Discurso ambiental de Bolsonaro avaliado pelo agro

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Discurso ambiental de Bolsonaro avaliado por expoentes do agronegócio

O discurso ambiental de Bolsonaro já é por demais conhecido, no Brasil e no mundo, apesar dele ocupar a cadeira de Presidente há menos de um ano. Aqui, causa perplexidade àqueles não dominados pela esquizofrenia ‘esquerda/direita’. E, provavelmente, felicidade entre os países concorrentes do agro brasileiro, como a França por exemplo. Lembrando que o Brasil é o terceiro maior produtor de alimentos do mundo. No que vai dar a imensidão de bobagens, ainda não se sabe. Mas, hoje, a ignorância presidencial começa a assustar expoentes do agronegócio.

imagem de cultura de arroz no rio grande do sul
Cultura de arroz no Rio Grande do Sul.

‘Agro volta à estaca zero com o discurso ambiental de Bolsonaro’, diz Blairo Maggi

Blairo Maggi é acionista do grupo AMaggi, maior trading de grãos de capital brasileiro, e ex- ministro da Agricultura. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, ele declarou: “Não tem essa de que o mundo precisa do Brasil. Talvez precisem dos agricultores brasileiros em outros países, mas somos apenas um “player” e, pior: substituível. O mundo depende de nós agora, mas, daqui a pouco se inverte e ficamos chupando o dedo”,

‘Falta uma sintonia maior com a realidade ambiental’, diz Presidente da Abag

Marcello Brito é presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag),  engenheiro de alimentos e diretor-executivo da Agropalma, maior produtora de óleo de palma do Brasil. Desde dezembro está à frente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), entidade que reúne muitas das principais empresas do País. Ele foi claro: “Falta uma sintonia maior com a realidade ambiental.”

‘Produtores que estão alegres hoje vão chorar amanhã’, diz Katia Abreu

Katia Abreu é ex-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)ex-ministra da Agricultura. O Estado de S. Paulo: “Uma das líderes da bancada ruralista no Senado, Katia Abreu (PDT-TO) disse que a política do presidente Jair Bolsonaro para o meio ambiente pode fechar o acesso de produtos brasileiros no exterior e causar prejuízos ao agronegócio.”

Blairo Maggi

Valor Econômico: “Na avaliação do ex-ministro, a possibilidade de fechamento de mercados é maior justamente na Europa, com quem o Brasil e o Mercosul tentam destravar as relações comerciais a partir do acordo regional. Ele lembra que o acordo leva em conta o princípio da precaução, que permite o embargo de exportações brasileiras para o bloco europeu. Ele pontua, no entanto, que, apesar do discurso “agressivo”, não houve nenhuma atitude concreta do governo Bolsonaro. Maggi avalia que o agronegócio é o mais prejudicado por essa retórica que, na visão dele, está longe da realidade. Na entrevista ele esclareceu:

Quando estou exportando soja, milho, eles (importadores) querem saber mais do que nunca a origem da certificação do meu produto. Os importadores, principalmente europeus, vêm visitar mais as lavouras, a produção, e querem saber mais como produzimos. E, se plantamos em área desmatada, eles não compram. Então, o discurso só atrapalha

Marcello Brito, presidente da Abag

O Globo em entrevista com presidente da Abag:  “Ele (Brito) defende os dados científicos que mostram o crescimento do desmatamento no Brasil (“É só dar uma passadinha aqui na Amazônia… para assistir a isso de camarote”) e a legislação que protege o ambiente, como o Código Florestal, ameaçado de alteração. Também afirma que a grande maioria dos empresários do agro já entendeu que o setor está ligado de modo irreversível à preservação do meio ambiente. Tanto pela dependência de terra e de água quanto pelo fato de que quem não se enquadra na nova agenda ambiental global perde mercados no exterior. E mostra preocupação com o recrudescimento da retórica antiambiental do atual governo. Mas acredita que o presidente ainda pode corrigir o rumo. “Se ele olhar as informações que o mundo está passando em relação às ações do Brasil, tenho certeza de que a atuação dele será diferente”, diz.

