Agrotóxicos: novo marco e outras ameaças

93
24886
views

O Brasil abusa no uso de agrotóxicos? Conheça o novo marco regulatório

Se somos, ou não, campeões mundiais no uso de agrotóxicos, pouco importa. Diversas das mais confiáveis fontes citadas neste post dizem que somos um dos ‘maiores consumidores’. Para estas fontes, o Brasil é destaque, independente de ser, ou não, ‘número um’.  Mas, atenção à esta afirmação:  “A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) afirma que 70% dos alimentos in natura consumidos no País estão ‘contaminados’ por agrotóxicos”. Curiosamente, todos que comentaram este post procuram ridicularizá-lo. Põem a culpa no clima tropical, ou no tamanho da área cultivada. Alegam que o país usa agrotóxicos ‘normalmente’, sem excessos. Mas nenhum contesta a afirmação que agora repetimos: “A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco, veja abaixo em fontes) afirma que 70% dos alimentos in natura consumidos estão ‘contaminados’ por agrotóxicos.”

Novo marco regulatório sobre uso de agrotóxicos

O novo marco regulatório para agrotóxicos, aprovado em julho de 2019 pela Anvisa, já nasceu contestado. Para muitos, ele não atende o padrão internacional GHS (Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos). Uma das mudanças é na classificação tóxica dos produtos, outra, na comunicação dos rótulos. Segundo a Folha de S. Paulo, “apenas a a nova comunicação dos rótulos atende o estabelecido pelo GHS – desenvolvido pela ONU.” Diz o jornal, “com a mudança, novos produtos devem ser registrados com classificação mais baixa. Na mesma semana em que foi aprovado o novo marco, “o governo federal publicou no Diário Oficial a liberação de mais 51 tipos de agrotóxicos…a tendência é que o ritmo de liberações supere o recorde do ano passado, quando o Governo Temer autorizou a comercialização de 450 produtos.”

Instituto Butantã aponta riscos em dez dos principais pesticidas e agrotóxicos usados no País

O Estado de S. Paulo, 4 de agosto de 2019, “Encomendado pelo Ministério da Saúde e realizado pelo Instituto Butantã, a análise de dez agrotóxicos de largo uso no País revela que os pesticidas são extremamente tóxicos ao meio ambiente e à vida em qualquer concentração. Mesmo quando utilizados em dosagens equivalentes a até um trigésimo do recomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Não existem quantidades seguras”, diz a imunologista Mônica Lopes-Ferreira, diretora do Laboratório Especial de Toxinologia Aplicada, responsável pela pesquisa. “Se (os agrotóxicos) não matam, causam anomalias. Nenhum peixe testado se manteve saudável.”

Plataforma Zebrafish

Ainda o Estadão, “No Butantã fica a Plataforma Zebrafish – que usa a metodologia considerada de referência mundial para testar toxinas presentes na água, com os peixes-zebra (Danio rerio). Eles são 70% similares geneticamente aos seres humanos. Têm um ciclo de vida curto (fácil de acompanhar todos os estágios) e são transparentes (é possível ver o que acontece em todo o organismo do animal em tempo real). O laboratório pertence ao Centro de Toxinas, Resposta-Imune e Sinalização Celular (CeTICS), apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).”

Dez pesticidas largamente usados no Brasil

Estadão, “De acordo com o pedido do Ministério da Saúde, os cientistas testaram a toxicidade de dez pesticidas largamente utilizados no País. São eles: abamectina, acefato, alfacipermetrina, bendiocarb, carbofurano, diazinon, etofenprox, glifosato, malathion e piripoxifem. As substâncias são genéricas, usadas em diversas formulações comerciais.”

‘Glifosato, o defensivo mais usado na agricultura brasileira’

“Três dos dez pesticidas analisados (glifosato, melathion e piriproxifem) causaram a morte de todos os embriões de peixes em apenas 24 horas de exposição, independentemente da concentração do produto utilizada. Esse espectro foi da dosagem mínima indicada, 0,66mg/ml, até 0,022mg/ml, que teoricamente deveria ter se mostrado inofensiva. O glifosato é, de longe, o defensivo mais usado na agricultura brasileira: representa um terço dos produtos utilizados.”

