Acidentes com submarinos, uma dramática retrospectiva
Felizmente, acidentes com submarinos são raros. Mas figuram entre os mais dramáticos desastres no mar. É difícil ficar indiferente ao destino dos tripulantes. Eles dividem espaços mínimos, dentro de um casco de aço repleto de tecnologia. Mesmo assim, essa proteção tem limites diante da brutal pressão das profundezas. Quando perdem o controle da embarcação, os submarinistas sabem o que os espera. Se ultrapassarem a profundidade máxima que o casco suporta, terão poucas chances de escapar de um fim agonizante. Acidentes com submarinos: uma dramática retrospectiva.
Acidentes com submarinos, uma dramática retrospectiva
Nesta retrospectiva começamos com os mais recentes, até chegarmos aos mais distantes. No domingo, 25 de abril, as autoridades da Indonésia acharam o local do naufrágio do KRI Nanggala – 402, a 800 metros de profundidade, separado em três partes, e com todos os 53 tripulantes mortos.

Aparentemente, não houve explosão. O submarino perdeu o controle e afundou. Ainda não se sabe exatamente o motivo. A tripulação não conseguiu trazê-lo de volta à superfície. Ao ultrapassar seu limite de profundidade, de cerca de 250 metros, a pressão partiu o casco em três pedaços.
Segundo o site especializado gCaptain, o submarino indonésio estava velho e sobrecarregado. Ridzwan Rahmat, analista de defesa da Janes, afirmou que submarinos dessa classe comportam no máximo 40 pessoas.
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Licenciamento municipal dá nisso: hotel de luxo em morro instávelÂmbar-cinzento: o que liga cachalotes a perfumes de luxoGuerra contra o Irã: o custo ambiental chega ao marA idade também pesava. Com mais de 40 anos, o submarino da Guerra Fria figurava entre os mais antigos ainda em serviço naquela época. Segundo Rahmat, seu casco não suportava a pressão além de 230 metros de profundidade. Para o analista, o acidente já era previsível.
Conhecendo o interior de um submarino
Antes de mais um acidente na escala da história, sugerimos uma visita ao interior de um submarino para ter uma ideia real de como vivem os seus tripulantes.
Neste link você pode conhecer o interior do HMS Ocelot (em 2013 o interior do submarino foi fotografado pelo Google Street View). É isto que você vai ver, um submarino diesel-elétrico, construído pela Inglaterra em 1964. Depois de se ambientar, então prossiga na retrospectiva.
Losharik, submarino russo ‘de pesquisa’, julho de 2019
Em julho de 2019, um incêndio a bordo do submarino russo de pesquisa Losharik em águas profundas matou 14 tripulantes. Cinco dos que estavam a bordo sobreviveram, de acordo com relatórios. O submarino foi recuperado e reparado.
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Na época escreveu o New York Times: ‘Um incêndio em qualquer submarino pode ser o pior pesadelo de um marinheiro, mas um incêndio no Losharik era uma ameaça de outra ordem. A embarcação é capaz de mergulhar muito mais fundo do que quase qualquer outro submarino, mas os feitos da engenharia que permitem isso podem ter ajudado a selar o destino dos 14 marinheiros mortos no desastre’.
Submarinos são armas secretas das nações mais poderosas. Por isso até mesmo acidentes com submarinos mortais são escondidos para que não sejam revelados os segredos militares. Foi o caso deste incêndio.
Segundo o NYT, ‘o Losharik não é um submarino qualquer. Acredita-se que seu casco interno consista em uma série de esferas de titânio que prendem a sala de controle, os beliches, o reator nuclear e outros equipamentos’.
Ao que parece, o Losharik era um projeto ultrassecreto, de um pequeno submarino preso a uma estrutura maior para missões de resgate ou espionagem. A novidade é que a Rússia agora está desenvolvendo o ficou conhecido como o submarino do Juízo Final.
ARA San Juan, argentino, desapareceu em 2017
O submarino diesel-elétrico argentino desapareceu durante uma patrulha, em novembro de 2017. Após semanas de esforços de busca e resgate, foi declarado perdido junto com as 44 pessoas a bordo. Seus destroços foram descobertos no ano seguinte em cerca de 900 metros de profundidade.

