Estilo imperial do ministro Ricardo Salles derruba mais um

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Adalberto Eberhard, Presidente do ICMBio,  entrega o chapéu ao ministro Ricardo Salles, ‘O Imperial’

Não durou muito, pouco mais de 100 dias, para um dos tripés do meio ambiente no Brasil, o ambientalista Adalberto Eberhard entregar o chapéu. Durante o último fim de semana, Eberhard, Presidente do ICMBio,  e o ministro Ricardo Salles estiveram num evento, no Rio Grande do Sul. Ali, na presença dos ruralistas da plateia, Salles pirou outra vez.

imagem de Adalberto Eberhard e Ricardo Salles
À esquerda, Adalberto Eberhard, à direta, o neófito Sr. ministro Ricardo Salles. Ricardo Salles. Imagem, Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil (17/01/2019).

A inominável arrogância do ministro Ricardo Salles

Tal qual um Cesar, que pensa que é, o neófito ministro estava num evento em Tavares, Rio Grande do Sul, onde fica uma das joias (abandonadas pelo MMA), o especialíssimo Parque Nacional da Lagoa do Peixe. Ali, na presença de um auditório majoritariamente formado por ruralistas, e pessoas contrárias ao parque, Ricardo Salles elevou o tom de voz, estufou o peito, e soltou…

Gostaria que os servidores do ICMBio viessem aqui participar conosco. Não tem nenhum funcionário? Na presença do ministro do Meio Ambiente e do presidente do ICMBio, não há nenhum funcionário aqui, embora tenham nos esperado lá em Mostardas. Determino a abertura de processo administrativo disciplinar contra todos os funcionários

Aplaudido, inflou-se ainda mais, e relinchou:

O momento da perseguição às pessoas de bem nesse país acabou. Foi com a eleição do nosso presidente, Jair Bolsonaro (PSL). Com o restabelecimento da segurança jurídica, do devido processo legal e do respeito a quem produz e trabalha é que vamos recolocar o Brasil no caminho certo

É possível?

Antes, o ‘Kaiser’ do MMA, impôs a censura aos funcionários do Ibama e ICMBio. Agora, o ministro Ricardo Salles  quer punir os funcionários (do ICMBIo) que não foram convidados, e por isso não compareceram ao evento em que sua majestade imperial iria discursar. Ah, não vieram? Pois vão ver!, disse o neófito. E ameaçou-os com processos administrativos. Vindo de um ministro, cujo presidente se dá ao luxo de brecar a Petrobras causando-lhe perda de R$ 32 bilhões em valor de mercado, já era de se esperar.

A demissão do Presidente do ICMBio

Nesta segunda-feira Adalberto entregou a carta. “Por motivos pessoais, venho solicitar a minha exoneração do cargo de presidente deste instituto. Agradeço a oportunidade e toda a confiança em mim depositada. Assinou- a, o ambientalista Adalberto Eberhard; por 100 dias Presidente do ICMBio.

Não foi surpresa para o Mar Sem Fim

Não me surpreendi. Não conheço Adalberto pessoalmente, mas temos amigos em comum. Conheço, e sempre elogiei, a obra dele. Quando Salles anunciou sua equipe original, com José Truda Palazzo Jr. na Secretaria de Biodiversidade, e Adalberto como Presidente do ICMBio, escrevi o post Ministério do Meio Ambiente escolhe a equipe dos sonhos! Ele demonstra nosso profundo respeito por ambos. Mas a felicidade não durou muito. Dias depois do anúncio, Truda foi dispensado por Salles, que usou uma ‘desculpa esfarrapada’ para tentar justificá-la. Menos de dois meses depois, Adalberto decide que é hora de sair. Merece o meu aplauso. Apesar de tê-lo criticado fortemente quando dispensou funcionários que denunciavam pressão externa em suas áreas, sei que Adalberto é um profundo conhecedor de sua matéria, ao contrário do Sr. Salles, que é nulo. Não nos esqueçamos que o ministro jamais teve curiosidade em conhecer sequer a Amazônia!

