Cruzeiro Hondius, a nau dos rejeitados ruma para Canárais
A ‘nau dos rejeitados’ deve chegar neste domingo nas Ilhas Canárias. Até 9 de maio de 2026, o surto do hantavírus dos Andes no navio de cruzeiro Hondius, resultou em oito casos notificados (seis confirmados e dois prováveis) e três mortes. O navio está navegando para as Ilhas Canárias, Espanha, onde chega neste domingo. O cruzeiro saiu de Ushuaia, Argentina, em 20 de março. A viagem deveria terminar em 4 de maio, em Cabo Verde. O navio cruzou o Atlântico Sul em direção ao arquipélago africano enquanto pessoas morriam a bordo contaminadas pela cepa Andes, único que pode passar de uma pessoa para outra. É difícil imaginar o clima dentro de um barco relativamente pequeno, lento e isolado no Atlântico, enquanto passageiros adoecem e morrem por hantavírus.
Cinco casos confirmados e quatro casos suspeitos
Enquanto isso, dois casos suspeitos, identificados na sexta-feira, 8 de maio, acenderam o alerta internacional. Eles surgiram longe do navio de cruzeiro onde o possível surto começou: um na Espanha e outro na remota ilha de Tristão da Cunha, no Atlântico Sul.

Autoridades da Organização Mundial da Saúde informaram que seis dos oito casos registrados até agora deram positivo para hantavírus.
A organização, porém, reforça que o vírus preocupa quem contrai a infecção, mas raramente passa de uma pessoa para outra. Contudo, para aqueles confinados num espaço restrito, como é o caso dos passageiros, a infecção pode se espalhar. E é por este motivo que usamos a expressão ‘navio dos rejeitados’.

Cruzeiro Hondius tem uma janela de tempo estreita para tirar os passageiros
Autoridades espanholas disseram a repórteres que o Hondius tem uma janela de tempo bastante estreita para tirar os passageiros e os enviar para casa. Segundo a Live Science, “a única janela que temos para realizar esta operação é por volta das 12 horas de domingo e até que as condições mudem a partir de segunda-feira”, disse Alfonso Cabello, porta-voz do governo das Ilhas Canárias, (8 de maio).
“Caso contrário, o navio deve sair, e nenhuma operação poderá ocorrer novamente, em teoria, até o fim de maio”, acrescentou, ao citar condições climáticas adversas, como vento e swell.
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Se tudo correr bem, diz a Live Science, os passageiros voltarão a seus países de origem sob quarentena, logo após a chegada da embarcação no domingo, 10 de maio.
Dois casos confirmados no Paraná
De acordo com o G1, o Paraná confirmou dois casos de hantavírus, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. Os pacientes vivem em Pérola d’Oeste, no Sudoeste do estado, e em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Outros 11 casos continuam em investigação. A secretaria descartou mais 21.
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Porém, segundo a secretaria, os casos identificados no Paraná são da cepa silvestre, transmitida por animais como roedores. O estado não registra circulação do vírus Andes, que pode passar de pessoa para pessoa, como nos casos confirmados pela OMS.
Contudo, no mesmo dia deste anuncio, o Conexão Política Brasil revelou que, o Ministério da Saúde da Argentina registrou 42 casos de hantavírus em 2026. Desde o início da temporada epidemiológica, que vai de junho a junho, já são 101 casos — quase o dobro dos 57 registrados no mesmo período anterior.
O aumento coincide com a investigação do surto identificado a bordo do navio de cruzeiro Hondius.
Organização Mundial da Saúde monitora a situação
Um total de 146 pessoas de 23 países diferentes permanecem a bordo sob “medidas de precaução rigorosas”, disse a Oceanwide Expeditions.
Cabo Verde barra desembarque do Hondius
Foi duro convencer as autoridades espanholas a aceitarem o navio. A BBC revelou que as autoridades espanholas concordaram com a medida, mas o presidente das Ilhas Canárias se opôs ao plano.
“Não posso permitir que [o barco] entre nas Canárias”, disse Fernando Clavijo à rádio espanhola Onda Cero. “Esta decisão não é baseada em nenhum critério técnico e nem recebemos informações suficientes.”
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Porém, a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, disse que todos a bordo passarão por uma avaliação médica quando chegarem a Tenerife e, se estiverem aptos a viajar, serão repatriados para seus países de origem.
Quatro continentes em alerta
Segundo a Kctv5, autoridades de saúde de quatro continentes rastreiam e monitoram passageiros que desembarcaram antes da detecção do surto mortal.
Na Argentina, uma equipe de investigadores ainda não partiu para Ushuaia onde as autoridades suspeitam que o surto tenha começado, informou o Ministério da Saúde à Associated Press.
A pandemia de COVID-19 mostrou que a sina de navios quando descobrem surtos de doenças contagiosas. A primeira reação é os portos recusarem a embarcação. Em 2020, vários cruzeiros viveram drama parecido. O Westerdam teve a entrada recusada por diversos países até conseguir atracar no Camboja. O Diamond Princess ficou em quarentena no Japão e se tornou um dos primeiros grandes focos da doença fora da China. Na época da pandemia pelo menos 17 navios de cruzeiros tiveram passageiros com teste positivo para COVID-19.
Você sabe o que é o hantavírus?
O hantavírus aparece, em geral, associado a roedores silvestres ou urbanos infectados. A transmissão ocorre quando pessoas respiram partículas contaminadas por urina, fezes ou saliva desses animais. Também pode ocorrer por contato com material contaminado. Por isso, depósitos, porões, áreas de carga e espaços pouco ventilados despertam preocupação em um navio.
O problema é que a doença pode ser grave. No início, os sintomas lembram uma gripe forte, com febre, dores musculares, dor de cabeça e mal-estar. Em alguns casos, porém, o quadro evolui para dificuldade respiratória, queda de pressão e falência de órgãos. Daí o medo das autoridades sanitárias.
O surto desencadeou uma resposta internacional de saúde pública
Segundo o site da ONU, ‘um surto de hantavírus mortal a bordo de um navio de cruzeiro no Atlântico desencadeou uma resposta internacional de saúde pública’.
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A Organização Mundial da Saúde, um braço da ONU, está coordenando evacuações e avaliações de risco após a morte de três pessoas e múltiplas infecções suspeitas. Um paciente permanece em terapia intensiva na África do Sul.
Segundo, Bhanu Bhatnagar, da OMS ‘as infecções do vírus são incomuns e geralmente ligadas a roedores infectados. Em alguns casos, podem ser graves, mas raramente passam de uma pessoa para outra. O risco para o público em geral permanece baixo neste momento, e não há motivo para preocupações ou restrições de viagem’.
Um homem testou positivo para hantavírus na Suíça
A bordo havia 149 pessoas, de 23 nacionalidades, segundo a Oceanwide Expeditions. É difícil imaginar o clima dentro de um navio de expedição relativamente pequeno, lento e isolado no Atlântico, enquanto passageiros adoecem e morrem em circunstâncias ainda sob investigação.
Segundo kctv5, na quarta-feira, 6 de abril, surgiu a informação de que um homem testou positivo para hantavírus na Suíça depois de desembarcar em St. Helena. Ainda não se sabe, porém, por onde ele passou nesse intervalo.
E na quinta-feira, 7 de abril, autoridades de saúde de Singapura informaram que monitoravam dois homens que desembarcaram em St. Helena, seguiram para a África do Sul e depois voltaram para casa. Os dois chegaram a Singapura em momentos diferentes. As autoridades disseram que eles estavam isolados e passavam por testes.
Assista a entrevista com um médico a bordo do cruzeiro Hondius









