Tubarões-tigre na Baía da Ilha Grande intrigam cientistas

0
0
views

Tubarões-tigre na Baía da Ilha Grande intrigam cientistas

Na Baía da Ilha Grande, em Angra dos Reis, o  Instituto ProShark monitora tubarões e raias com telemetria satelital, marcação acústica, drones e ciência cidadã. Fundado recentemente, o instituto atua em uma das áreas mais ricas do litoral brasileio. Foi então que surgiu uma novidade intrigante. Pescadores, mergulhadores, moradores e turistas começaram a comunicar a presença de tubarões-tigre na região.

Marcando um tubarão-tigre em Angra dos Reis
Equipe do ProShark marcando um dos animais. Imagem, ProShark.

Aos poucos, as observações ganharam corpo. O que antes poderia parecer um avistamento isolado virou dado científico. Hoje, os pesquisadores já identificaram quase 100 tubarões-tigre na Baía da Ilha Grande. O número surpreende não porque a espécie seja novidade absoluta, mas porque nunca havia sido documentada ali em um agrupamento tão expressivo.

Tubarões: medo antigo apesar de papel essencial

Antes de seguir, convém afastar o velho medo dos tubarões. O grupo é muito mais diverso do que sugere a fama de “devoradores de homens”. Existem mais de 500 espécies de tubarões no mundo. No Brasil, o ICMBio registra pelo menos 84 espécies.

Já mostramos neste site como até o tubarão-branco, um dos mais temidos, tem comportamento bem diferente da caricatura criada pelo cinema, em outras palavras, o animal se comporta de modo totalmente diferente do que Steven Spielberg nos apresentou em Jaws. A maioria dos tubarões não oferece risco aos banhistas. Muitas espécies vivem longe da costa, em águas profundas, ou têm hábitos que raramente cruzam com os nossos.

Além disso, várias espécies estão ameaçadas pela pesca, sobretudo por causa do consumo de cação, nome genérico que esconde animais muito diferentes.

Ainda assim, algumas poucas espécies exigem respeito. Entre elas estão o tubarão-branco, o tubarão-cabeça-chata e o tubarão-tigre. Os três aparecem com mais frequência nos registros internacionais de acidentes graves com humanos.

PUBLICIDADE

O tubarão-tigre, portanto, faz parte deste grupo. Mas isso não autoriza pânico na Baía da Ilha Grande. Até agora, o caso chama atenção dos cientistas por outro motivo: a presença de tantos indivíduos pode indicar uma cadeia alimentar ativa, com presas disponíveis e ambiente ainda capaz de sustentar grandes predadores.

O caso de Angra dos Reis: quase 100 tubarões-tigre na Baía da Ilha Grande

O caso de Angra dos Reis começou com observações dispersas. Pescadores, mergulhadores, moradores e turistas passaram a comunicar a presença de tubarões-tigre na Baía da Ilha Grande. A partir dessas informações, o Instituto ProShark reforçou o monitoramento da espécie.

A novidade, portanto, não é a presença do tubarão-tigre na região. Segundo a bióloga Fernanda Lana, diretora-presidente do Instituto ProShark, “eles sempre estiveram aqui”. O que chama atenção é o registro científico do agrupamento desses animais e o início do monitoramento por satélite, pela primeira vez no Sudeste-Sul do Brasil.

Antes disso, esse tipo de rastreamento com tubarões-tigre no Brasil só havia ocorrido em Fernando de Noronha e Recife. Agora, a Baía da Ilha Grande passa a integrar a pesquisa científica sobre uma das espécies mais impressionantes dos mares tropicais.

A pesquisa deve mostrar quanto tempo esses animais permanecem na região e que rotas seguem depois de deixar a baía. Também pode ajudar a responder uma pergunta central: a presença deles reflete apenas melhor observação científica, maior oferta de alimento, ou mudanças mais amplas no ambiente marinho?

Saiba mais sobre o tubarão-tigre

O tubarão-tigre é um dos maiores predadores dos mares tropicais. Em geral, mede entre 3 e 4,3 metros, mas alguns indivíduos podem passar dos 5 metros. As fêmeas dão à luz filhotes já formados, depois de uma gestação longa, de cerca de 13 a 16 meses. A ninhada pode variar bastante, de 10 a mais de 80 filhotes, embora nem todos cheguem à fase adulta. Ao nascer, cada filhote mede algo entre 50 e 90 centímetros.

O tubarão-tigre não aparece na nova lista brasileira de peixes e invertebrados aquáticos ameaçados de extinção. Portanto, sua pesca não está proibida no país por essa norma. Ainda assim, a espécie exige atenção. A IUCN, referência mundial em conservação, classifica o tubarão-tigre como Quase Ameaçado, com tendência de queda populacional. Como ocorre com outros tubarões, a pesca, muitas vezes disfarçada sob o nome genérico de cação, continua sendo uma das principais pressões sobre a espécie.

O tubarão-tigre tem uma das dietas mais variadas entre os grandes tubarões. Alimenta-se de peixes, raias, tartarugas, aves marinhas, crustáceos, moluscos e carcaças. Também pode engolir lixo, o que revela outro problema dos mares. Como predador de topo, ajuda a regular a cadeia alimentar. Como oportunista, também remove animais mortos do ambiente.

Convivência segura com um grande animal silvestre

A espécie merece respeito. O tubarão-tigre é um grande animal silvestre e aparece entre os tubarões envolvidos em acidentes graves com humanos no mundo. Ainda assim, sua presença na Baía da Ilha Grande deve ser tratada com informação, não com exagero. O monitoramento ajuda justamente nisso. Com dados, os pesquisadores podem entender horários, áreas de circulação e épocas de maior presença dos animais.

A pesquisa ainda está em andamento. Por enquanto, não há prazo divulgado para conclusões definitivas.  Só então será possível saber se o agrupamento reflete apenas melhor observação científica, maior oferta de alimento, ou mudanças mais amplas no ambiente marinho.

Merenda em Ubatuba: larvas, carne ruim e fraude

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here