A plateia do evento em Tavares

Tavares é um município que fica no litoral médio do Rio Grande do Sul, um dos três que tiveram suas terras desapropriadas (os outros dois são Mostardas e São José do Norte), em 1986, para a criação do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, mais uma unidade de conservação federal marinha que não funciona. É lá que estava o ministro e o presidente do ICMBio quando aconteceu o bafafá. Salles deveria conhecer esta maravilha que está protegida apenas no papel, como venho denunciando desde 2007. Mais recentemente, em 2014, estivemos mais uma vez no PARNA, desta vez para um programa exclusivo sobre o parque, e novamente denunciamos o que o ministro acabou não vendo por ‘falta de tempo na agenda’…ele preferiu discursar à la Cesar. Mais uma vez, perdeu a oportunidade de enxergar a realidade das UCs federais marinhas. Na verdade, ele pouco se importa com elas. Como já dissemos em outro post, o ‘chefinho imita o chefão‘, Salles segue célere no desmonte da conservação no País, a mando do Presidente que desde sempre quis acabar  com o MMA.

Por que a plateia de Tavares é contrária ao Parque Nacional da Lagoa do Peixe

Estive na região diversas vezes, entrevistei os prefeitos dos  municípios, além de comerciantes, pescadores, etc. A grande maioria é  contrária ao parque, com razão. Perderam suas áreas, e não ganharam nada. A União simplesmente não pagou as indenizações apesar dos mais de 20 anos do Parque. Por isso ele ‘está no papel’, não protege o que deveria. Porque para compensar, aqueles que não foram indenizados têm o direito de continuar com suas práticas dentro da área protegida. Estas práticas incluem a pesca (!), a agricultura, e a silvicultura (pinus elliott). Por outro lado, como o parque jamais funcionou pra valer, a maioria da população sequer sabe de sua existência. Ou seja, o turismo de observação, atividade que mais cresce no mundo, nunca pode mostrar aos nativos sua capacidade de gerar emprego e renda. Os nativos da região, em razão desta aberração, ficaram parados no tempo, a ver navios… Até que sua majestade imperial chegou, e rolou o quiprocó da saída do Presidente do ICMBio.

Antes de terminar, um lembrete

O Estadão ainda lembra que o Capitão deu outra canelada: “O presidente Jair Bolsonaro admitiu, em vídeo divulgado na internet, ter determinado a proibição de queima de veículos usados na exploração ilegal de madeira, procedimento previsto na legislação ambiental.”

Museu de História Natural de New York: Jair Bolsonaro é barrado no baile

Como contei neste espaço, depois de um post crítico o ministro Ricardo Salles entrou em contato comigo para dar sua versão dos fatos. Aproveitou, e convidou este escriba para ocupar o lugar originalmente oferecido a José Truda Palazzo Jr., Secretário de Biodiversidade. Não aceitei por motivos de saúde, e por considerar que colaboro mais aqui, na minha trincheira. Alguns leitores perguntaram o porquê da recusa. A resposta aí está. Além da saúde abalada em razão de um câncer, eu sabia que se aceitasse não duraria um mês, afinal o neófito conseguiu ser ministro pelo simples fato de nada conhecer a respeito da matéria, mas da disposição que demonstra de acabar com a conservação no Brasil. A prova ultrapassou nossas fronteiras. Ainda hoje os jornais trazem matéria sobre o Museu de História Natural de New York que se recusou a receber o Capitão no jantar de gala que sediaria a cerimônia de premiação do presidente como “Pessoa do Ano.”. O Museu publicou em suas redes sociais:

Com respeito mútuo pelo trabalho e pelos objetivos de nossas organizações individuais, concordamos em conjunto que o Museu não é o local ideal para o jantar de gala da Câmara de Comércio Brasil – EUA. Este evento tradicional terá lugar em outro local na data e hora originais.

O Museu de História Natural de New York tomou a inusitada decisão porque sabe que a (des) administração Bolsonaro não quer outra coisa se não desmontar o Ministério de Meio Ambiente, por anos protagonista internacional na causa ambiental. Mais uma baixaria internacional do tuiteiro maluco.

