Grande Barreira de Corais, morta? Ainda há esperança…

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Grande Barreira de Corais: parte considerável está morta. Ela jamais será a mesma

Desde que o aquecimento global se tornou uma ameaça mais premente, não se fala em outra coisa que não seja a morte da grande barreira. Os problemas são inúmeros. O site https://theconversation.com diz que “A Autoridade do Parque Marinho da Grande Barreira de Corais produziu o Relatório Outlook 2019, exigido por lei a cada cinco anos. Ele mostra que o número total de ameaças aumentou de 41 em 2014 para 45 agora. As novas ameaças incluem a perda de conhecimento cultural, especialmente pelos proprietários tradicionais indígenas, e os potenciais impactos negativos da modificação genética que não são bem compreendidos, mas podem ocorrer quando organismos modificados são liberados na natureza.”

As mais sérias ameaças são o aquecimento global, e consequente acidificação das águas dos oceanos. Mas há outras como subida do nível do mar, poluição, pesca descontrolada, extração mineral e muitas outras.

Os problemas da Grande Barreira de Corais

Em abril de 2018 o G1 noticiou: “A Austrália prometeu investir mais de 500 milhões de dólares australianos (cerca de R$ 1,3 bilhão) para restaurar e proteger a Grande Barreira de Corais, um patrimônio natural da humanidade ameaçado pela mudança climática.” O G1 também diz que, além do aquecimento global, “a barreira corais também está ameaçada pela acanthaster púrpura, uma estrela-do-mar invasiva (saiba mais sobre espécies invasivas) que devora o coral.”

E prossegue: “O primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, anunciou que o governo vai destinar mais de 500 milhões de dólares australianos para melhorar a qualidade da água, lutar contra os predadores e reforçar as medidas de restauração. E declarou:

É o maior investimento de uma fonte única destinada a proteger o recife, assegurar sua viabilidade e os 64 mil empregos que dependem da barreira

Reportagem do New York Times traz informações terríveis. Os cientistas descobriram que seções enormes da Grande Barreira de Corais, na sua parte norte que se estende por milhares de centenas de quilômetros, foram encontradas mortas pela água do mar superaquecida. Seções mais ao sul, em torno do meio do recife,  escaparam por pouco do  branqueamento.

Grande Barreira de Corais, uma das maravilhas do mundo

O New York Times lamenta: “a Grande Barreira de Corais na Austrália há muito tem sido uma das mais magníficas maravilhas naturais do mundo, tão grande que pode ser vista do espaço, tão bonita que pode mover os visitantes às lágrimas”.

Terry P. Hughes, da James Cook, Universidade da Austrália, e principal autor de um artigo que foi capa da Nature escreveu: 

Nós não esperávamos ver este nível de destruição da Grande Barreira de Corais por mais 30 anos. No norte, vi centenas de recifes mortos – literalmente dois terços dos recifes estavam morrendo

Branqueamento da Grande Barreira de Corais é o mais severo do mundo

O NY Times diz que ‘o dano para a Grande Barreira de Corais, uma das maiores estruturas vivas do mundo, é parte de uma calamidade global que tem-se desdobrado por quase duas décadas de forma intermitente e parece estar se intensificando’. 

grande barreira de corais, imagem de branqueamento de corais
O branqueamento da Grande Barreira de Corais. (Foto: New York Times)

Grande Barreira de Corais e as mudanças climáticas

A mudança climática não é uma ameaça futura, na Grande Barreira de Corais isso vem acontecendo há 18 anos.

Assim se expressou o professor Terry P. Hughes sobre a crise enfrentada na Austrália. Há décadas os cientistas alertam para os perigos do aquecimento global e a morte de corais. Isso acontece pela queima de combustíveis fósseis a um ritmo galopante, liberando gases de efeito estufa que aquecem o oceano. 

Aquecimento dos oceanos

O New York Times diz que ‘globalmente, o oceano se aqueceu em 1,5º Fahrenheit  desde o final do século 19, por um cálculo conservador, e um pouco mais nos trópicos, o lar de muitos recifes. Um pontapé adicional foi fornecido por um padrão climático ainda pior com o El Niño em 2016.

Danos à Grande Barreira de Corais provocam choro

grande barreira de corais, imagem de mapa mostrando partes mortas da grande barreira de corais
Ilustração: NY Times

O professor Hughes, que liderou as pesquisas,  disse que ele e seus alunos choraram quando ele  ‘mostrou a eles os mapas dos danos’, calculados em parte por observações em pequenos aviões e helicópteros. Hughes descobriu que 67 por cento dos corais haviam morrido em um longo trecho ao norte de Port Douglas.

Como combater o branqueamento de corais?

Sobre isso disse o professor Hughes:

a resposta  não é muito boa para  todos: você tem simplesmente que enfrentar as mudanças climáticas diretamente.

