Ricardo Salles e ministério do Meio Ambiente: alvos da PF

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Ricardo Salles e ministério do Meio Ambiente, alvos da PF em investigação sobre exportação ilegal de madeira

Na manhã de quarta-feira, 19 de maio, a Polícia Federal iniciou a Operação Akuanduba que envolveu os Estados do Pará e São Paulo, além do Distrito Federal. A operação apura a exportação ilegal de madeira para os Estados Unidos e Europa. A PF deslocou 160 policiais para cumprir 35 mandados de busca e apreensão determinados pelo Supremo Tribunal Federal. Além das buscas, o STF determinou o afastamento de 10 agentes que ocupam cargos de confiança no Ibama e no Ministério do Meio Ambiente. Post de opinião, Ricardo Salles e ministério do Meio Ambiente, alvos da PF.

Imagem de ministro Ricardo salles
Imagem, Pablo Valadares/Câmara dos Deputados.

Ricardo Salles e ministério do Meio Ambiente, alvos da PF

O Estado de S. Paulo diz que ‘na decisão em que determinou a abertura da Operação Akuanduba, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, registrou que um relatório de inteligência financeira indicou ‘movimentação extremamente atípica’ envolvendo ‘escritório de advocacia que tem como sócio o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles’. Segundo Alexandre, o documento cita transações de 2012 até junho do ano passado que somam R$ 14,1 milhões’.

Segundo o jornal, ‘além das transações que envolvem Salles, a PF comunicou ao Supremo que encontrou diversas comunicações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras de ‘operações suspeitas’ envolvendo o secretário adjunto de biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Olivaldi Alves Azevedo Borges, e duas empresas investigadas na ‘Akuanduba’. Segundo Alexandre, tal ‘situação que recomenda, por cautela, a necessidade de maiores aprofundamentos’.

Entre as medidas do STF estão a suspensão imediata do despacho de fevereiro de 2020 permitindo exportação de produtos florestais sem a necessidade de emissão de autorizações de exportação.

Um dos que foram afastados do cargo é Eduardo Bim, atual presidente do Ibama. De acordo com matéria da CNN, ‘o despacho de 2020 foi feito a pedido de empresas que tinham cargas apreendidas nos Estados Unidos e Europa’.

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A CNN diz que tal procedimento ‘possibilitou a regularização de mais de 8 mil cargas de madeiras exportadas ilegalmente entre 2019 e 2020’.

A CNN explica o nome da operação: Akuanduba ‘é uma divindade mitológica dos índios Araras que habitam o Pará. Segundo a lenda, se alguém cometesse algum excesso, contrariando as normas, a divindade fazia soar uma pequena flauta, restabelecendo a ordem’.

As consequências da operação Akuanduba

O G1 informa que a operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, ‘que também determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Salles’.

O Mar Sem Fim teme que a ordem do politizado  STF só aumente ainda mais a polarização hoje dominante quando se trata de ações do Governo Bolsonaro.

A polarização na esfera política, e nas redes sociais, tira o foco do público do que  acontece na Amazônia no  momento. Apesar das promessas vãs de Bolsonaro na reunião do clima convocada por Joe Biden em 22 e 23 de abril, o mês de março registrou recorde histórico de desmatamento.

Desmatamento recorde em março

Mesmo com o País na ‘mira’ das nações que hoje buscam eliminar ou diminuir suas emissões para contribuir com o esforço internacional para mitigar o aquecimento global, o desmatamento em março na Amazônia atingiu o pior índice para o mês dos últimos dez anos, segundo levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, Imazon.

Nada menos que 810 Km2 foram desmatados na Amazônia Legal. Esta área equivale à cidade de Goiânia. Um aumento de 216% em relação à área desmatada em março de 2020.

Novo recorde de desmatamento na Amazônia em abril

Já em abril o desmatamento atingiu o maior valor para a série histórica para o mês nos últimos 10 anos. Os dados foram compilados pelo Imazon, com base no SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento), que monitora a região via satélite.

