Agrotóxicos: a população precisa saber

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Brasil abusa no uso de agrotóxicos

Em artigo escrito para o Estadão, o jornalista Washington Novaes toca o dedo na ferida: apesar dos avanços no campo, o Brasil ‘esconde’ uma  liderança incômoda:  somos campeões mundiais no uso de agrotóxicos. De acordo com o jornalista, dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, ANVISA, informam que “28% das substâncias usadas por aqui não são autorizadas”.

Atualizado

Agrotóxicos: a população precisa saber
Ilustração: diarioliberdade.org.br

70% dos alimentos estão contaminados

Segundo Novaes,

a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) afirma que 70% dos alimentos in natura consumidos no País estão “contaminados” por agrotóxicos.

E mais:

o Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas por ano, o que equivale a um consumo médio de 5,2 kg de veneno agrícola por habitante.

Agrotóxicos, tabu na mídia brasileira

Apesar do assunto interessar a cem por cento dos brasileiros, é quase um tabu. Poucas vezes a mídia lhe dá o devido destaque. Pressão dos ruralistas? Enquanto isso, o mundo discute abertamente a questão.

Segundo a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU) e a OMS, é urgente diminuir o uso de praguicidas e substituí-lo pelo plantio direto nas lavouras, que reduz as pragas.

O uso excessivo de agrotóxicos também seria um tema relevante a ser debatido por ambientalistas e ruralistas, como prega o artigo Agenda Ambiental para o Desenvolvimento. Fica aqui registrado, apenas para que não saia da pauta.

O Mundo sabe e tira proveito

O sucesso do agronegócio brasileiro chama a atenção da mídia. Em abril de 2015, o El País publicou matéria de Marina Rossi, enfatizando que

mais da metade das substâncias usadas aqui (agrotóxicos) é proibida em países da UE e nos USA

O título da matéria já demonstra o impacto que ela pode ter nos mercados consumidores de nossos produtos:

O Alarmante Uso de Agrotóxicos no Brasil atinge 70% dos alimentos

No corpo do texto, a explicação para o alarme soar.

Desde 2008, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos. Enquanto nos últimos dez anos o mercado mundial desse setor cresceu 93%, no Brasil, esse crescimento foi de 190%, de acordo com dados divulgados pela Anvisa

Retificação importante sobre o Brasil e os agrotóxicos

Como este post provocou polêmica, como se vê abaixo nos ‘comentários’, decidimos pesquisar mais sobre o uso de agrotóxicos. Parece o samba do crioulo doido, mas vamos aos dados:

Se considerar a aplicação por área, segundo a FAO o Brasil é o terceiro.

ilustração de g®afico mostrando uso de agrotóxicos no mundo

A FAO especifica quais categorias usadas e quantidades:

gráfico mostra tipo de agrotóxico usado no Brasil
O tipo…

Em valores absolutos de peso aplicado, o worldatlas.com diz que o Brasil é quinto:

ilustração sobre consumo de pesticidas por países
Para o www.worldatlas.com somos o quinto maior consumidor de pesticidas.

Enquanto isso o Estadão afirma, com base em dados de instituições brasileiras, que o Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo.

Já o IBGE oferece tabelas com diversos dados de consumo de agrotóxicos,  seriam estes os “dados oficiais”. Interessante notar que os números do órgão não batem com os da FAO. A organização da ONU  mostra que nosso consumo teria sido de pouco menos de 400 mil toneladas (1º gráfico). No mesmo ano o IBGE afirma que foram 477.792, de qualquer maneira, são dados mais altos. Para finalizar, recentemente (maio, 2018) a rede Bandeirantes citou pesquisa cuja fonte não pegamos, dizendo que o Nº1 do mundo, em ‘aplicação por área’, seria a Holanda, o Brasil estaria em 6º lugar…

gráfico do IBGE sobre consumo de agrotóxicos no Brasil

Os leitores e este post

A leitora Cayssa escreveu na seção ‘comentários’ (abaixo) que “também é importante sempre relembrar que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos em termos brutos, pois claro, olhe o tamanho do país, é óbvio que compraremos mais produtos agrotóxicos que outros territórios menores. O último levantamento da FAO feito em 2017 demonstrou que em termos relativos (quantidade de produto aplicado por área plantada), o Japão ficava em 1º lugar, seguido pelos EUA… o Brasil na 12ª posição. É preciso ter cuidado ao afirmar que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, pois esse tipo de afirmação fora de contexto só serve para prestar desinformação à população.”

