Tubarão-limão, ameaçado, pode estar se recuperando

0
1021
views

Tubarão-limão, ameaçado, pode estar se recuperando no Atol das Rocas

O tubarão-limão está na lista da IUCN como ‘vulnerável’. Ele habita águas rasas subtropicais, como recifes de corais, manguezais, baías e fozes de rios. Entretanto, também é encontrado em mar aberto até 92 metros de profundidade. Sua área inclui o Atlântico Ocidental, do norte ao sul do Brasil, Golfo do México e Mar do Caribe. Também está presente no leste do Atlântico Norte e no Pacífico Oriental. Seu nome vem da cor marrom-amarelada, que ajuda na camuflagem. Eles podem pesar até 250 kg, medir 3,7 m e viver até 30 anos. A boa nova é que o número de tubarões- limão aumentou no Atol das Rocas, Rio Grande do Norte, após um declínio nos anos 2000.

Tubarão Limão
Imagem, © Albert Kok, Wikicommons.

A contagem no Atol das Rocas

De acordo com a agência Bori, pesquisadores realizaram 462 contagens visuais em 45 dias. Eles estudaram a abundância dos tubarões-limão, seus comportamentos sazonais e as condições de maré. Os institutos envolvidos incluem o Instituto Oceanográfico (IO) e o Centro de Biologia Marinha (CEBIMar) da USP, além da UFRPE. A revista “Ocean and Coastal Research” publicou os resultados da pesquisa.

As observações ocorreram na Baía Lama, Reserva Biológica no Atol das Rocas, durante expedições no inverno e no verão de 2015. Analisaram diferentes pontos das ilhas, horários e tipos de correntes marítimas. Avistaram mais de 2300 tubarões-limão, o dobro do número de 2003. Isso sugere um crescimento significativo da presença dessa espécie na área.

Segundo Ana Laura Tribst Corrêa, autora do estudo e atualmente pesquisadora de projeto vinculado ao CEBIMar-USP, esse aumento se deve a uma série de fatores. “Um dos motivos pode ter sido a proibição de um tipo específico de pesca, que consiste na remoção das nadadeiras do tubarão-limão e posterior devolução da carcaça do animal para o mar”.

Outra possibilidade é o aumento devido a uma flutuação natural no número de fêmeas em idade de reprodução ou como decorrência da diminuição de trabalhos de pesquisa com métodos invasivos, que assustavam os animais, comuns na região no começo dos anos 2000.

Pesca de tubarões continua a aumentar

Quando Ana Laura Tribst Corrêa realizou sua pesquisa, ela não tinha acesso às informações mais recentes. Uma nova pesquisa, divulgada na revista Science em janeiro de 2024, mostrou um aumento no reconhecimento dos tubarões como alguns dos animais selvagens mais ameaçados nas últimas duas décadas. Isso levou a um aumento nas regulamentações para protegê-los. No entanto, ainda não tinham avaliado o efeito dessa proteção na mortalidade dos tubarões por pesca em escala global. A pesquisa revelou que a mortalidade total de tubarões devido à pesca aumentou de pelo menos 76 milhões para 80 milhões entre 2012 e 2019. Deste número, aproximadamente 25 milhões eram de espécies ameaçadas.

PUBLICIDADE

Neste mesmo período descobriram que as tradicionais lojas que vendem ‘Fish and chips’, na Grã-Bretanha, estavam usando carne de tubarão com outro nome. Um artigo, publicado na revista científica Nature, descobriu que 78 amostras diferentes de produtos de carne de tubarão encontradas em lojas  estavam marcadas com nomes potencialmente enganosos.

É o mesmo procedimento adotado no Brasil. A carne de tubarão vendida em supermercados tem o nome de filés de cação. Assim, o consumidor pensa que está comendo outro peixe, uma vez que a maioria não sabe que tubarão e cação são sinônimos. A BBC confirma: Segundo dados preliminares de uma sondagem encomendada por pesquisadores brasileiros aos quais a BBC News Brasil teve acesso, praticamente sete em cada 10 brasileiros (69%) “não sabem que carne de cação é de tubarão”.

A BBC confirma o que este site já disse muitas vezes, o Brasil é o maior importador e consumidor de carne de tubarão do mundo, apesar de a grande maioria dos brasileiros não ter ideia disso “por falta de rotulagem adequada”, alertam as pesquisadoras Bianca Rangel e Nathalie Gil em entrevista à BBC News Brasil.

Tubarão na merenda escolar

Em 2021 a Prefeitura de São Paulo realizou um leilão que visava a compra de mais de 650 toneladas de carne de cação congelada, em cubos e sem pele, destinadas ao abastecimento das unidades educacionais vinculadas ao Programa de Alimentação Escolar (PAE). Isso acontece em muitas cidades do País.

No mesmo ano, graças a Sea Shepherd Brasil, Santos foi reconhecida a primeira cidade do País a banir definitivamente a carne de cação da merenda escolar da rede municipal de ensino.

Seja como for, a novidade descoberta no Atol das Rocas não deixa de ser uma ótima notícia que merece ser comemorada até pelos fatos que elencamos depois de comentar a descoberta de Ana Laura Tribst Corrêa sobre o aumento da população de tubarões-limão.

O Graf Spee, e a Segunda Grande Guerra no Atlântico Sul

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here