Ministério do Meio Ambiente em frangalhos

Não basta a Petrobras. Bolsonaro faz questão de meter o bedelho onde não é chamado, não conhece, nem tem o direito mesmo como presidente. Ninguém pode passar por cima da Lei. Ela foi criada para desencorajar os madeireiros. O mesmo acontece no tráfico de drogas, quando os equipamentos apreendidos, até helicópteros, passam sua propriedade para a União. É Lei. Lei que o despreparado presidente não tem o direto de ‘mandar’ não cumprir. Já basta o estrago na Petrobras. Enquanto as baixarias se sucedem em velocidade recorde, a reforma da Previdência permanece onde está. Parada. Reforma da Previdência? Ora…

A administração Bolsonaro não precisa de inimigos. Ela se basta.

Assista ao vídeo e acredite se quiser

Fontes:  https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,presidente-do-icmbio-pede-exoneracao-apos-crise-com-ministro-do-meio-ambien:

Cidades flutuantes sustentáveis serão o nosso futuro?

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30 COMENTÁRIOS

  1. Artigo panfletário, Muito pouco informativo e muito opinativo.
    O artigo mostra o descontentamento do João por ele nao ter sido chamado para ser ministro.
    A Coluna deveria se chamar
    “mar sem fim de saudade da turma que partiu”

  2. Minha experiência com o ICMBio sempre foi péssima, como indivíduo e empresário, infelizmente a chance de mudança vai se esvaindo. João, você é muito melhor do que essa matéria, tome tendência.

    • Vou com certeza responder com educação , quem é vc mesmo ?

      Ass. Um Admirador deste competente profisional , que traz aqui inumeras historias e informações sobre, mar sem fim , e não a lama sem fim de politicos podres e pessoas ignorantes como vc .
      Vc quem é mesmo ?

      • Maurício Tragliano.
        Isso é um fórum de discussões onde o renome não é necessário. Se vc está aqui para participar dessa oposição patética ao governo Bolsonaro, faça-o ao menos com classe.

  3. A forma grosseira como voce se dirige ao Ministro retira toda e qualquer razão dos comentários. Ricardo Salles é um técnico que entende do que esta fazendo. Acabou o tempo das ONGs picaretas endossadas por técnicos comprometidos com um socialismo de botequim. O Brasil precisa de gente que produza, que construa e estes querem o bem do meio ambiente. Quanto ao fato de Bolsonaro ter sido barrado no Museu de História Natural vejo como um fator positivo em sua biografia. passou a ser cidadão do mundo. Ninguém fecha partas a barangueiros.

  4. os que iniciaram o Estadao devem estar se revirando nos lugares onde estão…verificar que uma materia assinada por seus herdeiros com os dizeres …..”Estilo imperial do ministro Ricardo Salles derruba mais um” ….não é coerente com a tradição democratica desse meio de comunicação..sinto por essa manchete….sinto pelo jornal que aprendia ler diariameante há muitos anos mas que a cada dia se transforma num pasquim…percebo que o caminho será igual ao do grupo abril …à bancarrota…

  5. reclama do ministro e usa termos como relinchar, etc, percebe-se que o colunista gosta mesmo é do tipo de discurso que era proferido pelo bebum preso lá em Curitica e seus comenrários do tipo grelo duro…

    • Prezado, se Bolsonaro afirma na Câmara e em entrevista ao jornal “Zero Hora”, que a deputada Maria do Rosário (PT-RS) ‘não merecia ser estuprada porque ele a considera “muito feia” e porque ela não faz seu tipo’, porque cargas d’água não posso usar ‘relinchar’?.

  6. o nome justifica o cargo lara mesquita? muito enviesado seu papo, parabéns ricardo salles, continue assim, ontem gostei muito quando voce detonou um jornalistazinho da g.news. seja sempre assertivo, responda no tom da pergunta e na intenção sa fa da do perguntador.

  7. É por textos como esses que, infelizmente, deixei de ler o jornal que sempre fez parte da minha vida. Além de ser um texto pouco profissional na escolha da linguagem, dá guarida a todo um grupo de militantes que em nada se alinham aos valores que esse jornal defendeu durante seus áureos tempos. O Estadão nunca foi, em seus tempos de valentia e coesão ideológica (o jornal hoje parece ser vários “jornais” que não se comunicam), defensor de militantes xiitas ambientalistas que se estabeleceram em todos os órgãos governamentais e mais se preocupam com seus cargos do que com um política ambiental para o país. Se é para fazer uma crítica séria ao trabalho do ministro, que então se faça, mostrando quais ações ou omissões foram tomadas e quais as consequencias reais para a política ambiental. Focar toda a crítica no estilo do ministro e na defesa de cargos e pessoas soa como militância de nível colegial. Lamentável essa coluna ter ainda tanto espaço e ainda ser coordenada por um Mesquita. Lamentável.