E, para completar, enviou links com os dados que, mais uma vez, não batem com os aqui revelados…

Outros leitores também se manifestaram, muitos atacando o Mar Sem Fim, como se fôssemos nós os responsáveis.

O que podemos deduzir disso tudo?

Fica claro que, se não somos o Nº1, estamos entre os países que mais usam as substâncias, quanto a isso não resta dúvida. E elas são extremamente prejudiciais aos seres humanos e à saúde do planeta.

E voltamos aos números da Abrasco que abrem a matéria: “o Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas por ano, o que equivale a um consumo médio de 5,2 kg de veneno agrícola por habitante. Para os humanos ele aumenta a incidência de certos tipos de câncer, para o planeta contaminam o solo, e prejudicam lençóis freáticos. E para os oceanos e a vida marinha, são a causa das Zonas Mortas que não param de crescer.

Agente Laranja, há mais de 10 anos em análise, é autorizado no Brasil

O El País informa que

O 2,4-D, por exemplo, é um dos ingredientes do chamado ‘agente laranja’, que foi pulverizado pelos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã, e que deixou sequelas em uma geração de crianças que, ainda hoje, nascem deformadas, sem braços e pernas. Essa substância tem seu uso permitido no Brasil e está sendo reavaliada pela Anvisa desde 2006. Ou seja, faz quase dez anos que ela está em análise inconclusa.

Obs: dada a repercussão deste post pesquisamos sobre o Agente Laranja. De acordo com o wikipedia ” é uma mistura de dois herbicidas: o 2,4-D e o 2,4,5-T. Foi usado como desfolhante pelo exército dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. Ambos os constituintes do Agente Laranja tiveram uso na agricultura, principalmente o 2,4-D vendido até hoje em produtos como o Tordon.”

Embrapa: consumo de agrotóxicos cresceu 700% nos últimos 40 anos

A conceituada Embrapa, através do site Ageitec, também aborda a questão. Os dados são devastadores:

anualmente são usados no mundo aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de agrotóxicos. O consumo anual de agrotóxicos no Brasil tem sido superior a 300 mil toneladas de produtos comerciais. Expresso em ingrediente-ativo (i.a.), são consumidos anualmente cerca de 130 mil toneladas no país; representando um aumento no consumo de agrotóxicos de 700% nos últimos 40 anos, enquanto a área agrícola aumentou 78% nesse período.

Pouco importa a quantidade…

Por todos os números, e diferentes e críveis fontes, fica claro que o Brasil é um dos países que mais usa agrotóxicos. Até aí, nada de mais. O agronegócio vai bem, obrigado, e temos imensa área agrícola. Acreditamos que o mais importante nesta discussão são os dados da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), que informa que “70% dos alimentos in natura consumidos no País estão ‘contaminados’ por agrotóxicos.” 

Sabe-se os malefícios que estes produtos causam à saúde humana. Ninguém duvida. O incrível nesta história, é que o país não tem um plano para superar o problema. Isso, sim, é muito grave. Pesquisamos e não encontramos respostas do governo sobre isso. Até quando comeremos veneno? Mas os agrotóxicos não causam problemas só à saúde humana…

O mar, e nossa saúde, pagam a conta

Os agrotóxicos, a falta de saneamento (no Brasil só 40% das residências têm saneamento), a poluição industrial, e até produtos que usamos no corpo, como cremes, remédios, e outros, têm quase sempre o mesmo destino: os mares. O que varia é a forma de chegada. No caso dos agrotóxicos, a via expressa são os rios que deságuam no mar; no caso dos remédios e cremes que usamos, somos nós mesmos os agentes quando frequentamos o litoral.

Agrotóxicos: a população precisa saber
Rios deságuam no mar

90% da cadeia de vida marinha começa no litoral

O problema é  grave porque 90% da cadeia de vida marinha começa neste espaço de transição entre a terra, e a água, exatamente os mesmos locais onde vão parar os restos desta sopa mortal. Conseguimos a façanha de inverter o conceito do moto-perpétuo. Quanto mais poluímos este espaço, mais agredimos nossas entranhas porque a poluição volta pra dentro da gente.

A sociedade precisa deixar o papel de figurante e assumir o de protagonista

Além dos alimentos que vêm do campo, contaminados, há os que saem do mar com o mesmo problema. Ambos encontram seu destino final em nossos estômagos. Continuar este ciclo é no mínimo, estúpido. Sair dele, então, parece tarefa de gigante. Exige que a sociedade acorde e  reaja. Não pode ficar omissa. Ela precisa deixar o eterno papel  de figurante para assumir o de protagonista. Exigir seus direitos, participar dos debates, praticar cidadania, são algumas das ferramentas.

