Remoção do coral-sol: novo método enfrenta invasão
A remoção do coral-sol ganhou uma nova ferramenta no litoral brasileiro. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo testaram um jato de ar comprimido capaz de destruir o tecido vivo do invasor sem arrancar a colônia da rocha. Nos testes realizados no arquipélago de Alcatrazes, o coral não voltou a crescer.

A descoberta chega em boa hora. O coral-sol já ocupa ilhas, costões rochosos, portos e estruturas artificiais do Sul ao Nordeste. Além disso, cresce rapidamente, disputa espaço com espécies nativas e altera comunidades inteiras do fundo do mar.

Até agora, mergulhadores combatem a invasão principalmente com marretas, talhadeiras ou marteletes. Contudo, fragmentos e restos de tecido podem permanecer na rocha, regenerar-se e formar novas colônias. As peças retiradas também exigem transporte e tratamento cuidadosos, pois o estresse pode estimular a liberação de células reprodutivas.
Como o coral-sol chegou e conquistou a costa brasileira
O Brasil registrou o coral-sol pela primeira vez nos anos 1980, incrustado em plataformas de petróleo na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. Navios e estruturas offshore trouxeram o invasor que, depois, ajudaram a espalhou-se pelo litoral. Em 1998, pesquisadores encontraram as primeiras colônias conhecidas num costão natural, em Arraial do Cabo.
Mais lidos
Atlântico Sul sem governo: um oceano rico e ameaçadoParque dos Meros nasceu de blocos de concreto no ParanáConheça o navio que salvou 23 mil vidas no MediterrâneoO Mar Sem Fim já contou como essa espécie invasora chegou ao País e passou a disputar espaço com corais, esponjas e outros organismos nativos.
No entanto, controlar a expansão exige muito trabalho. O método, usado até agora, demanda tempo, equipes treinadas e cuidado para não deixar fragmentos capazes de se regenerar.
No fim de 2025, estudantes de São Sebastião apresentaram outra possibilidade: uma pasta biocida aplicada diretamente sobre as colônias. A técnica mostrou eficiência, mas a aplicação individual torna o trabalho lento diante de costões extensos já fortemente ocupados. Agora, pesquisadores testam um novo método para acelerar a remoção do coral-sol.
Como funciona a remoção da espécie invasora
A nova técnica usa uma pistola ligada a um cilindro de ar comprimido, semelhante aos usados no mergulho. O pesquisador aproxima o equipamento da colônia e lança o jato diretamente sobre o coral. Assim, remove o tecido vivo e deixa apenas o esqueleto calcário preso à rocha.
Leia também
Estudantes contribuem para erradicar o coral-solTilápia como espécie invasora enfurece criadoresA bioinvasão do mexilhão-dourado chega à AmazôniaO método evita duas dificuldades da retirada convencional. Primeiro, não quebra a colônia em fragmentos capazes de se espalhar. Além disso, dispensa o transporte do coral retirado em sacos fechados, pois o jato destrói o tecido no próprio local.

Nos testes em Alcatrazes, os pesquisadores trataram 48 colônias e acompanharam o resultado por 180 dias. Depois de 30 dias, algas e outros organismos nativos já ocupavam os esqueletos. Ao mesmo tempo, o coral-sol não voltou a crescer nas áreas tratadas.
O custo das invasões também pesa. Espécies aquáticas invasoras já causaram prejuízos de centenas de bilhões de dólares no mundo. E o risco pode crescer: como mostrou o Mar Sem Fim, mais de 1.500 navios parados em Ormuz podem espalhar uma nova onda de bioinvasão quando retomarem suas rotas.
Técnica promissora, mas ainda limitada
Apesar dos bons resultados, a nova remoção do coral-sol ainda passou por testes em apenas 48 colônias. Além disso, os pesquisadores acompanharam a área por seis meses, período insuficiente para comprovar a eficiência em longo prazo.
Outro desafio envolve a escala. O coral-sol já ocupa extensos costões e ilhas do litoral brasileiro. Portanto, eliminar colônia por colônia exige equipes, embarcações, mergulhadores e recursos contínuos.

Ainda assim, o método amplia as opções de controle. Ao evitar a retirada e o transporte das colônias, ele pode tornar as operações mais rápidas e reduzir o risco de dispersar fragmentos.
Ainda assim, a técnica precisa passar por testes em áreas maiores e sob diferentes condições. Os pesquisadores também terão de avaliar o consumo de ar, o esforço das equipes e possíveis efeitos sobre organismos próximos antes de incorporá-la a operações amplas de controle.
A nova remoção do coral-sol não resolverá sozinha uma invasão que já alcançou grande parte da costa brasileira. Contudo, oferece uma ferramenta promissora para reduzir colônias em áreas prioritárias. Agora, o desafio consiste em transformar bons resultados experimentais em ações contínuas de controle.









