Fernando de Noronha e neófitos em Brasília: perigo à vista

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Fernando de Noronha e neófitos em Brasília: perigo à vista

No final de 2019 tivemos uma rara boa notícia no maltratado litoral do Brasil. Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) anunciaram a descoberta de um banco de corais na costa pernambucana. O recife tem aproximadamente 16 quilômetros quadrados. O novo banco está distante cerca de cinco quilômetros da ilha, mas ainda dentro dos limites do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha. A descoberta surpreendeu até mesmo os pesquisadores. Mas agora o perigo se avizinha: Fernando de Noronha e neófitos em Brasília ameaçam, sem qualquer conhecimento sobre o assunto, a biodiversidade que ainda resta ao arquipélago.

imagem de Fernando de Noronha

Fernando de Noronha e neófitos em Brasília

Pensávamos que até o momento havia apenas um neófito em Brasília, o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. Depois de iniciado o desmonte dos quadros técnicos do ministério, e arrumar encrenca com nossos maiores parceiros como Alemanha e Noruega, o ministro entrou na ‘muda’. Mas persiste na dispensa de seus quadros técnicos. Em fevereiro deste ano, sem alardes, o ministro  exonerou servidores de alto escalão que atuavam no combate às mudanças climáticas na Secretaria de Relações Internacionais do MMA. Até aí, já estávamos acostumados. Mas agora entra em cena a família Bolsonaro…

Em vez de esforços para as reformas estruturais, reformas em Fernando de Noronha

No mesmo dia em que foi anunciado o pífio PIB do primeiro ano de mandato, com aumento de apenas 1,1%, a família Bolsonaro vira suas baterias para Fernando de Noronha. As redes sociais trouxeram mais um vídeo do senador Flávio Bolsonaro, o mesmo que tenta paralisar investigações sobre crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. No vídeo, o senador sem partido explica que  ‘está desatando nós da legislação ambiental’. E decidiu que devem ser  autorizados mais navios de cruzeiro a fundearem na área. Como se não bastasse,  ainda pretendem afundar 12 barcos no entorno para com eles criar novos recifes artificiais. Com que autoridade, não se sabe.

Brasil, o País das maravilhas

Não temos problemas maiores que afundar barcos em Fernando de Noronha, a julgar pelos atos do presidente secundado pelos filhos. A economia cresce assustadoramente. Não há desemprego e reformas estruturais são desimportantes. O momento é tão propício, que Jair Bolsonaro não achou nada mais útil para fazer que contratar um palhaço para distribuir bananas aos jornalistas na manhã desta quarta-feira, 4 de março de 2019, coincidindo com a divulgação do PIB. Um dia que entrará para a triste crônica da República.

Nesta mesma quarta-feira, as redes socais foram brindadas com o novo vídeo do senador Flávio Bolsonaro. Nele, deitava falação sobre assunto que desconhece, como se fosse o ministro do Meio Ambiente.

Fernando de Noronha e Bolsonaro

Não é a primeira vez que a usina de crises que preside o País achou por bem deixar o governo de lado para gerir o Parque Nacional de Fernando de Noronha. Em julho de 2019, sua excelência encasquetou com as taxas que são pagas para visitação. Bolsonaro disse que a taxa federal cobrada seria “um roubo praticado pelo governo federal”. Com sua anormal perspicácia, ele atribuía à ela o fato de que “quase inexiste o turismo no Brasil”.

imagem de Fernando de Noronha

Foi uma grita geral. A  Associação dos Pousadeiros de Noronha contestou a crítica à cobrança da taxa de acesso às praias no Parque. No mesmo momento, O Estadão ouviu especialistas como Claudio Maretti, vice-presidente da Comissão Mundial de Áreas Protegidas que foi enfático: “Fernando de Noronha é um arquipélago com fragilidades… Um turismo maior vai prejudicar. A visitação tem que ser limitada…”

Fernando de Noronha: neófitos de Brasília querem mais cruzeiros e recifes artificiais

O jornal O Estado de S. Paulo procurou especialistas para repercutir as novas ideias de quem deveria governar o País, não um par de ilhas. Eis o que descobriu: “O plano do governo federal de fazer 12 “naufrágios artificiais” de embarcações no mar de Fernando de Noronha, traz riscos de levar para a região uma espécie invasora que afeta completamente a biodiversidade por onde passa. O alerta é de especialistas que estudam a proliferação no Brasil do chamado “coral-sol”, uma praga do mar que acaba com tudo o que encontra ao redor.”

Coral-sol

O Mar Sem Fim já escreveu sobre o coral-sol. Encontrado pela primeira vez nas décadas de 1980 e 1990, no Litoral do Rio de Janeiro, a espécie está causando prejuízo ecológico em Santa Catarina, desalojando exemplares nativos. A partir de 2008, vários focos de corais-sol foram descobertos também nos estados da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, indicando uma rápida expansão desta praga na costa brasileira.

É disso que se trata. E por que fazê-lo em Fernando de Noronha, cuja recente descoberta foi a de um novo banco de corais natural? Isso, só os ‘iluminados’ de Brasília serão capazes de responder.

Navios de cruzeiro em Fernando de Noronha

O arquipélago faz parte de Pernambuco e é por ele administrado. Apesar disso, ninguém do Estado foi avisado sobre a ida, e as ideias de Flávio Bolsonaro, que esteve em Noronha com o presidente da Embratur, Gilson Machado. Depois  da publicação da reportagem pelo Estado, o secretário de Meio Ambiente pernambucano, José Bertotti, criticou duramente o plano federal e disse que “a informação de que o governo federal vai ‘autorizar’ a entrada de cruzeiros marítimos em Fernando de Noronha deixa mais uma vez evidente a maneira como a União lida com o meio ambiente”.

Como se vê, a usina de crises não para. Não basta apenas um PIB pífio, é preciso comprar briga com os Estados do Nordeste. O Mar Sem Fim já cansou de mostrar que os cruzeiros são fábricas de poluição, além de grande parte deles descartar lixo onde quer que naveguem, inclusive áreas protegidas como Fernando de Noronha. Que alguém com capacidade responda por que isso agora. Ganha um doce quem for capaz.

Fontes: https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,plano-de-bolsonaro-de-naufragio-artificial-em-fernando-de-noronha-pode-atrair-coral-destruidor,70003219568.

Fake news climáticas nas redes sociais disparadas por robôs

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4 COMENTÁRIOS

  1. A matéria parece ser uma crítica do pib do que uma matéria técnica, com mais informações por exemplo: presidente manda em que em Fernando de Noronha? Qual órgão decide se pode ou não atracar navios? É uma canetada dele? Do filho? Como? Quando? Onde?

  2. DESTRUAM! DESTRUAM TUDO! ACABEM COM FAUNA E FLORA NOS MARES, RIOS E TERRAS E QUE O FAÇAM COM MAIS CELERIDADE PARA QUE QUE O FIM DOS HOMENS TAMBÉM ESTEJAM NAS RETAS.

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