Nossa ação com agrotóxicos, e outras formas de poluição, atinge a Antártica!

A bióloga Fernanda Imperatrice Colabuono, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), estudou os petréis-gigantes das ilhas Elefant, e Livingston, no arquipélago das Shetland do Sul, na Península Antártica, e confirmou, a partir de amostras de sangue,  a presença de diversas substâncias nocivas, entre as quais o DDT, pesticida banido nos Estados Unidos em 1972, quando se constatou que seu uso ameaçava a sobrevivência de diversas espécies de aves de rapina.

Nos verões antárticos de 2011/2012 e 2012/2013, Colabuono coletou amostras de sangue de 113 indivíduos e constatou a presença de contaminantes orgânicos como bifenilos policlorados (PCBs), hexaclorobenzeno (HCB), pentaclorobenzeno (PeCB), diclorodifeniltricloroetano (DDTs) e derivados, o pesticida clordano (banido nos Estados Unidos em 1988) e o formicida Mirex (banido nos Estados Unidos em 1978 e recentemente no Brasil)

Até nos locais mais profundos, como os 11 mil metros  na fossa das Marianas, foram encontrados em pequenos amphipodas, espécie de crustáceos, ‘concentrações extremamente altas’ de PCB (bifenilos policlorados), e PBDE (éteres difenílicos polibromados).

Os poluentes são cancerígenos

Segundo Colabuono, todos esses poluentes orgânicos são persistentes no meio ambiente, têm ação cancerígena, causam disfunção hormonal e problemas reprodutivos. Os resultados foram publicados num artigo em Environmental Pollution.

DDT só foi proibido no Brasil em 2009

O Brasil é atualmente o maior consumidor mundial de agrotóxicos. O uso do DDT só foi proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),  em 2009 – mas, como ele persiste no meio ambiente, sua presença ainda é detectada nos tecidos de animais como o petrel. A preocupação de Colabuono em acompanhar a vida de seus petréis-gigantes tem fundamento

O rei da contaminação costeira, são os pomposos “poluentes orgânicos persistentes”

Para se ter uma ideia de nossa ação, saiba que o rei da contaminação costeira, no mundo, são os pomposos “poluentes orgânicos persistentes”, como dizem os cientistas, ou, como explica o Professor Frederico Brandini, Diretor do IOUSP:

cataflan, prozac, anticoncepcional, cafeínas, substâncias que a sociedade consume há décadas, que eliminam pela urina, que vão para os lençóis freáticos, e acabam parando no mar. Pior..não há bactérias capazes de degradarem estas substâncias que são oriundas de  loterias bioquímicas produzidas pelo homem…

Moral da história

Somos todos responsáveis, temos a obrigação de deixar a menor pegada possível. Não é preciso lembrar que estamos aqui de passagem. Há muito o que fazer mas, um dos caminhos, é pressionar o poder público. Cobrar o Estado, que deve assumir sua parte. Nada contra o agronegócio, tão importante para o país. Mas também é preciso pressionar os ruralistas e, no caso da poluição por plástico,  a Abiplast, Associação Brasileira da Indústria do plástico. Ao mesmo tempo, é obrigatório que a população faça reciclagem. A ocupação da zona costeira não pode ficar refém dos caprichos da poluição e especulação imobiliária. Seria apequenar, abandonar, o bioma marinho.

Imagem de abertura: diarioliberdade.org.br

Fontes: https://www.worldatlas.com/articles/top-pesticide-consuming-countries-of-the-world.html;  http://sustentabilidade.estadao.com.br/blogs/alessandra-luglio/consumo-de-agrotoxicos-no-brasil/; https://sidra.ibge.gov.br/tabela/772#resultado; http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,agrotoxicos-lideranca-indesejavel-no-mundo,10000061639; http://Agenda Ambiental para o Desenvolvimento; http://brasil.elpais.com/brasil/2015/04/29/politica/1430321822_851653.html; http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/agricultura_e_meio_ambiente/arvore/CONTAG01_40_210200792814.html; http://www.io.usp.br/index.php/noticias/49-io-na-midia/1058-agrotoxicos-ameacam-colonias-de-aves-da-antartica.

