El Niño, La Niña – esquentam e esfriam o Pacífico, e daí?

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Daí que El Niño, La Niña, brincam com o Pacífico, criam caos no clima, e prejuízos no mundo inteiro

O El Niño é  um fenômeno meteorológico que provoca o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na região equatorial. O fenômeno tem duas fases: uma quente, El Niño, outra fria, La Niña. Esse esquentamento da enorme área do Pacífico causa mudanças nas correntes atmosféricas, o que afeta o clima global. Secas e enchentes pipocam em vários locais do globo.

Frequência e características do El Niño

O fenômeno ocorre irregularmente em intervalos de 2 a 7 anos, e se caracteriza pela diminuição da potência dos ventos alísios (provocados pela rotação da Terra. Como a rotação ocorre no sentido Oeste-Leste, os ventos em contato com o planeta sofrem um atrito. Isso faz com que  soprem no sentido contrário, de Leste para Oeste) que sopram na faixa equatorial do planeta. A temperatura da água na superfície da América do Sul esquenta, porque há menos ressurgência da água fria por baixo para resfriar a superfície. Quando La Niña ocorre, acontece o inverso. O nome, El Niño, foi dado por pescadores peruanos, no século 19. Eles notaram que em alguns anos, nos meses de novembro e dezembro época do Natal, a quantidade de pescado diminuía drasticamente. O nome é uma referência ao menino Jesus.

O vídeo abaixo, da AFP, resume o que procuram explicar acima:

O que desencadeia o El Niño, La Niña?

Os cientistas ainda não entendem em detalhes o que desencadeia um ciclo de El Niño. O que se sabe é que nem todos os El Niños são iguais, nem a atmosfera e o oceano seguem sempre os mesmos padrões de um El Niño para outro. Vários cientistas acreditam que a interferência humana na atmosfera tem culpa nessa alteração. Outra teoria, recentemente anunciada, afirma que o aquecimento das águas do Pacífico é causado pelo calor do magma vulcânico liberado no fundo desse oceano.

ilustração mostrando el niño, la Niña
Ilustração: www.gazetadopovo.com.br

Consequências do El Niño no mundo

A maioria perde, mas tem quem ganhe com o fenômeno do El Niño. As consequências, para quase 200 países diferentes, são complexas. Pinçamos, na net, alguns resultados. “Uma pesquisa do Fundo Monetário Internacional tem medido os impactos macroeconômicos de El Niño no período 1979-2013: Entre os países mais afetados, direta ou indiretamente, temos a Indonésia, com um impacto negativo de 0,91% do PIB real, quem se beneficia mais é a Tailândia com um aumento de 1,5% do seu PIB.”

imagem de mulher no deserto
Grandes áreas da Etiópia sofrem com a seca, agravada pelo fenômeno El Niño. Na foto, Lule Dubet caminhou 30 quilômetros com seus dez filhos para procurar comida. Ela perdeu 25 cabeças de gado por conta da seca e os últimos dois estão morrendo. Foto: PMA/Melese Awoke

60 milhões de pessoas ameaçadas

Durante o último, e até agora mais forte episódio do El Niño, em 2015 – 2016, a Organização Mundial da Saúde alertou que “o fenômeno ameaçava  60 milhões de pessoas em países em desenvolvimento.” E explicou: “As implicações para a saúde das populações mais vulneráveis serão grandes devido à menor capacidade de reação frente às consequências do El Niño.

Um terceiro diagnóstico informa que “a precipitação recorde atinge com frequência o Peru, o Chile e o Equador durante um ano de El Niño. As capturas de peixe no mar da América do Sul são normalmente mais baixas do que o normal porque a vida marinha migra para o norte e para o sul, procurando águas mais frias.”

Consequências no mercado de ações

Credit Suisse, no entanto, avaliou as implicações para o mercado de ações. Elas são consideradas de forma positiva para os produtores de carvão  na China, alguns utilitários australianos e  canadenses, os produtores de óleo de palma na Ásia, bem como varejistas; há uma forte correlação entre a inflação dos alimentos e os preços das ações neste setor. Entre as empresas cujos lucros poderiam ser impactados negativamente, no entanto, existem produtores de gás natural nos EUA, a indústria de mineração no Chile e Indonésia (níquel) e os produtores de açúcar e etanol do Brasil.

