Farol do Albardão, região merece parque nacional

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Farol do Albardão, região merece parque nacional

Mesmo com um governo francamente contrário às áreas protegidas, sejam marinhas ou terrestres, é obrigação deste site dar visibilidade a antigo pleito de pesquisadores e ambientalistas. Um deles, na lista de espera há muitos anos, é a região do Albardão no litoral do Rio Grande, RS, entre as praias do Cassino e do Hermenegildo. Farol do Albardão, região merece parque nacional.

Imagem de farol do Albardão
Farol do Albardão. Imagem, arquivo MSF.

A região do Farol do Albardão e a proteção ao bioma marinho

O mar brasileiro é por demais desprotegido. Mesmo depois do governo Temer, o primeiro a olhar para o mar e criar novas áreas marinhas protegidas, ainda há muito a fazer. Antes de Temer a Zona Econômica Exclusiva – ZEE, ou o mar territorial brasileiro, tinha apenas 1,5% de sua vastidão ‘protegido’ em forma de unidades de conservação.

O avanço de Temer foi notável. Alcatrazes, no litoral norte de São Paulo tornou-se uma Revis tão logo assumiu. Pouco depois, Temer criou as duas maiores UCs do bioma marinho ao decretar que os arquipélagos Trindade e Martim Vaz, e São Pedro e São Paulo, se tornassem áreas protegidas. O Brasil saltava de 1,5% para cerca de 25% de nossa ZEE protegida.

Apesar do avanço, a porcentagem de 25% não quer dizer muita coisa. Em primeiro lugar, as UCs nacionais têm estrutura deficiente. Faltam equipes e equipamentos. E a fiscalização inexiste.

Para além desta realidade, e é em razão dela que desde sempre defendemos as concessões e PPPs para as unidades de conservação,  no litoral, ou seja, próximo à costa onde começa a cadeia de vida marinha continuamos a patinar com poucas UCs de proteção integral, além dos problemas já mencionados. Nesta importante faixa, permanece a porcentagem de cerca de apenas 2% ‘protegidos’.

Por isso é importante que o leitor interessado saiba que, assim que assumir novo governo, a pressão pela criação do Parque Nacional Marinho do Albardão voltará à tona. Entenda porquê.

Farol do Albardão, porque a região merece parque nacional

O local é parada para aves e animais marinhos descansarem e se alimentarem. Quem já esteve pelas praias do Cassino e do Hermenegildo deve ter se encantado com a imensa quantidade de aves migratórias, como os maçaricos, ou mesmo  aves marinhas residentes como garças ou gaivotões, que fazem deste trecho um porto seguro em seus voos que às vezes começam no Alasca, outras vezes no extremo sul do continente. É algo espetacular.

imagem de jeep na praia cheia de maçaricos
Os Jeeps que puxam redes e os maçaricos que vieram do Alasca.

Para além das aves, lobos e leões marinhos que sobem a costa brasileira a partir do sul, também usam o espaço para descansarem e se alimentarem, assim como tartarugas marinhas (a verde e a cabeçuda). E ainda há toda uma gama de espécies de peixes que também merecem uma trégua da infatigável pesca, seja ela industrial ou artesanal.

Imagem de maçaricos em voo na praia do cassino
Com o trânsito o banquete dos maçaricos é frequentemente interrompido.

Destaque especial para espécies de elasmobrânquios ameaçados de extinção, como o cação-anjo, a raia-viola e o cação-bico-doce. A região também é importante para as toninhas, o cetáceo mais ameaçado no Brasil.

Os problemas na região do Farol do Albardão

Acontece que as praias do Estado do Rio Grande do Sul são usadas como estradas, seja por motoristas particulares, seja por ônibus, ou caminhões carregados muitas vezes de toras de pinos ou eucalipto oriundas dos reflorestamentos que existem ao longo de toda a planície costeira gaúcha. A cada carro que passa as aves se assustam, interrompem a alimentação, e levantam voo.

Imagem de pescador passando rede na área de arrebentação
Redes na zona de arrebentação!

Algumas vezes as focas e leões marinhos  são atropelados pelos veículos, assim como pinguins que frequentam este trecho do litoral. Pescadores artesanais também usam as praias para, com ajuda de carros, jipes ou caminhões, puxarem as redes que são jogadas nas áreas de arrebentação!

E ainda dizem que a pesca artesanal é sustentável. Não acredite, é apenas mais uma falácia disseminada pelos ‘órfãos’ de Marina Silva e suas famigeradas Resex.

imagem de pescador e Jeep na praia do Cassino
Carros são usados para puxarem as redes.