Depois da descoberta do local do afundamento, foram liberadas pelo “Ministério de Defesa” diversas imagens que mostram o casco deformado pela altíssima pressão e partes que se separaram do submarino, como o eixo com as hélices.

A operação de resgate mobilizou navios e aviões de vários países e esteve entre as maiores do mundo. O submarino seguia de Ushuaia para sua base habitual, em Mar del Plata, por uma “rota muito aberta”. Em determinado momento, deixou de se comunicar.
Assim como o submarino da Indonésia, o ARA San Juan saiu de um estaleiro alemão em 1985. Anos depois, passou por uma reforma. Os técnicos cortaram o casco ao meio para executar os trabalhos. Na época, uma declaração informou que a reforma prolongaria a vida útil do submarino por 30 anos.
A despeito disso, a Marinha do Brasil segue em seu projeto de construir um submarino nuclear. Em 2019 o submarino Riachuelo, parte do projeto, iniciou testes de mar.
Acidentes com submarinos: a catástrofe do Kursk, em 2000
Em 12 de agosto de 2000, o submarino nuclear russo K-141 Kursk com mísseis afundou no mar de Barents, após duas explosões em sua proa. Todos os 118 homens a bordo morreram.

Este era um navio moderno, entregue à marinha da Rússia em 1994. Ele tinha dois reatores nucleares, comprimento de 154 metros, largura de 18,2 m. O Kursk podia navegar até a 32 nós quando submerso, e a 16 nós na superfície. A profundidade para a qual foi concebido oscilava entre 300 e 500 metros.
Quando aconteceu o acidente as autoridades da Rússia só aceitaram a ajuda dos noruegueses e britânicos quatro dias depois. A justificativa era a necessidade de se preservarem os segredos militares do submarino nuclear.
Nenhuma autoridade russa admitiu que 23 marinheiros haviam conseguido sobreviver por um período de dois dias após o acidente.
Depois da explosão na câmara de mísseis, os tripulantes foram para o compartimento número nove, localizado na popa, e emitiram sinais de socorro por 48 horas, antes de morrerem sufocados por falta de ar. Aproveite e conheça os seis maiores submarinos da atualidade.
Naufrágio do K-8, mais um navio russo naufragado em 1970
Um incêndio que eclodiu a bordo do submarino de ataque soviético K-8, em 8 de abril de 1970, desativou o navio de propulsão nuclear no Golfo da Biscaia, forçando a tripulação a abandonar o submarino.

Segundo o site nationalinterest.org ‘o Golfo da Biscaia é um dos maiores cemitérios de submarinos do mundo. No final da Segunda Guerra Mundial, aeronaves britânicas e americanas afundaram quase setenta submarinos alemães U-boot na baía, que se juntaram a um punhado de submarinos aliados e alemães afundados na região durante a Primeira Guerra Mundial’.
Em 12 de abril de 1970, um submarino soviético encontrou o mesmo local de descanso. Ao contrário dos outros, no entanto, o K-8 era impulsionado por dois reatores nucleares e carregava quatro torpedos com ogivas nucleares.
Scorpion, da marinha dos Estados Unidos, desaparece em 1968
Em maio de 1968, o submarino de ataque Scorpion da Marinha dos EUA, movido a energia nuclear, desapareceu no Oceano Atlântico com 99 homens a bordo.

