Presidentes e o meio ambiente, desde a redemocratização

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Presidentes e o meio ambiente, desde a redemocratização

Presidentes e o meio ambiente. Já tivemos gente do centro, oligarcas, um playboy, e quem viesse do centro-esquerda; e políticos dois dois extremos: esquerda e direita. Todos, desde a redemocratização em 1985, tinham uma certeza em mente. Pode tudo, menos desmatar a Amazônia.

infográfico mostra presidentes desde a redemocratização
Ilustração, https://guiadoestudante.abril.com.br/.

Por quê? Porque, mesmo os que não se ligavam nas questões ambientais sabiam que a maior floresta úmida do mundo fica na terrinha, ocupando 59% do território nacional. Portanto, quanto mais se acirra o aquecimento global, mais a Amazônia é importante para o Brasil e o planeta. Já, os que se ligavam na questão ambiental, estes sabiam que além disso, é na Amazônia que fica nossa maior riqueza: a mais espetacular biodiversidade da Terra. Um ativo que, dentro de não muito tempo, poderá ser nossa maior fonte de recursos externos, possivelmente contribuindo para tirar da miséria cerca de 20 milhões de brasileiros que lá habitam.

Mas tem um deles que não aprendeu com o passado…

Os presidentes e o meio ambiente

As excentricidades do destino fizeram com que o primeiro presidente após a redemocratização viesse de um Estado que jamais pensou em gerar um presidente da República. O Maranhão nos deu José Sarney. Ex-coronel, representa o anacronismo na política. Mas, como todos, também deu sua contribuição à República e ao meio ambiente.

Foi na gestão do criticado presidente que a caça à baleia foi proibida por Lei no Brasil. Mérito exclusivo dele. E não foi só. Sarney criou 59 unidades de conservação, protegendo um total de 14.469.623,14 hectares. De quebra, é pai do até agora melhor ministro do meio ambiente que tivemos no período abordado por este post. Zequinha Sarney (Duas vezes ministro, FHC e Temer) é das poucas unanimidades no meio ambientalista.

Um playboy na presidência

Sarney saiu entrou Collor, à época, um playboy na presidência. Deu no que deu. Foi o primeiro impichado de nossa recente democracia. Fez um monte de maracutaias com seus comparsas, um deles acabou fuzilado.

Mas falou algumas verdades sobre a economia brasileira. E abriu nosso mercado como nunca antes se fizera. Até o Banco Mundial reconheceu que a abertura de Collor gerou inúmeros empregos. E, na questão ambiental, organizou de forma esplêndida a então maior reunião mundial para tratar das ameaças do aquecimento global, uma desforra que a natureza nos devolve. Foi na ECO 92 que nasceu o conceito de ‘desenvolvimento sustentável’, infelizmente, até hoje pouco assimilado.

Itamar Franco

Até o apagado, e meio atrapalhado presidente deu grande contribuição. Simplesmente, foi o governo dele que criou o Ministério do Meio Ambiente no rastro do sucesso da Rio 92. Não foi fácil. Itamar enfrentou o corporativismo dos funcionários do Ibama que perderam poder com a novidade do MMA. E foi durante o governo dele, mas não por causa dele, que houve o massacre de 20 índios Yanomami por um grupo de garimpeiros em uma reserva amazônica. Acontece que bem perto da área onde rolou o massacre havia treinamento de militares americanos (na vizinha Guiana). Foi o que bastou para que parte de nossos militares voltassem com o fantasma da ‘ameaça’ da internacionalização da Amazônia (como se fosse possível…).

Mas a foi por causa da ideia esdrúxula, de que parte maldosa do mundo estava pronta pra invadir e tomar a Amazônia, que os militares sugeriram a criação do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). Itamar autorizou. Como se não bastasse, assim como seus antecessores, Itamar Franco também criou uma unidade de conservação. Uma,  é melhor que nenhuma. Ele seguiu os presidentes e o meio ambiente. Itamar assinou o decreto de criação da Área de Proteção Ambiental Barra do Rio Mamanguape (com 14.640 hectares).

Presidentes e o meio ambiente, Fernando Henrique Cardoso

FHC sucedeu Itamar em 1995. Pode, e deve ser criticado, como todo homem público. Mas há de se reconhecer que domou a economia desmantelando a hiperinflação,  abrindo caminho para todos os que vieram a seguir, até alcançarmos a menor taxa de juros da história no presente momento, 4,5% ao ano em fevereiro de 2020. E lançou os primeiros programas eficazes para melhorar a educação e a inclusão social. Entre erros e acertos, escolheu para o MMA quem já dissemos ser o melhor ministro até o momento: Zequinha Sarney.

