COP 15, a cúpula esquecida da biodiversidade

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COP 15, a cúpula esquecida da biodiversidade

Embora o último relatório do IPCC tenha sido dramático, persiste uma certa apatia sobre questões derivadas do  aquecimento. E desta vez não apenas abaixo da linha do Equador como quase sempre. A COP 15 deve acontecer em outubro deste ano na cidade chinesa de Kunming. Mas um dos ícones do jornalismo mundial, o Financial Times, diz que ‘o fato de que muitos países estão levando a COP 15  ainda menos a sério do que a COP 26 é um problema’. Fizemos uma curadoria na rede para descobrirmos o que a imprensa diz sobre a conferência. E não encontramos quase nada, como se verá.

Imagem alusiva à COP 15

COP 15, a cúpula esquecida do clima: o que é

COP15 é a abreviação da 15ª reunião da “conferência das partes” da Convenção sobre Diversidade Biológica – tratado adotado na Cúpula da Terra de 1992, no Rio de Janeiro.

Tem muito em comum com a COP26, a 26ª reunião das partes de outro tratado do Rio, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

A COP 26 deve proteger o clima global. A outra cúpula tem a tarefa igualmente vital de conservar a vida natural para que possa ser usada de maneira sustentável e justa.

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Ambas foram originalmente definidas para 2020, mas a pandemia atrasou a COP 26 uma vez e a COP 15 duas vezes.

Um terceiro atraso é esperado para Kunming, onde os delegados devem negociar um acordo que, conforme redigido atualmente, visa proteger e conservar pelo menos 30 por cento das terras e mares do mundo até 2030.

A importância da COP 15 para o Brasil, o mais biodiverso País do mundo

O site da FAPESP lembra a importância da COP 15 para o Brasil: ‘Convenção da Diversidade Biológica (CDB) é um tratado internacional multilateral que se dedica à proteção e ao uso sustentável da biodiversidade, e o Brasil é um protagonista importante por ser detentor da maior diversidade biológica do planeta‘.

Mesmo o Brasil sendo um protagonista importante não há matérias da grande imprensa sobre o assunto. Zero.

Há informações pontuais em sites de autarquias, de algumas poucas ONGs, e um debate promovido pela Frente Parlamentar Ambientalista. E isso é praticamente tudo o que há em português (do Brasil) na rede.

Recorremos ao Financial Times para escrever o que segue abaixo.

Redução de pesticidas, desperdício de alimentos e descarte de plástico

‘A COP 15 também reduziria o uso de pesticidas em pelo menos dois terços, reduziria pela metade o desperdício de alimentos e eliminaria o descarte de resíduos plásticos – em teoria. Na prática, o mundo tem uma história abjeta de falhas em proteger a natureza’.

1 milhão de espécies de animais e plantas ameaçadas de extinção

O FT chama a atenção para o fato de que ‘florestas arrasadas, mares superexplorados, rios poluídos e muito mais deixaram cerca de 1 milhão de espécies de animais e plantas ameaçadas de extinção. Esse declínio de biodiversidade é sem precedentes na história humana e está se acelerando’.

Mas até mesmo pesquisando na língua inglesa foi difícil achar matérias dos gigantes da imprensa mundial. O Financial Times foi certeiro ao dizer que esta importante cúpula está sendo quase ignorada por todos.

Uma das exceções foi a Fundação Reuters.

‘COP 15 será igualmente crítica’

A matéria da Reuters pergunta: ‘A esta altura você provavelmente já ouviu falar da COP 26, remarcada para novembro em Glasgow depois de ter sido atrasada um ano pela pandemia do coronavírus’.

Mas outra grande “Convenção das Partes” (COP) começa um mês antes – uma que é muito menos comentada, mas também extremamente importante. Assim é a COP 15: a cúpula da ONU sobre biodiversidade que começará online em outubro e terminará em maio na cidade de Kunming, no sul da China’.

‘Perdas de ecossistemas cruciais como florestas tropicais e pântanos, bem como espécies animais, aceleraram mesmo enquanto governos, empresas, financiadores e grupos de conservação buscam maneiras eficazes de proteger e restaurar mais terras e mares da Terra’.

‘Então, o que é a COP 15 e o que ela espera alcançar?’

A Reuters explica:

‘Originalmente assinada na Cúpula da Terra do Rio em 1992 e posteriormente ratificada por cerca de 195 países, não incluindo os Estados Unidos, foi projetada para proteger a diversidade de espécies vegetais e animais e garantir que os recursos naturais sejam usados ​​de forma sustentável’.

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‘Ela também visa alcançar uma “repartição justa e equitativa” dos benefícios do material genético natural, usado em tudo, desde medicamentos a novas espécies de culturas’.

‘Na prática, isso significa garantir que as comunidades indígenas e os países com riquezas biológicas se beneficiem de seu uso’.

Por que proteger melhor a natureza é tão importante?

Em todo o mundo, as florestas e outros ecossistemas naturais estão sendo rapidamente destruídos, muitas vezes para expandir a agricultura e a produção de commodities como óleo de palma, soja e carne, à medida que a população mundial cresce.