O USS Scorpion tinha base em Norfolk e integrava os 19 submarinos de ataque nuclear da Frota do Atlântico. Deveria transmitir um “relatório de verificação” de quatro palavras. A criptografia protegeria o conteúdo da mensagem dos soviéticos. O recado significava, em essência: “Situação normal, seguindo conforme o planejado”.
Mas o USS Scorpion desapareceu sem transmitir a mensagem. Em outubro, equipes de busca localizaram os destroços a cerca de 644 quilômetros a sudoeste dos Açores. Eles estavam a mais de 3.050 metros de profundidade.
Várias teorias tentam explicar o desastre. Uma aponta o lançamento acidental de um torpedo, que teria retornado e atingido o próprio Scorpion. Outra sugere uma explosão na enorme bateria do submarino. Há ainda a hipótese de uma colisão com um submarino soviético.
Acidentes com submarinos e o naufrágio do K-129, em 1968
O ano foi trágico para os submarinistas. Em plena Guerra Fria duas betonavas afundaram. Uma dos Estados Unidos, outra dos soviéticos, o K-129.
O K-129, um submarino soviético de mísseis balísticos, com propulsão nuclear, afundou em 8 de março de 1968, no Oceano Pacífico, levando consigo todos os 98 tripulantes. A marinha soviética não conseguiu localizar o navio.
Um submarino da Marinha dos EUA o encontrou a noroeste da ilha havaiana de Oahu, a uma profundidade de cerca de 4.900 metros.