Katia Abreu, ex- ministra da Agricultura

Em entrevista ao Estadão, a ex- radical ferrenha defensora dos ruralistas declarou: “Eu tinha um discurso radical, para o lado dos meus. Tenho muito orgulho de ter evoluído. Meu pensamento estava dentro de uma caixinha: ‘isso é ambientalista que quer destruir a agricultura brasileira, que já destruiu suas matas’. Aquela coisa decorada. E não tem nada a ver. Abri meus olhos. Aprendi o quanto a Amazônia era importante para garantir as chuvas no sul e centro do Brasil. Aprendi sobre a importância das Áreas de Preservação Permanente (APPs),  vitais para manter  nascentes de rios. Como é que você vai cobrar de uma Europa, que é milenar, que passou por duas guerras, fome e tudo mais e dizer que destruíram o meio ambiente? É um pouco forte demais. Isso é passado. Bolsonaro está se comportando como antimercado”.

‘Discurso preocupa empresário do agronegócio’

Este foi o título de matéria de O Globo, publicada em 17/08/2019.”A retórica antiambiental do presidente Jair Bolsonaro causa desconforto entre empresários do agronegócio, sobretudo os exportadores…ruralistas começam a se reunir para traçar estratégias que atenuem as falas do presidente…”

Discurso ambiental de Bolsonaro: ‘desconforto entre os ruralistas’

O Globo: “Apesar do desconforto entre os ruralistas que dependem dos bons olhos dos importadores, o setor tem sido cauteloso e optou por não rebater diretamente as falas de Bolsonaro — ao menos por enquanto. O setor fica constrangido em se manifestar e sofrer retaliações, ainda que indiretas, do governo e de seus aliados. Existe um medo de perseguição dentro e fora do governo — disse uma interlocutora de grandes empresários do setor.” E mais adiante: “Segundo Eduardo Bastos, presidente do comitê de sustentabilidade da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), é importante dizer aos outros países que ainda dá tempo de corrigir o desmatamento, e não apenas por uma questão de reputação:

Isso atrapalha o agronegócio no acesso ao mercado. No caso de produtos madeireiros, é competição direta entre madeira ilegal com legal

Uma vez mais: “a política do presidente Jair Bolsonaro para o meio ambiente pode fechar o acesso de produtos brasileiros no exterior e causar prejuízos ao agronegócio. Bolsonaro está se comportando como antimercado.” Mais: “Discurso preocupa empresário do agronegócio.” E, ainda,’Produtores que estão alegres hoje vão chorar amanhã’.

Imagem externa despenca

Não à toa, a imagem externa do País despenca. É inacreditável o estrago provocado pelo presidente-sem-noção. Em apenas oito meses  conseguiu destruir a imagem externa do País, a duras penas construída. Como assinalou o Estadão em editorial, ‘Não há como desvincular o fogo mostrado pela imagem da Nasa, nem o inegável aumento de incêndios florestais neste ano, da campanha contra as ações de proteção ambiental…Ninguém mais que o presidente Bolsonaro tem dado argumentos aos defensores do protecionismo agrícola europeu…Se há algo realmente inédito, é um presidente brasileiro incapaz de perceber o jogo econômico internacional e ignorante da importância, para o Brasil, da exportação de produtos de origem agropecuária.”

E, dizemos nós, campanha (acima mencionada) esta, diligentemente orquestrada pelo arrogante neófito  que hoje ocupa a cadeira que já foi do titã do ambientalismo Paulo Nogueira Neto. Tristes trópicos.

Brasileiros desaprovam desempenho

As bobagens proferidas quase que diariamente levaram à queda da popularidade de  Bolsonaro. Pesquisa da CNT/MDA divulgada em 26 de agosto de 2019 mostrou que mais da metade dos brasileiros – 54% – desaprova o desempenho pessoal do Presidente.”A avaliação do governo tampouco é alvissareira. Dobrou o porcentual dos que o classificam como “ruim ou péssimo”, saltando de 19% em fevereiro para 39% em agosto. No início do ano, de acordo com a mesma pesquisa, 39% dos entrevistados consideravam o governo “ótimo ou bom”. O número de satisfeitos caiu para 29% em agosto.”

