Tsunami meteorológico atinge Sul do Brasil: entenda o fenômeno
Um tsunami meteorológico atingiu nesta segunda-feira (21) trechos do litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Em Laguna, a água avançou rapidamente sobre a Praia do Cardoso, arrastou embarcações e invadiu ruas e estabelecimentos. Em Capão da Canoa, no litoral gaúcho, o fenômeno ocorreu durante a madrugada, na chegada de um forte temporal.

Apesar do nome, não houve terremoto nem deslizamento submarino. O fenômeno nasce na atmosfera: mudanças bruscas de pressão e fortes rajadas de vento podem transferir energia para o oceano e provocar uma elevação repentina do nível do mar.

O que é um tsunami meteorológico?
Segundo Josélia Pegorin, da Climatempo, o tsunami meteorológico costuma ocorrer associado a sistemas como linhas de instabilidade. Essas linhas reúnem células de tempestade alinhadas e, quando avançam paralelas à costa, podem provocar mudanças bruscas na pressão atmosférica e fortes rajadas de vento.
Josélia explica que essas variações produzem pulsos de pressão que perturbam as águas da plataforma continental. Quando a velocidade dessa perturbação atmosférica se aproxima da velocidade das ondas no mar, pode ocorrer uma ressonância entre atmosfera e oceano. Com isso, a onda ganha altura.
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USS Abraham Lincoln: meses no mar levam tripulação ao limiteConstrução naval em Itajaí vive novo ciclo de expansãoSantuário de Baleias do Atlântico Sul pode finalmente sair em 2026Perto da costa, essa onda pode crescer ainda mais e atingir alguns metros de altura em poucos minutos. A Defesa Civil de Santa Catarina alerta que o alcance da inundação depende da inclinação da praia e da presença, ou não, de dunas – normalmente aplainadas pela especulação com aval de prefeituras omissas. Em praias muito planas, diz a Defesa Civil, a água pode avançar de dezenas a centenas de metros sobre o continente.
El Niño pode favorecer novos episódios
Para o meteorologista Alexandre Nascimento, da Nottus, o El Niño pode criar condições favoráveis à formação de novos tsunamis meteorológicos no Sul. O fenômeno climático favorece rápidas variações de pressão atmosférica, ou seja, um dos mecanismos capazes de desencadear o meteotsunami.

Nascimento, porém, faz uma ressalva: não é possível afirmar que episódios semelhantes ocorrerão com frequência até o fim do ano. As condições podem ficar mais favoráveis, mas a formação do fenômeno depende de uma combinação específica de fatores atmosféricos e oceânicos.
Onde o Sul foi atingido
Segundo a MetSul, o primeiro registro do tsunami meteorológico ocorreu durante a madrugada em Capão da Canoa, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. O mar avançou rapidamente durante o temporal e provocou danos na Beira-Mar e em quiosques.
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Horas depois, o fenômeno atingiu o litoral Sul de Santa Catarina. De acordo com a Defesa Civil estadual, houve danos em Laguna, Jaguaruna e Imbituba. A região mais afetada foi a Praia do Cardoso, próxima ao Farol de Santa Marta, onde a água avançou sobre a areia, arrastou barcos e invadiu ruas e estabelecimentos.

Apesar dos estragos materiais e do susto, não houve registro de feridos.
O Sul já registrou outros casos
A MetSul ainda revelou que o litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina já registrou outros tsunamis meteorológicos. Levantamentos citados pela empresa apontam pelo menos sete episódios entre 2009 e 2021 em diferentes pontos da costa dos dois estados.
A Praia do Cardoso, em Laguna, voltou a registrar o fenômeno em novembro de 2023. Na ocasião, técnicos da Epagri associaram o episódio à passagem de uma linha de instabilidade, acompanhada por fortes rajadas de vento e rápidas variações da pressão atmosférica.
Ondas muito diferentes das comuns
A Epagri/Ciram, informa que as ondas comuns observadas nas praias costumam ter períodos entre 4 e 20 segundos. Nos tsunami meteorológicos, esse intervalo pode chegar a dezenas de minutos.
Essa diferença ajuda a distinguir o fenômeno de uma simples sequência de ondas maiores. Em ocorrências anteriores no litoral catarinense, marégrafos registraram essas oscilações em Laguna e Imbituba.
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