Enquanto pescadores artesanais atuam a partir da praia, as frotas de pesca do sul varrem os mares. Não há chance para a reprodução das espécies de peixes e crustáceos.

A costa do Rio Grande do Sul é beneficiada pela corrente fria das Malvinas. Elas trazem águas frias ricas em nutrientes, daí a necessidade de proteção. Que a vida marinha possa ao menos  cumprir seu ciclo reprodutivo antes das espécies serem fisgadas, ou pegas por redes.

A importância da proteção

Ângela Kuczach, diretora da Rede Nacional Pró-Unidades de Conservação, declarou ao G1:“Vale lembrar que o Brasil tem o compromisso internacional de proteger 10% de cada um dos seus biomas. O bioma marinho é um dos mais defasados. O Albardão está fácil de proteger; é um monte de espécie que a gente vai salvar, biodiversidade altíssima aqui na região, basta querer.”

imagem de balia morta na praia
Apesar de morta na praia, a baleia sinaliza que cetáceos também frequentam o Albardão.

Ângela não está só, o Projeto Pinípedes do Sul, também defende a criação do parque nacional. De acordo com o coordenador do Projeto, Sérgio Estima, “A região, com sua exuberância e diversidade de espécies da fauna e flora, pode ser um importante destino para turistas interessados em prestigiar as notórias obras da natureza do litoral sul do país. Já há registros da exploração da área por meio de expedições e eventos esportivos que atravessam a localidade”.

Até o ICMBio, antes de ser desmontado pela atual administração, concordava que a região merecia estudos por sua riqueza. O G1, em matéria de 2016, consultou o órgão que respondeu: “Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, disse, em nota, que, desde 2010, está sendo feito um relatório técnico sobre a biodiversidade do local e que ainda precisa ser feito um diagnóstico socioeconômico da região.”

A região do Albardão, até antes da atual administração, era considerada pelo MMA como ‘área prioritária para a conservação’.

Golfinhos também frequentam a região do farol do Albardão

O site do jornal Diário Popular, em matéria de 2019, informa que ‘foi registrada a presença do boto Tursiops gephyreus (golfinho nariz-de-garrafa) que desde 2005 vem sendo monitorado por instituições brasileiras e uruguaias. Durante o monitoramento de 8 de fevereiro de 2019 foi registrada a ocorrência de um grupo de botos que nadavam na região do Albardão, próximos à zona de arrebentação’.

Outro notável ambientalista, José Truda Palazzo Jr. coordenador de desenvolvimento institucional do Instituto Baleia Jubarte, também defende uma UC: “A região do Albardão é muito especial,  ela tem um imenso potencial para o ecoturismo internacional não só pela presença das aves costeiras, mas também porque ela oferece uma paisagem que já é muito rara na costa brasileira com grande expansão, e um relevante sítio paleontológico, a região dos concheiros”.

Concheiros, saiba o que é

Quem explica é o site do Projeto Pinípedes do Sul: “Depósitos fossilíferos encontrados na praia, conhecidos como “Concheiros”, preservam registros de crustáceos, equinodermos, peixes, tubarões, raias, pinípedes e cetáceos. São especialmente notáveis os fósseis de mamíferos terrestres extintos da megafauna pleistocênica: tigres-dentes-de-sabre, preguiças e tatus gigantes.”

E, então, vamos trabalhar pela proteção do Albardão?

Imagem de abertura: farol do Albardão, arquivo MSF

Fontes: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2016/04/ambientalistas-tentam-fazer-de-area-no-sul-do-rs-um-parque-nacional.html; https://www.diariopopular.com.br/geral/rio-grande-boto-e-registrado-na-regiao-do-albardao-141487/?chave=bd2cafa4f877870&; https://www.pinipedesdosul.com.br/index.php?p=noticia&id_noticia=NTM=&id_area=NA==.

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1 COMENTÁRIO

  1. Existem diversas alternativas e soluções, simples e baratas, para uma infinidade de problemas do país. Mas, ao que tudo indica, os governantes estão mais preocupados em garantir sua permanência e reeleição, priorizando questões de retorno político imediato. Daí que tais medidas caem no esquecimento. Em tempos de paz, a forças armadas (minúsculas) poderiam participar desse trabalho com seus “chefes” e contingentes. Mas preferem ficar brincando de guerra, ou só no come e dorme. Os custos são altos, sem um retorno concreto, a não ser a falsa sensação de segurança. Herdamos, da natureza, um território riquíssimo, em todos os sentidos. Mas, a forma predatória como se iniciou a colonização foi se enraizando em nossa cultura e a destruição em curso, a que assistimos meio perplexos e impotentes, se dá sem qualquer constrangimento, tanto das “autoridades” quanto dos indivíduos do “povo”…

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