Dia Mundial dos Oceanos: “eles não podem esperar mais”

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Dia mundial dos oceanos: “eles não podem esperar mais”

O dia 8 de junho foi declarado o Dia Mundial dos Oceanos. Por isso, esta semana a rede mundial de computadores está repleta de matérias sobre a situação dramática dos oceanos. Para a Comissão Europeia, ‘os oceanos são essenciais para a vida na Terra. Eles desempenham papel vital na regulação do clima, fornecem mais oxigênio do que todas as florestas combinadas e são essenciais para enfrentar desafios globais  em áreas como segurança alimentar, energia e transição ecológica acelerada. No entanto, as temperaturas oceânicas nunca foram tão altas. Assim, a vida marinha está desaparecendo a um ritmo sem precedentes. Isso significa colocar em risco o planeta. Nossos oceanos, que são o maior sumidouro de carbono do planeta, não podem esperar por uma reversão dessa evolução dramática, assim como nós também não podemos’. É uma lástima que no Brasil os oceanos sejam esquecidos até por ministros de Estado.

Dia Mundial dos Oceanos.
Imagem, ONU.

O mundo aproveita a efeméride para alertas sobre a dramática situação dos oceanos

‘A sustentabilidade dos oceanos é uma prioridade da diplomacia verde da UE’, diz a nota da Comissão Europeia. ‘Na 9a Conferência “Nosso Oceano”, realizada na Grécia no início de 2024, a UE assumiu 40 novos compromissos para os oceanos seguros, limpos, saudáveis e geridos de forma sustentável. Além disso, a doação de cerca de 3,5 mil bilhões de euros dos vários fundos da UE, é a maior contribuição desde o início das conferências “Our Ocean” há dez anos’.

Delegados de 130 países e organizações participaram da conferência este ano, com duração de três dias. Não há informação se o Brasil participou. Em nossa pesquisa não achamos qualquer referência à participação do País.

Mais uma vez, no Brasil, tudo relacionado ao meio ambiente concentra-se em terra firme: biomas desmatados, rios poluídos, lixões a céu aberto, poluição do solo, da água dos rios e da atmosfera, entre outros.

Se você pesquisar “problemas ambientais do Brasil”, no Google ou qualquer outro buscador, verá informações como estas: Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 90% dos municípios brasileiros enfrentam problemas ambientais. Entre os mais relatados, estão queimadas, desmatamentos e assoreamento de rios.

Sobre o mar territorial, e o litoral (onde começa a cadeia de vida para 90% das espécies marinhas) não há nada. Isso apenas reflete o desleixo do poder público desde a redemocratização. Mesmo agora, com um ícone do ambientalismo mundial no comando do Ministério de Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, até hoje, um ano e meio depois da posse, ainda não fez um pronunciamento público sobre o mais importante ecossistema, sem o qual não haveria vida na Terra.

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Brasil só discute sobre oceanos quando  ‘famosos’ polemizam

Aqui, na Terrinha, não se discute sobre o litoral e mar territorial a não ser quando ‘influenciadores’ ou artistas renomados, como Luana Piovani, iniciam alguma polêmica nas redes sociais como foi o caso da PEC das praias.

Por isso, ficam ainda mais grotescos os pronunciamentos do presidente jurando que seremos protagonistas da causa ambiental mundial. Pura galhofa. Entretanto, somos protagonistas em desmatar florestas, poluir os mares, ignorar espécies invasivas em nosso mar territorial, não produzir  estatísticas da pesca, permitir que a especulação imobiliária destrua mangues, restingas e dunas (protegidos por lei, são APPs) para que alguns privilegiados tenham ‘vista para o mar’. Mas tem mais, falta fiscalização no litoral. Acredite, nem mesmo nas poucas  unidades de conservação federais do bioma marinho existe fiscalização, entre outros problemas escandalosos.

No Brasil, a discussão sobre litoral e mar territorial só acontece em publicações da academia ou sites especializados. A maior parte dos políticos e dos gestores municipais e estaduais, só abrem a discussão quando propõem negociatas que favorecem minorias, como a malfadada PEC das Praias.

Se este site tivesse recursos, processaríamos o governo em suas três instâncias, por prevaricação. Posto isto, voltemos à mídia do exterior e o Dia Mundial dos Oceanos.

Turismo sustentável no litoral e outros temas da Conferência Nosso Oceano

Na cúpula deste ano, enfatizaram o turismo sustentável em áreas costeiras, o transporte marítimo ecológico, a diminuição de plásticos e microplásticos nos oceanos e a transição verde no mar Mediterrâneo.

Enquanto isso, no Brasil, discute-se liberar os jogos de azar para encher o litoral com resorts e imensos complexos hoteleiros com mesas de roleta, blackJack, e crepe.

A ONU e o ‘Estado terrível dos oceanos’

Neste 7 de junho a ONU assim se pronunciou: “O conhecimento sobre o estado terrível do oceano é claro. Mas não estamos ouvindo. Para motivar o impulso generalizado para o oceano, precisamos despertar novas profundidades.”

E mais: “Não temos tempo para o “longe da vista, longe do coração”. Se o mundo está entorpecido pelos números, para motivar a dinâmica será necessário abrir as mentes, despertar os sentidos e inspirar possibilidades para proteger o coração pulsante do nosso planeta.”

Em tempo, no Brasil oficial não foi divulgada nenhuma ação específica do Ministério de Meio Ambiente para este dia especial, ou de qualquer outra autoridade.

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Relatório State of the Ocean, da UNESCO

Para encerrar, o relatório da UNESCO, State of te Ocean -2024– que traz uma série de informações científicas sobre o estado atual dos oceanos, envolvendo aspectos físicos, químicos, ecológicos e socioeconômicos, alerta sobre a elevação das temperaturas dos oceanos. O monitoramento  revelou que isso ocorre não apenas nas águas superficiais. Já se sabe que o aquecimento em zonas mais profundas acontece em um ritmo sem precedentes.

Oceanos enfrentam ameaça tripla enquanto o Brasil dorme sono profundo

Ao mesmo tempo, um novo estudo revelou que os oceanos sofrem uma “tripla ameaça” de perda de oxigênio, calor extremo e acidificação.

“O oceano está se tornando mais quente, mais ácido e a perder oxigênio devido às alterações climáticas. Para além desta tendência, os aumentos súbitos de temperatura ou as quedas de pH ou de oxigênio afetam negativamente os organismos marinhos quando estes não conseguem adaptar-se rapidamente a estas condições extremas”, refere o estudo.

Enquanto isso, no Brasil oficial além de reinar o silêncio, os poucos navios oceanográficos estão parados há sete meses nos respectivos portos por falta de verbas.

Protagonistas de quê mesmo?

Assista ao vídeo da ONU sobre o Dia Mundial dos Oceanos

Join us for UN World Oceans Day 2024 | Event 7th June LIVE | United Nations

Navios oceanográficos brasileiros  parados no porto por falta de verba

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