Qual a Marinha mais antiga do mundo, você sabe?

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Qual a Marinha mais antiga do mundo, você sabe?

Para os leitores deste site a pergunta é fácil em conclusão um, dois, três, e lá vão os…Portugal! ‘A Marinha mais antiga do mundo tem 705 anos e é portuguesa!’, diz o www.ncultura.pt. O Mar Sem Fim sabia entretanto não nos ocorreu contar a façanha. Mas o www.quora.com confirma: ‘Portugal, em 1317’. E, segue, o ncultura.pt, ‘Portugal é um país com uma história tão rica quanto longa. É um orgulho saber que Portugal tem a Marinha mais antiga do mundo’.

imagem da marinha mais antiga do mundo
Navios portugueses na Batalha de Matapão( 1717). Imagem, www.ncultura.pt.

A Marinha lusitana

Por fim a partir do final da Idade Média, séculos XV e XVI, Portugal ascendeu à condição de potência mundial durante a “Era dos Descobrimentos” logo construiu um vasto império, incluindo possessões na América do Sul, África, Ásia e Oceania.

Nau lusa no Japão
Nau lusa no Japão, final do século XVI. Imagem, pt.wikipedia.org.

Os portugueses navegaram pelo globo dessa forma foram a primeira superpotência marítima global. Em 1488, contornaram o extremo sul do continente africano e apenas uma década depois, Vasco da Gama torna-se o primeiro europeu a chegar à Índia por via marítima.

Batalha de Aljubarrota
Batalha de Aljubarrota, importante na formação de Portugal. (biblioteca nacional da Noruega).

Mas, antes, que tal conhecer a…

A ascensão do estado-nação na Europa

Acima de tudo Portugal é o estado-nação mais antigo da Europa. Fundado em 1143, suas atuais fronteiras foram estabelecidas em meados do século XIII quando torna-se a mais antiga nação do mundo.

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mapa de Portugal no período pre-romano
Portugal no período pré-romano. Ilustração, ormacaodeportugal.pdf.

Nesse sentido a partir de 1415 iniciou um movimento expansionista que levou sua língua e cultura aos cinco continentes, estendendo o território aos arquipélagos dos Açores e da Madeira assim estabelecendo um regime colonial em vários países africanos, Timor-Leste e até mesmo na Índia.

marinha portuguesa em 1541
Expedição a Suez liderada por João de Castro em 1541. Imagem, pt.wikipedia.org.

Contudo se a formação do estado moderno deve-se ao marquês de Pombal, a formação, no contexto da reconquista, é mérito de Afonso Henriques. Mas para lograr tal façanha era preciso a…

Marinha portuguesa

Recentemente a Marinha lusa comemorou sua história e assim enalteceu seus 705 anos de existência.

batalhas lusas do medievo
Feridas das batalhas lusas do medievo. Imagem, querobolsa.com.br.

“No dia 1 de fevereiro de 1317, há precisamente 705 anos, foi celebrado o acordo entre o rei D. Dinis e o genovês Manuel Pessanha para este servir a Armada Portuguesa”.

Carta Régia
Carta Régia do Rei D. Dinis, Fevereiro de 1317, nomeando o genovês Manuel Pessanha o primeiro Almirante do Reino. Imagem, pt.wikipedia.org.

Dessa forma fica óbvio que, para dominar o mundo à época, era preciso aprender com os melhores. Logo, chamaram os genoveses. Deu certo!

No entanto a Marinha, ou Armada Portuguesa, faz questão de lembrar o episódio que a torna a mais antiga do planeta (em tempos modernos): “a assinatura deste contrato, em 1317, é vista como o registro e a data da criação formal, conferindo-lhe caráter permanente”. Por esse motivo conclui-se que a Marinha Portuguesa “é a mais antiga do mundo”.

Desde sempre no mar, e guerreando

O pt.wikipedia traz a informação: ‘durante o reinado de D. Afonso Henriques, ao largo do Cabo Espichel, uma esquadra de 10 galés muçulmanas desembarcaram em São Martinho do Porto tentando surpreender a guarnição portuguesa perto de Porto de Mós.”

marinha portuguesa século XVI.
Nau Santa Catarina do Monte Sinai, século XVI. Imagem, pt.wikipedia.org.

Enfim foram derrotados por D. Fuas Roupinho com elevado número de baixas e captura do Almirante inimigo.

O maior império do mundo, e o último a desaparecer

O Império Britânico  foi o maior  em extensão de terras descontínuas do mundo. Entretanto sua descolonização e declínio  aconteceram entre 1945 e o epílogo, em 1997.

Declínio do Império Britânico

Assim dando sequência ao declínio logo depois da Segunda Grande Guerra, em setembro de 1982, a primeira-ministra Margaret Thatcher chegou a Pequim para negociar o fim do maior e mais populoso território exterior britânico, Hong Kong foi entregue em 1997.

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O mais longo império do mundo ocidental

Já com as credenciais de sua Marinha Portugal construiu o mais longo império, com quase 550 anos de existência assim como o último a “desaparecer”.

Império lusitano
Ilustração, www.hitek.fr.

Os portugueses chegaram no século XVI em Macau do mesmo modo importante porta de acesso para a entrada da civilização ocidental na China, então uma decadente potência marítima. 

