Grande Barreira de Corais, morta? Ainda há esperança

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Grande Barreira de Corais: parte considerável está morta. Ela jamais será a mesma

Grande Barreira de Corais: atualizado

A matéria saiu pelo site do New York Times em março. E traz informações terríveis. Os cientistas descobriram que seções enormes da Grande Barreira de Corais, na sua parte norte que se estende por milhares de centenas de quilômetros, foram encontradas mortas pela água do mar superaquecido. Seções mais ao sul, em torno do meio do recife,  escaparam por pouco do  branqueamento.

A BBC confirma

Grande Barreira de Corais perdeu um terço da área em um ano, alerta governo australiano

Grande Barreira de Corais, uma das maravilhas do mundo

O New York Times lamenta: “a Grande Barreira de Corais na Austrália há muito tem sido uma das mais magníficas maravilhas naturais do mundo, tão grande que pode ser vista do espaço, tão bonita que pode mover os visitantes às lágrimas”.

Terry P. Hughes, da James Cook, Universidade da Austrália, e principal autor de um artigo que que foi capa da Nature escreveu: 

Nós não esperamos para ver este nível de destruição da Grande Barreira de Corais por mais 30 anos. No norte, vi centenas de recifes mortos– literalmente dois terços dos recifes estavam morrendo

Branqueamento da Grande Barreira de Corais é o mais severo do mundo

O NY Times diz que ‘o dano para a Grande Barreira de Corais, uma das maiores estruturas vivas do mundo, é parte de uma calamidade global que tem-se desdobrado por quase duas décadas de forma intermitente e parece estar se intensificando. Dezenas de cientistas descreveram o recente desastre como o terceiro branqueamento em massa em todo o mundo.

grande barreira de corais, imagem de branqueamento de corais
O branqueamento da Grande Barreira de Corais. (Foto: New York Times)

Grande Barreira de Corais e as mudanças climáticas

A mudança climática não é uma ameaça futura, na Grande Barreira de Corais isso vem acontecendo há 18 anos.

Assim se expressou o professor Terry P. Hughes sobre a crise enfrentada na Austrália. Há décadas os cientistas alertam para os perigos do aquecimento global e a morte de corais. Isso acontece pela queima de combustíveis fósseis a um ritmo galopante, liberando gases de efeito estufa que aquecem o oceano. 

Aquecimento dos oceanos: 16º C desde 1880!

O New York Times diz que ‘globalmente, o oceano se aqueceu em 1,5º Fahrenheit (16º C)  desde o final do século 19, por um cálculo conservador, e um pouco mais nos trópicos, o lar de muitos recifes. Um pontapé adicional foi fornecido por um padrão climático ainda pior com o El Niño em 2016.

Danos à Grande Barreira de Corais provocam choro

grande barreira de corais, imagem de mapa mostrando partes mortas da grande barreira de corais
Ilustração: NY Times

O professor Hughes, que liderou as pesquisas,  disse que ele e seus alunos choraram quando ele  ‘mostrou a eles os mapas dos danos’, calculados em parte por observações em pequenos aviões e helicópteros. Hughes descobriu que 67 por cento dos corais haviam morrido em um longo trecho ao norte de Port Douglas.

Parte do problema vem da dragagem e poluição

De acordo com o New York Times ‘a parte sul do recife central  já havia sido bastante danificada pela atividade humana como a dragagem e poluição’. Apesar do governo australiano  combater estas ameaças com o seu plano que restringe o desenvolvimento dos portos, dragagem e escoamento agrícola, entre outros riscos, a pesquisa do Professor Hughes descobriu que, dadas as altas temperaturas, estes esforços  para melhorar a qualidade da água não foram suficientes.

Como combater o branqueamento de corais?

Sobre isso disse o professor Hughes:

a resposta  não é muito boa para  todos: você tem simplesmente que enfrentar as mudanças climáticas diretamente.

Austrália e o carvão

Além de ser o maior exportador mundial de carvão, durante o  período do primeiro ministro (de Queensland) Campbell Newman (2012 -2015),  o governo   aprovou o despejo de três milhões de metros cúbicos de resíduos nas águas do parque marítimo – uma ação que faz parte do plano de expansão do terminal Abbot Point. A decisão enfureceu os ambientalistas que descrevem o plano como “devastador”.

Ante a revolta, disse o primeiro ministro à época:

 Nós estamos no negócio do carvão. Quem quiser hospitais decentes, escolas e segurança tem que entender isso

Na época a correspondente da RFI em Melbourne, Luciana Fraguas, relatou os detalhes da controversa operação:

O governo de Queensland, região à qual pertence a barreira de corais e o porto de Abbot Point, quer aumentar para 70 milhões de toneladas a quantidade de carvão que, por ano, passará pelo local. O governo alega que o despejo será feito na área perto da costa e longe dos corais e que a barreira não será afetada

Grande Barreira de Corais, imagem da mina de carvão de queensland
A mina de carvão australiana Adani

De acordo com o site hindustantimes.com ‘uma empresa gestora de fundos do governo australiano tem interesse em investir 21 bilhões de dólares australianos no polêmico projeto”.

Solução pode ser caracol-gigante-do-mar

Um dos problemas da Grande Barreira são as estrelas-do-mar ‘coroa-de-espinhos’ que se proliferam em razão da poluição e e resíduos agrícolas. De acordo com um estudo de 2012 seu impacto é considerável sobre a saúde dos corais. A pesquisa mostra que 42% do dano sofrido pelos corais nos últimos 27 anos deve-se a essa praga. Solução? Achar o inimigo natural das estrelas-do-mar…

Caracol-gigante-do-mar. Os pesquisadoras foram atrás e conseguiram. O Instituto Australiano de Ciências Marinhas (AIMS) provou que estrelas-do-mar evitam as áreas do Pacífico onde vive o caracol marinho. Autoridades pretendem lançar um plano para o cultivo dessas espécies e, assim, evitar a proliferação. Quem sabe, salvando parte desta maravilha do mundo marinho.

Grande Barreira de Corais, ilustração do novo terminal australiano Abbot Point
O polêmico novo terminal assusta o mundo. Note que a ilustração é francesa. E veja a proximidade com a Grande Barreira de Corais. (Ilustração: ocean71.com)

Austrália e a Grande Barreira de Corais em números

A Grande Barreira de Corais gera cerca de 70.000 empregos e bilhões de dólares em receitas de turismo anualmente. Ela fica na província de Queensland que fatura seis bilhões de dólares australianos (cerca de R$ 12 bilhões de reais) por ano com o turismo de observação! Ainda não está claro como a  economia será afetada pela deterioração. Mesmo nas áreas mais atingidas, grandes manchas da Grande Barreira de Corais sobreviveram. Os guias vão levar os turistas para lá, evitando as zonas mortas, explicou o Times.
Grande Barreira de Corais, mapa da Austrália mostrando Queensland

A Grande Barreira de Corais jamais será a mesma

O New York Times ouviu outro cientista. Mark C. Eakin, especialista em recifes da NOAA, Administração Oceânica e Atmosférica Nacional,  do USA. Ele foi categórico:

Eu não acho que a Grande Barreira de Corais jamais voltará a ser tão grande como costumava ser – pelo menos não em nossas vidas

(Foto de abertura: New York Times)

Fontes: New York Times; BBC.com; G1.

Saiba por que os corais são o mais importante ecossistema marinho

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