A maior usina para capturar CO2 é instalada na Islândia

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A maior usina para capturar CO2 é instalada na Islândia

Enquanto o planeta esquenta, a tecnologia avança. A maior usina do mundo para capturar CO2 do ar acaba de ser inaugurada na Islândia. A Orca, uma instalação construída pela Climeworks, irá capturar 4.000 toneladas métricas de dióxido de carbono por ano – e servir como um modelo para tecnologia semelhante. Segundo o Washington Post, ‘Uma grande nova instalação para extrair dióxido de carbono da atmosfera começou a operar na Islândia, um impulso para uma tecnologia emergente que, dizem os especialistas, pode eventualmente desempenhar um papel importante na redução dos gases de efeito estufa que estão aquecendo o planeta’.

imagem de usina para capturar co2 na Islândia
A Orca começou a funcionar em Setembro de 2021. Imagem, https://climeworks.com/.

A maior usina para capturar CO2 é instalada na Islândia

Com esta nova usina na Islândia a capacidade global da tecnologia aumentou cerca de 40%, de acordo com o construtor. O Washington Post informa que ‘Muitos especialistas em clima dizem que os esforços para sugar o dióxido de carbono do ar serão a chave para tornar o mundo neutro em carbono nas próximas décadas’.

A fábrica na Islândia será capaz de capturar 4.000 toneladas métricas anualmente – apenas uma pequena fração do que será necessário, mas que a Climeworks, a empresa que a construiu, diz que pode crescer rapidamente à medida que a eficiência aumenta e os custos diminuem.

Para se ter uma comparação, atualmente a humanidade despeja na atmosfera 51 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente anualmente.

O processo da usina Orca

Ventiladores de tamanho humano são construídos em uma série de caixas do tamanho de contêineres de transporte padrão de 12 metros.

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imagem dos ventiladores da usina para capturar co2
Os enormes ventiladores. Imagem,https://climeworks.com/.

Eles sugam dióxido de carbono do ar, capturando-o em filtros semelhantes a esponjas. Os filtros são queimados, aproximadamente à mesma temperatura necessária para ferver a água, liberando o gás.

Em seguida, é misturado com água e bombeado para o fundo de cavernas de basalto subterrâneas, onde com o tempo ele esfria e transforma-se em pedra.

Parece até ficção científica, não? E talvez seja mesmo. O problema é que até agora os custos ainda são altos demais, típicos de uma novidade tecnológica.

Retirar uma tonelada métrica de dióxido de carbono vai custar cerca de US$ 600 a US$ 800, disse Christoph Gebald, engenheiro suíço que cofundou e codirige a Climeworks.

O valor ainda está longe dos níveis em torno de US$ 100 a US$ 150 por tonelada que são necessários para obter lucro sem a ajuda de quaisquer subsídios governamentais.

Imagem da montagem da usina para capturar co2 na Islândia
A montagem da usina. Imagem,https://climeworks.com/

Para além disso, o novo processo precisa de grande quantidade de energia para alimentá-lo. E, atualmente, a produção de energia gera emissões.

O caso faz lembrar os dessalinizadores gigantes que comentamos recentemente ao abordarmos a falta de água crescente no mundo, e as soluções até agora encontradas.

Este foi um dos motivos para a nova usina ser construída na Islândia. A pequena nação insular tem fartura de energia geotérmica, amigável ao clima, assim como a geologia subterrânea ideal para facilitar a captura de carbono.

Aparentemente, o alto custo é o maior problema da tecnologia

No longo prazo, Gebald acredita que os preços podem ficar mais baratos – em 2030, ele espera preços em torno de US$ 200 a US$ 300 por tonelada. No final da década de 2030, ele acha que será a metade disso –  então teremos um método competitivo de redução das emissões globais.

O Washington Post ouviu Stephen Pacala, diretor da Iniciativa de Mitigação de Carbono da Universidade de Princeton, para quem ‘o alto custo é realmente o principal problema. Mas há razões para acreditar que barateá-lo pode ser possível’.

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Se a tecnologia custasse US$ 100 por tonelada métrica de dióxido de carbono e a indústria da aviação pagasse para compensar as emissões de seu combustível de aviação, aumentaria o custo do combustível em cerca de US$ 1 o galão, bem dentro da faixa de flutuações sazonais de preços, disse Pacala.

Vamos acompanhar, e torcer.

Assista ao vídeo da Climeworks e saiba mais


Imagem de abertura: https://climeworks.com/

Fontes:https://www.washingtonpost.com/climate-solutions/2021/09/08/co2-capture-plan-iceland-climeworks/?utm_campaign=wp_post_most&utm_medium=email&utm_source=newsletter&wpisrc=nl_most&carta-url=https%3A%2F%2Fs2.washingtonpost.com%2Fcar-ln-tr%2F349fc89%2F613a32199d2fda26274e18eb%2F60d62404ade4e20d1408decb%2F36%2F74%2F613a32199d2fda26274e18eb;

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Comentários

4 COMENTÁRIOS

  1. Boa Noite !
    Complementando , os processos para extrair gases do ar são muito antigos, remontam ao seculo XIX : destilação fracionada. Temos varias empresas industriais que operam aqui nessa area : White Martins, Air Liquid…e outras. O CO2 é um dos produtos oferecidos. Nada de novo sob o Sol….
    Acontece que separar / extrair gases da atmosfera é processo altamente consumidor de energia , por isso os produtos são caros. Tentar resolver o problema do clima retirando CO2 da atmosfera equivale a reconhecer que não ha soluçao !
    joao hanna

  2. Bom dia !
    Incrivel, mais uma tentativa delirante , surreal.
    Quem conhece um pouco de Fisica elementar tem que duvidar da viabilidade dessa tecnologia.
    A energia consumida por essa geringonça tem que ser significativa pois remover o CO2 da atmosfera é processo altamente anti-entropico . Verdadeiro delirio da era tecno-cientifica que vivemos [ segundo Martin Heidegger].

  3. Cada pais poluidor ( CHINA , EUA, Paises EUROPEUS )deveriam ser responsaveis por realizar este investimento em seus proposios paises e reduzir em paralelo a emissão .

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