Máscaras descartáveis: 1,56 bilhão nos mares em 2020

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Máscaras descartáveis; estima-se em 1,56 bilhão nos mares em 2020

Prezado leitor: tenha certeza que odeio ter que escrever sobre temas pesados, tristes, num momento de infelicidade geral da humanidade. Estamos todos cheios desta situação criada pela pandemia. E tristes pela morte de milhões de pessoas, notadamente as mais pobres. É muita injustiça duma só vez. Mas nosso compromisso é com os mares. Não por acaso este site tem o nome que tem. Eu tinha certeza que chegaria o momento de informar mais um problema gerado pela pandemia. Fazer o quê? Passar batido, não posso. Você ainda tem o livre arbítrio para decidir se o texto deve ou não ser lido. A mim só resta informar. Máscaras descartáveis, estima-se em 1,56 bilhão nos mares.

Imagem de máscaras descartáveis
Imagem, OceansÁsia.

Máscaras descartáveis: 1,56 bilhão nos mares em 2020

Uma das funções diárias é pesquisar o que NÃO SAI na mídia nacional sobre os oceanos. E cobri-la. O consumidor escolhe o que lê. O site, como ativista, tem o dever de expor a realidade não alcançada pela imprensa tradicional publicada em português. Mas não apenas.

Imagem de ave com máscara descartável
A cena foi registra em Dover, Inglaterra. Imagem, Peter Nicholls.

O esforço do site

Basta navegar pelo site para descobrir. Pesquisar no extenso ‘menu’ (canto superior esquerdo). Para não ficar apenas nos assuntos ‘pesados’ e divulgar a importância do mar em nossa vida criamos no menu inúmeras categorias, como história marítima, tecnologia, sustentabilidade, entre outras.

Menu do site Mar Sem Fim

Destacamos espécies curiosas, mundo submarino, energia; contamos histórias de navegadores notáveis como Ernest Shackleton, ou outros  que naufragam na Antártica  ‘capazes’ de repetirem o acidente que aconteceu  com o britânico quase cem anos antes; e ainda destacamos a obra de titãs como Paulo Nogueira Neto, além de disponibilizar cerca de 70 horas em documentários da costa brasileira quando aprendemos sobre o desastre que nela se passa.

Mas não podemos e não queremos ignorar os problemas, fingir que não existem. Porque existem, sim, e são muitos.

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Desde o princípio da pandemia  eu imaginava um número assustador. Mas fiquei perplexo com a novidade que nos informa o site da OceansÁsia. Esta é uma das muitas ONGs sérias que sigo.

É das poucas que como este site privilegia o bioma marinho. Não são sensacionalistas, muito menos arrivistas. Têm lá suas baldas, como todo mundo, mas nada que a desabone do ponto de vista deste escriba.

E nós rezamos pela cartilha do ícone da ciência marinha Sylvia Earle para quem o maior problema dos oceanos é a ignorância. Arrisco a sugerir mais um: os oceanos têm a desvantagem de não comoverem o público. Simples assim. E este problema é um fenômeno também mundial.

Já conversei com dezenas de especialistas norte-americanos que concordam com ambas as informações. No mar, apenas os cetáceos ou as tartarugas comovem. Porque o público os vê. Pessoas veem cetáceos ao vivo ou através de vídeos e adoram, se encantam, torcem por eles. Quem não faria?

O mesmo acontece com tartarugas, mas não com tanta intensidade. O resto é o resto, aquilo que não se pode ver com frequência. Sobra então, disponibilizar a informação.

A inundação das máscaras descartáveis

Nossos oceanos serão inundados com cerca de 1,56 bilhão de máscaras faciais em 2020, diz um relatório divulgado em dezembro pela organização de conservação marinha com sede em Hong Kong, OceansAsia.

Imagem de filme sobre máscaras descartáveis nos oceanos.
Imagem, OceansAsia.

Isso resultará em um adicional de 4.680 a 6.240 toneladas métricas de poluição marinha de plástico, diz o relatório intitulado “Máscaras na praia: O impacto do COVID-19 na poluição de plástico marinho”.

450 anos para se decompor

Essas máscaras levarão até 450 anos para se decompor, lentamente se transformando em microplásticos, enquanto impactam negativamente a vida selvagem marinha e os ecossistemas.

O relatório usou uma estimativa de produção global de 52 bilhões de máscaras sendo fabricadas em 2020, uma taxa de perda conservadora de 3% e o peso médio de 3 a 4 gramas para uma máscara cirúrgica de polipropileno descartável para chegar à estimativa.

