Focas bebês, caçadas, e mortas com porretes no Canadá

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Focas bebês, caçadas, e mortas com porretes no Canadá; e como a pressão mundial diminuiu a matança

O governo canadense justifica a caça de focas bebês citando sua importância cultural e econômica. “Historicamente, ela desempenhou um papel importante de geração em geração”, diz Adam Burns, diretor geral interino de gerenciamento de pesca do Departamento de Pesca e Oceanos do Canadá. “Ela ainda gera atividade econômica em comunidades costeiras, onde é extremamente necessária.” O mesmo argumento do governo japonês, ao defender o massacre anual de golfinhos na baía da vergonha, ou melhor, na baía de Taiji, no Japão. Nem por isto ambientalistas deixam barato. E ano após ano, cobram o fim das atividades. Foi graças à pressão internacional que ambas as ‘caças’ diminuíram, embora persistam.

imagem de cacada de focas bebês no canadá
Imagem, National Geographic.

468 mil focas bebês, mortas a porradas na cabeça, é a cota do governo do Canadá

The Guardian: “Em 2015, o governo do Canadá estabeleceu uma cota de 468.000 focas, de três espécies diferentes, para serem mortas durante o ano. No entanto, o mercado de peles de foca canadense não é mais o que era antes. Dificultado pela proibição do comércio pela União Europeia em 2009 devido a preocupações com o bem-estar. O Canadá recorreu da proibição para a Organização Mundial do Comércio. Mas perdeu em 2014. Os EUA também encerraram seu envolvimento no comércio de produtos derivados de focas.”

Focas bebês se tornam casacos de pele

Pois é, as focas são mortas para tornarem-se casacos para abastados/as. E são mortas ainda bebês porque o pelo é mais ‘macio’, e a cor branca, a preferida. Quando veio à tona pela primeira vez o massacre anual, no final dos anos 80, início dos 90, o Canadá, de repente, tornou-se o Brasil de hoje. Desde então os sucessivos governos são atormentados para cessarem a prática.

Caça de foca bebês “traz equilíbrio ao ecossistema marinho”

Guardian: “O governo canadense e a indústria de peles de foca sustentam que a prática é necessária. Ela gera cerca de US$ 35 milhões por ano em benefícios econômicos imediatos. O governo regional de Terra Nova e Labrador, onde ocorre grande parte da caça, também afirma que a caça “traz equilíbrio ao ecossistema marinho” por causa do grande número de peixes comidos por focas.”

“Importante atividade econômica e cultural em comunidades no Canadá, Quebec e no Ártico”

Guardian: “Uma porta-voz da Fisheries and Oceans Canada disse que a caçada é “importante atividade econômica e cultural em comunidades no Atlântico Canadá, Quebec e no Ártico. “As práticas de colheita canadenses estão entre as melhores do mundo. Elas são guiadas por princípios rigorosos de bem-estar animal, reconhecidas internacionalmente por praticamente todos os observadores independentes. Monitoramos de perto a caça de focas. Estamos comprometidos em fazer cumprir os regulamentos.”

Massacre repugnante

Depois da ira da comunidade mundial o Canadá regulamentou a caça. Hoje não são apenas a base de porradas na cabeça. “As caças são reguladas para garantir que as focas sejam mortas rapidamente usando um rifle de alta potência, um bastão ou uma ferramenta de caça chamada hakapik, que é uma base de madeira com um gancho no final.”

Focas bebês são mortas há tempos imemoriais

A National Geographic diz que “Não muito tempo depois que os colonos europeus estabeleceram uma indústria de processamento de focas  no Canadá no início dos anos 1500, os negócios cresceram. Naquela época, o óleo de foca era vendido no Velho Mundo para uso como lubrificante de máquinas. E mais tarde, a demanda por peles recém-em voga significava que centenas de milhares de focas-harpas eram mortas a cada ano no Golfo de St. Lawrence e nas costas de Terra Nova e Labrador, para que norte-americanos e europeus pudessem se vestir em casacos de pele.” Se temos alguma melhora hoje? Bem, temos certeza que poucos, hoje, têm a coragem de se vestir com peles de focas. Ao menos para isso a chatíssima ideia do ‘politicamente correto’ contribuiu.

