Fármacos marinhos, conheça o potencial

0
347
views

Fármacos marinhos, seu imenso e desconhecido potencial: remédio para AIDS foi sintetizado a partir de organismos marinhos

Fármacos marinhos

A maioria dos fármacos em uso clínico ou são de origem natural ou foram desenvolvidos por síntese química planejada a partir de produtos naturais. Segundo estimativas da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), o Brasil hospeda entre 15 e 20% de toda a biodiversidade mundial. É  considerada a maior do planeta em número de espécies endêmicas. Remédios vitoriosos contra a psoríasis; um inibidor irreversível de fosfolipase; o combate ao Herpes e a AIDS; todos foram sintetizados a partir de organismos marinhos.

Informações estão no estudo Biodiversidade: Fonte Potencial para a Descoberta de Fármaco

Estas informações estão no estudo Biodiversidade: Fonte Potencial para a Descoberta de Fármacos, do professor Eliezer Barreiro (Departamento de Fármacos, Universidade Federal do Rio de Janeiro). E são apenas a ponta do Iceberg.

fármacos marinhos
Foto: SAPO Lifestyle

Programa BIOTA- FAPESP

Lançado em 1999, um dos objetivos do programa é avaliar as possibilidades de exploração sustentável de plantas ou de animais com potencial econômico do estado de São Paulo.

O BIOTA-FAPESP envolve mais de 1.200 profissionais (900 pesquisadores e estudantes de São Paulo, 150 colaboradores de outros estados brasileiros e 80 do exterior).

Entre os vários objetivos está…

 a prospecção de novos compostos de interesse econômico em microrganismos, fungos macroscópicos, plantas, invertebrados (inclusive marinhos) e vertebrados.

Mas há outros programas, como o BIOTA + 10 que compreende diversos estudos, entre eles Biodiversidade e Saúde Humana: como a fragmentação da paisagem afeta a distribuição da malária? E o que acontece com a paisagem do litoral senão sua progressiva e apressada destruição? Quanto isso pode custar para nós? Quantos fármacos marinhos ainda estão por serem descobertos?

A procura de fármacos marinhos no mundo

Na Espanha, há 40 anos, existe o Iberian Symposium on marine biology studies; no Chile, a Sociedad Chilena de Ciencias del Mar, promove  congressos latino-americanos para estudar os organismos marinhos com potencial econômico; em 2017 a União Internacional para a Química Pura e Aplicada (IUPAC, da sigla em inglês), promoverá em São Paulo o 46º World Chemistry Congress com o mesmo objetivo; nos Estados Unidos, em 1888, foi criado o National Center for Biotechnology Information (NCBI), parte da United States National Library of Medicine (NLM),  e braço do National Institutes of Health. Objetivo? O mesmo citado.

O câncer e os fármacos marinhos

Outro trabalho, de autoria de Letícia Veras Costa- Lotufi; Diego Veras Wilke; Paula Christine Jimenez, e Rosângela de A. Epifanio, do Laboratório de Oncologia Experimental e Instituto Ciências do Mar, Universidade Federal do Ceará, de 2009, informa que

A indústria farmacêutica representa o setor investidor principal das etapas de ensaios pré-clínicos e clínicos no processo de P&D de fármacos, o que, de certa forma, determina quais moléculas têm potencial para atingir o mercado. Os custos envolvidos nesse processo são extremamente elevados, podendo envolver gastos da ordem de 2 bilhões de reais (900 milhões de dólares), no caso de fármacos anticâncer. 

E prossegue o estudo…

Nos últimos anos algumas companhias foram fundadas com o objetivo de desenvolver novos fármacos com protótipos de origem marinha. É o caso da PharmaMar, fundada em 1986 e, hoje, uma divisão do grupo Zeltia, que nos últimos 20 anos investiu mais de 1,2 bilhão de reais (420 milhões de euros) na pesquisa em fármacos de origem marinha com potencial para tratamento do câncer. A PharmaMar conta com uma coleção de mais de 65.000 organismos marinhos, de onde já foram isoladas 700 novas entidades químicas e 30 novas famílias de substâncias já foram descritas. Vale ressaltar que atualmente existem 3 substâncias em fase pré-clínica e 5 em fase clínica de testes, sendo que a trabectedina (ET-743, Yondelis®) foi recentemente aprovada pela Comissão Européia para o tratamento de sarcomas de tecidos moles em pacientes refratários a antraciclinas e ifosfamida.

O AZT, remédio para AIDS; outro para Leucemia; um terceiro combate o Herpes; todos vieram do mar

O estudo ‘Fármacos de Vêm do Mar‘, de Lúcia Beatriz Torres, informa…

A primeira verdadeira descoberta oriunda das profundezas do mar, remonta ao início dos anos 50, a partir do trabalho de Bergman e colaboradores. Uma substância química, a espongouridina, encontrada em uma esponja marinha coletada no mar da Flórida, nos EUA, mostrou-se particularmente eficaz para combater certas formas de leucemia. Com base nessa substância, especialistas da área da Química Medicinal formularam sinteticamente análogos que resultaram na descoberta de dois fármacos. O citarabina, usado no tratamento da leucemia mielóide aguda e o vidarabina, um antiviral, prescrito para tratamento da herpes

Prossegue o mesmo estudo…

Uma contribuição ímpar de produto natural marinho, servindo como fonte de inspiração para o desenvolvimento de fármacos sintéticos, partiu da mesma substância encontrada na esponja marinha estudada por Bergman. A espongouridina serviu de molde molecular para a criação de um derivado sintético que originou o azidotimidina, o AZT, primeiro recurso terapêutico para a Síndrome da Imuno-deficiência Adquirida (AIDS).

Foto de abertura: Tua Saúde

Saiba mais sobre a cura que pode vir dos mares.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here