Aquecimento global, causas, efeitos, e consequências

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Aquecimento global, causas, efeitos, consequências e solução

A expressão aquecimento global é usada para designar o aumento da temperatura média global no planeta, observado desde o período pré-industrial (entre 1850 e 1900) e atribuído às atividades humanas.

Desde o período pré-industrial, estima-se que as atividades humanas aumentaram a temperatura média global da Terra em cerca de 1 grau Celsius, um número que atualmente  aumenta em 0,2 graus Celsius por década.

Ilustração referente ao aquecimento global
Ilustração, Shutterstock.

O planeta Terra sempre teve ciclos de avanço e recuo da temperatura. O site da NASA explica que ‘nos últimos 650.000 anos ocorreram sete ciclos de avanço e recuo glacial, em razão de pequenas variações da órbita da Terra que alteraram a quantidade de energia solar que o planeta recebe’.

‘O último destes ciclos, conhecido como  ‘era do gelo’, acabou há cerca de 11.700 anos, e marcou o início da era do clima moderno – e da civilização humana’.

Aquecimento global, tendência atual

Há dois fatores que justificam a preocupação com a tendência do aquecimento. O primeiro é a rapidez da elevação atual da temperatura.

O segundo fator é que, segundo os cientistas, há mais de 95% de probabilidade desta alta ser o resultado da atividade humana, principalmente a queima de combustível fóssil desde meados do século 20 e avançando a uma taxa sem precedentes.

De acordo com o livro de Bill Gates, Como Evitar Um desastre Climático, ‘só em petróleo o mundo consome mais de 4 bilhões de galões diários’.

Infográfico mostra quantidade de dióxido de carbono na atmosfera
Nunca houve tanto CO2 na atmosfera como hoje.

Isso aumenta os níveis de gases de efeito estufa que retêm o calor na atmosfera da Terra.

O efeito estufa, entenda como acontece

Para compreender as causas do aquecimento global é preciso entender como acontece o efeito estufa. A atmosfera é formada por diversos gases de efeito estufa (GEE), como o dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), gás nitroso (NO2), vapor d’água, e clorofluorcarbonetos (CFCs).

Estes gases formam uma barreira que permite a passagem da radiação solar mas, ao mesmo tempo, ‘aprisionam’ parte do calor do Sol em nossa atmosfera. Ao reter o calor estes gases acabam por tornar a temperatura média global mais alta, provocando o aquecimento da Terra.

O fenômeno natural é importante para a vida. Não fosse ele a temperatura do planeta seria muito baixa, em torno de -18ºC, o que impediria o surgimento de muitas formas de vida. O efeito estufa ganhou este nome porque seu mecanismo é o mesmo de uma estufa para plantas.

Infográfico mostra o efeito estufa no planeta
Ilustração, Shutterstock.

Uma estufa permite que a luz entre, mas impede a passagem de ondas de calor, o que faz com ela permaneça aquecida mesmo se a temperatura externa for baixa.

Outro exemplo comum é o que acontece com um automóvel com vidros fechados exposto ao sol. Você já deve ter percebido que isso produz um grande aumento da temperatura dentro do veículo.

Isto acontece porque os vidros impedem a passagem das ondas de calor. Se você entrar neste carro e não abrir os vidros sentirá um grande desconforto. É isso que acontece na Terra com o aquecimento global.

As consequências do aquecimento global

As consequências do aquecimento do planeta são devastadoras. Para começar, derretem geleiras e os polos, fazendo com que mais água corra para os oceanos.

Gráfico da NASA mostra o gelo do Ártico em 1979
A calota do Ártico em 1979 ….e abaixo em 2020.

O site da NASA tem quatro gráficos móveis que mostram o aumento do nível do mar; o nível do gelo nos polos entre 1979 e 2020; as emissões de dióxido de carbono entre 2002 e 2016; e finalmente um sobre a temperatura global entre os anos de 1884 até 2020. É impressionante. Para ver os gráficos da NASA clique aqui.

Imagem da calota polar do Ártico em 2020
…e bem menor em 2020.

Nos últimos tempos a temperatura está aumentando tanto na Antártica, como no Ártico onde, a Groenlândia parece ter atingido o ponto de inflexão.

Alteração no eixo da Terra

Este ‘derretimento’ das calotas polares foi tão forte que alterou até o eixo do planeta. É fácil entender.

infográfico mostra alteração no óxido da terra em razão do aquecimento global

O giro do planeta em seu eixo é determinado, em parte, pela distribuição de peso ao redor do globo, da mesma forma que o giro de um pião é determinado por sua forma.

O derretimento das calotas polares alterou a distribuição de peso ao redor do globo e, em consequência, alterou o eixo da Terra.

Aumento do nível do mar

Com o derretimento de geleiras, e das calotas polares, aumenta o nível médio do mar ameaçando os países insulares, e os litorais do planeta onde vivem mais de 60% da população mundial.

infográfico mostra aumento do nível do mar
Aumento do nível do mar nos últimos anos. A fonte é a NASA.

Perigo para nações insulares

Mais de uma dezenas de ilhas desapareceram do mapa até este início do século 21. Pior: países insulares como Kiribati, ou as ilhas Fíji, no Pacífico, estão afundando. E seus habitantes não têm para onde ir.

O litoral do Brasil ameaçado

No Brasil a situação é grave se levarmos em conta que entre os 17 municípios brasileiros com mais de 1 milhão de habitantes, oito estão diretamente ligados ao oceano ou estão no interior de baías.

Além de consequências óbvias como o êxodo litorâneo, também haveria a perda de infraestrutura nas regiões diretamente afetadas pela erosão que já toma grande parte do litoral,  e possível desabrigo de milhões de pessoas, provocando prejuízos enormes.

