Merenda em Ubatuba: larvas, carne ruim e fraude

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Merenda em Ubatuba: larvas, carne ruim e fraude

Ubatuba volta às manchetes policiais pelo pior motivo: a merenda escolar. E não é a primeira vez.  Em maio de 2024, o Mar Sem Fim mostrou a cassação de Flávia Pascoal pela Câmara. O processo tratava de supostas irregularidades na compra de pães para a rede municipal de ensino. Na ocasião, a advogada Jaqueline Tupinambá Frigi apontou um possível favorecimento à Pascopan, padaria da família da prefeita. Segundo a denúncia, a empresa contratada para fornecer a merenda teria subcontratado a padaria. Flávia negou irregularidades. Agora, novos trechos da investigação da Polícia Federal recolocam a merenda no centro da crise. Eles citam arroz com larvas, carne “horrível” e suspeita de fraude em contrato milionário.

Polícia Federal na Secretaria de Educação em Ubatuba
Polícia Federal na Secretaria de Educação em Ubatuba. Imagem, T7 News.

Merenda em Ubatuba: larvas, carne ruim e fraude

Além de sua fragilidade natural, o litoral enfrenta inimigos simultâneos. Antes de tudo, a especulação imobiliária, que avançou a partir dos anos 1970, segue como o maior flagelo da zona costeira. Além disso, o turismo de massa cresce sem planejamento. Ao mesmo tempo, o aquecimento global pressiona as orlas com ressacas, erosão e eventos extremos cada vez mais frequentes. Para piorar, muitas cidades costeiras ainda enfrentam prefeitos despreparados, quando não corrompidos pelo cargo. A história recente de Ubatuba é mais uma prova desse abandono.

A nova denúncia veio do T7 News, com base em relatório da Operação Pão e Circo, da Polícia Federal. O material mostra um cenário revoltante. Segundo a reportagem, conversas anexadas à investigação citam carne “horrível”, arroz com larvas e a frase que resume o escândalo: “dá até dó de dar isso pra criança”. O foco principal é o Pregão Eletrônico nº 78/2022, vencido pela empresa ACF Fernaine para fornecer merenda escolar ao município.

Rio Tavares poluído em Ubatuba
Enquanto a administração se preocupa em fraudar a merenda escolar os rios que atravessam Ubatuba vão se tornando esgotos a céu aberto. Este foi o rio Tavares.

Segundo a reportagem, o relatório da PF aponta suspeitas de fraude em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ou seja, não se trata apenas de comida ruim. Trata-se de uma investigação sobre um possível esquema montado em torno da alimentação de crianças da rede pública.

O caso é ainda mais repulsivo porque a merenda escolar  é direito básico e, para muitas crianças, representa uma das principais refeições do dia. No entanto, a devassidão é tamanha que nem isso é respeitado.

A indecência moral em Ubatuba

Difícil dizer exatamente quando esta indecência começou. Mas talvez um marco tenha sido a noite em que a Câmara de Vereadores “descassou” Flávia Pascoal que havia perdido o cargo por suspeitas ligadas… à merenda escolar!

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A denúncia de Jaqueline Tupinambá já apontava que a A.C.F. Fernaine, vencedora da licitação, teria subcontratado a Pascopan, padaria da família da prefeita. O empresário Ademar Cesar Fernaine, portanto, já aparecia no caso. Agora, volta ao centro da nova apuração da Polícia Federal sobre a merenda de Ubatuba.

Praia de Itaguá, Ubatuba, sempre imprópria para banho
Cenas como esta são rotina em Ubatuba.

Segundo nova reportagem do T7 News, os nomes voltam a aparecer em outro patamar. A investigação da Polícia Federal cita o Pregão Eletrônico nº 78/2022, vencido pela A.C.F. Fernaine, e aponta suspeitas de fraude, corrupção, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ou seja, a merenda escolar de Ubatuba deixou de ser apenas um escândalo administrativo. Virou retrato de um sistema político que parece ter perdido qualquer vergonha.

A investigação avança

O T7 News revela que a Polícia Federal formalizou o indiciamento de 18 pessoas na Operação Pão e Circo, que apura supostas fraudes em contratos da merenda escolar de Ubatuba. O caso envolve suspeitas de fraude, corrupção, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e associação criminosa. E isso, misturado à merenda escolar, mostra a proporção da podridão moral que assola Ubatuba.

Ubatuba não adoece por acaso. A cidade acumula problemas que seguem sem solução: falta planejamento urbano, falta saneamento e sobra improviso. Moradores já lançaram abaixo-assinado contra a poluição dos rios e a falta de esgoto, enquanto o Comitê de Bacias do Litoral Norte apontou a precariedade da drenagem urbana. Para piorar, o Cemaden já alertou para risco hidrológico alto no município. Ou seja, Ubatuba tem praias poluídas, rios pressionados, drenagem frágil e risco climático crescente. Ainda assim, a política local volta ao noticiário policial por causa da merenda escolar. É o retrato de uma cidade abandonada por quem deveria cuidar dela.

Area de risco ocupada em Ubatuba
Não sobra tempo, nem recursos, para planejar a cidade que cresce em áreas de risco.

Por último, mas não menos importante, Ubatuba precisa olhar para si mesma. Enquanto continuar entregando a prefeitura a políticos sem preparo, sem projeto e sem compromisso real com a cidade, não haverá saneamento que avance, planejamento que resista ou litoral que se salve. A crise da merenda é apenas o sintoma mais repulsivo de um problema maior: a degradação moral da política local.

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