OMS aponta o glifosato como ‘potencialmente cancerígeno’

“A substância é relacionada, em outros estudos, à mortandade de abelhas em todo o mundo. É apontada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como potencialmente cancerígena para mamíferos e seres humanos. O uso do glifosato é proibido na Áustria e será banido na França até 2022.”

‘Situação atual do País é preocupante’

“Pesquisador de Saúde Pública da Fiocruz, Luis Claudio Meirelles ocupou, por mais de uma década, a gerência geral de toxicologia da Anvisa. Segundo ele, a situação atual do País no que afirma respeito ao uso dos defensivos agrícolas é preocupante. “Somos campeões no uso de agrotóxicos no mundo e dispomos de uma estrutura de controle e vigilância muito aquém dos volumes utilizados e dos impactos provocados”

‘2015: soja, milho e cana de açúcar consumiram 72% dos pesticidas comercializados no País’

Agora quem afirma é a USP, que publicou o gráfico abaixo:

gráfico de utilização de agrotóxicos por tipo de cultura
Fonte: USP.

O jornal da USP publicou matéria em julho de 2019. Nela há esta informação: ” O Brasil é campeão mundial no uso de pesticidas na agricultura, alternando a posição dependendo da ocasião apenas com os Estados Unidos. O feijão, a base da alimentação brasileira, tem um nível permitido de resíduo de malationa (inseticida) que é 400 vezes maior do que aquele permitido pela União Europeia. Na água potável brasileira permite-se 5 mil vezes mais resíduo de glifosato (herbicida). Na soja, 200 vezes mais resíduos de glifosato, que é rico em imagens, gráficos e infográficos. “E como se não bastasse o Brasil liderar este perverso ranking, tramita no Congresso nacional leis que flexibilizam as atuais regras para registro, produção, comercialização e utilização de agrotóxicos”, relata a geógrafa Larissa Mies Bombardi, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).”

Passou o relatório do Projeto Veneno

Em plena campanha do ‘agro é tech, agro é pop’durante a Copa do Mundo de futebol (coincidência ou mero acaso?), passou na Câmara o relatório do Projeto Veneno (junho 2018).

Conheça o Projeto Veneno

Ora, raios, que diabo de projeto é esse? O senador Blairo Maggi, ex-ministro da Agricultura, decidiu, em 2002, criar um pacote para revogar a lei e flexibilizar mais o uso de agrotóxicos. Ele propõe alterações na regulamentação de agrotóxicos. Hoje, fica a cargo de três ministérios: Saúde, Agricultura e Meio Ambiente. A ideia é passá-lo só para um, Agricultura. De uma demora de cinco anos (para a aprovação de cada novo produto), passaria para dois anos.  Outra das modificações é trocar o nome: de agrotóxicos ou defensivos agrícolas para fitossanitários.

Substituir o termo ‘agrotóxicos’ por ‘produtos fitossanitários?’

O Globo informa que, “A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também divulgou uma nota técnica com 25 páginas. Nas primeiras páginas, a organização critica a tentativa de substituir o termo agrotóxico por “produtos fitossanitários” e argumenta que o pedido tenta ocultar o fato de que os “produtos são, em sua essência, tóxicos”.

Reação da Fiocruz ao Projeto Veneno

Além de inúmeros protestos de ONGs e ambientalistas, diz O Globo, “a Abrasco e a Associação Brasileira e Agroecologia – Aba, com o apoio da Fiocruz, entregaram ao deputado federal Alessandro Molon (RJ) o “Dossiê Científico e Técnico contra o Projeto da Lei do Veneno (PL 6299/2002) e a favor do Projeto de Lei que instituiu a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos”.

Saiba o que é a Fiocruz

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é uma instituição de pesquisa e desenvolvimento em ciências biológicas localizada no Rio de Janeiro, Brasil, considerada uma das principais instituições mundiais de pesquisa em saúde pública. Foi fundada pelo Dr. Oswaldo Cruz, notável epidemiologista.”