Contudo depois de revoltas populares, e muitas negociações entre Portugal e China, os dois países concordaram que Macau iria passar de novo à soberania chinesa no dia 20 de Dezembro de 1999, tornando-se  Região Administrativa Especial.

Acabava assim o derradeiro império europeu só alcançado em razão da potência naval, sem precedentes, alcançada por um sonho distante de um certo Afonso Henriques lá atrás, ainda no século XII.

Imagem de abertura: www.ncultura.pt.

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Comentários

18 COMENTÁRIOS

  1. Boa noite, não entendi qual o motivo de tanta duvidas, pra mim está tão claro que este blog se refere a marinha mais antiga em atividade.

    Mais um vez, parabéns João

  2. Caro João Lara Mesquita,
    Em primeiro lugar deve ficar expresso o meu apreço pelo seu esforço na divulgação dos temas do mar, no seu blog Mar Sem Fim. Parabéns !
    Especificamente em relação a este último post, sobre a marinha mais velha do Mundo, sendo português, é sempre para mim gratificante ver o país posicionado no seu exacto enquadramento histórico. E sim, Portugal é o país mais velho do Mundo, com as suas fronteiras definidas tal como as encontramos hoje, à excepção de alguns pequeníssimos pontos de, ainda, discussão política.
    A fundação de uma marinha real e actuante, data, como bem referiu, do início do reinado de Afonso I, quando o Rei designou D. Fuas Roupinho como Almirante. Contudo, também como referiu, cabe a D. Dinis o mérito de dar a essa mesma marinha, que ainda era muito feudal, uma estrutura muito mais organizada. A sua visão era de tão longo prazo que, inclusivamente, tratou de investir na plantação da matéria prima para o seu desenvolvimento – pinheiros, a árvore local mais usada na construção naval, na altura.
    Posteriormente, mais de um século depois, tivemos outro Rei, João II (1455-1495), que teve também a visão suficientemente vasta para pensar a mais longo prazo, e foi responsável pelo fortalecimento da marinha real, tanto na sua função de ataque como nas funções de defesa e soberania, nomeadamente na patrulha das rotas de navegação usadas na altura pela frota mercante, e das costas, do continente e ilhas, atacadas constantemente pela pirataria. É ao legado de João II que Manuel I (14690-1521), seu primo e sucessor, deve muito do seu êxito e do seu título “O Venturoso”; como hoje se costuma dizer, a sorte aparece depois de muito trabalho …
    Se João II fundou as bases do trabalho da marinha nacional dessa época, Manuel I alargou, e muito, o seu raio de acção. De facto, instalada a coroa real portuguesa em Goa, na Índia, durante o reinado de Manuel I, depressa se construiu aí o Arsenal do Vice-Reino da Índia, capaz de manter as embarcações do reino e de construir toda a frota cuja a função era fundamental para garantir a segurança do Vice-Reino e o seu alargamento.
    Foi com base nessa alargada capacidade naval que se conquistaram e/ou se construíram possessões, feitorias, fortes, etc. … que se estendiam desde o Golfo Pérsico (Ormuz p. ex.), a oeste de Goa, até ao extremo oriente Malaca, Timor, Macau, ou ainda Tanegashima (Japão). Isto já não entrando na discussão sobre a reivindicação da “descoberta” da Austrália pelos portugueses, no Séc. XVI, ou seja dois séculos antes do conhecido Cp. Cook, inglês, a quem correntemente se atribui a descoberta desse vasto continente.
    Igualmente, na sua expansão para ocidente, o reino, principalmente através do trabalho de João IV (16014-1656) e dos seus sucessores, investiu também nos apoios de marinha através da fundação dos Arsenais de Marinha de Salvador da Baía e do Rio de Janeiro, mas isso são “contas de outro rosário” que nem me atrevo a comentar nesta altura :)
    Por isso fico sempre desgostoso quando vejo mapas onde este vastíssimo território de poder, ou pelo menos de influência, não aparece, como é o caso concreto do mapa do seu post onde se resume a geografia da expansão portuguesa.
    Fica aqui essa referência.
    Obrigado,
    Manuel M. Cunha

  3. Diz o artigo: “Portugal é o estado-nação mais antigo da Europa. Fundado em 1143, suas atuais fronteiras foram estabelecidas em meados do século XIII quando torna-se a mais antiga nação do mundo.” Então, a China, o Japão, a Grécia, muitp mais antigas – não são nações?

    • Àquele tempo caro Jaroslaw, não existia o ‘conceito’ de nação moderna tal qual hoje. A “China”, por exemplo representava uma vasta região que englobava diversas etnias diferentes, e assim por diante, que vieram dar nas nações modernas do ‘conceito’ atual, como as duas Coreias, Vietnã, o Laos, o Camboja, os uigures, e tantos outros. Eis porque os lusos são os mais antigos. Não porque eu goste ou queira, porque a história ensina (como procurei mostrar inutilmente, porém, em vosso caso). Abraços

  4. João,
    Não é verdade que Portugal teve a mais antiga marinha do mundo. A batalha de Salamina foi vencida pela frota grega no século IV AC. As frotas dos fenícios e dos cartagineses dominaram a navegação no Mediterraneo também antes de Cristo. E se for para falar em escala ainda maior, as frotas vikings dominaram o Mar do Norte e chegaram às Americas muito antes dos portugueses e espanhóis. Abraço do Celso Ming

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