Terra pode ter 20 milhões de espécies de insetos

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Terra pode ter 20 milhões de espécies de insetos

A Terra pode abrigar entre 14 milhões e 20 milhões de espécies de insetos. Isso representa duas ou até três vezes mais do que a ciência estimava até agora. O novo cálculo reforça algo já conhecido: nenhum outro grupo animal reúne tamanha diversidade.

Enxame de cupins voadores c
Enxame de cupins voadores. Wikimedia Commons.

Os pesquisadores chegaram a esse resultado após analisar 53.945 espécies coletadas por apenas 15 armadilhas Malaise na Costa Rica. Essas estruturas funcionam como grandes tendas de tela que interceptam os insetos em voo e os conduzem a um recipiente coletor. Elas ficaram instaladas em áreas de floresta seca, floresta tropical e floresta nublada.

15 armadilhas Malaise na Costa Rica
As armadilhas Malaise na Costa Rica. Ilustração, www.pnas.org.

Mas a novidade muda nossa compreensão sobre a riqueza e o futuro da biodiversidade no planeta.

Os números lembram outro grande vazio do conhecimento humano: a vida marinha. Hoje, a ciência já descreveu pouco mais de 250 mil espécies dos oceanos. No entanto, as estimativas indicam que podem existir entre 700 mil e 2,2 milhões. Ou seja, também conhecemos apenas uma pequena parte da biodiversidade marinha.

Agora, o novo estudo sugere que os insetos podem reunir entre 14 milhões e 20 milhões de espécies. Portanto, apesar dos satélites, robôs submarinos, sequenciamento genético e inteligência artificial, ainda sabemos muito pouco sobre a vida na Terra. Em outras palavras, nossa tecnologia avança rapidamente, mas o conhecimento sobre a biodiversidade continua muito atrás.

Como 53.945 espécies levaram à estimativa de 20 milhões?

Os pesquisadores identificaram 53.945 espécies de insetos nas amostras coletadas na Área de Conservação Guanacaste, na Costa Rica. Em seguida, aplicaram modelos estatísticos para estimar quantas espécies poderiam existir na própria região e, por fim, extrapolaram os resultados para os ecossistemas tropicais do planeta. Com premissas conservadoras, chegaram a um total entre 14 milhões e 20 milhões de espécies. Ou seja, duas a três vezes mais do que a estimativa atualmente aceita pela ciência.

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O que muda com essa descoberta?

Ela não significa que surgiram milhões de novas espécies de insetos de uma hora para outra. Elas sempre estiveram aqui. O que mudou foi a percepção da ciência sobre a dimensão da biodiversidade terrestre. Se a estimativa estiver correta, conhecemos uma parcela muito menor da vida no planeta do que imaginávamos.

Além disso, a descoberta reforça um alerta. A destruição de florestas, savanas e outros ecossistemas pode estar eliminando milhares de espécies antes mesmo que alguém as encontre, descreva ou compreenda seu papel na natureza. Em outras palavras, talvez estejamos perdendo uma parte importante do patrimônio biológico da Terra sem sequer saber que ela existe.

Não se protege o que não se conhece

Dobrar ou triplicar a estimativa de espécies de insetos muda nossa visão da biodiversidade. Muitas dessas espécies ainda são desconhecidas e podem desaparecer com o desmatamento, os agrotóxicos e as mudanças climáticas.

A pesquisadora Laura Melissa Guzman resumiu o problema: não podemos proteger espécies cuja existência ignoramos. Assim, estimar quantas existem ajuda a medir o tamanho do patrimônio ameaçado. Também mostra quanto ainda precisamos pesquisar antes que uma parte dessa biodiversidade desapareça para sempre.

Por que os insetos são indispensáveis?

Os insetos sustentam o funcionamento dos ecossistemas. Eles polinizam a maior parte das plantas com flores, reciclam matéria orgânica, dispersam sementes, controlam pragas e servem de alimento para aves, anfíbios, répteis, peixes e mamíferos. Sem eles, cadeias alimentares inteiras entrariam em colapso, afetando também a agricultura e a produção de alimentos.

Milhões podem desaparecer antes de receber um nome

Desmatamento, agrotóxicos, poluição e mudanças climáticas reduzem populações de insetos em várias regiões. Assim, muitas espécies podem desaparecer antes que a ciência as descubra.

A pesquisadora Laura Melissa Guzman resumiu o desafio: não podemos proteger espécies cuja existência desconhecemos. Portanto, a nova estimativa também revela a urgência de ampliar pesquisas e conservar os habitats naturais.

Uma lição de humildade

A descoberta também deixa um recado para todos nós. Vivemos cercados por tecnologia mas, ainda assim, desconhecemos boa parte da vida que existe na Terra.

Talvez essa seja a maior lição do estudo. Antes de derrubar uma floresta, ocupar uma restinga, construir à beira-mar ou consumir sem pensar nas consequências, convém lembrar o quanto ainda ignoramos sobre os ecossistemas que nos sustentam. A natureza continua muito mais complexa do que nossa capacidade de compreendê-la. Por isso, a prudência e a humildade talvez sejam as atitudes mais inteligentes diante de um planeta que ainda estamos longe de conhecer.

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