Mancha de lixo do Pacífico e portas de saída

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Mancha de lixo do Pacífico: segundo teste começa em 2019

Quase todos os oceanos têm manchas estáticas de plástico e outros tipos de lixo. O Atlântico Norte, e o Sul; o Índico, e o Pacífico. Entretanto, a mancha de lixo do Pacífico é considerada a pior de todas em volume e tamanho. Ela pode ser vista do espaço de tão grande.

Ilustração de manchas de lixo nos oceanos
As manchas de lixo dos oceanos. Ilustração, https://theoceancleanup.com/.

Saiba como se forma a Mancha de Lixo do Pacífico

Conduzido pelas correntes marinhas em interação com o movimento de rotação da Terra, qualquer tipo de lixo, dos países banhados pelo Pacífico Sul, acabam se juntando a outros num ponto remoto do Pacífico onde, de acordo com cientistas, a massa  “tem o tamanho de 680 mil quilômetros quadrados, o que equivale aos territórios de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo somados”.

Oceanos: ainda tratados como lata de lixo da humanidade

mapa das correntes marinhas e a mancha de lixo Pacífico
Ilustração: operamundi 

A mancha do Pacífico, por seu gigantismo, é uma prova de que os oceanos continuam a ser tratados como “lata de lixo da humanidade”.  O problema é gravíssimo, a ponto de haver hoje uma convergência mundial para diminuir os impactos. Tudo começou quando cientistas descobriram que desde a sua invenção, nos anos 50 do século passado, apenas 9% de todo o plástico produzido foi reciclado. Esta triste realidade espantou até mesmo os grandes produtores mundiais, que se juntaram para criar uma aliança para o fim dos resíduos plásticos.

Todos os anos oito milhões de toneladas de plástico vão parar nos oceanos

Recente pesquisa da Ellen MacArthur Foundation estima que haja mais de 150 milhões de toneladas de material plástico nos oceanos. A Pesquisa indica que, se as condições forem mantidas, haverá mais plástico que peixes em 2050.

 imagem de menina nadando em mar cheio de plástico
Retrato patético dos oceanos.

Mancha de lixo do Pacífico: hecatombe produzida pela nossa geração

Pela crença que a mancha de lixo seria estática, cientistas já estudavam maneiras de diminuir seu tamanho. Até a ONU entrou na briga e lançou uma campanha. Enquanto isso, vários países adotaram severas medidas contra o material, exceção ao Brasil, infelizmente.

Imagem de estudo para sistema de coleta de lixo na grande mancha do Pacífico
Os estudos de Slat para desenvolver sua engenhoca.

Guerra contra o plástico: conheça novas ideias e tecnologias

Mas não são apenas as organizações mundiais  que se preocupam e propõem soluções. Quase toda semana surge alguma nova ideia para remediar a situação. Por exemplo, cientistas estudam produzir bactérias que comam o plástico; cientistas de Harvard estudam produzir bioplástico a partir da casca de camarões; e até um milionário, que deve muito de sua fortuna aos oceanos, lançará em breve um barco para estudar os oceanos, e recolher plásticoUma destas ‘soluções’ vem do holandês Boyan Slat, 24 anos, um garoto que se impressionou ao mergulhar e ver a brutal quantidade de plástico em seu périplo submarino.

imagem de sistema para recolher plástico da mancha de lixo do Pacífico
Sistema em forma de ‘U’, para recolher o lixo do mar.

Invenção promete limpar a mancha de lixo do Pacífico

Boyan Slat inventou um sistema de coleta imenso, que visa limpar o  Pacífico. O dispositivo, uma barreira em forma de ‘U’, com 600 metros,   flutua na superfície do oceano com uma rede pendurada abaixo. Impulsionado por uma combinação de correntes oceânicas, ondas superficiais e vento, o sistema deveria viajar mais rápido que o plástico que foi construído para coletar, e que é impulsionado apenas pela corrente, permitindo que ele se acumule dentro da barreira e seja transportado de volta para costa por embarcações de apoio que esperam nas proximidades. Custou US$ 20 milhões de dólares. Com ele, Slat, pesquisadores e investidores que acreditaram na ideia, almejam eliminar a “Grande Mancha de Lixo do Pacífico“.

Veja como funciona:

Primeiro teste aconteceu no final de 2018 e não foi sucesso

O primeiro sistema flutuante de limpeza oceânica foi retirado do serviço logo depois de ter apresentado defeitos. Ele foi lançado pela ONG  The Ocean Cleanup. Trata-se de uma barreira com 600 metros e 80 mil toneladas que pretende recolher plástico dos oceanos, trazê-los para terra e reciclá-los. A organização garante que os peixes não serão aprisionados pela barreira. Eles conseguem escapar pela rede, ou desviarem-se do caminho. Novas testes serão feitos em 2019. Estamos na torcida!

