Ostras, molusco é a nova vítima das mudanças climáticas

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Ostras, molusco é a nova vítima das mudanças climáticas

Ostras – atualizado

É curioso, parece que todo dia sai uma nova pesquisa revelando problemas para os moluscos com o aquecimento global. A pesquisa que gerou este post falava dos riscos de mortalidade das populações. Agora, um trabalho da Universidade de Plymouth descobriu que o aumento das temperaturas e os níveis de dióxido de carbono podem reduzir os níveis de proteínas, lipídios e carboidratos nas ostras do Pacífico. O trabalho, publicado na revista Marine Environmental Research, também encontrou mudanças na composição de minerais essenciais nas ostras. Anaelle Lemasson, uma ex-aluna de doutorado na Universidade de Plymouth, declarou:

Identificar mudanças na qualidade nutricional, bem como espécies de maior risco, é crucial para as sociedades garantirem a produção de alimentos.

imagem de ostras

15% da proteína animal consumida em todo o mundo vem de frutos do mar

As pesquisas se concentraram na ostra do Pacífico, Magallana gigas. E na ostra plana nativa Ostrea edulis. Os resultados mostraram que o aumento das temperaturas e os níveis de dióxido de carbono reduziram significativamente as qualidades nutricionais da ostra do Pacífico.  O Dr. Antony Knights, professor de Ecologia Marinha, disse que “as mudanças climáticas e a crescente população global estão colocando demandas insustentáveis ​​em fontes de proteína animal. Isso ocorre em um momento em que o aumento da obesidade está levando a uma maior conscientização pública sobre a necessidade de dietas saudáveis ​​e balanceadas. As ostras têm o potencial de ser uma fonte alternativa de proteína sustentável. E de baixo custo para os seres humanos.”

A seguir, a matéria original:

É provável que o efeito das mudanças climáticas nos ecossistemas costeiros aumente os riscos de mortalidade das populações de ostras nos próximos 20 anos. A conclusão é estudo conduzido pela Universidade de Nantes, o LEMAR (Laboratório de Ciências Ambientais Marinhas) em Plouzané. E o Cerfacs (Centro Europeu de Pesquisa e Treinamento Avançado em Computação Científica) em Toulouse, França.

image de ostras
Foto: CC0 Public Domain

 

Resultados da pesquisa: mortalidade de ostras aumenta após invernos

Os resultados mostram que a mortalidade de ostras geralmente aumenta após invernos quentes e úmidos no norte da Europa. Elas são afetadas por tempestades recorrentes que cobrem toda a bacia do Atlântico Norte.

Ostras: espécies chaves em ecossistemas

O principal autor do estudo é o Dr. Yoann Thomas, do Instituto Nacional Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável (IRD) da LEMAR. Ele disse que “espécies bentônicas como ostras são espécies-chave em ecossistemas costeiros. Por exemplo, elas constroem habitats de recife, que sustentam alta biodiversidade. E fornecem tremenda fonte de alimento em todo o mundo através de atividades de pesca ou aqüicultura. Mas são muito sensíveis às mudanças no clima e na qualidade da água, porque não podem se mover se um local se tornar inóspito. As populações de ostras são sentinelas de flutuações climáticas e tendências climáticas a longo prazo e, mais amplamente, da saúde dos ecossistemas costeiros.”

Níveis excepcionais de mortalidade podem tornar-se norma em 2035

 “O que hoje são níveis excepcionais  de mortalidade podem tornar-se norma em 2035. E isso mesmo que o aumento da temperatura global seja limitado a 2 ° C acima do período pré-industrial, conforme o acordo Paris. O futuro  parece sombrio. Mas mostramos que será ainda pior sem uma redução clara das emissões de gases de efeito estufa por atividades humanas. Obviamente, precisamos agir rapidamente para evitar mais danos a pessoas muito sensíveis e vulneráveis”.

Fontes: https://phys.org/news/2018-10-oysters-climate.html; https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/biologia/os-organismos-bentonicos/33454; https://pt.wikipedia.org/wiki/Ostra; https://www.newsandstar.co.uk/news/national/17261418.climate-change-poses-threat-to-nutritional-benefits-of-oysters-scientists-warn/.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Imaginem-se comendo os moluscos criados nas fazendas entre a ilha de Florianópolis e o continente cujas águas recebem esgotos e toda sorte de poluição de ambos os lados?????

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