    • Seu comentario elitista e rebuscado mostra o quanto vc é um baba ovo de retardados. Qual a sua formação para interpretar ou opinar sobre questões ambientais e legais/jurídicas? Lamentável é ler comentarios vazios e sem o mínimo conteúdo técnico como o seu. Matérias mostrando desmandos e desmanches no Sistema Ambiental Brasileiro a despeito de interesses psedodesenvolvimentistas como o pregado pelo acéfalo mandatário federal sao anunciadas aos 4 ventos todos os dias, não só nesse jornal. Não se atenha realmente a informar-se somente em uma fonte de noticia. Leia mais e saberá o sombrio abismo que o meio ambiente nacional se meteu com a eleição dessa corja de milicianos despreparados e seus capangas que se sentem “Cesares”.

  8. Desolador isso. O que assisti foi loucura coletiva, aplaudir um ser que deseja arrasar com o bem de todos, gerações presentes e futuras. Parece que há um grande prazer em destruir o que já é difícil de se manter. Acorda presidente, seu ministro nomeado é um péssimo exemplo ao povo.

    • Revendo esse vídeo da fala do ministro, penso que os aplausos efusivos da plateia, tem um ar de coisa ensaiada, combinada longe de ser a tal de loucura coletiva.

  9. Não votei na Besta, era evidente que saltar de um extremo político ao outro não era a saída. Nos resta a resistência, onde e quando possível, buscando evitar confrontos inúteis com os radicais de todos os matizes.
    Mar Sem Fim é um baluarte, em ponto de resistência, mas temos que nos organizar em núcleos institucionais, jurídicos e acadêmicos para frear a sanha destruidora onde for possível.
    Idéias? …..

    • …..pois eu votei em corruptos e me arrependi……. Mar Sem Fim era bom quando não assumia essa postura neurastênica, e sim, absolutista, com donos da verdade. Nos governos do PT, usando da demagogia barata, criaram um monte de unidades de conservação sem dar os meios e a infraestrutura para sua implantação e proteção efetivas……. Por outro lado, …..não me lembro do Mar sem Fim ter criticado um dos projetos mais absurdos como o da transposição do Rio São Francisco, o qual, em razão do assoreamento e da destruição das matas ciliares no Rio e de seus afluentes, não tem caudal e está morrendo lentamente, …..projeto esse que consumiu e consome bilhões de reais jogados no ralo………. A coluna se tornou parcial, e se transformou num folhetim da esquerda caviar

  10. Esse Salles não vai durar muito como ministro. Ele deve ser julgado em segunda instancia ainda esse ano, por ter fraudado mapas de manejo em areas ambientais, quando era Secretário do Meio Ambiente de São Paulo uns anos atras. De qualquer forma, alguém que colocou o Salles como ministro, só mostra de como é mal intencionado Bolsonaro com o meio ambiente. Nos dois primeiros meses do mandato dele como ministro, ele não encontrou ninguém do setor do meio ambiente. Ele apenas teve encontros agendadas com pessoas da indústria. Tem horas que pensei que ele era Ministro da Industria e Comercio e não do Meio Ambiente.

    O Mar sem Fim esqueceu de fazer uma biografia da Secretaria Executiva do Ministério do Meio Ambiente, Essa posição é o segundo em comando do MMA. A mulher é gaucha e tem uma ficha criminal tão extensa quanto Salles e condenações por improbidade administrativas, quando trabalhava no setor do meio ambiente do governo gaucho, uns anos atras. Bolsotonto tb indicou ela. Se Salles sair do cargo, provavelmente ela vai ocupar o lugar dele. Ou, o presidente do IBAMA, que já foi advogado do IBAMA, será o novo ministro do MMA. O Brasil ainda verá o apocalipse do meio ambiente no governo Bolsonaro. A Amazonia e outras partes do país serão terra arrassada no final desse governo. Qualquer pessoa com um pouco de bom senso e conhecimento sobre as ideas atrassadas de Bolsonaro sobre o meio ambiente, sabe disso.

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