Você acha grave o problema dos agrotóxicos jogados no oceanos? Então conheça os efeitos do plástico,  material que todos nós usamos.

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30 COMENTÁRIOS

  1. Tudo balela científica. A ciência também cria inverdades, mormente nos dias de hoje.
    Aliás, a ciência é hoje tratada como um ser absoluto, afastado do homem, como se fosse um deus da verdade. Isto não existe, pois ciência nada mais é do que conhecimento HUMANO, que pode ser falso ou verdadeiro e não passa, pois, de criação humana sujeita então às idiossincrasias e aos objetivos humanos.
    Não existe agrotóxico.
    Trata-se apenas de um disfemismo em substituição à expressão verdadeira: defensivo agrícola.
    O seu poder de fazer bem ou mal depende apenas da sua utilização correta ou errada.
    Mais nada.

  2. Enquanto isso, a Embrapa, que deveria liderar as pesquisas para o desenvolvimento de sistemas de produção sustentáveis para a agricultura brasileira demitiu, no último dia 28 de fevereiro, o pesquisador especialista em agroecologia Vicente de Almeida, supostamente por ele encabeçar denuncias uso inadequado de agrotóxicos pela própria Embrapa junto aos órgãos de fiscalização e controle.

  3. A dioxina, também chamada “agente laranja” foi usada em formulação como desfolhante na Guerra do Vietnã, e ocorre como impureza na formulação do Tordon, um herbicida muito utilizado para controle de ervas daninhas nas pastagens. Ela não é, no Brasil, empregada como herbicida; ela é impureza do Tordon, onde é aceita em concentração no herbicida em até 10 ppm (partes por milhão; para se ter uma comparação mais didática, 10 ppm corresponde a 10 mm em 1 km, ou 1 mm em 100 m). Até essa concentração ela é aceita na formulação Tordon, quando, à luz dos conhecimentos atuais, não causa nenhum dano à saúde, nem fitotoxicidade às plantas. São casos muito diferentes: no Vietnã foi usado em altas concentrações para causar desfolhamento; atualmente, no campo, é uma impureza na formulação de outro herbicida em concentração baixíssima. Com certeza, à empresa produtora não interessa retirar essa impureza da formulação pois tornaria Tordon mais caro e menos competitivo no mercado, uma vez que trata-se de impureza em concentração perfeitamente aceita.

  4. A grande verdade é que enquanto tivermos tanta ignorância dos brasileiros em relação ao assunto, nunca poderemos evoluir na questão. Impressionante a nossa arrogância em relação ao custo de nosso estilo de vida desenfreado (acreditando que conosco nada acontecerá) ao longo das gerações. Ja vivi muitas crises em nosso país, mas de tanta falta de gente intelectualizada e engajada nunca vi como hoje. Alem disso de tanto vermos a impunidade, individualidade e ganância, nao somos mais capazes de pensar no coletivo e futuro de nossas famílias. Nunca percebi um país tao derrotado como agora, na lona mesmo. Um destino para ser esquecido como ja é. Por isso também resolvi pular deste barco assim como tanto outros infelizmente…. Vivo na Europa ja alguns anos e sem a menor pretensão de retornar quero meus filhos crescendo mais saudáveis e felizes… vivo num país onde se pode consumir todos os produtos orgânicos e frescos e locais (valorizados) ao menos na metade do ano. Nos tempos frios sao substituídos por outros sem tanto prejuízo ao meio ambiente e a população. Onde a lei prevalece e antibióticos sao extremamente regulados, sendo proibidos ate jogar frascos de medicamentos no lixo comum, por isso os devolvemos na farmácia. é assim, comecem a pensar em quais políticos votarão antes que seja realmente tarde demais… sempre ha tempo para mudar o curso!!!

  5. Para os que ainda näo sabem: A Holanda é a campeã mundial no consumo médio de ingrediente ativo de fitossanitários/hectare (cada 10 mil m2 de lavoura) com 20,8 kg, em segundo está o Japão com 17,5 kg, em terceiro a Bélgica com 12 kg e o Brasil está no meio da fila de demais países com apenas 5 kg. Denominar maldosamente por agrotóxicos os fitossanitários indispensáveis às super-safras que garantem nossa economia é, a meu juízo, atitude infantil e sensacionalista de esparramação de “fake news” por apedeutas que nunca conseguem contribuir para a verdade,

    • Cita a referência que parece engraçado esses dados. Parece uma lenda urbana nova na internet, propagada por apoiadores do agronegocio. Uma vez um desses falou coisa similar numa rede social. Então, perguntei referências e ele não soube me dar. O pior é que ele dizia estudar “agronomia na USP” Há enorme pressão dos governos na europa para que agricultores diminuam a quantidade de agrotóxicos, ha´pelo menos uma década. Eles também estimulam várias técnicas no campo para que os agricultores usam menos agrotóxicos. Isso se vê em varios estudos revisados por pares, que mostram a redução drastica de agrotóxico usado na França nos ultimos vinte anos.