Ministério Público Federal, e Ibama, também se manifestaram contrários ao  Projeto Veneno.

E os órgãos oficiais da Saúde, o que dizem?

A Anvisa diz que não há estrutura para fazer uma importante avaliação determinada pelo Projeto Veneno:  “produtos com características teratogênicas, ou seja, causadores de anomalias no útero e malformação de fetos”. Segundo o ‘PV‘, “deveriam ser proibidos apenas os que apresentarem risco inaceitável para seres humanos e meio ambiente.”

Quer dizer, então, que há risco aceitável para seres humanos e meio ambiente?

tabela sobre problemas de agorotóxicos e meio ambiente e saúde humana
Tabela da EMBRAPA.

A voz do especialista Paulo Saldiva sobre agrotóxicos e afins

Saiba quem é Paulo Saldiva

Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 1977, doutorado em 1983, Livre-Docente em 1986 e Professor Titular do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 1996. Concentra atividades de Pesquisa nas áreas de Anatomia Patológica, Fisiopatologia Pulmonar, Doenças Respiratórias e Saúde Ambiental, Ecologia Aplicada, Cidades e Saúde Humana, Humanidades e Antropologia Médica. Ciclista e gaitista. Diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP desde abril de 2016. (Fonte: Currículo Lattes).

Agrotóxicos e Câncer – Estudos Epidemiológicos, por Karen Friedrich

(Karen Friedrich- PHD Toxicologia e Saúde Pública, Departamento de Toxicologia, Instituo Nacional de Controle de Qualidade em Saúde- INCQS – FIOCRUZ. Jaguariúna, outubro, 2013.)

  • Infância – exposição pré-concepção, gestação ou pós-natal
  • Linfomas, leucemias, tumor de cérebro, tumor de Wilm, Linfoma non Hodkin, sarcoma de Ewing (50 estudos – Zahm; Ward’s 1998; Infante_Rivard; 2007 – revisões)
  • Adulta – exposição ocupacional
  • Câncer de pulmão, boca, fígado, próstata, mama, testículos, ovário, cérebro, tireoide,etc.
  • Algumas revisões: J Toxicol Environ Health B Crit Rev. 2012;15(4):238-63; CA Câncer Center J Clin.2013
  • Mar- Apr; 63(2):120-42; Scand J Work Enviran Health 2005;31 supply 1:9-17

Sobre isso também não há uma linha nos comentários.

Dedo na ferida

Em artigo escrito para o Estadão, o jornalista Washington Novaes toca o dedo na ferida: “apesar dos avanços no campo, o Brasil ‘esconde’ uma  liderança incômoda:  somos campeões no uso de agrotóxicos.” De acordo com o jornalista, dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, informam que “28% das substâncias usadas por aqui não são autorizadas”. E agora, com o Plano Veneno, qual porcentagem será?

 

Agrotóxicos: a população precisa saber
Ilustração: diarioliberdade.org.br

70% dos alimentos estão contaminados por pesticidas

Segundo Novaes,

a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) afirma que 70% dos alimentos in natura consumidos no País estão “contaminados” por agrotóxicos.

FAO – ONU e Organização Mundial da Saúde

Segundo a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU) e a OMS, é urgente diminuir o uso de praguicidas e substituí-lo pelo plantio direto nas lavouras, que reduz as pragas.

Retificação importante sobre o Brasil e os agrotóxicos

Como este post provocou polêmica, como se vê abaixo, decidimos pesquisar mais sobre o uso de agrotóxicos. Parece o samba do crioulo doido, mas vamos aos dados apurados:

Se considerar a aplicação por área, segundo a FAO o Brasil é o terceiro.

ilustração de g®afico mostrando uso de agrotóxicos no mundo

A FAO especifica quais categorias usadas e quantidades:

gráfico mostra tipo de agrotóxico usado no Brasil
O tipo…

Em valores absolutos de peso aplicado, o worldatlas.com diz que o Brasil é quinto:

ilustração sobre consumo de pesticidas por países
Para o www.worldatlas.com somos o quinto maior consumidor de pesticidas.

