Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

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Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, um exemplo à espera de cópias

Exemplos são feitos para serem seguidos, gerarem cópias. Quem define é dicionário: “o que pode ser imitado: padrão, paradigma, amostra, espécime, exemplar, modelo.” O dicionário não fala, mas é papel da imprensa destacá-los para que a ideia gere frutos. Sociedades são feitas assim. No mundo de hoje, onde centenas de empresas se dizem verdes em busca de simpatia de consumidores, uma se destaca. Ela raramente apela diretamente aos consumidores. No entanto, tem motivos para fazê-lo. Criou a mais eficiente e eficaz organização de interesse público sem fins lucrativos: a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

imagem de chamada da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza
Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

“A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, principal expressão do investimento social privado do Grupo O Boticário, nasceu em 1990 para contribuir com a conservação da natureza do Brasil. Em 2015, ao completar 25 anos, chegou a 1.457 iniciativas apoiadas em todos os biomas do país e no ecossistema marinho.”

Reservas Particulares do Patrimônio Natural

“A instituição mantém duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural, por meio das quais protege mais de 11 mil hectares dos dois biomas mais ameaçados do Brasil: Mata Atlântica (Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba, litoral do Paraná) e Cerrado (Reserva Natural Serra do Tombador, em Cavalcante, interior do Goiás). Suas ações incluem, também, apoio a projetos de outras organizações, investimento em estratégias inovadoras de conservação, como pagamento por serviços ambientais, a disseminação do conhecimento e a sensibilização da sociedade para a causa.” Assim O Boticário define sua Fundação, mas eles não contam como a mantém…

1% do faturamento de O Boticário vai para a Fundação

Dissemos 1% do faturamento, não do lucro. Começam aí os ‘paradigmas’. Destinar parte do lucro para ações sociais é quase obrigatório nestes tempos bicudos. 1% do faturamento não, é coisa rara. E Boticário não é uma empresa qualquer. “Fundada em 1977, Curitiba, pelo boliviano Miguel Krigsner, a empresa é líder mundial em franquias de cosméticos.” E está no Brasil, onde “o mercado de beleza é o que mais cresce no mundo. E, com uma receita única, nenhuma empresa do setor cresce tanto quanto o Boticário.” Definiu a Exame. Miguel, o visionário boliviano, quase não aparece. Não é chegado a aparições públicas, seu nome jamais frequentou colunas sociais. Discreto, Krigsner parece preferir a companhia de seus pares na empresa, ou dos ambientalistas, os maiores do Brasil, que convidou para serem metros do conselho de sua fundação.

O Conselho da Fundação Grupo Boticário de Proteção À Natureza

Conheci a ação do Boticário recentemente. Já tinha ouvido algumas coisas, mas não tinha noção da quantidade, e qualidade. Quando iniciei a segunda temporada de Mar Sem Fim, TV Cultura (2014 – 2016), em cada Unidade de Conservação visitada eu via o dedo da Fundação: algum biólogo desenvolvendo estudos sobre um tipo de golfinho ameaçado de extinção, a toninha; ou a proteção do mico leão dourado. Curiosamente, eram sempre o que havia de melhor nas abandonadas UCs Federais do bioma marinho. Como entrevistava todos os envolvidos em cada UC, ouvindo necessariamente o chefe e auxiliares, nas poucas vezes que havia; além de pesquisadores em campo, e população no entorno, conheci alguns dos melhores trabalhos na costa brasileira. Do Rio Grande do Sul, e pela maioria dos 16 outros estados costeiros, até o Amapá. Todos patrocinados pela Fundação. Seu conselho, disse- me o ícone Maria Tereza Jorge Pádua, ‘reuniu o que de melhor existia’, com pessoas como o Almirante Ibsen de Gusmão, Miguel Milano, ela própria, e outras iminências.

Como age o Conselho vis-a-vis os interesses da empresa?

Ao longo da série, entre uma viagem e outra, entrevistei Maria Tereza Jorge Pádua que, junto com o Almirante Ibsen de Gusmão, criou o Primeiro Parque Nacional Marinho, o Atol das Rocas, em 1979. Queria ter seu depoimento dos tempos heroicos dos primórdios da conservação , que contavam com nomes como os já citados acrescidos de um Paulo Nogueira Neto. E sapequei: “Quem é exemplo no país?”. Sem titubeio: “A Fundação Grupo O Boticário.”

Estes monstros sagrados definem editais a serem publicados convocando especialistas. Estes, se inscrevem. O Conselho decide quem leva a verba, e por quanto tempo, para financiar parte, ou todo o projeto.

E, Miguel? indaguei…

“Não diz uma palavra. Aceita cem por cento nossas decisões.”

Encontro com Miguel Krigsner

Era 2007, eu corria empresas, mais uma vez atrás de patrocínio. Estava no final da primeira série. E bati na porta, entre outros, de Miguel. Peguei um avião para Curitiba. Miguel me recebeu. Depois de um bate-papo sobre questões ambientais, fui direto: patrocínio para a TV. … Não era o foco deles, explicou, mas colocar a verba a serviço de pesquisadores. Talvez, mais tarde um livro, citou. Fui embora feliz por ter encontrado um empresário tão importante sem qualquer empáfia, tão empolgado pela Fundação, zelando por sua missão. Ainda me levou por toda empresa, inclusive arredores, onde mostrou a ‘obra ousada’.

Segunda temporada da série Mar Sem Fim

Em 2014, nova rodada de visitas a empresas. Eu tinha pressa em registrar todas as UCs federais do bioma marinho, precisava patrocínio. Procurei a direção da Fundação, a simpática Malu Nunes. Vendi, e saí com patrocínio até o final, em 2016.

A volta em 2018

Já este ano, com novas restrições médicas, tornei a procurar Boticário. Pleiteava patrocínio para a segunda temporada do Mar Sem Fim na BandNews TV (que não foi ao ar, só a primeira). Depois de estudos, a resposta foi negativa. Este ano já estavam com a verba comprometida pelo IX CEBUC, outra excelente iniciativa da Fundação: uma reunião anual do que existe de melhor em termos de pessoas envolvidas com a conservação, de todos os credos e cores, sem distinção. Um congraçamento onde discute-se privatização, ao lado de propostas socioambientais, numa prova da maturidade que deveria permear nosso convívio.

E por isso está de parabéns, e à espera de seguidores, o exemplo de O Boticário

Que venham outros. Há muito o mar sem fim cita O Boticário. Mas devíamos uma matéria, explicativa sobre o modus operandi, para que não ficasse dúvida da ação do grupo; dúvida que só começou de fato a se desfazer ao visitar a Reserva Particular do Patrimônio Natural Salto Morato, uma das UCs federais marinhas, em Guaraqueçaba, litoral norte do Paraná. Era o terceiro estado que visitava, farto de ver UCs no papel, sem funcionários, equipes ou equipamentos. Plano de Manejo era coisa rara, discurso farto, ação minguada. Mas não em Salto Morato. Que belo exemplo na costa brasileira, outro ‘paradigma’. Mais uma vez, empresários, sigam o exemplo. Criem suas fundações, e mãos à obra!

Assista ao vídeo sobre Salto Morato mantida pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, e programe sua visita:

Nós consumidores temos obrigação de fazer nossa parte, tanto quanto a indústria. Ao ir às compras, dê preferência. É o que podemos, e devemos fazer.

Fontes: http://relatoweb.com.br/boticario/15/fundacao-grupo-boticario.php; https://www.sinonimos.com.br/exemplo/; https://exame.abril.com.br/revista-exame/o-boticario-e-a-empresa-certa-no-pais-certo/;

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