Erosão costeira no Rio Grande do Norte ameaça 39 praias

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Erosão costeira no Rio Grande do Norte ameaça 39 praias

A erosão costeira no Rio Grande do Norte ameaça 39 praias e avança por praticamente toda a costa do Estado. Segundo o professor Venerando Amaro, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, esses trechos representam cerca de 60% do litoral potiguar. Em vários pontos, o mar já destrói faixas de areia, ameaça casas, estradas e equipamentos turísticos.

Erosão no Rio rande do Norte
Imagem, Tribuna do Norte.

O problema não começou agora, mas ganhou velocidade. Em 2025, Venerando Amaro afirmou à Tribuna do Norte que praias potiguares perdem, em média, entre 1,2 e 1,6 metro por ano. A taxa supera a média mundial estimada para praias arenosas, de aproximadamente meio metro por ano.

O Rio Grande do Norte tem cerca de 410 quilômetros de costa. Nesse espaço relativamente curto, aparecem quase todas as faces da crise costeira brasileira: praias urbanizadas sem espaço para recuar, falésias instáveis, dunas ocupadas, obras rígidas, drenagem deficiente e intervenções milionárias que tentam conter o mar depois que o poder público permitiu a ocupação de áreas frágeis.

Onde a erosão costeira avança mais rápido

A erosão costeira no Rio Grande do Norte não avança no mesmo ritmo em toda a costa. Segundo Venerando Amaro praias como São Miguel do Gostoso, Caiçara, Touros, Galinhos, Macau e Areia Branca registram os casos mais preocupantes. Em alguns pontos, a linha de costa recua entre cinco e seis metros por ano. São Miguel do Gostoso apresentou a maior taxa já registrada no Estado.

casas ameaçadas entre Touros e São Miguel do Gostoso
Casas ameaçadas entre Touros e São Miguel do Gostoso. Imagem, www.saibamais.jor.br.

Na Ponta do Santo Cristo, em Touros, o quadro parece ainda mais extremo. Estudo publicado em 2025 na revista William Morris Davis analisou imagens e registros de campo entre 2012 e 2024. As pesquisadoras Cíntia Brito, Hayane Montenegro de Aquino Carmo e Rosa Maria Pinheiro de Oliveira encontraram recuos entre cinco e 25 metros por ano em determinados trechos e períodos. Em pouco mais de três anos, o mar também destruiu parcialmente estruturas instaladas perto da praia.

Esses números não representam a média de todo o litoral potiguar. Eles mostram, contudo, que alguns trechos já enfrentam perdas muito superiores aos 1,2 a 1,6 metro anuais registrados nas principais praias do Estado. Segundo Amaro, a média mundial das praias arenosas gira em torno de meio metro por ano.

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Por que a erosão avança tanto no Rio Grande do Norte

A erosão costeira no Rio Grande do Norte resulta da combinação entre dinâmica natural, ocupação desordenada e falta de planejamento público. Segundo pesquisadores da UFRN, ondas, ventos e correntes movimentam grandes volumes de areia ao longo da costa potiguar. Contudo, cidades, estradas, hotéis e casas avançaram sobre dunas, falésias e faixas de praia que antes funcionavam como reservas naturais de sedimentos.

Além disso, muros, enrocamentos e outras obras rígidas alteram o deslocamento da areia. Podem proteger um ponto por algum tempo, mas frequentemente agravam a erosão nos trechos vizinhos. A drenagem urbana deficiente também arrasta sedimentos, abre ravinas e aumenta a instabilidade das falésias.

Ponta Negra resume esse problema. Durante décadas, o poder público permitiu que a urbanização comprimisse a praia e ocupasse áreas frágeis ao redor do Morro do Careca. Depois, diante do avanço do mar, apostou numa engorda milionária. O Mar Sem Fim já mostrou como omissão, erosão e obras mal planejadas colocaram em risco o principal cartão-postal de Natal: Morro do Careca: omissão, erosão e engorda de praia.

Por fim, a elevação do nível do mar e o aquecimento do oceano ampliam a ameaça. As ondas alcançam áreas antes protegidas, enquanto praias urbanizadas já não encontram espaço para recuar. O Rio Grande do Norte expõe, assim, um problema que se repete em quase todo o litoral brasileiro. Como o Mar Sem Fim já mostrou, o País ainda não tem um plano central para combater a erosão costeira.

Falésias transformam erosão em risco de morte

No litoral oriental do Rio Grande do Norte, a erosão não ameaça apenas a faixa de areia. Ela também corrói a base das falésias, aumenta a instabilidade do terreno e transforma praias turísticas em áreas de risco. Em Pipa, no município de Tibau do Sul, esse perigo já provocou uma tragédia.

Em novembro de 2020, o desabamento de parte de uma falésia matou três pessoas da mesma família na Praia de Pipa. Depois do acidente, pesquisadores passaram a examinar com mais atenção a relação entre ondas, chuvas, ocupação urbana e movimentos de massa nesses paredões costeiros.

Um estudo publicado na Revista Brasileira de Geomorfologia mapeou áreas de risco alto e muito alto no trecho urbano de Pipa. Segundo os autores, as ondas retiram material da base das falésias. Ao mesmo tempo, chuvas intensas infiltram água no solo e reduzem sua estabilidade. Construções próximas das bordas, retirada da vegetação e drenagem inadequada agravam o problema.

Outro estudo, publicado em 2025, analisou as políticas públicas para as áreas de falésias do Rio Grande do Norte. Os pesquisadores identificaram falhas no planejamento, pouca integração entre as normas e descumprimento das regras existentes. Portanto, o risco não decorre apenas da dinâmica natural. A ocupação desordenada e a fiscalização insuficiente também colocam moradores, trabalhadores e turistas em perigo.

Falésias da Baía dos Golfinhos

Como somos bons em não aprender com os erros cometidos, o perigo continua atual. Em 2025, o Ministério Público Federal informou que pelo menos 28 construções no alto das falésias da Baía dos Golfinhos precisam de intervenção. O órgão cobrou da prefeitura de Tibau do Sul o monitoramento desses imóveis e, nos casos mais graves, sua adequação ou demolição. Também exigiu medidas para corrigir a drenagem e limitar novas ocupações. Segundo o estudo publicado na Revista Brasileira de Geomorfologia, grande parte do trecho urbano de Pipa apresenta risco alto ou muito alto, com possibilidade de novos desastres.

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