Peixe-leão em Fernando de Noronha é a nova ameaça

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Peixe-leão em Fernando de Noronha é a nova ameaça

O Peixe-leão em Fernando de Noronha mostra que uma das piores ameaças à biodiversidade já alcançou uma das áreas marinhas mais valiosas do Brasil. As espécies invasivas estão entre as principais causas de perda de biodiversidade no mundo, atrás apenas da destruição de habitats.

No mar, o peixe-leão tornou-se um dos exemplos mais preocupantes. Originário do Indo-Pacífico, ele já ocupou recifes do Caribe e avançou pelo Atlântico. Por isso, a NOAA o chamou de “garoto-propaganda” das espécies invasoras no Atlântico Norte ocidental.

Agora, a ameaça chegou ao Atlântico Sul e exige atenção redobrada.

Imagem do peixe-leão
O peixe-leão. Imagem, O Estado de S. Paulo.

Peixe-leão no Caribe

O avanço do peixe-leão no Caribe ajuda a entender como o Peixe-leão em Fernando de Noronha se tornou uma ameaça real. Segundo a NOAA, aquaristas provavelmente tiveram papel importante no início da invasão. A agência considera plausível que sucessivas solturas de animais mantidos em aquários tenham levado a espécie ao ambiente natural.

Mapa mostra chegada do peixe-leão no Caribe
O site da NOAA mostra a chegada em 1985, e a proliferação do peixe-leão no Caribe. Note a data acima do mapa, e ponto vermelho em Miami.

A NOAA registrou peixes-leão na costa da Flórida já em meados da década de 1980. Desde então, a população cresceu rapidamente e avançou pelo Atlântico, Golfo do México e Caribe.

mapa mostra dispersão do peixe-leão no Caribe no ano 2000.
15 anos depois a situação já era grave.

Além disso, o peixe-leão encontra poucos predadores naturais nessas regiões. Por isso, consome peixes nativos, disputa alimento e altera o equilíbrio dos recifes. A NOAA alerta que a expansão continua e que, em algumas áreas, as populações ainda podem crescer ainda mais.

mapa mostra dispersão do peixe-leão em 2010
Em 2010 situação já crítica no Caribe.

Os biólogos suspeitam que as populações de peixes-leão ainda não atingiram o pico no Golfo do México, o que significa que sua demanda por presas nativas continuará a aumentar.

Mapa mostra proliferação do peixe-leão no Caribe.
Em 2020 ele já estava abaixo da linha do Equador.

No Rio de Janeiro, em 2014

Em 2014, um peixe-leão apareceu pela primeira vez no Brasil, no litoral do Rio de Janeiro. Enquanto isso, países do Atlântico Norte já tentavam conter a invasão.

Uma das estratégias foi estimular a pesca e o consumo da espécie. No México, por exemplo, campanhas explicaram que o perigo está nos espinhos externos. A carne, porém, pode ser consumida normalmente.

No Brasil, Porto Seguro adotou recentemente uma resposta ainda mais direta. A prefeitura passou a pagar R$ 10 por exemplar capturado e entregue. Pouco depois, pescadores retiraram cerca de 500 peixes. O caso mostra a importância de agir rápido antes que a espécie se estabeleça em grande escala.

Mesmo assim, o controle é difícil. Segundo a NOAA, um único peixe-leão pode reduzir em até 79% o recrutamento de peixes nativos em um recife. Além disso, ele disputa alimento com pargos, garoupas e outras espécies importantes para a pesca.

Os malefícios aos recifes de corais

Infelizmente, os problemas provocados pelo peixe-leão não se resumem apenas a outros peixes. Ele também prejudica o mais importante ecossistema marinho: os recifes de corais. Mais uma vez, recorremos ao site da NOAA.

‘Conforme as populações de peixes-leão crescem, eles colocam pressão adicional nos recifes de coral. Por exemplo, peixes-leão comem herbívoros e herbívoros comem algas de recifes de coral. Sem herbívoros, o crescimento das algas não é controlado, o que pode ser prejudicial à saúde dos recifes de coral’.

Por estes motivos existe grande preocupação depois dos encontros de…

Peixes-leão em Fernando de Noronha

Fernando de Noronha virou parque nacional marinho para proteger sua beleza natural e, sobretudo, sua biodiversidade.

Nos últimos anos, porém, o parque enfrentou decisões controversas. Ricardo Salles abriu a pesca de sardinha no parque nacional e também ampliou a tolerância à presença de cruzeiros marítimos, apesar dos impactos associados ao turismo de massa.

Agora surgiu uma ameaça diferente. Pesquisadores encontraram vários exemplares de peixe-leão na área do parque. A notícia preocupa porque Fernando de Noronha abriga ambientes sensíveis e importantes para a fauna marinha. Além disso, o arquipélago ganhou ainda mais relevância depois da descoberta, em 2019, de um novo banco de corais.

11 exemplares em dois meses em Fernando de Noronha

Quase toda a grande mídia repercutiu o indesejado encontro em mares tropicais. Uma das matérias, da Folha de S. Paulo, publicada em 10 de setembro, diz que ‘em um intervalo inferior a dois meses, o arquipélago de Fernando de Noronha registrou 11 ocorrências de peixes-leão, a mais recente sexta-feira (10)’.

O jornal explica que a fonte é o ICMBio, e informou que ‘dos animais registrados de dezembro até agora, oito acabaram capturados’.

Ou seja, se 11 ou 12 exemplares foram avistados em apenas dois meses é porque a coisa está feia, muito feia. Segundo a Folha, a chefe do ICMBio em Noronha, a analista ambiental Carla Guaitanele afirmou que os animais capturados estão congelados para serem enviados para pesquisa na Universidade Federal Fluminense, para que seja identificada a real origem dos peixes’.

Por enquanto, segundo a Folha, ‘três equipes de mergulhadores já passaram por treinamento do órgão para capturar a espécie em Fernando de Noronha’. E, em outubro, ‘deve chegar um especialista do Caribe para uma captação de nível mais avançado’.

Assista ao vídeo e saiba mais


Imagem de abertura: O Estado de S. Paulo

Fontes: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/09/peixe-leao-invade-fernando-de-noronha-especie-ameaca-ecossistema.shtml; https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2021/08/28/peixe-leao-em-fernando-de-noronha-infografico-detalha-animal-invasor-venenoso-que-ameaca-ecossistema-local.ghtml;https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/aparicoes-de-peixe-venenoso-em-fernando-de-noronha-preocupam-especialistas/.

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