Zona do crepúsculo no oceano e a vida marinha, conheça

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A zona do crepúsculo no oceano pode ser a chave para alimentar e proteger a vida na Terra

Você pode pensar na zona do crepúsculo no oceano como uma série de ficção científica. Mas a expressão também se refere àquela camada profunda, escura e mediana do oceano, entre 200 e até 1000 metros. Parte do oceano que foi largamente ignorada até agora. Uma equipe de cientistas do Instituto Oceanográfico Woods Hole, de Massachusetts, voou para as Bahamas para estudar esse lugar misterioso.  Como eles sobrevivem nesta zona onde não crescem plantas? O que comem? Quais são as adaptações que os permite sobreviver, reproduzir e florescer? São algumas perguntas ainda sem respostas.

ilustração de descobertas da Zona do crepúsculo no oceano
Descobertas da Zona do crepúsculo no oceano. Ilustração, Woods Hole.

Censo de vida marinha na zona do crepúsculo no oceano

O site www.dn.pt diz que “investigadores do Censo de Vida Marinha apresentaram em 2010 a primeira lista da vida marinha. Ela registrou 17.650 espécies a mais de 200 metros de profundidade. E 5.722 a mais de um quilômetro. Este é o local que os estudiosos definem como “zona de crepúsculo“, onde a ausência de luz impede o processo de fotossíntese.

ilustração das profundidades oceânicas e suas definições
As profundidades oceânicas e suas definições. Ilustração, www.dailymail.co.uk.

A viagem dos cientistas de Woods Hole

De acordo com o site qz.com, “a viagem faz parte de um projeto de seis anos. Este projeto usa novas tecnologias para entender melhor a zona do crepúsculo antes que seja tarde. Pesquisas sugerem que há mais peixes do que em qualquer outra parte dos oceanos. Esta pode ser a próxima fronteira para a indústria pesqueira. À medida que a pesca de águas superficiais decai, os cientistas do Woods Hole querem coletar informações para políticas que permitam que a zona do crepúsculo seja explorada de forma sustentável.”

ONU e a Zona do crepúsculo

Artigo de Mark Abbott, Ph.D., diretor da Woods Hole Oceanographic Institution, Chris Scholin, Ph.D.,  diretor executivo do Instituto de Pesquisa Monterey Bay Aquarium  para o site https://thehill.com: “Os delegados das Nações Unidas se reunirão em Nova York em agosto de 2019 para discutir o futuro do oceano global. Esta será a terceira sessão da ONU em menos de um ano. O objetivo é desenvolver um novo acordo internacional sobre como administrar de maneira sustentável a vida marinha em mar aberto.”

‘Biodiversidade em áreas além da jurisdição nacional’

Site https://thehill.com: “As discussões iniciais em 2018 e 2019 sobre “Biodiversidade em áreas além da jurisdição nacional” se concentraram em regiões para as quais temos dados científicos: águas superficiais e fundo marinho. Acreditamos que é igualmente imperativo que os delegados incluam a meia água do oceano – a zona do crepúsculo – e reconheçam seu papel vital no apoio às redes alimentares oceânicas e na regulação do clima global.”

’10 bilhões de toneladas de peixes na zona do crepúsculo’

“Ainda temos muito trabalho a fazer para avaliar a profusão de vida nesta vasta região. Mas estimativas recentes sugerem que ela poderia conter 10 vezes mais peixes em peso do que o estimado anteriormente – da ordem de 10 bilhões de toneladas.”

Pesca de superfície em declínio e a exploração da Zona do Crepúsculo

“A pesca de superfície está em declínio. E a aquicultura se expande rapidamente. O resultado é um aumento proporcional na demanda por ração para peixes. Em resposta, alguns interesses comerciais já estão colhendo espécies da zona do crepúsculo para produzir farinha de peixe para a aquicultura.”

‘Zona do crepúsculo pode transformar a forma como a humanidade se relaciona com ecossistemas’

E concluem os autores do artigo para o https://thehill.com: “Com a zona do crepúsculo, temos a oportunidade de transformar a forma como a humanidade se relaciona com ecossistemas e recursos pouco conhecidos, mas potencialmente indispensáveis. A água do meio do oceano é remota o suficiente para que permaneça protegida dos impactos humanos. Nós não temos que cometer outro erro de proporções épicas e nos encontrar tentando reparar o dano causado pela superexploração quando já é tarde demais.”

Algumas criaturas marinhas descobertas

O  www.dn.pt diz que, “Entre as criaturas mais estranhas encontradas, descobriu-se um octópode  com dois metros de comprimento, que vive a 1,5 quilómetros de profundidade nas águas do centro do oceano Atlântico. Foi baptizado como “Dumbo” devido às grandes barbatanas em forma de orelha que utiliza para se propulsionar.”

Assista ao vídeo do polvo Dumbo

Biodiversidade marinha nas altas profundidades

Os cientistas expressaram a sua surpresa pela diversidade da vida nas profundidades abissais, onde se podem encontrar numerosos organismos vivos, já que muitas destas espécies chegam a viver a profundidades de até cinco quilômetros. Robert Carney, um dos responsáveis pelo projeto destacou que é “difícil de entender que haja tanta diversidade” no fundo dos mares e oceanos. “Apesar do solo dos fundos profundos parecer monótono e pobre em alimentos, existe lá a maior diversidade de espécies possível”, assinalou Carney, que relacionou o fenômeno com os numerosos recursos dos organismos para sobreviver num ambiente tão hostil.

Zona do crepúsculo, definição

É um elo crítico entre a superfície e o oceano profundo. Cientistas estão interessados ​​no que acontece lá. É um componente importante da cadeia alimentar oceânica. Há uma pele fina no topo do oceano, onde a luz penetra, a fotossíntese acontece e o fitoplâncton cresce. Alguns zooplânctons e peixes na zona crepuscular migram diariamente para águas superficiais para se alimentar de fitoplâncton, ou comem uns aos outros. Mas muitos bichos no fundo do mar ou no fundo comem detritos – fitoplâncton morto ou as fezes do zooplâncton, por exemplo que afunda da superfície como o maná do céu. É chamado de “neve marinha”. É o suprimento de comida para o mar profundo.

Projeto Ocean Twilight Zone

O projeto Ocean Twilight Zone envolverá uma série de expedições a diferentes partes do oceano, onde os cientistas estão usando veículos operados remotamente e redes de reboque para coletar DNA da água e até mergulhar em um submersível para ver a zona do crepúsculo com seus próprios olhos. A expedição às Bahamas foi financiada pela OceanX e ocorreu em seu navio de pesquisa Alucia.

Imagem de abertura – Woods Hole

Fontes – https://www.dn.pt/ciencia/interior/descobertas-especies-que-vivem-na-escuridao-do-mar-1428806.html; https://qz.com/1582785/scientists-explore-the-oceans-forgotten-twilight-zone/; https://thehill.com/opinion/energy-environment/457057-the-un-should-protect-the-oceans-twilight-zone.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Para a dieta da grande maioria dos brasileiros esta matéria terá pouco ou nenhum significado, pois o consumo per capita de pescados no Brasil mal deve atingir 8 kg/ano e sequer temos indústria pesqueira com capacidades de captura, processar e exportar os frutos do mar com exceções de camarões cultivados com lesivos danos a natureza.
    Como boa parte da humanidade aprende pela sabedoria ou pela dor, num futuro próximo iremos “chorar” pelos descasos do pobre litoral brasileiro, que naturalmente tem fauna limitada pelas águas quentes e agregue-se o fantástico aquecimento global também os caçadores alienígenas com seus navios fábrica.

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