  6. A frase que diz que ” é urgente diminuir o uso de praguicidas e substituí-lo pelo plantio direto nas lavouras, que reduz as pragas” é de uma ignorância terrível. Como que um jornal do nível do Estadão solta um texto com frases deste tipo, demonstrando total desconhecimento do assunto.
    Um filtro para evitar esses tipos de bobagens faria bem ao jornal. Os assinantes agradeceriam.

  7. Exato o que o Articulista quer é que um médico trate de um hospital sem remédios, ou que um mecânico concerte carros sem ferramentas. A diferença é que a Agricultura Brasileira alimenta o Mundo, ou seja cortem os “agrotoxicos” e matem meio mundo de fome. Essa é a sugestão? E não me venha com orgânicos dos ricos que não cabe no orçamento de quem ganha salário mínimo.

    • Infelizmente no Brasil, se passa a idea de que vc não pode plantar sem agrotóxicos. Nas faculdades de agronomia no Brasil, os alunos já são indoctrinados pelos seus professores sobre isso– e depois que se formam, apenas pensam que agrotóxicos são necessário. Muitos desses professores fazem isso por má fé, deste que seus projetos são financiados pela indústria dos agrotóxicos, e outros fazem por pura ignorancia. Houve uma Comissão Parlamentar da Camara anos atras da agricultura e visitaram muitas fazendas organicas. Eles constataram que a produtividade dessas fazendas organicas eram iguais os cultivos de monocultura que usam agrotóxicos. Na Alemanha e Austria, os cultivos organicos tem a mesma produtividade que as convencionais. Aliais, 25% de toda a agricultura na Austria é organica. Os países europeus sabem que os cultivos organicos tem uma produtividade similar as convencionais, que usam agrotoxicos. Por essa razão, há ajuda financeira desses países para converter suas terras convencionais em organicos. A Dinamarca, por exemplo, tem uma meta para que toda a sua agricultura seja organica em alguns anos. Na Costa Rica, há grandes latifundios de abacaxi e eles são em geral também organicos. Eles deixam trinta porcento da propriedade com mata nativa, não usam nenhum agrotóxico, e tem uma produtividade mais alta que de uma que usa agrotóxicos. Há vários estudos sobre agrofloresta na Costa Rica feita por pesquisadores dos EUA. Uma recente foi de uma equipe de pesquisadores da Universidade da California dos EUA, que estudaram essse modelo de alto rendimento sem uso de agrotóxico num desses latifundios que plantam abacaxis na Costa Rica. A terra é rica em nutritentes por não ser usado agrotóxicos e não há pragas, deste que a biodiversidade é rica em areas onde a agrofloresta é usada. Nessa pesquisa da Universidade de Berkeley, os pesquisadores também viram por exemplo que haviam muitos tipos de passaros pequenos que comiam as pragas dessa lavoura de abacaxi organica. A empresa desse latinfundio falou ques sai mais barato e lucrativo deixar 30% da area com vegetação nativa do que usar agrotóxicos. O governo da Costa Rica é outro que dá incentivos financeiros para que os agricultures transformem suas propriedades em plantações organicas. É muito claro pelos exemplos da Costa Rica e de diversos países europeus, que manter uma biodiversidade e solo rico, diminui e até elimina a necessidade de agrotóxicos e mantem alta produtividade. A agronomia ensinada no Brasil beira o ridiculo. Se um desses “estudantes ou professores agronomos” do Brasil falar essas abobrinhas de que é necessario agrotóxicos no exterior, ele vai ser ridicularizado. Aliais, vários orgãos da ONU, incluindo a FAO, já emitiram vários relatórios nos últimos anos, dizendo que o caminho para alimentar a população mundial no futuro é através da agroecologia e não esssa agricultura mongol usado hoje no Brasil.

