O obtuso Trump agora parte para a mineração submarina
Trump e a mineração submarina formam mais uma frente da ofensiva ambiental da Casa Branca. O exterminador do futuro decidiu leiloar mais de 127 mil km² do fundo do Pacífico, ao largo do Monumento Nacional Marinho do Atol de Rose, criado por George W. Bush na Samoa Americana em 2009. É um dos atóis mais preservados do planeta. Seus recifes abrigam grande diversidade de espécies, inclusive animais ameaçados de extinção, diz a NOAA.

Segundo o Samoa News, o anúncio veio depois que a Samoa impôs uma moratória à mineração do leito marinho. Além disso, o território se opôs formalmente às propostas federais de explorar a plataforma continental próxima.
Em 2025, Trump já havia assinado uma ordem para acelerar as licenças. Agora seeu governo abriu o leilão na Samoa Americana, território ultramarino sob soberania dos Estados Unidos.
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Cemitério de baleias guarda 5 milhões de anos de históriaTerra pode ter 20 milhões de espécies de insetosTrump libera pesca em monumentos marinhos do PacíficoA decisão também confronta os mais de 43 países que defendem uma moratória ou a proibição da atividade. Ao mesmo tempo, transforma uma região pouco conhecida em campo de testes de uma indústria ainda sem viabilidade comercial comprovada.
Trump ameaça o coração já ferido do planeta em nome de minerais para armas, eletrônicos e veículos elétricos. Assim, ao atropelar comunidades do Pacífico, a ciência e a cautela internacional, empurra os Estados Unidos para um isolamento ambiental ainda maior.
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Trump atropela a Samoa Americana
O colosso da Casa Branca não se cansa de abrir novas frentes. Trump também trabalha para enfraquecer a própria infraestrutura dos Estados Unidos.
Foi o que fez ao impor demissões em massa à NOAA, uma ilha de excelência científica de seu país. Depois, tentou sabotar uma rede de sensores marinhos essenciais, espalhados pelos oceanos Atlântico e Pacífico. E ainda decidiu que “destruir o habitat de uma espécie ameaçada não significa causar-lhe dano”.
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Porto em Arroio do Sal ameaça mudar o litoral gaúchoPiçarras: R$ 53 milhões jogados ao mar na engorda da praiaMerenda em Ubatuba: larvas, carne ruim e fraudeMais recentemente, o mimado mandatário entregou à pesca industrial uma imensa área marinha protegida no Pacífico. A proteção fazia parte do legado de Barack Obama e George W. Bush. Agora, Trump abriu outra frente: quer impor a mineração submarina à Samoa Americana.
Dois blocos do Pacífico por 20 anos
O governo Trump pretende leiloar dois blocos que somam mais de 127 mil km² do fundo do Pacífico. Os contratos poderão durar 20 anos.
Washington avançou porque o governo federal ignora a posição oficial de Samoa, e transforma o arquipélago em campo de testes de uma indústria ainda sem viabilidade comercial comprovada.

Mesmo assim, Washington avançou. O governo federal ignora a posição local e desconsidera o alerta de uma enorme quantidade de cientistas. Eles afirmam que a mineração submarina pode destruir organismos antes mesmo que a ciência os identifique. Também pode espalhar nuvens de sedimentos, sufocar a fauna e levar ruído e luz artificial a ambientes adaptados à escuridão absoluta.

Os pesquisadores alertam ainda que os danos podem durar séculos. Nas grandes profundidades, muitas espécies crescem e se reproduzem lentamente. Corais e esponjas vivem por milênios, enquanto os nódulos polimetálicos levam milhões de anos para se formar.
Trump também desafia a autoridade internacional
A ofensiva ocorre justamente quando a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, a ISA, discute em Kingston as regras para uma eventual exploração comercial em águas internacionais. Até agora, nenhuma mineração comercial recebeu autorização pelo desconhecimento e temor dos impactos ambientais. Além disso, um teste recente na Zona Clarion-Clipperton mostrou que a mineração submarina reduziu em 37% o número de animais e em 32% a diversidade de espécies nas áreas atingidas.
Seja como for, o leilão diante da Samoa Americana ocorre em águas sob jurisdição dos Estados Unidos. Portanto, a ISA não controla diretamente esses dois blocos. Ainda assim, Trump atropela o processo multilateral ao criar um caminho paralelo para atividade tão polêmica.
Sob o comando da brasileira Leticia Carvalho, com quem o Mar Sem Fim já conversou, a ISA defende que nenhuma exploração comece sem regras multilaterais. Carvalho também ressalta que o fundo do mar fora das jurisdições nacionais constitui patrimônio comum da humanidade. Não se trata de uma fronteira aberta ao primeiro país ou à primeira empresa que chegar.
Trump, porém, escolheu o atalho. Em vez de aderir ao esforço internacional, seu governo tenta licenciar empresas pelas próprias leis. Assim, enfraquece décadas de negociação coletiva e abre um precedente perigoso para a exploração do fundo do mar.