Fontes: https://oglobo.globo.com/sociedade/2019/08/17/582327-discurso-antiambientalista-de-bolsonaro-preocupa-empresarios-do-agronegocio; https://oglobo.globo.com/sociedade/agronegocio-depende-da-preservacao-ambiental-diz-lider-de-associacao-do-setor-23883568?fbclid=IwAR1Dnh8NQCPKI546KSro8Muhoi3X_TuzyIfsCDsZaNo0tEFIJhBMez5v4mQ; https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,produtores-que-estao-alegres-hoje-vao-chorar-amanha,70002965256; https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Politica/noticia/2019/08/agro-volta-estaca-zero-com-discurso-ambiental-do-governo-diz-maggi.html; https://opiniao.estadao.com.br/noticias/notas-e-informacoes,popularidade-em-queda,70002983714.

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8 COMENTÁRIOS

  1. Vou deixar esse comentario so’ para o Joao—-Sempre que se fala de forma generalizada se cometem erros—No meio dos agricultores tem grileiros desmatadores criminosos, mas mais de 99% e’ gente honesta que soa para sobreviver—-As falas do Bolsonaro sao destorcidas porque quem nao e do meio agricola nao conseguem entende-las—-A revolta dos agricultores e’ contra o sistema imposto pelo Ministerio do Meio Ambiente que esfola e destroe o ser humano—Os policiais ambientais nao respeitam o proprio Codigo Florestal e tem um comportamento arrecadatorio quasi criminoso—-Transferem a assinatura da filipeta para o BO gerando documentos falsos—Declaram no BO especies vegetais falsas so’ para aumentar o nivel da multa—–Adotam artimanhas processuais para obrigar o agricultor a desistir de areas produtivas para enche-las de mata nativa–Aplicam multas de valor superior a propria propriedade—-Enfim Bolsonaro grita contra esse monte de irregularidade montado pelos esquerdistas—

  2. Por detrás do discurso ambiental do Governo Bolsonaro está a militarização definitiva da Amazônia brasileira. Os pacifistas mundialistas e as ONGs não querem a militarização da região. A ocupação militar da Amazônia iniciou nos anos 70 do século passado com a instalação dos batalhões de infantaria de selva. Nos anos 80, o Projeto Calha Norte deu sequencia à intenção. A partir dos anos 90, os governos brasileiros mundialistas (Collor/Itamar/FHC/Lula/Dilma) estancaram esse processo, estimulando a ação de ONGs na região. O Fundo Amazônia pode ser utilizado pelas Forças Armadas. No Governo Bolsonaro, essa intenção faz sentido.

  3. COMO ESSA SENHORA QUE ESTA SENDO INVESTIGADA PELA LAVA JATO PODE DAR OPINIOENS
    BOLSONARO TEM RAZAO EM SE COMPORTAR COMO ESTA POIS CHEGA DE FICARMOS SUBMISSO AO EXTERIOR EM PARTICULAR A FRANÇA QUE TEM LARGOS INTERESSE DE DOMINAR O MERCADO EUROPEU DE ALIMENTOS BASTA LEMBRAR 3 MESES A TRAZ E MAIS O MENSOS 20 ANOS A TRAZ

  4. Eu espero que o Bozó e seus inéptos empregados hajam com as loucuras que os idiotas eleitores lhes conferiram e desmatem TODA a amazônia e áreas nos entornos de tal modo que nunca mais formem núvens de chuvas que tanto caiam no sudeste. Famintos e secos como se vivessem no Atacama ou no Saara talvez os descendentes dos atuais malucos morram maldizendo seus antecessores, mas será tarde. E que a terra, apesar de seca lhes seja pesada.

  5. Provavelmente a alta produtividade do agro Nacional está ligado ao clima e ao ambiente. Basta ver areas onde o café passou aqui no bioma da mata atlântica e que hoje estao pouco produtivas para se ter uma pequena ideia do grave risco ainda que não totalmente comprovada cientificamente é uma hipótese bastante plausível. O proprio setor produtivo impediu a estupida ideia de junção dos ministério agro e MA. Estamos na mao deles na questão amazônica. Já que os setores científicos não gozam de credibilidade junto ao nobo governo. Ainda que sef de razão em haver um x número de ongs com interesses ocultos ñ se pode generalizar. Cadê a separação fo joio.e fo trigo? Promessa de campanha aliás.

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