Reciclagem de embalagens de agrotóxicos, boa notícia

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Reciclagem de embalagens de agrotóxicos, boa notícia do agronegócio nacional

O agronegócio está na pauta da mídia. Depois de muito investimento em ciência e tecnologia a produtividade aumentou  a ponto do País ser hoje o segundo maior produtor mundial de alimentos, caminhando para ser o primeiro. O setor é responsável por cerca de 21% do PIB, e por 20% dos empregos. Até a década de 60 o Brasil importava alimentos. Hoje,  o agronegócio é capaz de alimentar a população e exportar algo em torno de 25% da produção. E tudo em razão da produtividade. Isso quer dizer que a cada dia que passa é preciso menos áreas para a produção de alimentos ou, em outras palavras, nossos biomas são menos ameaçados ainda que o setor deva algumas explicações à sociedade. Independente do que falta explicar, temos o que comemorar: Reciclagem de embalagens de agrotóxicos, boa notícia.

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Reciclagem de embalagens de agrotóxicos. Imagem,Inpev/Divulgação.

Reciclagem de embalagens de agrotóxicos, boa notícia

O uso dos agrotóxicos é polêmico no País. Há quem diga que usamos em demasia apesar do tamanho da área cultivada, outras fontes dizem o contrário. Ainda em julho de 2019 o assunto voltou à tona ao ser aprovado o novo marco regulatório para agrotóxicos pela Anvisa.  E nova polêmica foi criada.

Para alguns, o novo marco propõe mudanças na classificação tóxica dos produtos, e na comunicação dos rótulos dos produtos. E, logo após a  publicação no novo marco, o governo federal publicou no Diário Oficial a liberação de mais 51 tipos de agrotóxicos…a tendência é que o ritmo de liberações supere o recorde de 2018, quando o Governo Temer autorizou a comercialização de 450 produtos.

Esta polêmica persiste mas, a despeito dela, a boa nova do agronegócio é que o setor hoje recicla 94% das embalagens de agrotóxicos, produtos perigosos não só ao meio ambiente, contaminando o ar, o solo e a água, como também a saúde da população.

Destino correto para as embalagens

Outubro de 2020, jornal O Estado de S. Paulo: “Atualmente, de todas as embalagens vendidas no País que tiveram contato direto com agrotóxicos, 94% têm destino ambientalmente correto: são recicladas, transformadas novamente em embalagem do mesmo produto ou incineradas em local apropriado. Na França, esse índice de reaproveitamento é de 75%; no Canadá e na Alemanha, de 70%, e no Japão, de 50%.”

A matéria de Márcia De Chiara é auspiciosa. Os dados comparativos com outros países produtores de alimentos são eloquentes, e só isso já justifica este post. Significa menos lixo no meio ambiente, e menor contaminação do solo, água e ar.

infográfico mostra Reciclagem de embalagens de agrotóxicos
Fonte: Inpev.

“Nos Estados Unidos, país desenvolvido com dimensões parecidas com as do Brasil e também forte na agricultura, esse índice é abaixo de 30%”, diz João Cesar Rando, diretor-presidente do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), que compilou dados do retorno das embalagens de agrotóxicos entre 60 países para mostrar que o Brasil tornou-se referência nessa logística reversa.”

Reciclagem de embalagens de agrotóxicos: referência em logística reversa

OESP: “Segundo presidente do inpEV, que reúne a indústria de defensivos e associações de distribuidores e agricultores, a lei regulamentou o destino das embalagens, criando atribuições e responsabilidades para indústrias, produtores e distribuidores.”

“Antes, a recomendação era que o agricultor enterrasse a embalagem vazia, prática que trazia risco de contaminação do solo. “Como não havia solução para o descarte, havia agricultor que as queimavam a céu aberto, o que era muito ruim para o meio ambiente. Outros reutilizavam as embalagens plásticas para armazenar leite e água, por exemplo”, afirma Rando.”

Antes o mesmo acontecesse com o plástico

Antes o mesmo acontecesse com o plástico, o grande vilão do meio ambiente. Não é preciso recordar que desde o início da produção do material, nos anos 50 do século passado, apenas cerca de 9% foi reciclado. A reciclagem de plástico é difícil e baixa em taxas percentuais em todo o mundo.