Um navio de perfuração em alto mar, o Hughes Glomar Explorer, foi capaz de resgatar parte do submarino em uma operação secreta. Os restos mortais de seis tripulantes soviéticos encontrados foram enterrados no mar.
A implosão do Thresher
Em 10 de abril de 1963, o submarino de ataque com propulsão nuclear Thresher da Marinha dos Estados Unidos foi perdido com os 129 homens a bordo. O submarino se partiu em 2.560 metros de profundidade durante testes de mergulho profundo a sudeste de Cape Cod, Massachusetts.
De acordo com as análises militares dos EUA sobre o acidente, a explicação mais provável é que uma junta de tubo em um sistema de água do mar da casa de máquinas cedeu, causando um curto-circuito nos componentes eletrônicos e provocando o desligamento do reator da embarcação que a deixou sem energia suficiente para impedir que ela afundasse.
H.L. Hunley, o fim trágico do primeiro submarino a afundar um navio
Acidentes com submarinos são dramáticos desde o primeiro que se tem notícia. Ele tinha apenas 12 metros de comprimento. Sua hélice era acionada à força de músculos humanos. O submarino usava um ancestral dos torpedos modernos com uma carga explosiva que tinha 61 Kg de pólvora negra. Era disparado através de um cano de cobre a uma distância de apenas cinco metros do casco inimigo.
O nome do primeiro submarino a afundar um navio era o H.L. Hunley, e o episódio aconteceu em 1864, durante a Guerra da Secessão.
Depois de dois naufrágios, o Hunley conseguiu êxito na terceira tentativa. As equipes de salvamento içaram e repararam o submarino duas vezes. Com uma terceira tripulação e ordens para operar apenas na superfície, ele passou a tentar ataques contra os navios que bloqueavam Charleston.
Em 17 de fevereiro de 1864, o Hunley aproximou-se do vapor USS Housatonic e detonou seu “torpedo”. O navio afundou rapidamente. Assim, tornou-se o primeiro navio de guerra da história a afundar após um ataque de submarino. Mas o Hunley também desapareceu.
O mistério atravessou 131 anos. Em 1995, pesquisadores localizaram o submarino. Mais tarde, encontraram os restos mortais dos tripulantes junto aos seus postos. Uma cena macabra.
Uma das hipóteses aponta que a onda de choque da explosão incapacitou os tripulantes. Sem a força dos homens para mover seu mecanismo de propulsão manual, o Hunley não conseguiu retornar.
Como se vê, a vida dos submarinistas nunca foi fácil.
Imagem de abertura: U S Navy.
Fontes: https://www.nytimes.com/2020/04/20/world/europe/russian-submarine-fire-losharik.html; https://gcaptain.com/a-history-of-major-submarine-disasters/?subscriber=true&goal=0_f50174ef03-4d5c7ef9bc-170347750&mc_cid=4d5c7ef9bc&mc_eid=0d2c840093; https://pt.wikipedia.org/wiki/Kursk_(submarino); https://www.imdb.com/title/tt2042455/.
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Boa matéria, porém senti falta de menção ao submarino israelense Dakar.
Uma reportagem esclarecedora como sempre, esta cronologia é um retrato da difícil vida de quem vive abaixo da água, quando o acidente acontece é quase fatal que acidente seja irreversível. A alta tecnologia ainda não resolveu a a segurança do pessoal a bordo, parabéns mais vez pela bela reportagem, abraços.
Ola Joao,
É sempre muito bom ler seu blog!
Uma vez em um passeio à costa oeste americana tive a oportunidade de visitar um submarino americano e nosso guia mencionou que tripulantes de submarinos teriam medidas de `ùltimo recurso` para evitar a morte por sufocamento em caso de acidente.
Devido a presença de crianças e a natureza macabra do assunto, ele nao elaborou detalhes. Poréem minha curiosidade ficou em dia. Ele se conteve a dizer que esses recursos seriam similares aos utilizados por alemaes nos ùltimos dias de guerra.
Ainda que o assunto seja especìfico da esfera militar, você ja ouviu algo assim? (Me perece logico e mais reconfortante que esperar o ar acabar lentamente….)
Parece absurdo ainda haver submarinos navegando. Em época de alta tecnologia com controle externo com drones, controles de naves e helicópteros em Marte e aviões indetectáveis a radar sem tripulação, como pode existir ainda na Marinha essa classe. Triste saber que o próprio Brasil ainda constroi esses monstros a custo de bilhões de reais.
Em uma de minhas viagens Brasil-Japão-Brasil e numa das últimas viagens da defunta VARIG no trajeto de Los Angeles-Cumbica já estávamos muito provavelmente sobre território brasileiro há cerca de três horas de Cumbica, quando de repente o Jumbo sofreu ação de wind shear e caímos algo como uns 1500 metros (ESTIMADO POR MIM) pois quem estava de pé ou sem os cintos foram lançados ao teto e bateram suas cabeças e quem, como eu estava tomando o café matinal viu de repente tudo ir para o alto. Naquele curto espaço de tempo não tive tempo sequer para pensar em morrer e se fosse realmente uma queda, não teríamos muito mais que uns 90/120 segundos de sofrimento.
Enfim, mortes em acidentes de aviação são “quase” instantâneos, mas a morte num submarino chega a ser impensável mesmo que as morte nas UTIs sem oxigênio sejam bem análogas. Saber que vai morrer e não ter jeito para se safar….
A tendencia serao submarinos drones, sem gente pra morrer. Podrao ser menores, mais eficientes, e carregar muito mais municao. Imagina 45 pessoas a menos comendo, dormindo, sujando, fedendo. Isso sem pensar em ar para respirar, depositos de comida, etc. Poderao ficar inertes a 2.ooo mts profundidade, quase que desligados, economizando energia, e serem acionados so em caso de necessidade.
Interessante que em Viagem ao Fundo do Mar já se propunha submarinos controlados a distância, eles o chamavam teleguiados. Os roteiristas da época já antecipavam isso. Incrível, não?
O ser humano é muito denso, muito frágil. Mesmo em viagens espaciais será muito melhor enviar robôs com funcões humanas. Tipo humnos mas que não precisam comida e ar. Precisam graxa e baterias. Até um robô pode concertar outro que da pane. Concertar as máquinas de funcionamento da nave. Além de que robô não surta, nem adoece com as mudancas de ambiente fora da terra. Levar humanos encarece a viagem e tem de se ocupar com muito trabalho para manter o viajante vivo.