Sul da Bahia, um presságio do novo normal

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Sul da Bahia, um presságio do novo normal

São pouquíssimos os agentes públicos brasileiros que levam a sério o aquecimento global. Não bastou a crise hídrica cuja consequência mais grave, o racionamento, ficou para trás por um triz mas, mesmo assim nos custou R$ 16,8 bilhões até outubro, segundo dados do Ministério das Minas e Energia. Antes do ano se despedir, e na sequência da crise hídrica, outro evento extremo se abate desde novembro, desta vez sobre o sul da Bahia. Mais de meio milhão de vidas foram afetadas, 24 pessoas morreram até o momento deste relato; quer maior prova que os eventos extremos são parte do ‘novo normal’? Como sói acontecer, os mais afetados são os mais pobres, aqueles que ocupam com a leniência das autoridades locais irregulares como encostas de morros, margens de rios, etc. Sul da Bahia, um presságio do novo normal.

Imagem do sul da Bahia e enchentes
O sul da Bahia debaixo d’água. Imagem, reprodução Twitter.

Sul da Bahia, um presságio do novo normal

As questões do clima talvez tenham sido um dos assuntos mais discutidos em 2021 não só pela realização da mais importante conferência internacional desde a Rio 92, a COP 26, como pelos inúmeros eventos extremos que desestabilizaram todos os continentes ao longo do ano.

Imagem de Jucuruçu
Imagem prefeitura de Jucuruçu.

Os resultados, aquém do esperado da conferência, geraram um bombardeio de notícias sobre o clima extremo generalizado – aumento do nível do mar, seca, inundações, ondas de calor e tempestades mais violentas – e respectivas devastações ao redor do globo.

A imagem do ano foi produzida durante a cúpula do clima, quando o ministro das Relações Exteriores de Tuvalu, Simon Kofe, fez seu discurso  mergulhado na água do mar até os joelhos para mostrar como sua nação insular do Pacífico sofre os efeitos do aquecimento de que não tem culpa, mas paga a conta até agora.

Alguns dados do Sul da Bahia

Segundo dados da Defesa Civil, 24 pessoas morreram, 42,9 mil estão desalojadas e mais de 500 mil foram afetadas de alguma forma pelas enchentes (até 29/12).

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O Corpo de Bombeiros emitiu um alerta durante a tarde sobre o “risco iminente” de enchentes nas cidades de Itambé, Canavieiras, Mascote e Cândido Sales e orientou “que a população deixe as áreas de risco”.

As áreas de risco, sempre elas. Desafio quem quer que seja a apontar algum gestor político que nos últimos  anos proibiu de fato, ou removeu moradores, de áreas de risco.

E não é por falta de informação.  ‘Um estudo do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do IBGE, publicado em 2018, com base no Censo de 2010, contabilizou pelo menos 6,2 milhões de pessoas morando em áreas sujeitas a deslizamentos de terra no país’.

‘O total chega a 8,2 milhões de brasileiros em 825 monitorados pelo órgão se considerados também os que vivem em áreas de perigo para enxurradas e inundações. Destes, 4,2 milhões vivem nos quatro estados do Sudeste.’

O exemplo da Baixada Santista em 2020

Mas, para além de alertas de cientistas em fóruns internacionais, ou estudos da academia, há os exemplos recentes aqui mesmo no Brasil que, apesar da fartura, o aprendizado parece não  acompanhar. Vejamos como foi um ano atrás…

As fortes chuvas provocaram deslizamentos de encostas em Santos, São Vicente e Guarujá, matando 45 pessoas. Além das mortes, inclusive de dois bombeiros, a infraestrutura desmoronou: barreiras nas principais rodovias, como Anchieta, Cônego Domênico Rangoni, Rio-Santos, e Guarujá-Bertioga.

Depois que a lama assentou, não se falou mais na remoção de outros 11 mil moradores em áreas de risco de Santos,  nos 4 mil de Guarujá, muito menos nos 800 ameaçados de São Vicente.

Grande Recife, 2019

Um ano antes, a vítima foi Recife, que registrou 20 mortes relacionadas à chuva, quando mais de 1.600 pessoas precisaram deixar suas casas na Região Metropolitana e na Zona da Mata em razão dos alagamentos.

Como sempre, quando as águas baixaram e o terror passou, assunto aos poucos foi esquecido. E assim seguiram os anos, os eventos extremos e suas consequências à reboque.

A maior tragédia, Rio de Janeiro, 2011

Todo verão temos hora marcada com a tragédia. E, mesmo assim, ano após ano, a catástrofe se repete. A pior de todas foi no Rio de Janeiro em 2011. Mais de 900 pessoas morreram em vão, 35 mil ficaram desabrigadas, em quatro cidades. Tudo que esta tragédia conseguiu foi modernizar o sistema de defesa civil, com o aperfeiçoamento do mapeamento de áreas de risco, e novo protocolo de alerta.

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A nosso ver, muito pouco. Mesmo a maior e mais rica cidade do País, São Paulo, naufraga todos os anos, numa repetição que poderia ser chamada de enfadonha, não fossem as mortes, os desalojados, e os prejuízos milionários.

Até quando? Em 2022 teremos eleições outra vez. Pense bem antes de escolher seus candidatos.

Assista ao vídeo do caos na Bahia

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Imagem de abertura: reprodução Twitter

Fontes: https://oglobo.globo.com/brasil/tragedias-como-as-da-bahia-ja-ocorreram-anteriormente-no-pais-relembre-as-maiores-25333267; https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59804297.

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