Acidificação do oceano preocupa a alta ciência

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Acidificação do oceano preocupa a alta ciência

A Agência Internacional de Energia Atômica está preocupada com o fenômeno que tende a aumentar se não fizermos nada. A agência publicou matéria em seu site onde alerta que ‘desde o final da década de 1980, 95% da água da superfície do oceano aberto tornou-se mais ácida, um processo conhecido como acidificação do oceano. Com os níveis atmosféricos de dióxido de carbono 50% acima dos níveis pré-industriais, o problema está piorando’.

Imagem de acidificação do oceano
Imagem, /ioc.unesco.org.

Acidificação do oceano preocupa a alta ciência

O problema não é novo, mas agrava-se à medida que continuamos abusando dos combustíveis fósseis entre outros gases de efeito estufa. Estamos plantando uma bomba relógio nos oceanos que vai explodir não em nosso tempo de vida, mas no  das futuras gerações.

Já em 2014 este site alertava que ‘diariamente 22 milhões de toneladas de dióxido de carbono, o  CO2, se misturam com a água dos Oceanos’.

A quantidade de dióxido de carbono que emitimos, dizem os cientistas, comparando com o início da revolução industrial (séculos XVIII e XIX), deve dobrar até o fim deste século. Ou seja, em 2999 serão 44 milhões de toneladas ao dia, se não mudarmos nossos hábitos.

O problema é que  a capacidade dos Oceanos de criar vida está ameaçada por nossa própria ação. A crescente acidificação dos Oceanos pode dizimar a vida marinha numa escala que não ocorria há milhões de anos.

Centenas de organismos marinhos constroem conchas, espécies de armaduras que servem de proteção natural, entre elas certos tipos de algas, os corais, os camarões, as lagostas, caranguejos, um sem-número de outras espécies.

Os pesquisadores explicam que mais CO2 na atmosfera significa que estes organismos marinhos consumirão mais energia para criar sua proteção natural. O esforço extra pode resultar em menos energia para conseguirem seu alimento, ou para o ciclo da reprodução.”

E finaliza: “a velocidade da acidificação pode fazer com que muitos destes seres não tenham tempo para se adaptarem.”

A acidez da água do mar dificulta a formação do carbonato de cálcio que é utilizado por toda uma cadeia de vida marinha, e ainda  pior: pelo mais importante ecossistema marinho, os corais.

Os recifes de coral e a acidificação do oceano

Entre os vários ecossistemas marinhos o mais importante são os recifes de coral. Uma, entre quatro criaturas marinhas, depende dos corais para sobreviver.

O problema é que eles estão morrendo. Sim, corais são animais, e estão desaparecendo devido à acidificação. Corais também usam o cálcio para construírem suas colônias.

A maior colônia de corais do mundo, a Grande Barreira de Corais da Austrália com idade avaliada em 500 mil anos, sofreu sérios eventos de branqueamento em 2002, 2016, 2017 e agora em 2020. A perda massiva de corais está em andamento no mundo inteiro.

No Brasil não foi diferente. O Nordeste abriga a maior faixa de corais do País, com cerca de 3 mil quilômetros. E o branqueamento está feio.

O que mais preocupa os pesquisadores é a rapidez da perda de biodiversidade do planeta. Eventos que antes levavam eras para acontecer, hoje acontecem no espaço de uma vida humana. Vamos lembrar que o planeta tem cerca de 4 bilhões de anos, e que o Homo sapiens surgiu há apenas 250 mil anos.

Mas, apesar de 250 mil anos serem um átimo na história da terra, há quem defenda que já esteja em curso a sexta extinção em massa, provocada por nosso estilo insustentável de viver.

Oceano e dióxido de carbono

A matéria da Agência Internacional de Energia Atômica diz que “o oceano absorve continuamente cerca de um quarto do dióxido de carbono que é emitido para a atmosfera todos os anos.” A agência acredita que, com base de dados consistentes, é possível que a tecnologia nuclear possa mitigar os efeitos da acidificação.

“Embora isso seja muito bom para diminuir os impactos deletérios das mudanças climáticas, também tem um custo elevado, pois a água do mar se torna mais ácida.”

A IAEA apoia países em todo o mundo na utilização de técnicas nucleares para desenvolver uma compreensão baseada na ciência das mudanças no oceano. Em resposta às crescentes preocupações da comunidade científica e dos governos em relação à acidificação dos oceanos, a IAEA estabeleceu o Centro Internacional de Coordenação de Acidificação Oceânica (OA-ICC) em 2012.

infográfico mostra dados da Agência Internacional de Energia Atômica sobre acidificação do oceano

Apoiado pela Iniciativa de Usos Pacíficos, concentra-se na ciência, capacitação, divulgação e comunicação sobre o status e as tendências da acidificação dos oceanos, promovendo a tomada de decisões com base científica.

A IAEA diz que para obter resultados na luta contra a acidificação, ‘precisamos de uma série de pontos de dados indexados cronologicamente para observar as tendências e avaliar a viabilidade do oceano.’

Para sistematizar estes dados, e dividi-los com a comunidade científica internacional, a IAEA com apoio de várias instituições da ciência lançou a…

Rede Global de Observação da Acidificação do Oceano

O portal de dados GOA-ON fornece informações sobre as instalações de monitoramento da acidificação do oceano e inclui acesso a dados em tempo real. GOA-ON também facilita uma abordagem global para evitar a duplicação dos esforços de monitoramento e para definir uma estratégia de pesquisa comum.

O problema é tanto maior quanto mais pobres os países e, em consequência, com menos investimentos em ciência. Por isso a organização armou uma rede com 750 cientistas de 100 países com o o objetivo de ‘aumentar o monitoramento em áreas onde os dados são escassos, incluindo as costas da África e do Oceano Índico’.

Transmitir informações para aumentar a conscientização

Para o momento é o que se pode fazer, ou seja, disponibilizar a informação, e dar suporte a pesquisadores de países mais pobres de modo a elevar o tema da acidificação dos oceanos à vanguarda das discussões nas Conferências das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Assista ao vídeo e saiba mais

Imagem de abertura: Unesco

Fonte: https://www.iaea.org/10-years-pui/navigating-ocean-acidification.

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