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Apenas a ponta do iceberg

“Os 1,56 bilhão de máscaras faciais que provavelmente entrarão em nossos oceanos em 2020 são apenas a ponta do iceberg”, diz o Dr. Teale Phelps Bondaroff, Diretor de Pesquisa da OceansAsia e principal autor do relatório. “As 4.680 a 6.240 toneladas métricas de máscaras faciais são apenas uma pequena fração das estimadas 8 a 12 milhões de toneladas métricas de plástico que entram em nossos oceanos a cada ano.”

O consumo de plástico, que tem aumentado constantemente há anos, aumentou significativamente como resultado da pandemia de COVID-19.

“As preocupações com a higiene e a maior dependência de alimentos para viagem levaram ao aumento do uso de plásticos, principalmente embalagens”, disse Gary Stokes, Diretor de Operações da OceansAsia. “Enquanto isso, uma série de medidas destinadas a reduzir o consumo de plástico, como proibições de sacolas descartáveis, foram adiadas, pausadas ou revertidas.”

Dificuldade em reciclar

As máscaras de uso único são feitas de uma variedade de plásticos derretidos e são difíceis de reciclar devido à composição e ao risco de contaminação e infecção. Eles entram nos oceanos quando são despejados, quando os sistemas de gerenciamento de resíduos são inadequados ou inexistentes ou quando esses sistemas ficam sobrecarregados devido ao aumento do volume de resíduos.

Devastação marinha por plásticos

“A poluição marinha por plástico está devastando nossos oceanos”, disse Gary Stokes, Diretor de Operações da OceansAsia. “A poluição por plástico mata cerca de 100.000 mamíferos marinhos e tartarugas, mais de um milhão de aves marinhas e um número ainda maior de peixes, invertebrados e outros animais a cada ano. Também impacta negativamente a pesca e a indústria do turismo, e custa à economia global cerca de US$ 13 bilhões por ano.”

imagem de máscaras descartáveis na praia
Imagem, OceansAsia.

O relatório pede que as pessoas usem máscaras reutilizáveis ​​sempre que possível, descartem as máscaras de maneira responsável e reduzam o consumo geral de plástico descartável. Ele também conclama os governos a implementar políticas destinadas a encorajar o uso de máscaras reutilizáveis, como diretrizes de liberação sobre a fabricação adequada e o uso de máscaras reutilizáveis.

Falta fomentar a inovação e o desenvolvimento de alternativas sustentáveis ​​às máscaras plásticas descartáveis.

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E paramos por aqui, não sem antes lembrar que em 2021 a poluição plástica anabolizada pela covid-19 será ainda pior. Haverá, finalmente, a vacina. Somos quase oito bilhões na Terra. Vacinas usam seringas. E elas são feitas de plástico…

Assista ao vídeo Masks On The Beach de Gary Stokes e saiba mais

Imagem de abertura: OceansAsia

Fonte: https://oceansasia.org/covid-19-facemasks/?fbclid=IwAR0DX_mvH_jL2yZy4-pZf2L5lqlQ0IL7gJV3eY9lsuL1D5dpwD3ODOd4x68.

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Comentários

5 COMENTÁRIOS

  1. Os países ricos se apressaram e acabaram com os estoques de máscaras descartáveis. A nos, sobrou a criatividade para produzir os nossas máscaras, de tecidos diferentes e formas diferentes. Reutilizáveis. Os países ricos devem.ser responsabilizados por esse crime ambiental e o mundo tido educado para isso. Eu tenho todas as máscaras que utilizo.

  2. Que pena. A pandemia trouxe mais este mal. Poluição. O que fazer com o lixo das mascaras. Uma coisa podemos fazer, descartar corretamente. Pense sempre quando for descartar qualquer produto.

  3. E agora? Vamos fazer campanha para eliminar as máscaras?!! O foco deve ser a atuação na causa raiz, EDUCAÇÃO… precisamos educar as pessoas para descartar o lixo no local adequado. Seja ele plástico, máscara, e tudo o que existe, e possa vier existir.
    Vamos colocar energia no que é perene e não volúvel. Agora foram as máscaras em maior número que os canudos (não tenho esse dado, mas provavelmente…). A educação é um caminho longo e árduo, mas de longo alcance.

  4. “Sou, mas quem não é?” Quem nunca jogou um lixinho nas ruas e praças públicas que atire a primeira máscara!” Nós, pródigos brasileiros, falamos muito e fazemos NADA e não são apenas em relação a plásticos ou máscaras, se Diógenes ou um seu clone surgisse no Brasil em busca de brasileiros que cuidem das imediações de suas moradias para se livrarem de enchentes e outros dissabores ele iria afirmar que ainda é mais fácil encontrar um homem honesto, mesmo que no Brasil.

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