Austrália e o carvão

Além de ser o maior exportador mundial de carvão, durante o  período do primeiro ministro (de Queensland) Campbell Newman (2012 -2015),  o governo   aprovou o despejo de três milhões de metros cúbicos de resíduos nas águas do parque marítimo – uma ação que faz parte do plano de expansão do terminal Abbot Point. A decisão enfureceu os ambientalistas que descrevem o plano como “devastador”.

Ante a revolta, disse o primeiro ministro à época:

 Nós estamos no negócio do carvão. Quem quiser hospitais decentes, escolas e segurança tem que entender isso

Grande Barreira de Corais, imagem da mina de carvão de queensland
A mina de carvão australiana Adani

Solução pode ser caracol-gigante-do-mar

Um dos problemas da Grande Barreira são as estrelas-do-mar ‘coroa-de-espinhos’ que se proliferam em razão da poluição e e resíduos agrícolas. De acordo com um estudo de 2012 seu impacto é considerável sobre a saúde dos corais. A pesquisa mostra que 42% do dano sofrido pelos corais nos últimos 27 anos deve-se a essa praga. Solução? Achar o inimigo natural das estrelas-do-mar…

Caracol-gigante-do-mar. Os pesquisadores foram atrás e conseguiram. O Instituto Australiano de Ciências Marinhas (AIMS) provou que estrelas-do-mar evitam as áreas do Pacífico onde vive o caracol marinho. Autoridades pretendem lançar um plano para o cultivo dessas espécies e, assim, evitar a proliferação. Quem sabe, salvando parte desta maravilha do mundo marinho.

Grande Barreira de Corais, ilustração do novo terminal australiano Abbot Point
O polêmico novo terminal assusta o mundo. Note que a ilustração é francesa. E veja a proximidade com a Grande Barreira de Corais. (Ilustração: ocean71.com)

Austrália e a Grande Barreira de Corais em números

A Grande Barreira de Corais gera cerca de 70.000 empregos e bilhões de dólares em receitas de turismo anualmente. Ela fica na província de Queensland e injeta US$ 6,4 bilhões por ano na economia australiana com o turismo de observação
Grande Barreira de Corais, mapa da Austrália mostrando Queensland

A Grande Barreira de Corais jamais será a mesma

O New York Times ouviu outro cientista. C. Mark Eakin, especialista em recifes da NOAA, Administração Oceânica e Atmosférica Nacional,  do USA. Ele foi categórico:

Eu não acho que a Grande Barreira de Corais voltará a ser tão grande como costumava ser – pelo menos não em nossas vidas

(Foto de abertura: New York Times)

Fontes: New York Times; BBC.com; https://g1.globo.com/natureza/noticia/australia-investira-r-13-bilhao-para-salvar-a-grande-barreira-de-corais.ghtml?utm_source=facebook&utm_medium=share-bar-smart&utm_campaign=share-bar.

Saiba por que os corais são o mais importante ecossistema marinho

Repórteres do Mar

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  1. “O New York Times diz que ‘globalmente, o oceano se aqueceu em 1,5º Fahrenheit (16º C) desde o final do século 19, por um cálculo conservador, e um pouco mais nos trópicos, o lar de muitos recifes.” E os efeitos aparecendo somente um século depois.

  2. Eu espero que o aquecimento global cresça em velocidades nunca dantes vistas e que glaciares desapareçam nos próximos dez anos, que o nível do mar aumente em uns dois ou mais metros, que promovamos o desmatamento da amazônia e coloquemos fogo, fogo e mais fogo a ponto dos lençóis maranhenses virarem em lençóis amazônicos e com a desertificação nunca mais tenhamos chuvas no sul sudeste e tenhamos, sim uma visão fantástica de Marte ou do deserto de Atacama no Chile.
    Talvez o sofrimento incomensurável e desesperos ensinem que o planeta Terra ainda terá de ser nossa casa por muitos e muitos anos e que cuidar dela será mais importante que cuidar de nossas mães ou filhos. Aprende-se pela sabedoria ou pela dor e por enquanto todos estão apostando que as dores serão “deles”.

  3. Outra coisa MARavilhosa seria ler a matéria… se a principal causa da destruição dos corais é a poluição marítma, resultado do turismo por sinal além de uma agricultura destrutiva e da pesca descontrolada, o que raios tem a ver o aquecimento global com a história? aquecimento global é o Carthago delenda est dos tempos modernos.

    • Puxa, Alex, ele é que causa, quero dizer o aquecimento global, é a causa do branqueamento dos corais. Não ficou claro isso? Abraços

      • Ficou claríssimo, João Lara. Obrigado pela reportagem. O que sim é um paradoxo, é que o turismo, ao mesmo tempo que gera bilhões de receita, também tem uma pegada de carbobo pesadíssima.
        Contradições de nosso tempo …

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