    • Sobre o preço dos organicos, ele tende a cair a medida que a demanda cresce. Entra mais concorrentes, que são depois forçados a abaixarem os preços. Chega a um ponto que o preço dos organicos é quase igual aos que usam agrotóxicos. Isso se vê por exemplo nos EUA e Reino Unido. Hoje em dia, no Reino Unido, um litro de leite organico, custa uma libra. Um libra não é nada. Os preços de verduras e frutas também não são mais caros que os que usam agrotóxicos. A variedade também de organicos naquele pais é enorme.

  8. Não fiquem preocupados e cantem: “Eu sou brasileiro com muito ORGULHO, cânceres e outras enfermidades”. Campeão no uso de pesticidas não autorizados, micro partículas de plásticos em PET de toda sorte em todas as bebidas, águas poluídas…. acho que vou tentar obter um visto para o Haiti.

  9. A utilização, comércio e distribuição de DDT para fins agropecuários foi proibida no Brasil em 1985 pelo MAPA, considerando as seguintes exceções: uso pelos órgãos públicos em campanhas de saúde pública e uso emergencial na agricultura, ao critério do MAPA. Nesse mesmo ano, havia dois produtos formulados à base dessa substância registrados no Brasil, para serem usados em culturas de algodão, amendoim e soja. Em 1998, o MS excluiu o DDT da lista de substâncias com autorização para uso em atividades agropecuárias e domissanitárias no país, passando a ter todos os usos proibidos.
    Segundo a Fundação Nacional da Saúde – FUNASA, a última utilização do produto para fins de campanhas de saúde pública ocorreu em 1995. Nessa ocasião, os estoques remanescentes ficaram sob responsabilidade do Centro Nacional de Epidemiologia da FUNASA. Em 1992, a Fundação dispunha de 200 toneladas de DDT, processado em forma de pó molhável, mas esse produto foi incinerado junto com os respectivos frascos e engradados.

    Veja mais em: http://www.mma.gov.br/images/arquivo/80037/Convencao%20de%20Estocolmo/Inventarios/Inventario%20Nacional%20-%20Estoques%20e%20Residuos_20%20de%20setembro.pdf

    Também é importante sempre relembrar que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos em termos brutos, pois claro, olhe o tamanho do país, é óbvio que compraremos mais produtos agrotóxicos que outros territórios menores. O último levantamento da FAO feito em 2017 demonstrou que em termos relativos (quantidade de produto aplicado por área platatada), o Japão ficava em 1o lugar, seguido pelos EUA.. e o Brasil na 12a posição. É preciso ter cuidado ao afirmar que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, pois esse tipo de afirmação fora de contexto só serve para prestar desinformação à população.

    • 1) Vc tem esse link da FAO que vc menciona ou o nome dela?
      2) Eu não sei o quanto acredito nesse documento da “FAO”, que vc menciona, porque tem areas de MAto Grosso que usam até 15Kg de glifosato per hectare nos cultivos de soja transgênica– isso sem mencionar ainda os outros inseticidas e herbicidas usados, deste que as ervas daninhas estão ficando resistente ao glifosato.
      3) Os dados de 7,5Kg de agrotóxico por habitante por ano é citado pelo IBGE, CONAB, INCA (Instituto Nacional do Cancer, ligado ao Ministério da Saúde), CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, ligada a Presidência da República), entre outros orgãos do governo. Segundo o seu raciocínio, então esses orgãos do governo estão propagando a desinformação. Lembrar, por exemplo, que houve um aumento do uso de agrotóxicos para a soja transgênica de 209% nos últimos anos, sendo que a area plantada não aumentou em mais que 90%. Esse seu argumento de que o Brasil naturalmente usa muitos agrotóxicos por ser “grande”, cai por terra quando se vê que o aumento do uso é muito maior do que a area plantada. Isso vai não só para os cultivos transgênicos, mas para literalmente todos os tipos de cultivos.

  10. Usar como referência o consumo total(em kg ou litros) de defensivos como “prova” que somos os maiores consumidores do mundo é uma constatação,no mínimo,ingênua. Vamos aos fatos:
    – O Brasil possui uma das maiores áreas cultivadas do mundo.
    – Nosso clima é ameno e não sofremos com invernos rigorosos, ao contrário de outros grandes produtores mundiais. Isso dificulta a eliminação de pragas pela baixa temperatura durante estação fria.
    – Em várias regiões do país é feito o plantio de 2 culturas durante o ano, seja safrinha ex: milho e soja, soja e algodão, ou uma cultura de verão e outra de inverno ex: soja+trigo. Desnecessário afirmar que o fato de termos 2 plantios durante um ano representa maior quantidade de defensivos aplicados.
    – Algumas plantas, como o algodão, exigem maiores cuidados que outras porque são mais sujeitas ao ataque de pragas. Por consequência, um incremento na área plantada de uma cultura mais susceptível, resultará um aumento na quantidade de produto aplicado.
    Segundo pesquisas recentes somos o setimo país do país do mundo em proporção com a quantidade de terras cultiváveis.(atrás do Japão, Coréia, Alemanha, França Itália e Reino Unido) e se a análise for por volume de alimento produzido, nosso país cai para 11° no ranking.