E criou nada menos que 81 unidades de conservação, totalizando 20.790.029,14 de hectares protegidos.

Lula da Silva

Além de surrupiar a Petrobras, e montar o maior esquema de corrupção que o País já viu, seu governo também teve méritos. Escaldado, esqueceu a cartilha petista, e tratou de seguir o caminho econômico iniciado por FHC.  Na crise de 2008/2009 o governo de Lula ‘soube adotar políticas anti-cíclicas adequadas em relação ao IPI, com o que alargou o mercado interno para compensar a perda do mercado externo’. Ao mesmo tempo onerou a máquina pública, inchou o Estado ainda mais, tratou de dar um ‘empurrãozinho’ no filho que, em maracutaias com diversas empresas que deviam favores ao Planalto, tornou-se milionário do dia pra noite, quer dizer, de um governo para outro…

infográfico sobre meio ambiente

Mas escolheu um ícone, ainda que não concordemos com ele, para o meio ambiente. Nada menos que Marina Silva, e seu eterno  e ultrapassado messianismo. A nosso ver Marina fez coisas boas, ao lado de um monte de bobagens. Entre elas, dar força às famigeradas RESEX que explodiram em sua gestão.  Só que elas nada têm a ver com conservação, mas com dogmas do espectro político de quem as criou.  Por outro lado, ‘priorizou recuperar e revitalizar a produção de biocombustíveis e bioeletricidade’. Fez outra bobagem, a nosso ver, ao desmembrar o Ibama para criar o ICMBio e assim homenagear seu objeto de devoção, o seringalista Chico Mendes. Mas esqueceu-se de dar estrutura aos órgãos que já eram precários, e que ficaram ainda mais na miséria e, em consequência, semi inoperantes.

Ainda assim Lula é responsável pela criação de 26.828.924,53 hectares, a maior quantidade entre todos os presidentes, de áreas transformadas em unidades de conservação.

Dilma Roussef

Ou ‘o poste’, como a ela se referia Lula da Silva. A presidente, que entre tantas bobagens liberou a pesca em período reprodutivo, é autora de frase antológica até hoje incompreensível: ‘o meio ambiente é sem dúvida uma ameaça ao desenvolvimento sustentável‘. Ganha um doce quem explicar o significado da patranha. Foram tantas, e de tal envergadura, que seria monótono enumerá-las. E aprofundou até o insuportável o esquema de roubos do PT. Foi tão forte, que a primeira mulher eleita presidente do Brasil recebeu cartão vermelho pela segunda vez. Seguiu a trilha aberta por Collor.

Ainda assim, criou três unidades de conservação, três famigeradas RESEX…Pelo menos parece ter aprendido com outros presidentes e o meio ambiente.

Presidentes e o meio ambiente, Michel Temer

Foi um governo curioso e inesperado. Mas Temer soube reagir ao momento. Saneou a Petrobras, quebrada pelo logro petista. Segurou a inflação. Aprovou a emenda que criou o teto para gastos federais, e a reforma do ensino médio. Nada mau para apenas dois anos no cargo em meio ao caos político, herança maldita da era PT. Mas teve uma conversa…

Temer encontrou-se com um dos maiores bandidos do seio empresarial. Joesley Batista, justo ele, que gravou o bate-papo. E que bate-papo! Ainda assim, no meio ambiente Temer mais uma vez chamou ‘the best’, Zequinha Sarney para o ministério. E a pauta ambiental avançou outra vez.

Mas, o maior legado de Temer foi o fato de ter sido o primeiro a olhar para o mar. Todos os outros presidentes haviam se virado para o interior ao criarem suas unidades de conservação. Temer, não. O mar brasileiro tinha apenas 1,5% de área protegida, em vez dos cerca de 13% das UCs terrestres. E Temer criou duas unidades, as maiores do bioma marinho. Ao sair do governo deixou um grande legado, o bioma marinho passou a ter cerca de 25% de mar territorial transformado em unidades de conservação.