A importância da novidade trazida pelo agronegócio pode ser conferida pelo fato de que o Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo. O País produz 11,35 milhões de toneladas anuais de lixo plástico por ano. Mas recicla apenas 145 mil toneladas, 1,28% do total.

Esta dificuldade na reciclagem do material está transformando o planeta. Por ano de 8 a 10 milhões de toneladas de plástico vazam para os oceanos, outras tantas vão parar em aterros sanitários mundo afora.

São por estes motivos que dissemos que, apesar do agronegócio dever algumas explicações à sociedade, a novidade do sucesso da reciclagem de embalagens é bem-vinda e deve ser comemorada.

Mas, se a vasta maioria do agronegócio é formada por empresários sérios que investiram na produtividade, também é certo que entre eles há uma minoria extremamente predatória.

Agronegócio, o que falta explicar

Por exemplo, os dados do IBGE publicados recentemente que mostram que o País perdeu 500 mil km2 de vegetação nativa no período que vai do ano 2000 até 2018, ‘principalmente para pastagem e agricultura no Cerrado e Amazônia‘.

A informação não é tão nova assim. Carlos Nobre, um dos mais respeitados pesquisadores sobre a Amazônia, mostrou em entrevista a este site que, de 1970 para cá, 20% da Amazônia foi desmatada, o que representa 800 mil km2. Destes, diz Nobre, ‘cerca de 63% tornaram-se áreas para a pecuária de baixa produtividade, 9% para a agricultura (principalmente soja), e 23% da área foi abandonada, a floresta está se regenerando’.

Ou ainda, e mais recentemente, quando a revista Exame abordou o tema  Meio bilhão de abelhas morreram no Brasil — e isso é uma péssima notícia’. “Foram 400 milhões no Rio Grande do Sul, 7 milhões em São Paulo, 50 milhões em Santa Catarina e 45 milhões em Mato Grosso do Sul, segundo estimativas de Associações de apicultura, secretarias de Agricultura e pesquisas realizadas por universidades.”

Segundo a Exame, “O principal causador, afirmam especialistas e pesquisas laboratoriais analisadas pela reportagem, é o contato com agrotóxicos à base de neonicotinóides e de Fipronil, produto proibido na Europa há mais de uma década.”

Seria oportuno saber a posição das entidades do agronegócio sobre estes temas espinhosos.

O Brasil e a sustentabilidade

O País tem a faca e o queijo na mão. Depois da pandemia, que nos atacou também por maus tratos ambientais mundo afora já que a Covid-19 é uma zoonose, nós ainda temos parte de nossos biomas preservados embora desde que Bolsonaro assumiu  sua equivocada política ambiental tem feito o possível para destruir o que resta deles.

Era o momento certo para o Brasil e o agronegócio se fortalecerem de vez, desde que nossas florestas não sofressem os maus tratos de agora. É muito triste observar o desmonte de nosso aparato ambiental justamente no momento em que a sustentabilidade sai do dicionário para se tornar uma realidade almejada por todos os países do mundo.

E neste mesmo momento, ficamos sabendo que o governo volta a estudar a promessa de campanha de Bolsonaro de transformar o Ministério do Meio Ambiente em apêndice do da Agricultura.

Imagem de abertura: Inpev/Divulgação

Fontes: https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,pais-recicla-94-da-embalagem-de-agrotoxico,70003472994; https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/contas-nacionais/28920-contas-de-extensao-dos-biomas.html?=&t=o-que-e; https://exame.com/brasil/meio-bilhao-de-abelhas-morreram-no-brasil-e-isso-e-uma-pessima-noticia/.

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1 COMENTÁRIO

  1. Prezado, boa tarde!
    Excelentes colocações. Embora a destinação de embalagens vazias de agrotóxico seja regulamentada por lei (Lei Federal 9974/00 de 06/06/2000), ainda ocorrem eventuais descartes ilegais o que caracteriza crime ambiental. Observar que não existe qualquer regulamentação para produtos veterinários, que podem ser descartados onde o produtor rural quiser. Não existe logística reversa para medicamentos e produtos veterinários assim como embalagens plásticas, o que é um absurdo. Pilhas e baterias também tem o fim em lixões a céu aberto no mínimo em 3.000 cidades brasileiras. Assim se arrasta a humanidade…

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