Ruralistas: cai a máscara definitivamente

2
2016
views

Ruralistas: cai a máscara definitivamente

Este site já tentou ‘apartar’ a disputa entre ambientalistas e ruralistas. Vide matéria “Ambientalistas e ruralistas novos dados na disputa”. Defendemos que não se deve generalizar. Há bons, e maus, empresários do campo. Assim como há ambientalistas bons, e outros nem tanto.

ruralistas, charge mostrando ruralistas contra florestas

Ruralistas: destacamos o avanço do agronegócio e sua importância para a economia nacional

Em nossas matérias destacamos o avanço do agronegócio, e sua importância para a economia nacional. Falamos também que a disputa entre os dois grupos não leva a nada até por que quem cria as leis são os Congressistas. E o grupo, chamado pela imprensa “ruralistas”, tem nada menos que 228 votos. Logo, são eles que aprovam, ou não, a criação de novas unidades de conservação, desejo dos ambientalistas.

Ambientalistas e ruralistas: o mar sem fim defendia uma aproximação

O Mar Sem Fim defendia uma aproximação entre os dois grupos, e uma conversa franca entre eles, em vez do constante lançamento de ‘torpedos’ de um lado para o outro através da imprensa e redes sociais. Mas agora revemos nossa posição.

Ruralistas e ambientalistas: o que está em jogo

De modo geral, e resumido, os primeiros reclamam das obrigações  impostas pelo Código Florestal,  entre elas a manutenção de áreas de preservação permanente, ou  reservas legais,  o que dificulta e encarece a regularização dos imóveis rurais. E são contrários às Unidades de Conservação, Terras Indígenas, e outras áreas protegidas.

ruralistas, charge em defesa do código florestal

Ruralistas têm apoio de grande empresários: ambos são contrários ao licenciamento ambiental

Grandes empresários fazem coro. Para estes, o Licenciamento Ambiental de grandes obras como  a mineração, a construção de hidrelétricas, a abertura de estradas, a construção de portos e hidrovias, é o maior empecilho

Ambientalistas defendem a manutenção das atuais Unidades de Conservação

Os ambientalistas querem a manutenção das atuais Unidades de Conservação. Exigem que sejam respeitadas em seus tamanhos e funções. E preconizam, com total apoio deste site, a criação de novas Unidades de Conservação no bioma marinho, totalmente desprotegido. Enquanto na área continental brasileira, 17% do território é formado por UCs, na área marinha, e mar territorial, menos de 1,5% recebem o mesmo tratamento. Isto fere um tratado internacional assinado pelo Brasil que propõe um mínimo de 10% da zona costeira e mar territorial protegidos.

Ruralistas: cai a máscara

Por trás das ‘defesas’ dos muralistas há muito mais. Não são apenas contrários às áreas protegidas, ou o licenciamento ambiental. Nas entrelinhas escondem seu verdadeiro pleito: vantagens escusas. E, para obtê-las, não se furtam a chantagear o Governo Federal em busca de votos para aprovar as reformas pelo bem do Brasil, não para certos grupos da sociedade.

Matéria do Estadão deste domingo, 7 de maio de 2017, não deixa dúvidas. “Ruralistas vivem novo momento do Brasil”, de André Borges, explica que “a agenda da bancada ruralista avança em alta velocidade pelas comissões e corredores do Congresso Nacional. Seu conteúdo inclui o fim das demarcações de terras indígenas e da Fundação Nacional do Índio (Funai), redução das florestas protegidas, flexibilização do licenciamento ambiental, venda de terras para estrangeiros e a remuneração de trabalhadores rurais com moradia e alimentação”.

Confirmando a chantagem dos ruralistas: mudando regras de demarcação de terras para povos tradicionais

André Borges não teve dúvida ao afirmar que “em meio às reformas que testam o Palácio do Planalto e a tempestade política que não se afasta de Brasília, os ruralistas veem nesta atual gestão de governo a oportunidade de aprovar seus principais projetos”.

A atual ‘voz’ dos ruralistas é o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT). “Em fevereiro, Leitão assumiu a presidência da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), com o compromisso de ser a nova voz dos ruralistas e encampar projetos polêmicos, como a Proposta de Emenda à Constituição 215, que repassa ao Congresso a atribuição de definir as demarcações das terras para povos tradicionais. Para isso, conta com a força de 228 parlamentares. “Não tem nenhum partido com o tamanho da frente parlamentar agropecuária”.

Trabalho escravo e o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT)

Não é brilhante o currículo do deputado. O Estadão diz que ” em 2012, Leitão foi suplente da CPI do Trabalho Escravo, que investigou casos de trabalho análogo à escravidão nas áreas rurais e urbanas do País. Hoje, o líder tucano é criticado por sua proposta de remunerar esses trabalhadores com casa e comida. Leitão diz que é vítima de uma interpretação equivocada. “É uma maldade”, afirma”.