Jair Messias Bolsonaro

É cedo para avaliações com pouco mais que um ano de governo. Mas que ano! Depois de muito suor, a reforma da Previdência foi  aprovada. A economia dá sinais de recuperação, ainda que tímidos. O ministério foi dado a quem de direito, o economista Paulo Guedes. Mal ou bem, é um profissional renomado. Novas reformas são esperadas. E até agora nenhum grande caso de corrupção foi denunciado, situação incomum para um País com 14 anos de petismo. Mas na Educação, é bom nem falar. Depois de um desastrado Vélez Rodrigues, que se notabilizou por declarações como “o brasileiro parece um canibal quando viaja ao exterior”, não fez senão bobagens. Caiu. E o ministério foi entregue para um anarfa: Abraham Weintraub.

Em janeiro de 2020 sua excelência mostrou que cabulou aulas de português em demasia. Em mensagem nas redes sociais ao filho do presidente escreveu: “Caro @BolsonaroSP, agradeço seu apoio. Mais imprecionante: Não havia a área de pesquisa em Segurança Pública. Agora, pesquisadores em mestrados, doutorados e pós doutorados poderão receber bolsas para pesquisar temas, como o mencionado por ti, que gerem redução da criminalidade.”

Imprecionante, em vez de impressionante!!

Não foi o único. Em outras ocasiões que se aventurou com a pena foi escatológico: “paralização” e “suspenção”, enquanto o correto é paralisação e suspensão. É assim que Bolsonaro pretende tratar a Educação?

Jair Messias Bolsonaro e o meio ambiente

Segundo O Estado de S. Paulo, “Bolsonaro destacou que a maior demonstração de que está ao lado da bancada ruralista é a indicação de um ministro para o Meio Ambiente “casado” com o agronegócio. “Imaginem o inferno que seria a vida de vocês se tivéssemos um ministro do Meio Ambiente como os anteriores. Tivemos a oportunidade e o bom senso de escolher ministro para Meio Ambiente que casa questão ambiental com desenvolvimento.”

Quer dizer então, que todos os outros governos não lograram avanços no desenvolvimento. Nenhum deles. É isso mesmo, presidente?

Sei…

E, além disso, Bolsonaro não passa dia sem bombardear o sociedade com declarações que só a dividem mais; prejudicam a economia e colocam  ambientalistas como os maiores agentes do mal do País. A cada imputação, arruma encrenca com pelo 20 milhões de eleitores, os mesmos que votaram em Marina Silva em 2010…

Quando não investe agressivamente contra o meio ambiental, fustiga a academia, e exonera cientistas que ousaram mostrar o prejuízo de suas bravatas. Caso de Ricardo Galvão quando alertou que o desmatamento iria crescer, como ficou provado. Aumento de cerca de 30%, de 2019 para 2018. E articula com o filho,  senador Flávio Bolsonaro, para  entrar com Projeto de Lei para acabar com a unidade de conservação de proteção integral onde foi pego de calças curtas pescando onde não podia.

Baterias contra excluídos

Outras vezes, cansado de insultar ambientalistas como se todos fossem vagabundos, vira-se contra excluídos: “Pena que a cavalaria brasileira não tenha sido tão eficiente quanto a americana, que exterminou os índios (Correio Braziliense, 12 Abril 1998).

Não satisfeito com a imagem do País abalada por omissão e incompreensão dos problemas amazônicos, provoca desgaste com parceiros comerciais do porte da Alemanha, Noruega, Chile, França, entre outros. E, de uma hora para outra, manda Projeto de Lei para abrir terras indígenas ao garimpo e outras atividades econômicas. Em vez de se dedicar aos enormes problemas brasileiros, como as reformas tributária e administrativa, prefere abrir frentes de conflito com a sociedade e a mídia internacional.

Bolsonaro parece não ter aprendido patavina com aqueles que o antecederam, muito menos com a História, que é implacável. Ela nos ajuda a aprender com os erros do passado. Viu, presidente?

Fontes: https://www.mundolusiada.com.br/colunas/sociedade-brasileira/meritos-e-demeritos-do-governo-lula/; https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-ambientais/nova-regra-do-codigo-florestal-pode-aumentar-desmatamento-na-amazonia/; https://www.oeco.org.br/blogs/oeco-data/28692-o-eco-mostra-qual-foi-o-presidente-que-criou-mais-ucs/; https://www.oestadoce.com.br/cadernos/oev/a-questao-ambiental-no-governo-itamar; http://fernandocollor.com.br/banco-mundial-diz-que-abertura-comercial-de-collor-gerou-empregos/.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Triste a visão deste blog ,concentrando-se em aspectos negativos ,preferindo os corruptos do passado ! ve-se claramente a força dos anos de doutrinação nas suas avaliações !

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