SS Great Eastern, o maior navio do mundo no século 19

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SS Great Eastern: o gigante vitoriano que mudou a navegação

O SS Great Eastern foi uma maravilha da era vitoriana. Projetado em 1859 por Isambard Kingdom Brunel, o gigantesco navio de ferro nasceu para cruzar oceanos em uma escala que o mundo nunca tinha visto.  O livro ’50 Máquinas que Mudaram o Rumo da História’ , de Eric Chaline (Ed.Sextante), o considera como a nona maior invenção depois de, por ordem o Tear, de Jacquard; Torno Mecânico, de Roberts; Locomotiva Rocket, de Stephenson; Tear de Roberts; Plaina Mecânica, de Witworth; Motor a Vapor, de Carliss; Máquina Diferencial, de Babbage e, finalmente, a Máquina de costura Singer, Turtle Back.

SS Great Eastern

SS Great Eastern, criação de Isambard Kingdom Brunei

Até então, nenhum navio se igualava em tamanho ou complexidade ao SS Great Eastern; um estaleiro tradicional britânico encomendou sua construção e entregou a tarefa a John Scott Russel, engenheiro naval de reputação extraordinária.

SS Great Eastern, desenho do navio SS Great Eastern
O SS Great Eastern, o colosso a vapor e velas, de 18

SS Great Eastern: e o primeiro cabo telegráfico a cruzar o Atlântico

Contudo, foi atormentado por problemas e contratempos quase desde o dia em foi concebido com seu casco duplo e sistema de direção mecanizado. E além disso estabeleceu o padrão para a construção de futuros transatlânticos.

SS Great Eastern, imagem da construção do SS Great Eastern
O SS Great Eastern sendo construído. (Foto Wikipedia)

Seu tamanho gigantesco o tornava adequado para a tarefa de instalar o primeiro cabo telegráfico a cruzar o oceano Atlântico. Em 1867, depois de ajudar a instalar o cabo, o Great Eastern seguiu para o rio Mersey. Ali, encalhou em Rock Ferry para uma grande reforma. Depois, voltaria ao transporte de passageiros.

SS Great Eastern: viagem inaugural

O navio teve uma breve carreira como transatlântico de passageiros. Na primeira viagem, 1859, uma explosão em uma caldeira matou cinco foguistas e feriu vários outros.

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SS Great Eastern, imagem do salão de jantar do navio SS Great Eastern
O salão de jantar do navio. (Foto: aventurasnahistoria)

Rombo no casco: 60 vezes maior que o do Titanic

Em outra viagem, em 1862, ele teve o casco perfurado na costa de Long Island. Abriu um rasgo 60 vezes maior do que aquele que levou a pique o Titanic.

Mas, ao contrário deste, o SS Great Eastern, cujo engenheiro Isambard Kingdon Brunel o apelidou de  ‘Grande Bebê’, permaneceu na superfície graças ao casco duplo e chegou a Nova York para ser reparado sem nenhum auxílio externo.

Em 1886, o Great Eastern voltou com outra função. Durante a Exposição Internacional de Navegação, Comércio e Indústria de Liverpool, virou atração flutuante. Era parte barco-teatro, parte casa de espetáculos, parte show público.

SS Great Eastern, imagem de Isambard Kingdon Brunel
O construtor Isambard Kingdon Brunel, a notar o tamanho da corrente da âncora. Ele morreu um ano depois do navio ser lançado.(Foto Wikipeddia).

Havia concertos, diversões, bares e salões de jantar. Milhares de pessoas foram ver o enorme navio que um dia prometeu mudar as viagens marítimas.

Projeto mais ambicioso do século XIX: revolucionou a arte da construção naval

Eric Chaline diz que “…ele manteve o recorde de maior navio em operação durante quatro décadas, e também de maior tonelagem até o início do século XX”.

SS Great Eastern, imagem do navio SS Great Eastern
SS Great Eastern (Foto: wikipedia)

Fatos, e lendas, sobre o navio

O navio, construído em Millwall  no rio Tâmisa, tinha 211 metros de comprimento por 25m de boca (largura). Deslocava 32.680 toneladas. Podia levar até quatro mil passageiros. Ele era o maior, mais moderno e mais luxuoso navio do mundo. Uma das lendas  diz respeito ao possível ‘emparedamento’ de um dos operários, um rebitador. Seu corpo teria ficado dentro das paredes do casco.

SS Great Eastern, imagem da sala de estar do SS Great Eastern
Um das muitas salas de estar. (Foto: BBC.com)

Não havia rota que não cruzasse sem precisar abastecimento. Foi pensado para atravessar da Inglaterra até a Austrália (viagem que nunca aconteceu) sem reabastecimento. Tinha quatro motores a vapor, com dois mil cavalos de força cada um.

SS Great Eastern, imagem do navio SS Great Eastern no porto de Dublin
O SS Great Eastern no porto de Dublin. (Foto: Wikipedia)

Modelo híbrido: seis mastros para velas, quatro motores a caldeiras para duas pás e hélice

Seus modelos revelam uma estranha mistura de tecnologias. Ele tinha seis mastros para velas e chaminés para seus motores a vapor que impulsionavam duas rodas de pás gigantes e uma hélice propulsora.

SS Great Eastern, imagem do navio SS Great Eastern no seco
SS Great Eastern no seco. (Foto: Wikipedia)

Contava com porões de carga e acomodações de luxo para passageiros. Foi projetado especialmente para fazer a longa viagem entre a Índia e a Austrália sem ser reabastecido.

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O Canal de Suez e o SS Great Eastern

Em 1857, durante o planejamento do Canal de Suez, engenheiros concluíram que o SS Great Eastern não conseguiria atravessá-lo, porque tinha calado de 8,5 metros enquanto o canal teria apenas 7,9 metros de profundidade. Quando o canal abriu ao transporte em 1869, o Great Eastern já não operava como navio de passageiros.

Obrigado a trocar de rota

Depois da falência do engenheiro e de outros percalços, ele mudou de rota e passou a fazer a travessia do Atlântico. Em 1865, sem conseguir lucrar como transatlântico, transformaram-no em navio para instalar cabos telegráficos transoceânicos, função que exerceu até 1878.

SS Great Eastern, imagem do SS Great Eastern no porto milford heaven
No porto de Milford Haven, 1870. O navio é tão colossal que seu tamanho eclipsa o porto e a cidade. (Foto: Wikipedia)

Final triste: desmantelado e vendido como sucata

Depois disso, ficou mais de mais de 10 anos como navio de exibição e atração turística na Inglaterra. Mas “terminou sua carreira como casa de concertos flutuante e outdoor gigante”, sendo finalmente desmontado em Liverpool entre 1889 e 1890. Por último, acabou vendido como sucata.

 SS Great Eastern, imagem do SS Great Eastern jogado numa praia de Liverpool
O fim da linha em Liverpool no praia. (Foto: BBC.com)

Assista o vídeo:

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