Ruralistas derrubando a FUNAI com aval do Ministro da Justiça (mais um ruralista)

O Estado diz que “Com o aval do ministro da Justiça, Osmar Serraglio, para tocar as pautas da bancada ruralista, Leitão apresentou na semana passada seu relatório final sobre a CPI da Funai-Incra. No documento de 3.385 páginas, o relator afirma que a Funai não tem mais condições de prosseguir”.

Ruralistas: renegociando dívidas em troca de votos para as reformas

Como o Mar Sem Fim expôs em matéria recente,  “o Estado trouxe outra matéria que mostra como eles agem. Título: “Governo negocia Refis para ruralistas”. Sub- título: “Em busca de votos para a reforma da Previdência, governo negocia Refis para ruralistas”.  Para votar pela reforma da previdência, que ameaça quebrar de vez o país, os ruralistas exigem privilégios, como o da renegociação de suas dívidas. Pensam menos no Brasil e mais em seus interesses pessoais. A matéria do Estado diz que…”Conforme mostrou reportagem do Estado, na semana passada, a negociação de dívida do Funrural virou moeda de troca para aprovação da proposta de reforma da Previdência.

Ruralistas queriam o perdão da dívida, R$ 10 Bi, para votarem pela reforma da previdência

O Estado diz que…”Os ruralistas queriam o perdão da dívida do Funrural – um passivo que pode superar R$ 10 bilhões –, mas a equipe econômica não concordou com a remissão dos débitos, alegando riscos de o governo cometer crime de responsabilidade fiscal. Chegou-se a um acordo de parcelamento por 180 meses”.

Caiu a máscara dos ruralistas. O mais interessante é que “O Funrural é, para o setor rural, o equivalente à contribuição à Previdência”.

Folha de S. Paulo confirma chantagem de ruralistas

No sábado, 6 de maio de 2017, a Folha confirmou. Em matéria cujo título é “Projeto de Lei quer afrouxar licenciamento ambiental“, de Giuliana Miranda. O texto de abertura não deixa dúvidas: “Com as atenções da oposição e do governo concentradas nas reformas do trabalho e da Previdência, a bancada ruralista na Câmara passou por cima das negociações com o Ministério do Meio Ambiente e apresentou um projeto de lei que altera radicalmente as regras do licenciamento ambiental no Brasil”.

E masi adiante: “Ao longo do tempo, porém, a pressão ruralista, com apoio da Casa Civil, acabou fazendo com que o MMA começasse a ceder quanto à obrigatoriedade de licenciamento para algumas atividades, como a agropecuária extensiva”.

Ibama critica projeto dos ruralistas

A Folha diz que “A presidente do órgão ambiental (Ibama) não poupou críticas ao projeto. “Defendo a necessidade de uma Lei Geral de Licenciamento, mas não da maneira como apresentada neste substitutivo”, disse Suely Araújo à Folha.

Para os amientalistas, diz a Folha, ” o projeto de lei deslocaria muito do poder decisório para órgãos estaduais, o que, a longo prazo, poderia poderia provocar um efeito parecido com o da guerra fiscal entre os Estados”.

O projeto dos ruralistas também prejudica o patrimônio histórico. A Folha explica: “Embora se chame licenciamento ambiental, ele também engloba o patrimônio histórico do Brasil. Incluindo aí pesquisas arqueológicas”.

A matéria da Folha termina com a posição da SAB (Sociedade de Arqueologia Brasileira). Para a SAB “o projeto de lei proposto “acaba com o licenciamento arqueológico preventivo”, e é uma “iminente destruição do patrimônio arqueológico brasileiro”.

Mar Sem Fim e ruralistas

Apesar de concordar com a importância do agronegócio, este site não pode deixar de condenar as vantagens escusas que os chamados ruralistas buscam, sem se importarem em chantagear o Governo Federal em momento tão delicado para a economia: o perdão de dívidas de R$ 10 bilhões de reais; o fim do licenciamento ambiental; o fim da FUNAI; e constantes ameaças às unidades de conservação que procuram preservar o que é de todos, não de um grupo da sociedade: a biodiversidade, maior ativo de todos os brasileiros. Os vivos, e os que estão para chagar: as novas gerações.

Saiba mais sobre áreas marinhas protegidas e sua importância

COMPARTILHAR

2 COMENTÁRIOS

  1. Hoje no pais, o meio ambiente é tratado da seguinte forma:
    Imaginem uma reunião de uma grande empresa. O presidente dá a palavra ao chefe de pessoal, ao chefe das finanças, ao chefe do planejamento, ao chefe do setor de marketing, e não dá a palavra ao chefe responsável pelos assuntos de meio ambiente. Durante a reunião o chefe do meio ambiente pede a palavra, quando todos olham com cara de reprovação e não o deixa falar.
    Simples assim. Desta forma se encontra o nosso meio ambiente

    • Caro Carlos Augusto, seja bem- vindo a bordo do mar sem fim! Obrigado pela mensagem. É verdade o que vc diz. Ninguém da esfera governamental dá pelota ao meio ambiente. Todos perdemos com isso. Volte sempre. Abraços

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here