Geração de renda das focas bebês: de US$ 34 milhões de dólares em 2006, para US$ 1,6 milhão em 2017

National Geographic, em matéria de 2016: “Hoje, porém, a indústria canadense de focas parece uma casca da sua antiga lucratividade. Décadas de má publicidade e campanhas para acabar com o massacre causaram danos. No ano passado, gerou apenas US$ 1,6 milhão em vendas, abaixo dos US$ 34 milhões em 2006, segundo o Departamento de Pesca e Oceanos do Canadá. Nesse ano, 5.600 pessoas participaram da caçada; agora pode haver não mais do que algumas centenas.”

Ambientalistas protestam

NG: “Mas grupos de bem-estar animal afirmam que os assassinatos são desumanos. Caçadores empalam filhotes no rosto ou nos olhos. E atiram em focas de barcos em movimento. Os caçadores geralmente têm como alvo os filhotes pelo pelo macio. “Muitos animais são deixados a sofrer em agonia, rastejando através de seu próprio sangue no gelo”, diz Rebecca Aldworth, diretora executiva da Humane Society International-Canadá.”

imagem de caçador matando foca no canadá

Comunidade internacional reagiu

NG: “As campanhas  levaram mais de 35 países, incluindo a Rússia e os membros da União Europeia, a proibir a importação de peles, embora ainda permitam produtos provenientes dos inuítes canadenses. (Os Inuit, que subsistem com focas há milhares de anos, têm sua própria caça em separado.) “Perdemos nossos mercados por grandes quantidades de peles e peles de focas”, reconhece Eldred Woodford, presidente da Associação Canadense de Caçadores.”

As mortes são uma pequena fração das focas que não estão ameaçadas de extinção

NG: “É importante notar que, no ano passado (2016), caçadores mataram cerca de 66.000 focas. Uma fração dos 7,4 milhões de focas do noroeste do Atlântico. Elas não estão  ameaçadas de extinção (focas cinzas  também são caçadas, mas em uma extensão muito menor). A caça comercial às focas também ocorre na Namíbia e na Groenlândia. Mas o Canadá estabelece a cota anual mais alta – cerca de 400.000 no ano passado (2016).”

Por que o Canadá ainda insiste, pergunta a National Geographic

“Um argumento dos pescadores é que, em algumas áreas, as focas comem muito bacalhau, cujos estoques desabaram. Mas, como muitas reclamações relacionadas com a caça às focas, este está em debate: Cientistas contrariam. Dizem que o bacalhau torna-se apenas uma pequena parte da dieta de uma foca. A indústria da pesca, não caçadores de foca, é a culpa para o declínio do bacalhau.”

imagem de selo canadense que mostra caça das focas

O Mar Sem Fim acrescenta que é correto culpar a pesca excessiva. Já mostramos que ‘o peixe que mudou o mundo‘ está nos estertores única e exclusivamente devido à sanha da pesca mundial. Ainda chegará o dia em que as pessoas conhecerão o horror da pesca mundial.

Canadenses ainda tentam salvar a indústria

NG: “Embora exista demanda por carne e óleo de focas nas comunidades costeiras, não está claro se os canadenses podem salvar a indústria. Em 2015, Carino recusou US$ 1 milhão do governo de Terra Nova para ajudá-lo a comprar peles, observando que já tinha suficiente em armazenamento ainda por vender. Alguns chefs notáveis ​​do Canadá acrescentaram carne de foca aos seus menus (barbatanas de foca refogadas, carpaccio de foca, etc), mas não há evidências de que o público como um todo tenha desenvolvido um forte gosto pelo animal.”

Mudança climática é novo argumento

NG: “Grupos de bem-estar animal dizem que, embora as focas ainda sejam abundantes, elas não devem ser caçadas. Não apenas porque a indústria é cruel, mas também porque as focas estão enfrentando novas pressões devido às mudanças climáticas. Com as águas quentes, as vedações estáveis ​​da plataforma de gelo marinho necessárias para a amamentação estão derretendo. Os filhotes estão morrendo e os cientistas alertaram que, se nada mudar, a taxa média de sobrevivência dos filhotes continuará caindo.”

