Guerra à pesca ilegal, saiba por que

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Guerra à pesca ilegal: 25 países declaram guerra à atividade

Guerra à pesca ilegal: por ano os navios de pesca ilegal capturam até 26 toneladas de peixes, no valor de US 23 bilhões de dólares. Isso não só priva os pescadores legítimos de sua captura, como dizima os estoques. O único ponto comum entre os pescadores legítimos, e os ilegais, é a sua dependência dos portos de desembarque. Se determinado porto está interditado, os ilegais escolhem outro e assim continuam com sua prática desleal. Agora, um novo tratado liderado pela FAO pretende encerrar esta prática. Batizado de Port State Measures Agreement (PSMA), o tratado entrou em vigor em 5 de junho e autoriza os países signatários a inspecionar, e proibir navios suspeitos de atracarem.

Guerra à pesca ilegal, imagem de barcos pesqueiros chineses apreendidos
Foto: Dong-A Ilbo/AFP/Getty Images

Guerra à pesca ilegal: guarda costeira argentina afundou pesqueiro ilegal

Ainda em março a Guarda Costeira argentina bombardeou e afundou um navio chinês, alegando que este pescava em água territoriais. O incidente mostrou o nível de tensão que atinge a pesca ilegal. Fatos semelhantes vem acontecendo em todo o mundo. Com o tratado que entrou em vigor os países agora têm o direito de interceptarem navios suspeitos.

25 países signatários

Ao longo dos últimos anos este tratado careceu de membros suficiente para se tornar oficial. Mas agora, com a adesão de Gâmbia, Sudão, Tailândia e Tonga, além dos Estados Unidos e União Européia, ele atinge 25 membros, quantidade suficiente para entrar em vigor no âmbito da ONU. Antes era caro e difícil controlar os barcos piratas em alto-mar. Agora, com a possibilidade de revistar os suspeitos, e proibir sua entrada em vários portos mundo afora, a tarefa ficou mais fácil.

Lori Curtis, da FAO, diz que o tratado

É novo na medida em que tem como alvo a porta de entrada do pescado. Ele atinge pescadores ilegais, concentrando-se no elemento que eles têm que usar para trazer as suas capturas ao mercado: os portos

De acordo com Tony Long, diretor do projeto de pesca ilegal da Pew Charitable Trust o tratado

 aperta a rede em torno da atividade.

Único tratado internacional contra a pesca ilegal

Longo acrescenta que este é o único tratado internacional que aborda a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada. A partir de agora qualquer navio pesqueiro terá que pedir autorização para entrar em um porto, declarando as capturas a bordo. Os países membros do tratado passam a ter a obrigação de avisar aos outros sobre todo e qualquer navio suspeito, fechando coordenadamente, os portos para eles.

Na África um, em cada quatro peixes capturados, é roubado por pescadores ilegais

O tratado não é inteiramente novo. No sudoeste da África um grupo de oito países costeiros se uniu para criar o FISH- I África. Os membros do grupo  controlam os barcos suspeitos, e trocam informações em tempo real. Isso aconteceu porque um, em cada quatro peixes capturados, é roubado por pescadores ilegais. Desde que foi formada, em 2012, a rede africana proibiu um grande número de barco ilegais de atracarem em seus portos. A esperança é que a nova rede PSMA se expanda baseada no sucesso africano.

Com grandes mercados envolvidos, como a União Européia, os estados signatário vão se sentir obrigados a controlar, e se envolver no projeto. Segundo Longo

os varejistas e fornecedores estão agora mais interessados ​​na proveniência dos seus peixes

Conheça os terríveis problemas da pesca no Brasil.

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