Mas as pessoas dependem da natureza, dos oceanos às regiões selvagens, para fornecer ar e água limpos – e para regular as chuvas, que são vitais para o cultivo de alimentos. Se muitos ecossistemas desaparecerem, seus serviços básicos de suporte à vida podem falhar, alertam os cientistas.

Como as plantas absorvem o dióxido de carbono que aquece o planeta, proteger melhor ou expandir as áreas naturais também é uma das maneiras mais baratas e eficazes de desacelerar a mudança climática.

O que a COP 15 pretende fazer?

‘Espera-se que cerca de 195 países finalizem um novo acordo para  deter e reverter as perdas de plantas, animais e ecossistemas do planeta nas duas partes da cúpula da ONU COP 15’.

‘A cúpula espera definir metas de longo prazo para meados do século e metas de curto prazo para 2030 e, crucialmente, pressionar para que sejam incluídas nas políticas nacionais’.

‘Isso não aconteceu com as metas globais anteriores para reduzir a perda de biodiversidade’.

Quem está liderando a COP 15?

‘Os países que buscam uma maior ambição na proteção da natureza incluem Canadá, União Europeia, Costa Rica, Colômbia e Grã-Bretanha, de acordo com Georgina Chandler, especialista em política internacional da Sociedade Real para a Proteção de Aves (RSPB), sediada no Reino Unido’.

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‘Mas a grande parte desses campeões está focada em aspectos específicos do acordo, e não no acordo geral, disse ela’.

‘Enquanto isso, Brasil e Argentina são vistos como os “retardatários”, disse Li, do Greenpeace, com ambos preocupados com a possibilidade de que regras mais rígidas afetem sua expansão agrícola e suas economias’.

O que precisa sair da reunião?

‘Não apenas metas claras para aumentar a proteção da natureza são necessárias, mas também compromissos financeiros para ajudar os países em desenvolvimento ricos em natureza a alcançá-las, e maneiras claras de comparar e medir os esforços de diferentes países, disseram líderes políticos e analistas.

O texto preliminar do pacto pela natureza inclui uma promessa básica de proteger pelo menos 30% das terras e oceanos do planeta até 2030.

Metas também podem ser estabelecidas  para eliminar subsídios agrícolas (entre 2017 e 2019, os governos  forneceram mais de  US$ 500 bilhões por ano apenas em subsídios agrícolas, o que distorceu os mercados e prejudicou o meio ambiente, disse a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico em 2020); da pesca,  e extração de madeira prejudicial, e redirecionar esse dinheiro para beneficiar a natureza, uma forma adicional de levantar o montante necessário.

O custo para reverter o declínio da biodiversidade: US$ 711 bilhões por ano até 2030

Voltamos ao Financial Times para comentar os custos até agora apurados. ‘Reverter o declínio da biodiversidade requer uma média de US$ 711 bilhões por ano até 2030, de acordo com um grupo de estudos criado pelo ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Hank Paulson’.

‘Se isso parece caro’, diz o FT, ‘tenha em mente os estudos que mostram que US$ 44 trilhões do produto interno bruto global, ou cerca de metade, dependem um pouco, ou muito, da natureza. Se as abelhas, borboletas e outros polinizadores do mundo fossem eliminados, isso levaria a uma queda estimada na produção agrícola anual de cerca de US$ 217 bilhões’.

ONU: ‘a biodiversidade está em colapso, nós somos os perdedores’

Para encerrar, a palavra do secretário-geral da ONU, Antonio Guterrez: “A biodiversidade está entrando em colapso – e nós somos os perdedores”, disse, em um discurso, observando que uma maior destruição aumentaria o risco de novas pandemias emergentes, restringiria o acesso a medicamentos e alimentos e prejudicaria a capacidade de evitar perigos como o aumento da temperatura.

Guterrez pediu uma nova estrutura de biodiversidade global ambiciosa que inspirasse ações de governos, empresas e cidadãos.

“Precisamos que todos ajam com o entendimento de que proteger a natureza criará um mundo mais justo, saudável e sustentável”, enfatizou.

Fontes: https://news.trust.org/item/20210616131101-kf2j0/; https://www.ft.com/content/1f00c08f-50cd-4f8d-9aed-7c3264a9623b?fbclid=IwAR2vrvgiLKC2RYTiVOZ6M6e8whlumv-z_y_dTKqkCLKd6Mzxqw17-y34DvU; https://fapesp.br/eventos/cop15; https://cfbio.gov.br/2021/05/18/frente-parlamentar-ambientalista-realiza-evento-sobre-cop-15-da-biodiversidade/.

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Comentários

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  1. EM INGLÊS UMA BOA FRASE QUE SINTETIZA TUDO: “EXPERINCE IS THE BEST TEACHER”. AGORA APRENDER É DE LIVRE ARBÍTRIO SE BEM OS MAUS ALUNOS SEMPRE CULPAM/CULPARAM AOS PROFESSORES. ENQUANTO ISTO O AQUECIMENTO CONTINUA.

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