Cruzeiro Hondius, a nau dos rejeitados ruma para Canárais

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Cruzeiro Hondius, a nau dos rejeitados ruma para Canárais

Sexta-feira, 8 de maio de 2026: As últimas notícias e atualizações sobre o surto de hantavírus associado ao navio de cruzeiro Hondius. O navio está navegando para as Ilhas Canárias, Espanha, onde deve chegar no domingo. Segundo a BBC, o cruzeiro saiu de Ushuaia, Argentina, em 20 de março. A viagem deveria terminar em 4 de maio, em Cabo Verde.  No caminho, cruzou o Atlântico Sul em direção ao arquipélago africano. É difícil imaginar o clima dentro de um navio relativamente pequeno, lento e isolado no Atlântico, enquanto passageiros adoecem e morrem por hantavírus. Testes confirmaram a infecção de pelo menos cinco pessoas pelo hantavírus Andes, encontrado na América do Sul. Entre as 38 cepas conhecidas, ele é o único que pode passar de uma pessoa para outra. A infecção pode causar a síndrome pulmonar por hantavírus, doença grave e muitas vezes fatal.

Navio de Cruzeiro Hondius

Cinco casos confirmados e quatro casos suspeitos

Até 8 de maio, cinco casos confirmados e quatro casos suspeitos de infecção por hantavírus foram associados a um cruzeiro que, depois de ficar ancorado por três dias em Cabo Verde, agora navega em direção às Canárias. Três pessoas foram evacuadas um inglês, outro, holandês e o terceiro, um alemão informou a BBC em 7 de abril. E concluiu, três pessoas que estavam a bordo morreram desde que partiu da Argentina há um mês.

De acordo com a Live Science, Foi o que Gustavo Palacios, especialista em hantavírus e professor de microbiologia da Escola de Medicina Icahn do Monte Sinai, em Nova York, que documentou um surto anterior da doença, disse ao El País em uma reportagem publicada hoje.

Organização Mundial da Saúde monitora a situação

Segundo a rede inglesa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também confirmou que um homem que viajou de volta para a Suíça depois de desembarcar testou positivo para o hantavírus e está recebendo cuidados em Zurique.

O New York Times revelou que o governo espanhol receberá o Nondius. A Organização Mundial da Saúde disse que a transmissão de humano para humano pode ter desempenhado um papel no surto.

Um total de 146 pessoas de 23 países diferentes permanecem a bordo sob “medidas de precaução rigorosas”, disse a Oceanwide Expeditions.

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Cabo Verde barra desembarque do Hondius

Foi duro convencer as autoridades espanholas a aceitarem o navio. A BBC revelou que as autoridades espanholas concordaram com a medida, mas o presidente das Ilhas Canárias se opôs ao plano.

“Não posso permitir que [o barco] entre nas Canárias”, disse Fernando Clavijo à rádio espanhola Onda Cero. “Esta decisão não é baseada em nenhum critério técnico e nem recebemos informações suficientes.”

Rota do Cruzeiro Hondius
A rota do Hondius até 7 de abril segundo a BBC.

Porém, a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, disse que todos a bordo passarão por uma avaliação médica quando chegarem a Tenerife e, se estiverem aptos a viajar, serão repatriados para seus países de origem.

Quatro continentes em alerta

Segundo a Kctv5, autoridades de saúde de quatro continentes estão rastreando e monitorando passageiros que desembarcaram do navio atingido por hantavírus antes de seu surto mortal ser detectado.

Na Argentina, uma equipe de investigadores ainda não partiu para Ushuaia onde as autoridades suspeitam que o surto tenha começado, informou o Ministério da Saúde à Associated Press.

A pandemia de COVID-19 mostrou que a sina de navios quando descobrem surtos de doenças contagiosas. A primeira reação é os portos recusarem a embarcação. Em 2020, vários cruzeiros viveram drama parecido. O Westerdam teve a entrada recusada por diversos países até conseguir atracar no Camboja. O Diamond Princess ficou em quarentena no Japão e se tornou um dos primeiros grandes focos da doença fora da China. Na época da pandemia pelo menos 17 navios de cruzeiros tiveram passageiros com teste positivo para COVID-19.

Você sabe o que é o hantavírus?

O hantavírus aparece, em geral, associado a roedores silvestres ou urbanos infectados. A transmissão ocorre quando pessoas respiram partículas contaminadas por urina, fezes ou saliva desses animais. Também pode ocorrer por contato com material contaminado. Por isso, depósitos, porões, áreas de carga e espaços pouco ventilados despertam preocupação em um navio.

O problema é que a doença pode ser grave. No início, os sintomas lembram uma gripe forte, com febre, dores musculares, dor de cabeça e mal-estar. Em alguns casos, porém, o quadro evolui para dificuldade respiratória, queda de pressão e falência de órgãos. Daí o medo das autoridades sanitárias.

O surto desencadeou uma resposta internacional de saúde pública

Segundo o site da ONU, ‘um surto de hantavírus mortal a bordo de um navio de cruzeiro no Atlântico desencadeou uma resposta internacional de saúde pública’.

A Organização Mundial da Saúde, um braço da ONU, está coordenando evacuações e avaliações de risco após a morte de três pessoas e múltiplas infecções suspeitas. Um paciente permanece em terapia intensiva na África do Sul.

Segundo, Bhanu Bhatnagar, da OMS ‘as infecções do vírus são incomuns e geralmente ligadas a roedores infectados. Eles podem ser graves em alguns casos, e não são facilmente transmitidos entre as pessoas.  O risco para o público em geral permanece baixo neste momento, e não há motivo para preocupações ou restrições de viagem’.

23 nacionalidades a bordo: um navio de Babel

A bordo havia 149 pessoas, de 23 nacionalidades, segundo a Oceanwide Expeditions. É difícil imaginar o clima dentro de um navio de expedição relativamente pequeno, lento e isolado no Atlântico, enquanto passageiros adoecem e morrem em circunstâncias ainda sob investigação.

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Segundo kctv5, na quarta-feira, 6 de abril, surgiu a informação de que um homem testou positivo para hantavírus na Suíça depois de desembarcar em St. Helena. Ainda não se sabe, porém, por onde ele passou nesse intervalo.

E na quinta-feira, 7 de abril, autoridades de saúde de Cingapura informaram que monitoravam dois homens que desembarcaram em St. Helena, seguiram para a África do Sul e depois voltaram para casa. Os dois chegaram a Cingapura em momentos diferentes. As autoridades disseram que ambos estavam isolados e passavam por testes.

Assista a entrevista com um médico a bordo do cruzeiro Hondius

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