Arqueologia submarina cresce no mundo

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Arqueologia submarina cresce no mundo, mas engatinha no Brasil

“Sempre foi difícil acessar locais embaixo d’água. Mas há um fascínio especial por possíveis sítios arqueológicos escondidos sob oceanos, lagos e rios. Os naufrágios estão longe de ser a única coisa a documentar, estudar e preservar debaixo d’água. Há também desde restos humanos muito antigos até assentamentos submersos, como porções da antiga Alexandria, a cidade egípcia que afundou parcialmente no Mediterrâneo ao longo dos séculos.”O texto acima é da National Geographic (cujo acervo agora estes on Line no Brasil). A arqueologia submarina cresce no mundo, mas engatinha no Brasil.

imagem de mergulhadores trabalhando em arqueologia submarina
Imagem, NOAA ONMS.

Arqueologia submarina, disciplina desafiadora

NT: “Muitas vezes, a caça a objetos submersos apresenta sérias questões logísticas e interpretativas. Os pesquisadores precisam recrutar mergulhadores (que também são arqueólogos) com a capacidade de documentar e manusear adequadamente objetos delicados. As condições meteorológicas e as marés podem impedir uma expedição. E quando um sitio é localizado, pode ser complicado estudo-lo. A água é dinâmica e os objetos são suscetíveis a seu fluxo e refluxo. Ela pode quebrar materiais e misturá-los de uma forma que dificulta a interpretação. A conservação pode ser ainda mais complicada. A água pode ser dura em objetos já delicados, e mover um objeto recém-recuperado fica ainda mais difícil quando está submerso.”

As leis locais e internacionais

“As leis locais e internacionais também se aplicam. A UNESCO, braço cultural da ONU, estabeleceu leis internacionais em torno do patrimônio cultural subaquático que exige a preservação in situ como a opção ideal quando se pesquisa um sítio arqueológico submerso. Isso significa que muitos achados subaquáticos devem ser deixados onde foram encontrados. Isso pode adicionar outra camada de desafio para os pesquisadores que documentam sites com locais que nunca podem ser revelados ao público para evitar vandalismo ou saques.”

Novas e velhas tecnologias

Artigo de Daniel J. Lenihan, ‘Recent Advances in Underwater Archaeology’ diz que “Apenas uma pequena porcentagem das novas tecnologias usadas na arqueologia subaquática foi originalmente desenvolvida para esse propósito. Duas forças contribuíram aos avanços tecnológicos eventualmente adotados neste campo: a exploração de petróleo e recursos minerais na plataforma continental (saiba o que é) , e a guerra anti-submarino. O embarque offshore para exploração de petróleo e gás proporcionou o maior ímpeto para o design de sofisticados instrumentos de contorno e apalpadores de fundo e sistemas de posicionamento precisos.” Mas, apesar de todos os avanços da tecnologia, um problema persiste. O alto custo.

Dois grande avanços da tecnologia para a arqueologia submarina

Dois grandes avanços foram feitos na forma como fazemos a arqueologia marítima debaixo d’água. O primeiro é o uso crescente de veículos submarinos autônomos, ou AUVs. Estes robôs, equipados com aparelhos digitais de imagem subaquática, podem inspecionar o fundo do mar de forma independente. Sem necessidade de serem controlados por um operador humano. Eles podem ir mais fundo e permanecer na água por mais tempo do que os mergulhadores. Isso nos dá uma ferramenta para mapear pedaços maciços do fundo do mar que ainda estão em grande parte sem documentação. No entanto, não devemos desconsiderar o valor dos arqueólogos marítimos visitando fisicamente e experimentando o local em primeira mão. Usando a tecnologia rebreather, dispositivos que reciclam o ar e filtram os gases ruins, os mergulhadores agora podem ir mais fundo e ficar mais tempo submerso do que antes.

Legislação no Brasil

Quem explica é Gilson Rambelli, professor associado do Departamento de Arqueologia da Universidade Federal de Sergipe. “A Lei federal 7.542, de 1986, pôs fim ao porcentual concedido à livre iniciativa pela exploração do patrimônio cultural submerso. Essa lei propiciou, em 1989, que fosse baixada a Portaria Interministerial nº 69, entre Ministério da Marinha e Ministério da Cultura, que representou, pela primeira vez, a inclusão do Ministério da Cultura nas questões pertinentes ao patrimônio cultural subaquático brasileiro. Estabeleceu critérios, mas para os artefatos já resgatados e, não, sobre a maneira de retirá-los, de intervir sobre os sítios.”

A r c h e n a v e – Comissão de Arqueologia, História e Etnografía Naval

“Também na segunda metade da década de 1980, no âmbito do Ministério da Cultura, foi elaborada a proposta de constituição da A r c h e n a v e – Comissão de Arqueologia, História e Etnografía Naval, com o objetivo de inventariar todo o patrimônio naval em águas brasileiras , submerso ou não, com a intenção de garantir a preservação desse patrimônio arqueológico / histórico / etnográfico. No entanto, o projeto A rchenave, que esboçava uma política de preservação e de estudo do patrimônio naval, não passou de uma tentativa teórica que não chegou a se concretizar. Seu discurso protecionista ia de encontro ao forte discurso existente na época, que defendia a necessidade de comercialização do patrimônio como única forma de financiar as pesquisas subaquáticas.”

Lei federal 10.166/00

“Em dezembro de 2000, foi sancionada, certamente com influência do bbby político dos que acham que arqueologia deve se ocupar dos sítios terrestres, a Lei federal 10.166/00 – alterando o texto da Lei federal 7.542/86. Esta Lei estabelece valor de mercado aos bens arqueológicos subaquáticos resgatados de embarcações naufragadas e suge sua comercialização, por empresas de caça ao tesouro nacionais e internacionais. Vale dizer que, desde 1995, a Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), conhecedora do Projeto de Lei que se transformou nesta lei e que tramitava no Congresso Nacional, manifestou- -se oficialmente, várias vezes, contrária a este projeto, mas nunca foi ouvida nem consultada por nenhum parlamentar.”

Achados recentes

Certamente, o mais conhecido fruto destes avanços da tecnologia foi a descoberta do icônico Titanic, no fundo do Atlântico Norte. Ou, o que os arqueólogos  acreditam ser o mais antigo naufrágio intacto do mundo, no Mar Negro, onde parece ter permanecido inalterado por mais de 2.400 anos. Mas, se estas descobertas encantam as pessoas mundo afora, a exploração mineral,  prestes a começar nas profundezas, fruto dos mesmos avanços de que falamos, assusta os pesquisadores.

Imagem de abertura: NOAA ONMS

Fontes: https://www.nationalgeographic.com/culture/archaeology/underwater-archaeology/?cmpid=org=ngp::mc=crm-email::src=ngp::cmp=editorial::add=History_20190812&rid=B71B4A33397786AAA2444AAD1304EA43; https://link.springer.com/chapter/10.1007%2F978-1-4615-4145-5_6; https://www.futurelearn.com/courses/shipwrecks/0/steps/7994;

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