Assista ao vídeo e saiba como funciona

Os problemas do primeiro teste e sua correção

A equipe descobriu que, depois de apenas alguns meses, a barreira havia se fraturado. E, talvez mais problemático, estava lutando para manter as velocidades necessárias para recolher o lixo. Então, eles o levaram de volta à costa em janeiro para fazer alguns ajustes. Em vez de fracassos, a equipe os descreve como “oportunidades de aprendizado não-agendadas” (é preciso admirar a atitude positiva). Uma das lições que aprenderam, de acordo com o CEO Boyan Slat, é que não importa se o sistema viaja mais rápido ou mais devagar que o plástico. Contanto que faça um ou outro em uma base constante, o plástico deve ser capaz de se acumular.

ilustração de sistema para recolher plástico da grande mancha do Pacífico

A nova versão do dispositivo

A versão atualizada está agora a caminho do Great Pacific Garbage Patch, com a equipe se preparando para testar alguns novos recursos para resolver as deficiências anteriores. Uma delas é a fixação de uma série de enormes boias infláveis ​​ao longo da abertura do sistema, o que, espera-se, aumentará a área empurrada pelo vento fazendo com que puxe a água mais rapidamente. Se isso falhar, a equipe irá para o Plano B, anexando um enorme paraquedas à abertura. Medindo 20 m  de diâmetro. Espera-se que sirva como uma espécie de âncora, diminuindo a velocidade do sistema para que ele se desloque na mesma velocidade da água.

Quando o sistema funcionar…

O Projeto Ocean Cleanup já havia declarado seus planos para implantar uma frota de 60 sistemas de coleta de lixo na grande mancha do Pacífico, cujo acúmulo de plástico acredita-se cobrir 1,6 milhão de km2, ou cerca de três vezes o tamanho do França continental.

Imagem de abertura: The ocean cleanup.

Fontes: http://www.dw.com/pt-br/sistema-de-coleta-quilom%C3%A9trico-visa-limpar-o-oceano-pac%C3%ADfico/av-38911312;http://pt.marinetechnologynews.com/news/mau-funcionamento-dispositivo-limpeza-oceano-276765; http://www.ellenmacarthurfoundation.org/; https://newatlas.com/take-two-ocean-cleanup/60265/.

Que tal pavimentar estradas com plástico recolhido do mar?

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6 COMENTÁRIOS

  1. No Brasil precisa-se conscientizar e lutar severamente quem joga lixo no chão e remodelar a coleta de lixo. Infelizmente muita gente joga lixo na rua, cigarros, garrafas de água e etc.

    • Antes de mais nada temos de conseguir uma lei séria onde candidatos a cargos eletivos tenham de demonstrar seu curriculum vitae e passar por uma séria avaliação psico-social para que jamais tenhamos Lula/Dilma/Bolsonaro outra vez. Ah! Como o Estado é laico se o eleito emitir posição religiosa deveria sofre impeachment.

      • Nao leve a mal. Mas liderança politica nada tem a ver com curriculum vitae. CV aliás traz bem pouco dos valores necessários a boas práticas políticas.

  2. Proibir a fabricação e venda de descartáveis, reciclar os demais plástico e vidros, multar quem for pego jogando lixo em local impróprio, coletar dos mares e rios todo esse lixo para incineração. Não parece coisa do outro mundo, mas também não seria simples.

  3. No mundo podem existir movimentos efetivos para tentar eliminar os plásticos da vida, seja proibindo seu consumo desvairado seja por reciclagens entretanto, países pouco desenvolvidos como o Brasil sequer consegue implantar coletas de lixos seletivos que seria uma das primeiras barreiras dos plásticos a caminho do mar. Na maior e mais rica cidade do Brasil somos brindados com pneus, geladeiras, colchões. milhares de toneladas de PET e outros milhares de artigos no rio que recebeu US$ 380 milhões à fundo perdido ou seja a cidade ou o país não precisa devolver a agência de cooperação internacional japonesa JICA para ter sua calha na porção urbana retificada e melhorada. Somos extremamente pródigos em ufanismos e comentar erros alheios, mas os nossos escondemos (quando fazemos) debaixo das águas sujas que nos ladeiam. Moro há mais de dez anos em BH, que em tese seria uma bela cidade, mas prefeitos pós prefeitos NADA fazem exceto mostrarem suas ganancias por impostos e mais impostos que de NADA servem a população; o atual quando candidato falava como macho, mas eleito parece que afinou e bastante e a cidade está abandonada.
    Será que não seria possível implantar um projeto emulando ações de Osvaldo Cruz que comprava pernilongos, mas agora compraríamos quilos de plásticos em troca de alguns reais ao contrário de darmos esmolas com nomes de Bolsa isto ou aquilo???

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