    • -O 2,4 d é utilizado em todo o mundo há mais de 60 anos. É um poderoso aliado em um sistema de semeadura chamado “plantio direto”. Ele traz uma série de vantagens para preservação do solo e para o meio ambiente.

      • Antonio, nunca tanta bobagem que esse seu comentário. A ANVISA classifica o 2,4D em humanos de alta toxicidade e o IBAMA (Portaria Normativa Nº 84/ 1996) perigoso para algas, microcrustáceos, peixes, minhoca, aves e abelhas.

        Correia e Moreira (2010) realizaram estudos em laboratório de exposição dos agrotóxicos glifosato e 2,4-D em minhocas (Eisenia foetida). Os resultados mostram que houve 100% de mortalidade em poucas horas de exposição em minhocas expostas a solo tratado com 2,4-D, evidenciando toxidade aguda nesses animais. Em outras concentrações, o 2,4-D causou inchaço anormal em algumas partes do corpo das minhocas. Em baixíssimas doses, o estudo mostrou que em 03 meses, morreram 50% das minhocas; e após mais um mês, morreram todas as minhocas. Cabe ressaltar que minhocas são importantes organismos que vivem no solo e contribuem na produção de húmus, melhorando a fertilidade do solo, aeração e contribuindo com alimentação de uma variedade de organismos incluindo pássaros, mamíferos, répteis, anfíbios, peixes insetos e microoganismos do solo.

        O 2,4-D é proibido na Dinamarca, na Suécia, na Noruega, em diversos estados do Canadá e em algumas províncias da África do Sul (ACB, 2012). Recentemente, o governo australiano cancelou o registro de herbicidas 2,4-D a base de éster (cuja alta volatilidade implica riscos inaceitáveis para o meio ambiente)– estabelecendo que a partir de 31/08/2014, será ilegal utilizar qualquer estoque remanescente.

        No Brasil, tramita na Câmara Federal uma proposta de projeto de lei que pretende eliminar o uso de todas as formulações de 2,4-D, em todas as atividades e ambientes, incluindo aplicações sobre o solo nu e em limpeza de áreas, onde claramente os riscos tendem a ser menores do que aqueles associados a pulverizações aéreas de áreas agrícolas.

        2,4D– • Efeitos tóxicos em: zooplancton, fitoplancton, crustáceos, minhocas, anfíbios, peixes, mamíferos
        • Tipos de danos encontrados: toxicidade aguda, alterações genéticas, malformações de embriões, neurotoxicidade, alterações hematológicas, distúrbios metabólicos, desregulação hormonal.

        Ranke-Rylincka et al, 1995
        Morgan et al, 1996
        Gomez et al, 1998
        Suwalsky et al, 1999;
        Ateeq et al, 2002
        Farah et al, 2003
        Papaefthimiou et al, 2004

        Estudos sobre danos saúde humana:

        Estudos experimentais– Malformações fetais (teratogênese), desregulação endócrina (distúrbios hormonais: funções dos estrógenos, andrógenos, tireoidianos), imunotoxicidade (sistema defesa), danos genéticos, nefrotoxicidade (função renal), neurotoxicidade, alterações hematológicas.
        Juhasz et al, 2006
        Mairee et al, 2007
        Bong et al, 2007
        Mi et al, 2007
        Arias et al, 2007
        Ferri et al, 2007
        Celik ; Tuluce, 2007
        Jones; Muller, 2008

        Alterações respiratórias
        Imunotoxicidade
        Câncer (todos os tipos)
        Câncer gástrico
        Linfoma Non-Hodgkin (AL)
        Câncer de próstata (AL)
        Espinha bífida (AL)

        Roward et al, 2007
        Mills et al, 2007
        Hardel et al, 2008
        Slager et al, 2009
        Boers et al, 2010
        Schreinemachers , 2010

    • Quando se fala em agente laranja, se fala que existe um componente do agente laranja, que é o 2,4D, um outro que é o 2,45T, e esses dois formam a dioxina. Sem essa dioxina, sai muito mais caro. Uma boa parte dos agrotóxicos usados de 2,4D no Brasil são contrabandeados e são da versão mais barata–que inclui essa dioxina. Essa dioxina é um dos principias venenos que a humanidade já criou. Essa dioxina, mesmo proibida quase mundialmente, foi encontrada em várias marcas comercias do agrotóxico 2,4D na Australia e Japão uns anos atras.