Enquanto isso o Estadão afirma, com base em dados de instituições brasileiras, que o Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo.

Já o IBGE oferece tabelas com diversos dados de consumo de agrotóxicos,  seriam estes os “dados oficiais”. Interessante notar que os números do órgão não batem com os da FAO. A organização da ONU  mostra que nosso consumo teria sido pouco menor que 400 mil toneladas (1º gráfico). No mesmo ano, o IBGE afirma que foram 477.792.

gráfico do IBGE sobre consumo de agrotóxicos no Brasil

Agrotóxicos e pesticidas, o que podemos deduzir disso tudo?

E voltamos aos números da Abrasco, que abrem a matéria: “o Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas por ano, o que equivale a um consumo médio de 5,2 kg de veneno agrícola por habitante.” Para os humanos ele aumenta a incidência de certos tipos de câncer, para o planeta contaminam o solo, e prejudicam lençóis freáticos. E para os oceanos e a vida marinha, são a causa das Zonas Mortas que não param de crescer.

Embrapa: consumo de agrotóxicos cresceu 700% nos últimos 40 anos

A conceituada Embrapa, através do site Ageitec, também aborda a questão. Os dados são devastadores:

anualmente são usados no mundo aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de agrotóxicos. O consumo anual de agrotóxicos no Brasil tem sido superior a 300 mil toneladas de produtos comerciais. Expresso em ingrediente-ativo (i.a.), são consumidos anualmente cerca de 130 mil toneladas no país; representando um aumento no consumo de agrotóxicos de 700% nos últimos 40 anos, enquanto a área agrícola aumentou 78% nesse período.

Notícias alarmantes no início de 2019

Apesar do acima exposto, o ano novo trouxe mais dissabor. O Globo, janeiro, 2019: ‘Ministério da Agricultura aprova registro de agrotóxicos de alta toxidade’. Excertos do texto: ‘Entre os produtos estão químicos que já foram banidos na União Europeia e nos EUA’. Ufa, não é só o Mar Sem Fim…”O Ministério da Agricultura autorizou o registro de 28 agrotóxicos e princípios ativos. Entre os novos produtos há alguns considerados de elevada toxicidade… Aprovado ainda no governo de Temer, em 28 de dezembro, o pesticida chegou a ter seu registro cancelado nos EUA. Sua ação contra a praga de insetos também teria relação com o extermínio de abelhas, inseto responsável pela polinização de plantações. O pacote também inclui químicos que já foram banidos na União Europeia, como produtos à base de Imazetapir e o Sulfentrazona.”

Os mesmos dados por outras fontes

O Mar Sem Fim se esmera por privilegiar fontes confiáveis, já que não somos especialistas. Outra, destas fontes, é o jornal Folha de S. Paulo e um de seus colaboradores, o jornalista Janio de Freitas. Na edição de 10/3/2019, publicou a coluna, Licença para envenenar onde se lê que…”O Conselho de Pesquisa Científica da ONU denunciou o agrotóxico glifosato, como potencial causador de câncer. A França estabelece, há pouco, duras restrições a determinados agrotóxicos. Nos Estados Unidos, além das limitações de uso, está proibida a pulverização aérea (com glifosato). Todos eles, e muitos outros, por ameaça ao consumidor e envenenamento do meio ambiente.  Esses agrotóxicos estão, porém, nos pratos e marmitas do almoço e do jantar brasileiros, no café da manhã e no lanche, em doces e guloseimas.”

imagem de pulverização de plantação de bananas
Pulverização de plantações no Vale do Ribeira, SP. Imagem: Lalo de Almeida

Excesso de pesticidas: o mar, e nossa saúde, pagam a conta

Os agrotóxicos, a falta de saneamento (no Brasil só 40% das residências têm saneamento), a poluição industrial, e até produtos que usamos no corpo, como cremes, remédios, e outros, têm quase sempre o mesmo destino: os mares. O que varia é a forma de chegada. No caso dos agrotóxicos, a via expressa são os rios que deságuam no mar; no caso dos remédios e cremes que usamos, somos nós mesmos os agentes quando frequentamos o litoral.

