Praia contaminada em Salvador vira caso de polícia
Uma praia contaminada em Salvador virou caso de polícia. A PF investiga danos ambientais na Praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário, dentro da Baía de Todos-os-Santos. Exames encontraram contaminação no solo, nas águas subterrâneas, na areia e no ambiente marinho.

Além disso, segundo a PF, a área apresenta metais pesados e compostos nitrogenados. Os investigadores também identificaram sinais de uma fonte ativa de contaminação. Por isso, a Justiça Federal bloqueou cerca de R$ 387,6 milhões em bens de empresas investigadas. O objetivo é garantir recursos para uma eventual recuperação ambiental.

O que aconteceu em São Tomé de Paripe
O caso começou após denúncias de moradores no início do ano. Em seguida, órgãos ambientais fizeram fiscalizações na Praia de São Tomé de Paripe. Moradores e fiscais encontraram líquidos azulados, amarelados e esverdeados na areia. Também surgiram registros de peixes e crustáceos mortos.
Diante disso, o Inema iniciou coletas e análises. O órgão passou a avaliar a qualidade da água e também os possíveis efluentes.
Mais lidos
Ilha dos Gatos: abandono ameaça fauna e litoral fluminensePorto em Arroio do Sal: Ibama aponta falhas graves nos estudosErosão nas praias: quando pedras e concreto pioram o problemaEm 11 de março de 2026, o Inema proibiu o banho e a pesca na praia. Depois, seus laudos encontraram níveis elevados de cobre, nitrato, nitrito, ferro e zinco. Desde então, o órgão recomenda que moradores evitem a praia e o contato com a água.
Enquanto isso, a Polícia Federal entrou no caso com a Operação Mar Vivo. Os investigadores encontraram indícios de degradação ambiental relevante perto de um terminal portuário. Além disso, a investigação aponta que a fonte de contaminação continua ativa.
De onde pode vir a contaminação
As investigações concentram atenção no Terminal Itapuã, em São Tomé de Paripe. A empresa Intermarítima administra o terminal, que movimenta granéis, minérios e fertilizantes. Segundo a Câmara Municipal de Salvador, o Inema encontrou compatibilidade entre o material presente na areia e insumos movimentados no terminal.
Assim, o Inema interditou temporariamente as atividades do terminal. Enquanto isso, a Polícia Federal aprofundou as investigações e identificou sinais de uma fonte ativa de contaminação.
Leia também
Parque dos Meros nasceu de blocos de concreto no ParanáO obtuso Trump agora parte para a mineração submarinaLitoral fluminense enfrenta erosão sem plano nacionalEm agosto, a Justiça Federal bloqueou bens da Intermarítima e da Gerdau. As duas empresas aparecem como investigadas no caso. No entanto, a PF ainda apura a origem exata da contaminação e a responsabilidade de cada envolvido.
Em São Tomé de Paripe, a pesca e a mariscagem sustentam comunidades tradicionais há gerações. Não há um cadastro atualizado de todos os trabalhadores, mas o governo baiano já registrava, em 2012, mais de 200 marisqueiras apenas na comunidade quilombola do Alto do Tororó.
Não bastasse a especulação imobiliária em Salvador, que troca Mata Atlântica por concreto armado e aumenta a pressão sobre a Baía de Todos-os-Santos, agora a região enfrenta também uma grave contaminação química em uma das áreas mais importantes para o turismo baiano.
Por que a Justiça bloqueou R$ 387,6 milhões
O valor não corresponde a uma multa. Segundo a Polícia Federal, peritos calcularam em cerca de R$ 387,6 milhões o custo mínimo para conter a contaminação, remediar os danos e recuperar a área afetada.
Por isso, a PF pediu o bloqueio de bens das empresas investigadas. A Justiça Federal aceitou o pedido para garantir recursos caso confirme a responsabilidade pelos danos ambientais.
O problema dentro da Baía de Todos-os-Santos
A praia fica dentro da Baía de Todos-os-Santos. Por isso, a contaminação preocupa além dos limites da própria praia. A região abriga comunidades que dependem da Baía de Todos os Santos, além de ecossistemas costeiros sensíveis.
Segundo a Polícia Federal, os laudos já apontam riscos à biodiversidade e à sustentabilidade ambiental. Além disso, em junho, a Prefeitura de Salvador declarou situação de emergência nas áreas litorâneas afetadas. O decreto citou impactos no ambiente marinho, em rios, lagoas e aquíferos.
Para saber mais, assista ao vídeo