Aumento no nível médio do mar e consequências ambientais: menos água doce

Atualmente, já existem até previsões de guerras no futuro em razão da falta de água doce. E esta é apenas uma das consequências do aumento do nível do mar.

Este aumento de nível poderá resultar em inundações de regiões costeiras causadas pela infiltração da água do mar no lençol freático que acabariam “empurrando” a água doce armazenada para a superfície.

No caso do Brasil isto pode significar danos aos ecossistemas como restingas, manguezais e a maior parte do remanescente da mata atlântica, entre outros.

Os eventos extremos

A Organização Metereológica Mundial, OMM, diz que a mudança climática aumenta a frequência dos eventos extremos especialmente secas, ondas de calor, enchentes, etc.

O incêndio que consumiu um quarto do Pantanal em 2020 foi favorecido pela pior seca em 60 anos na região. Os mesmos incêndios sem precedentes foram registrados na Califórnia e Austrália neste mesmo ano e pelo mesmo motivo. No hemisfério Norte a força, frequência, e rastro de destruição de furacões também aumenta.

Estes problemas geram perdas agrícolas, desabastecimento, impactos na saúde pública, no transporte e na infraestrutura e, sobretudo, prejuízos  bilionários.

Durante o último, e até agora mais forte episódio do El Niño, em 2015 – 2016, a Organização Mundial da Saúde alertou que “o fenômeno ameaçava  60 milhões de pessoas em países em desenvolvimento.”

De acordo com estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Valorando tempestades- Custo econômico dos eventos climáticos extremos no Brasil nos anos de 2002- 2012, o prejuízo variou entre R$ 180 a R$ 350 bilhão de reais.

Aquecimento global aumenta a temperatura dos oceanos

Em escala global o aumento da temperatura na Terra está aumentando também a temperatura dos oceanos. Isto provoca graves problemas.

Por um lado os oceanos são o maior sumidouro de gases de efeito estufa. Um estudo publicado na revista Science, em 2019, diz que  ‘os oceanos absorvem 1/3 de todas as emissões globais de dióxido de carbono’.

E explica:  ‘Entre 1994 e 2007, os oceanos absorveram 34 gigatoneladas de dióxido de carbono, ou 31 por cento do que os humanos colocaram na atmosfera durante esse tempo’.

Com o excesso de carbono as águas dos oceanos, antes alcalinas, ficaram mais ácidas. E isto é fatal para a vida marinha. Põe em risco o mais importante ecossistema, os recifes de corais.

Um estudo recente mostra que o aumento da temperatura ao redor do equador está afastando a vida marinha nesta parte do globo, o que pode ser fatal. Há quem diga que a sexta extinção em massa já começou.

O ser humano, espécie hegemônica

É oportuno lembrar que nunca na história do planeta, de 4,5 bilhão de anos, uma espécie foi tão hegemônica. Somos quase oito bilhões de pessoas. Segundo a ONU, a população mundial dobrou nos últimos 40 anos, e deve chegar aos 11 bilhões em 2100.

O diacho é que apenas 30% da área da Terra é ‘habitável’, o resto é mar. E é neste exíguo espaço, que mostra sinais diários de acelerada perda de biodiversidade, que habita a superpopulação mundial.

 Para piorar, somos uma espécie predadora. Como diz o cientista Carlos Nobre,

Nunca, em toda a história da vida na Terra, uma espécie alterou tanto o planeta, e em uma escala tão rápida, quanto a humanidade. Mudamos os cursos de rios, alteramos a composição química da atmosfera e dos oceanos, domesticamos plantas e animais, a ponto de sermos considerados uma “força tectônica” no planeta. Esse impacto é tão forte que alguns cientistas estão propondo mudar a época geológica – deixaríamos o holoceno, que começou com o fim da era do gelo, e passaríamos ao antropoceno, a época dominada pelo homem.

As soluções para o aquecimento global

Elas existem, mas dependem do esforço de todas as nações, e de todos os inquilinos do planeta. É a procura da sustentabilidade em todos os nossos atos cotidianos, aliado ao corte de emissões pelos países membros da ONU. Por ano são 51 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente.

A rápida perda da biodiversidade global em razão do aquecimento é apenas a ponta do iceberg caso não façamos nada. A ciência aí está para nos ajudar a encontrar soluções. Por ora, o melhor que temos é uma grande disposição dos países em aumentarem suas metas de cortes de emissões decididas no Acordo de Paris.

O processo, liderado por Joe Biden, já começou. A Agenda Verde avança. Mas não espere apenas os governos agirem. Cada cidadão precisa, e pode, fazer sua parte: use menos o automóvel particular, peça e dê carona; ao trocar seu carro, se for o caso, dê preferência ao automóvel flex e faça uma pesquisa sobre os mais econômicos.

Você pode adotar a mesma atitude ao ter que trocar algum eletrodoméstico, pesquise e prefira aqueles mais amigáveis ao meio ambiente, que gastam menos energia.

Em sua residência seja avarento com o gasto de energia e água, além de separar o lixo. E, mais importante, instale painéis solares em sua casa, ou proponha aos condôminos de seu prédio. Os custos baixaram, em pouco tempo a economia de energia pagará a despesa.

Com estas atitudes simples você estará fazendo a sua parte.

Assista ao vídeo da ONU e saiba mais

Imagem de abertura: Shutterstock

Fontes: https://climate.nasa.gov/evidence/; https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/biologia/efeito-estufa; https://www.weforum.org/agenda/2019/03/oceans-do-us-a-huge-service-by-absorbing-nearly-a-third-of-global-co2-emissions-but-at-what-cost; https://www.pnas.org/content/118/15/e2015094118.

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