Agrotóxicos: a população precisa saber
Rios deságuam no mar

90% da cadeia de vida marinha começa no litoral

O problema é  grave porque 90% da cadeia de vida marinha começa neste espaço de transição entre a terra, e a água, exatamente os mesmos locais onde vão parar os restos desta sopa mortal. Conseguimos a façanha de inverter o conceito do moto-perpétuo. Quanto mais poluímos este espaço, mais agredimos nossas entranhas porque a poluição volta pra dentro da gente.

Nossa ação com agrotóxicos, e outras formas de poluição, atinge a Antártica

A bióloga Fernanda Imperatrice Colabuono, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), estudou os petréis-gigantes das ilhas Elefant, e Livingston, no arquipélago das Shetland do Sul, na Península Antártica, e confirmou, a partir de amostras de sangue,  a presença de diversas substâncias nocivas, entre as quais o DDT, pesticida banido nos Estados Unidos em 1972, quando se constatou que seu uso ameaçava a sobrevivência de diversas espécies de aves de rapina.

Nos verões antárticos de 2011/2012 e 2012/2013, Colabuono coletou amostras de sangue de 113 indivíduos e constatou a presença de contaminantes orgânicos como bifenilos policlorados (PCBs), hexaclorobenzeno (HCB), pentaclorobenzeno (PeCB), diclorodifeniltricloroetano (DDTs) e derivados, o pesticida clordano (banido nos Estados Unidos em 1988) e o formicida Mirex (banido nos Estados Unidos em 1978 e recentemente no Brasil)

Até nos locais mais profundos, como os 11 mil metros da fossa das Marianas, foram encontrados pequenos amphipodes, espécie de crustáceos, ‘com concentrações extremamente altas’ de PCB (bifenilos policlorados), e PBDE (éteres difenílicos polibromados).

Não se iluda, cada um de nós também dá grande contribuição

Para se ter uma ideia de nossa ação, saiba que o ‘rei’ da contaminação costeira, no mundo, são os pomposos “poluentes orgânicos persistentes“, como dizem os cientistas, ou, como explica o Professor Frederico Brandini, Diretor do IOUSP:

cataflan, prozac, anticoncepcional, cafeínas, substâncias que a sociedade consome há décadas, que eliminam pela urina, que vão para os lençóis freáticos, e acabam parando no mar. Pior..não há bactérias capazes de degradarem estas substâncias que são oriundas de  loterias bioquímicas produzidas pelo homem…

‘Continuar este ciclo é no mínimo estúpido’

Além dos alimentos que vêm do campo, contaminados, há os que saem do mar com o mesmo problema. Ambos encontram seu destino final em nossos estômagos. Continuar este ciclo é no mínimo estúpido. Sair dele não é tão difícil quanto parece. Exige que a sociedade acorde e  reaja.

Moral da história

Somos todos responsáveis, temos a obrigação de deixar a menor pegada possível. Não é preciso lembrar que estamos aqui de passagem. Há muito o que fazer mas, um dos caminhos, é se informar sempre, e pressionar o poder público. O Estado deve assumir seu papel de árbitro imparcial. Nada contra o agronegócio, tão importante para o país. Mas nem por isso as hortas, os pomares, e os campos arados se tornaram terra de ninguém onde cada um faz o que quer, sem pensar nas consequências. Sem pensar na maioria.

Quando o Projeto Veneno voltar a tramitar na Câmara, o Mar Sem Fim voltará ao tema.

