este negro episódio da nossa história recente, que pegou mal no mundo inteiro, foi o recente artigo de José Golbenberg no Estadão. Como se sabe, Goldenberg, PROFESSOR EMÉRITO DA USP,  FOI MINISTRO DO MEIO AMBIENTE E SECRETÁRIO DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO. O título, muito apropriado em épocas de Bolsonaro, foi, ‘Licenciamento e desastres ambientais’.

O artigo começava assim: “É possível ser mais rigoroso e proteger a população sem impedir o desenvolvimento.” O professor explica: “Os desastres ambientais de Mariana e Brumadinho põem na ordem do dia, com alta prioridade, o problema do licenciamento ambiental. Isso significa uma séria inversão de prioridades do governo federal. A reorganização administrativa promovida em janeiro levou à extinção e realocação de várias áreas ligadas a questões ambientais, o que indicava uma visão desenvolvimentista em que o licenciamento ambiental parece ser um obstáculo ao desenvolvimento.”

“Pagamos o preço”

“Estamos pagando hoje o preço com os desastres de Mariana e Brumadinho. E o governo Bolsonaro não ajudou nada, até agora, a resolver os problemas reais do setor ao reduzir o statusdo Ministério do Meio Ambiente (que até cogitou de extinguir) e tolerar entrevistas e declarações de membros de sua administração desqualificando a defesa do meio ambiente como inspirada por agentes internacionais e de modo geral “xiita” nas suas reivindicações (O Mar Sem Fim concorda em gênero, número, e grau, veja).

“Semelhança com Operação Lava- jato”

“Esta é uma situação parecida com a Operação Lava Jato e o papel do juiz Sergio Moro. A legislação anticorrupção, com delação premiada e outros dispositivos legais, já existia, mas foi a coragem do juiz em aplicá-la que fez toda a diferença.”

“Isso não significa que a legislação ambiental não possa ser aperfeiçoada e simplificada – sem perder o rigor -, sobretudo definindo melhor as características específicas dos empreendimentos. Licenciar uma pequena central hidrelétrica numa fazenda no interior não precisa ter a complexidade de licenciamento de uma grande usina hidrelétrica.

Receita para evitar desastres como o de Mariana

“Para evitar novos desastres, como em Mariana e Brumadinho, o governo federal precisa demonstrar claramente que vai aplicar as leis vigentes, “doa a quem doer”. Somente assim os técnicos e engenheiros responsáveis pelos projetos e pela fiscalização ambiental se sentirão respaldados para propor a interdição de projetos inadequados e não conceder novas licenças sem a permissão de medidas protetoras da população.”

“Licenciar uma barragem como a de Brumadinho, permitindo que abaixo dela fossem instalados uma pousada e um refeitório da Vale, ultrapassa as raias do absurdo na sua irresponsabilidade. E poderia ter sido evitado por uma simples medida administrativa.”

Manter a natureza intocada?

Goldenberg finaliza: “Não é possível, como querem alguns, resolver os problemas da pobreza no País mantendo a natureza intocada. Mas é possível fazer um licenciamento ambiental mais rigoroso e ágil, que proteja a população sem impedir o desenvolvimento.”

‘Licenciamento ambiental é obstáculo ao crescimento’

É isso que o Presidente apregoa quase toda semana desde que estava em campanha. Senhor presidente, ainda considera que o ‘Ibama é uma fábrica de multas’? Que o ‘licenciamento ambiental é obstáculo ao crescimento’? Infelizmente, este trágico acidente mostra mais uma vez a importância de um ministério do Meio Ambiente bem aparelhado por equipes, e equipamentos. O que não acontece. O Ibama e o ICMBio jamais tiveram o investimento que merecem. São deficitários em equipes e equipamentos como já demonstramos várias vezes. O jornal O Globo confirma: “Estudo divulgado pela WWF-Brasil, em parceria com a ONG Contas Abertas, aponta que, em cinco anos, o orçamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA) caiu mais de R$ 1,3 bilhão. Em 2013, a verba prevista para a pasta era de pouco mais de R$ 5 bilhões – já em 2018, o orçamento autorizado é de 3,7 bilhões.”

imagem da Barragem I – Mina Córrego do Feijão
Nova barragem da Vale se rompe. Barragem I – Mina Córrego do Feijão. Fonte: valeinformar.valeglobal.net

 Nova barragem da Vale se rompe.

Veja abaixo o caminho da lama.

Fontes: https://gauchazh.clicrbs.com.br/; https://valeinformar.valeglobal.net/BR/MG/Paginas/Home-14-03-18.aspx?pdf=1; https://exame.abril.com.br/brasil/bombeiros-rompimento-de-barragem-em-brumadinho-deixa-200-desaparecidos/; https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/01/risco-de-rompimento-foi-citado-na-tensa-reuniao-que-aprovou-licenca-da-barragem.shtml; https://www.pontosbr.com/mina-de-ferro-carajas-vale-do-rio-doce-parauapebas-pa-21.html; https://pt.wikipedia.org/wiki/Vale_S.A; https://g1.globo.com/natureza/noticia/em-cinco-anos-orcamento-do-ministerio-do-meio-ambiente-cai-r-13-bilhao-diz-estudo.ghtml.

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