Mineração no fundo do mar está começando

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Mineração no fundo do mar: ouro, cobre, entre outros minérios, poderão ser extraídos das profundezas. Impactos ambientais severos são esperados.

imagem navio de mineração no fundo do mar
Navio preparado para mineração no fundo do mar

Primeira mina no fundo do mar

Os planos para abrir a primeira mina do mundo no fundo do oceano estão mais próximos de se tornarem realidade. Uma empresa de mineração canadense fechou um acordo com o governo de Papua Nova Guiné para começar a minerar uma área no fundo do mar.

Fontes termais contribuem para a formação de minérios

O projeto polêmico pretende extrair minérios de cobre, ouro e outros metais valiosos de uma profundidade de 1.500 metros. A mina terá como alvo uma área de fontes hidrotermais onde águas superaquecidas, e altamente ácidas, emergem do fundo do mar e encontram a água muito mais fria e alcalina do oceano, forçando-a a depositar altas concentrações de minerais.

O resultado é que o fundo do mar na região fica coberto de minérios que são muito mais ricos em ouro e cobre do que os minérios encontrados nas minas terrestres.

imagem ilustração mineração no fundo do mar

Novas tecnologias, oriundas do petróleo, contribuem para a mineração

Durante décadas, a ideia de minerar esses depósitos tem sido inviabilizada por causa do desafio de engenharia e dos altos custos. Com o aumento das operações de petróleo e gás nas últimas décadas, desenvolveu-se uma série de tecnologias avançadas que permitem a exploração em grandes profundidades.

Mais uma vez, Papua Nova Guiné é escolhida

Segundo o acordo assinado, o governo de Papua Nova Guiné terá uma participação de 15% na mina oceânica, contribuindo com US$ 120 milhões para cobrir os custos da operação.

A mina, conhecida como Solwara-1, será escavada por uma frota de máquinas robóticas controladas a partir de um navio na superfície. O plano consiste em quebrar a camada superior do fundo do mar de modo que o minério possa ser bombeado para cima como lama.

Para quebrar as rochas e raspar o fundo do mar será empregada a maior máquina, um triturador pesando 310 toneladas, que trabalhará 24 horas por dia.

imagem máquina de mineração no fundo do mar
Maior máquina da mina, um triturador pesando 310 toneladas,

Promessa de impacto mínimo: difícil acreditar

De acordo com a empresa canadense responsável, a Nautilus, a mina terá um impacto ambiental mínimo, o equivalente a cerca de 10 campos de futebol e com foco em uma área que é suscetível de ser rapidamente recolonizada pela vida marinha. Difícil acreditar já que a mineração é extremamente impactante ao meio ambiente mesmo em terra firme, que diria debaixo d’água. Muitas minas em terra usam o sistema, inclusive algumas em Papua Nova Guiné, de descarte conhecido como DSTL, Deep Submarined Tailings Disposal, quando milhares de toneladas de rejeitos das minas de terra firme são depositadas no fundo do mar causando severos danos. Vale a pena ler o relatório acima.

Ambientalistas dizem que atividade será ‘devastadora’

Enquanto muitos apontam para os “tesouros minerais” no fundo do mar, ambientalistas dizem que a mineração oceânica será devastadora, causando danos duradouros à vida marinha.

Mineração no fundo do mar causa debate entre ambientalistas

Só recentemente a ONU publicou as primeiras regras para tentar normatizar a mineração no fundo do mar. As perspectivas    geraram um forte debate entre cientistas marinhos.

Advertências de cientistas sobre  a mineração no fundo do mar

Jon Copley, biólogo da Universidade de Southampton, não crê que tenhamos a propriedade sobre o oceano profundo, no sentido de que possamos fazer o que quisermos com ele. O biólogo Paul Tyler, do Centro Nacional Oceanográfico, da Grã-Bretanha, adverte de que espécies únicas podem ser colocadas em risco.

A química marinha, Rachel Mills, da Universidade de Southampton, sugere um debate mais amplo sobre a mineração em geral, com o argumento de que todos nós usamos minerais e que as minas em terra são muito maiores do que seria qualquer uma no leito do mar.

Brasil adere à mineração submarina

Apesar dos alertas dos cientistas para os imensos problemas da mineração submarina, o Brasil é o próximo país da lista a iniciar esta atividade atrás de metais como cobalto, platina, manganês, tálio e telúrico. O Brasil será o primeiro país do Hemisfério Sul a praticar esta atividade, prevista para acontecer  na Elevação Rio Grande, área de 3 mil quilômetros quadrados, distando cerca de 1.100 KM da costa do Rio Grande.

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