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A área desmatada em abril foi pouco menor que a de março, com 778 km2. Mas, em comparação com abril de 2020, o número representa aumento de 45%. A degradação da floresta também aumentou. Segundo o Imazon a degradação neste mês foi de 99 km2 na Amazônia Legal.

Curiosamente, dois estudos diferentes publicados em revistas científicas entre março e abril trouxeram a mesma e perigosa informação. Em razão dos 20% de desmatamento desde os anos 70 do século passado, e os cerca de 30% degradados, a floresta Amazônica pode emitir mais gases de efeito estufa do que absorver.

O ‘ministro’ do Meio Ambiente e o embate com a Polícia Federal

Ainda em abril deste ano o ‘ministro’ criou caso com o delegado superintendente da PF do Amazonas, Alexandre Saraiva, ao se deslocar ao Pará onde havia sido feita a maior apreensão de madeiras, 200 mil metros cúbicos no valor de R$ 130 milhões. Na ocasião Salles colocou em dúvida a operação da PF.

Ilustração de Ricardo Salles como alvo da polícia federal
Ilustração by Lotti.

O bate-boca entre o ‘ministro’ do Meio Ambiente e o delegado acabou com uma queixa-crime da PF contra o ministro do Meio Ambiente a poucos dias da reunião de cúpula com Joe Biden para tratar dos problemas do aquecimento global e as ilegalidades na Amazônia.

Poucos dias depois, Saraiva enviou notícia-crime ao STF em que acusa o ‘ministro’ de tentar obstruir as investigações. Em seguida, o delegado foi exonerado.

É preciso por um fim ao desmonte da legislação ambiental

Desde antes da posse já se sabia que a política ambiental deste governo seria a de enfraquecer os órgãos que cuidam da nossa biodiversidade: ICMBio, e Ibama. Mas o desmonte foi muito além.

Hoje, ambos os órgãos sofrem um brutal deficit de pessoal, e tiveram suas chefias trocadas. De funcionários concursados, para policiais militares sem experiência na área ou na complexidade de se enfrentar poderosas e organizadas quadrilhas de desmatadores e grileiros na Amazônia.

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O resultado, além de muita polêmica interna e externa, foram dois anos de recordes de desmatamento na Amazônia e Pantanal no momento em que o mundo finalmente decide enfrentar o aquecimento global.

Até agora a política ambiental de Bolsonaro, fielmente executada por Ricardo Salles, não melhorou a vida de nenhum dos cerca de 23 milhões de brasileiros que vivem em condições precárias na Amazônia Legal. E ainda colocou o Brasil como um país pária no concerto das nações.

Insistir no erro por quê, e até quando? Está mais que na hora de mais uma troca no ministério, ainda que a política equivocada permaneça. O ‘ministro’ do Meio Ambiente abusou de sua cota de criar problemas graves, inúteis, e evitáveis.

Imagem de abertura: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados.

Fontes: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/2021/05/19/ricardo-salles-e-ministerio-do-meio-ambiente-sao-alvos-de-operacao-da-pf?fbclid=IwAR2j2sNikPvDQfWwMnindpCwtz1ncfIaAphUGVGTAQGF6GzgRwNY1cquOHU; https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/04/26/salles-tornou-legitima-a-acao-dos-criminosos-e-nao-do-agente-publico-diz-ex-chefe-da-pf-no-am.ghtml; https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2021/05/17/desmatamento-da-amazonia-em-abril-e-o-maior-em-10-anos.htm; https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/alexandre-cita-movimentacao-extremamente-atipica-envolvendo-salles-e-pf-ve-modus-operandi-de-passar-a-boiada-veja-suspeitas-que-recaem-sob-ministro/.

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Comentários

1 COMENTÁRIO

  1. senhores nossos filhos , netos ,bisnetos precisam respirar para viverem saudávelmente. Senhores eu imploro SALVEM a nossa AMAZONEA.

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