Consequências do El Niño no Brasil

O clima, que já anda ressentido conosco, aquecendo-se e mudando suas características, causando prejuízos difíceis de calcular, pira de vez. Em regiões úmidas, como a Amazônia, a seca entra em cena. Drena rios inteiros, isola comunidades, prejudica a navegação e a economia. Ao mesmo tempo, El Niño provoca temperaturas mais altas no Sudeste, Centro-Oeste, e parte do Nordeste. E mais chuva no Sul. Isso tudo em conjunto prejudica especialmente a agricultura (em 2016, último El Niño que tivemos, “a produção total de cereais, leguminosas e oleaginosas decresceu 11,4% face ao período homólogo”), motor da economia brasileira. Mas, insistimos, também causa enormes prejuízos nas consequências de eventos extremos. A conta, ‘desastres naturais’, é distribuída entre serviços públicos e privados, infraestrutura, habitação, saúde, etc.

Os problemas provocados pelo El Niño no litoral

Sua capacidade de destruir ecossistemas  já comprometidos pela poluição, doenças provocadas pelo aquecimento, e acidificação das águas oceânicas, é brutal. Além disso, como publicou o IBGE, “o Brasil é povoado no litoral e vazio no interior”. Ou seja, quando acontecem no litoral,  os eventos extremos atingem maior número de habitantes. E o custo? Alguém tem que pagar a conta, almoço grátis não existe.

gráfico das perdas econômicas versus o PIB

Os custos dos eventos extremos de 2002 até 2012: de R$ 180 bi até R$ 355 bi

Estudos  que procuram precificar os desastres naturais. Um deles, ‘Valorando tempestades- Custo econômico dos eventos climáticos extremos no Brasil nos anos de 2002- 2012‘, produzido pelo Instituto de Economia da UFRJ, com base no cruzamento de dados do ‘Atlas Brasileiro de Desastres Naturais’.  Os resultados revelam que  a incidência de desastres e o número de vítimas aumentou ao longo do período, e  o valor das perdas é bastante significativo, entre R$ 179,9 e R$ 355,6 bilhões, ou de 0,44% a 0,87% do PIB brasileiro acumulado entre 2002-2012.

gráfico sobre dados humanos e eventos extremos no Brasil

Custo dos eventos extremos nos Estados Unidos

Entre 1980, e 2016 (primeiro semestre), os USA tiveram cerca de 200 eventos extremos, de acordo com o National Center For Environmental Information, órgão ligado à NOAA. Os custos excedem US$ 1 trilhão de dólares!

A última estimativa dos prejuízos provocados por eventos extremos

As estimativas mais recentes foram apresentadas na COP 24, na Polônia, pela Germanwatch que reúne dados climáticos, e socioeconômicos de 181 países. Segundo os alemães, as perdas anuais no Brasil passam de US$ 1,7 bilhão ao ano. Os eventos mais comuns são tempestades e inundações. Nos Estados Unidos, segundo a mesma fonte, só os furacões que atingiram a costa leste em 2017 causaram prejuízos de US$ 200 bilhões!

El Niño 2019, sim, ou não? É provável que sim, 80% de chances, diz a NOAA

O maior fenômeno climático global, El Niño, ganhou página pra chamar de sua no site da NOAA. A agência norte-americana monitora constantemente o ‘travesso Menino’. Entramos para saber como será o ano que vem. As probabilidades são altas, diz a página, “no Hemisfério Norte espera-se que o El Niño se forme e continue através do inverno 2018-19, com 80% de chances, e na primavera, 55% a 60% de chances.

Fontes: https://www.todoestudo.com.br/geografia/el-nino; https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/44524/1/Nino.pdf; https://moneytimes.com.br/fast/chance-de-el-nino-ocorrer-ate-marco-de-2019-e-de-70/; https://sandcarioca.wordpress.com/2015/08/20/o-alarme-de-el-nino-para-a-economia-global/; http://www.cpc.ncep.noaa.gov/products/analysis_monitoring/lanina/enso_evolution-status-fcsts-web.pdf; https://www.livescience.com/3650-el-nino.html; http://www.observatoriodoclima.eco.br/wp-content/uploads/2016/02/ValorandoTempestades-Vfinal.pdf; http://150.162.127.14:8080/atlas/atlas.html; http://www.brasil.gov.br/governo/2013/10/ibge-lanca-mapa-de-densidade-demografica-de-2010.

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