Imagem de abertura: diarioliberdade.org.br

Fontes: https://www.worldatlas.com/articles/top-pesticide-consuming-countries-of-the-world.html;  http://sustentabilidade.estadao.com.br/blogs/alessandra-luglio/consumo-de-agrotoxicos-no-brasil/; https://sidra.ibge.gov.br/tabela/772#resultado; http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,agrotoxicos-lideranca-indesejavel-no-mundo,10000061639; http://Agenda Ambiental para o Desenvolvimento; http://brasil.elpais.com/brasil/2015/04/29/politica/1430321822_851653.html; http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/agricultura_e_meio_ambiente/arvore/CONTAG01_40_210200792814.html; http://www.io.usp.br/index.php/noticias/49-io-na-midia/1058-agrotoxicos-ameacam-colonias-de-aves-da-antartica; http://www.startagro.agr.br/por-que-o-agronegocio-precisa-de-uma-comunicacao-moderna/; http://www.unesco.org/new/en/goodwill-ambassadors/nizan-guanaes/; http://br18.com.br/agrotoxico-futebol-e-foto-de-mulher-seminua/; http://www.cnpma.embrapa.br/down_site/forum/2013/agrotoxicos/palestras/Forum2013_KARENFRIEDRICH.pdf; https://g1.globo.com/natureza/blog/nova-etica-social/post/projeto-de-lei-sobre-agrotoxicos-o-pl-do-veneno-poe-o-lucro-acima-da-saude-das-pessoas.ghtml; https://g1.globo.com/natureza/blog/nova-etica-social/post/projeto-de-lei-sobre-agrotoxicos-o-pl-do-veneno-poe-o-lucro-acima-da-saude-das-pessoas.ghtml; https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2018/06/26/interna-brasil,690951/relatorio-da-lei-dos-agrotoxicos-e-aprovado-plenario-votara-apos-elei.shtml; https://www.abrasco.org.br/dossieagrotoxicos/wp-content/uploads/2013/10/DossieAbrasco_2015_web.pdf; https://www.baumhedlundlaw.com/toxic-tort-law/monsanto-roundup-lawsuit/where-is-glyphosate-banned/; https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2019/07/novo-marco-de-agrotoxicos-nao-atende-padrao-internacional-de-riscos.shtml?utm_source=facebook&fbclid=IwAR2kgJplLStlrL_0AcwzrilAR1kmBk3gF–A6dR1nmYfq4xT2zpVfWzC608; https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,pesquisa-indica-que-nao-ha-dose-segura-de-agrotoxico,70002953956?utm_source=facebook%3Anewsfeed&utm_medium=social-organic&utm_campaign=redes-sociais%3A082019%3Ae&utm_content=%3A%3A%3A&utm_term&fbclid=IwAR02zM5KofmKcyeHb1RgvCdHtokOrMj7EdXcafdH_FVUrNsCd2ovqdbo-rM; https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-ambientais/lancado-na-europa-mapa-do-envenenamento-de-alimentos-no-brasil/?fbclid=IwAR3H9aUweIyM2ryvcQ92KrncPJRKho5h_42gn3hhsSWCF6FLE85VU6N4u3U; 

Tubarões- brancos podem ajudar na cura do câncer?

Repórteres do Mar

O Mar Sem Fim quer a sua colaboração. Não é possível estar em todos os lugares ao mesmo tempo e, com a sua ajuda, podemos melhorar ainda mais o nosso conteúdo. Saiba como colaborar com o Mar Sem Fim.

Comentários Comentários do Facebook

93 COMENTÁRIOS

  1. Sou A FAVOR de proibir TODOS os agrotóxicos. Desta maneira a produção de alimentos vai diminuir MUITO, ficando MUITO mais caros, desta maneira os menos favorecidos vão passar forme.
    Quanta gente IDIOTA!

  2. O estadão continua com sua campanha de distorção em vez de investigação.
    A controversia sobre o glifosato começou com
    WHO/IARC
    https://monographs.iarc.fr/agents-classified-by-the-iarc/
    que classificou como provaveis carcinogênicos glifosato junto com agua quente acima de 65C, carne vermelha, profissões noturnas, barbeiros e cabelereiros, emissões de frituras na panela ou de uma lareira (sendo que classificam como sem dúvida carcinogênicos (isto é, muito piores do que o glifosato) – 1 – bebidas alcoolicas, carnes processadas, estrogenios e androgenios, poluição do ar, tintas e oleos minerais, solventes, etc..).

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here