  11. Os casos de câncer no Brasil tiveram aumento exponencial uma década depois do auge da “revolução verde” no Brasil, ou seja, após a mudança para o uso intensivo de agrotóxicos no campo.
    O incrível aumento dos números de pessoas acometidas com câncer vem hoje sobrecarregando o Sistema Público de Saúde. Assim, o setor privado fica com os lucros e o setor público (toda sociedade que depende do SUS) e os consumidores dos alimentos ficam com os prejuízos.
    70% das análises de alimentos apontam agrotóxicos não permitidos para a cultura ou em excesso, ou seja, estamos ingerindo cotidianamente venenos em forma de comida.

  12. Artigo lamentável… cheio de equívocos agronômicos de alguém totalmente sem noção do que seja plantar e produzir na região tropical. O consumo de agroquímicos se baliza em kg/ha dos ingredientes ativos utilizados e não no consumo total . A França por exemplo usa muito mais produtos quando se avalia kg/ha até porque a área plantada deste país é menor que o PR por exemplo. Infelizmente existem jornalistas brasileiros que hoje fazem o jogo que a Europa e o EUA querem … estamos assumindo um grande papel na produção de alimentos no mundo e incomodando o “status quo” dos fazedores e controladores de preço, principalmente das comodites agrícolas. “Agricultura aqui, preservação lá “ este é o mote dos grandes grupos americanos e europeus da agricultura. E só usamos 7 % da área brasileira (dados Embrapa ratificado pela NASA) contra mais de 18% dos EUA e mais de 30% dos países europeus… quem preserva então?? Chega de abominarem o agronegócio brasileiro, a maior alavanca de sustentação econômica deste país. Se interesse mais pela realidade de nossa agricultura e não por “pesquisas” mal intencionadas que inundam nossa internet

    • Prezado F. Orsi, obrigado pela mensagem. Não tenho dúvidas da importância do agronegócio para o Brasil e os brasileiros. Jamais abominei o agronegócio, seria inútil e não corresponderia à realidade. Apenas fiz uma matéria citando todas as fontes, e todas confiáveis. Faço questão de destacar a EMBRAPA, o articulista do Estadão, e o jornal El País. Ficam aí, entretanto, suas observações para que outros leitores conheçam seus argumentos. abs

      • O que não entendo é o seguinte: Se os países importadores têm conhecimento deste uso abusivo e intolerante de agrotóxicos, por que continuam comprando de nós? QUestão simples , porém instigante.

    • Eu dúvido que a França usa mais agrotóxicos por hectare que o Brasil. Essa é a nova mentira contata na internet pelos apoiadores do agronegocio. O Brasil tem um clima tropical, propenso a mais pestes e ervas daninhas, que em países com climas menos quente. 2) Hoje em dia, tem areas do Mato Grosso que chegam a usar 12KG-15 KG per hectare de glifosato. 3) As cultura que mais usam agrotóxicos são transgênicos. No Brasil, as culturas de soja e milho são quase toda transgênica. Elas foram geneticamete modificadas para poder tomar um bando de veneno sem morrer. Teve um aumento do uso de agrotóxico exponentemente, desde que essas culturas foram aprovadas há mais de dez anos. Na europa, só há um transgênico aprovado (MON810), plantado em não mais que três ou quatro países, e não ocupa mais que 1% da total area de cultivo na comunidade européia.

      • glifosato é um herbicida base do plantio direto, em especial aos transgênicos resiistente a glifosato (RR). e tem que ser usada em alto volume (4-5L/ha) por aplicação.
        Como se faz 3 apliçações/safra o total é elevado.

  13. É lençóis Freáticos e não frenéticos…
    O link para os pretéis gigantes não funciona…
    Quera abacar com consumo de agrotóxicos, dimnuam o preço dos orgânicos. Enquanto houver mercado pra eles, nunca esse problema será controlado.

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