Assista, se seu estômago deixar, a matança registrada em 2104

Imagem de abertura: © EPA/STEWART COOK

Fontes:https://www.nationalgeographic.com/news/2017/04/wildlife-watch-canada-harp-seal-hunt/; https://www.theguardian.com/environment/2016/mar/09/canada-seal-hunting-ban-animal-rights-activists-justin-trudeau.

Maior extinção em massa aconteceu há 2 bilhões

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9 COMENTÁRIOS

  1. A matança das focas é a imagem mais cruel, sanguinária e covarde da atualidade. Como disse o José Costa acima, com relação ao gado e aves em frigoríficos. Por que não criar focas para o abate, como se faz nos abatedouros modernos em que o sofrimento do animal é reduzido a um mínimo. É patética a foto da pobre foca como quê pedindo clemência ao carrasco armado com um porrete para esmagar a cabeça dela.

  2. Depois, os histéricos afirmam que é o aquecimento global que está reduzindo as populações de ursos no Ártico. A foca é a principal fonte de energia para os ursos. Matando, melhor dizendo, assassinando as focas – como os japoneses assassinam os golfinhos – a alimentação dos ursos está se reduzindo. Aquela foto patética de um urso magérrimo equilibrando-se sobre um estreito bloco de gelo, foto divulgada pelo imbecil do vice-presidente dos EUA, foi uma farsa que muita gente engoliu. Como engoliu o filme ridículo de autoria do vice – “Uma verdade inconveniente” – se não engano é esse o título. Um atentado à ciência da Ecologia e da Biogeografia.

  3. São estes os países ricos que cobram do Brasil, um país pobre de terceiro mundo, a manutenção da Amazônia ?? A verdade é que cobrar e atribuir a culpa nos demais países é mais fácil que olhar para o próprio rabo.

  4. Sobre o que é a revolta contra a caça de focas?
    Se é por um abate com menos sofrimento para o animal, acho que a prática pode melhorar assim como nos frigoríficos brasileiros e internacionais que abatem vacas, porcos, e frangos.
    Se é pelo fim da caça de focas, acho lamentável a mentalidade colonial persista. No ambiente ártico, focas são uma das únicas fontes de proteína para as populações. No passado, como bem destacado pelo artigo, foi criada uma indústria para alimentar a demanda por peles.
    Agora celebridades se esforçam para acabar com a indústria e a prática, destruindo a economia do ártico, relegando as populações locais à pobreza e a ter que importar carne de vaca, porco, e frango por preços absurdos. Como esmola, permitem que a produção artesanal feita por pessoas e práticas consideradas “nativas” vendam seu produto a preço de miséria para intermediários que cobram preços “premium” nos mercados finais.
    Qual a diferença disto para o que fazem com os artesãos do Norte e Nordeste brasileiros?
    Qual a diferença disto para quererem manter a Amazônia subdesenvolvida exportando artesanato feito para subsistência?
    Neste ponto, este artigo não difere daqueles que propagam a mentira da Amazônia “pulmão do mundo”.
    Todos querem proteger a Amazônia e o Ártico, mas ninguém quer se mudar para lá.

  5. Interessante, por que o Sr. Macron e outros representantes dos governos de outros paises, inlcuindo o do properio Brasil nao questionam esta pratica abominavel? Sera por que o Canada e pais desenvolvido?

  6. O maior problema é o excesso de população de focas, e a destruição da pesca como um todo, pois as fezes das focas casa uma praga na alimentação dos peixes chamada Nematoide, que destrói cardumes inteiros. Esse é o problema.

  7. A maldade e a covardia do ser humano não tem limites, mata, mata e mata por prazer e sem escrúpulos. Covardia contra um animal indefeso que está no seu habitat há milhares de anos, se adaptou todo este tempo a viver num clima inóspito, para chegarem os covardes e assassinos e tirar-lhes a vida! Assim agem contra os animais, contra as florestas e contra os outros seres humanos. Triste horizonte, o fim será pelas catástrofes ambientais ou por um guerra nuclear. E nada vai sobrar…

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